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Chapitre 1 Le constat

2.4 Une complexité et des délais excessifs

Durante a administração do Prefeito Olavo Se- túbal (1975-1979), a preocupação com os pe- destres passou a ser uma constante por conta de diversos fatores, como o início do funcio- namento do Metrô, a prioridade concedida ao transporte público e, provavelmente, alguns exemplos encontrados em diversas cidades no mundo. Mesmo assim, o objetivo principal era valorizar o centro da cidade, suas atividades e seu comércio. Passavam diariamente pelas ruas centrais centenas de milhares de carros e ônibus ameaçando a integridade física do pe- destre, que caminhava espremido nas calçadas. Com a iniciativa do órgão público EMURB, as ruas transformaram-se entre 1976 e 1978 em ruas de pedestres.

O piso das ruas de pedestres foi formado por pla- cas de granito e mosaico português, cuja com- posição trouxe como virtude a possibilidade de

IMAGEM 144. Planta de Situação Centro Novo - Centro Antigo, Ruas de Pedestres, 1976 - 1978, Fonte: Arquivo, EMURB

poder ser incorporado sobre qualquer irregula- ridade do solo. O novo desenho tentou incor- porar de forma sutil as sarjetas e bueiros através de materiais resistentes, capazes de suportarem o tráfego eventual de veículos de emergência e dos caminhões de abastecimento da área. A tradicional Rua São Bento, na área histórica da cidade, foi a primeira a receber o tratamen- to urbanístico projetado pela EMURB, seguida das ruas Direita, José Bonifácio, Quintino Bo- caiúva, Miguel Couto, Senador Paulo Egydio, Tesouro, Álvares Penteado, Quitanda e os lar- gos do Ouvidor, do Café e da Misericórdia. No chamado centro novo, a rua Barão de Itapeti- ninga, D. José de Barros, 24 de Maio e Marconi foram alteradas para as funções de ponto de encontro e local de lazer dos paulistanos. Em 1978, a EMURB completou seu programa de ruas de pedestres no centro, incluindo também as ruas XV de Novembro, João Brícola , Três de Dezembro, Praça Antônio Prado e Aveni-

IMAGEM 145. Rua de Pedestres, Corte Tipo Infraestrutura. Fonte: Arqui- vo, Viva o Centro

IMAGEM 146. Rua de Pedestres, Centro Histórico após da intervenção. Fonte: Arquivo, Viva o Centro

da São João, elevando para 60.000 m2 a área

reservada à utilização exclusiva de pedestres. As ruas de pedestres não foram projetadas ape- nas como vias onde a circulação de veículos era proibida. As características físicas das ruas também foram alteradas de forma a serem ade- quadas ao uso do homem. Além de eliminar a faixa dos carros e implementar uma pavimen- tação adequada, era necessário proporcionar uma nova iluminação, bancos, floreiras, caixas de correio, lixeiras e orelhões.

Segundo Vespaziano Puntoni, um desafio para a administração pública municipal na interven- ção era o remanejo da canalização e das redes das concessionárias dos serviços públicos. Com

a implantação de 41.300 m2 de ruas de pedes-

tres, a partir de fevereiro de 1976, foi eliminado o acúmulo de águas pluviais no antigo leito car- roçável após as chuvas. Nas ruas foram construí- dos mais de 6.000 metros de canaletas de águas pluviais. Toda água coletada nos edifícios foi drenada diretamente para as galerias abertas

IMAGEM 147. Rua de Pedestres, Centro Histórico após da intervenção. Fonte: Arquivo, Viva o Centro

no subsolo. Essa intervenção na região central propiciou às concessionárias de serviços públi- cos (Light, Telesp, Comgás e Sabesp) a oportu- nidade de promover o remanejamento e a subs- tituição de muitas de suas canalizações, além da ampliação de suas redes e caixas subterrâneas. A EMURB utilizou uma estratégia de trabalho compatível com a importância da área, afim de não prejudicar o seu intenso comércio e mini- mizar os transtornos à considerável parcela da população que por lá circulava. Como no res- tauro do Edifício Martinelli, as obras foram exe- cutadas durante a noite, e tinham os trechos em obras cobertos durante o dia, porém permitin- do a passagem normal dos pedestres.

Interessante observar como o projeto das ruas de pedestres no centro de São Paulo encorajou sua implantação nos grandes centros de bair- ros tradicionais, onde estavam surgindo proble- mas semelhantes aos da área central. Em Santo

Amaro, Largo 13 de Maio e adjacências, a Rua Senador José Bonifácio e a Praça Floriano Pei- xoto passaram a ser áreas exclusivas para pe- destres

CONSIDERAÇÕES

Todas as propostas de intervenção no centro intensificaram-se à partir da década de 1970, como resposta ao processo de »decadência« iniciado nas décadas anteriores. Esse proces- so foi caraterizado pelo abandono dessa área pela elite paulistana, cuja evasão causou um au- mento da vacância imobiliária de toda a região central. As intervenções de reabilitação pela EMURB procuraram adequar o centro da cida- de para o uso comercial e privado, mas mesmo assim não houve um investimento significati- vo pela elite na região após os investimentos públicos. A espectativa da EMURB era de que os projetos de reabilitação permitissem que o poder público usufruísse da valorização propor- cionada pelo empreendimento privado. Mas essa ideia da divisão do lucro da valorização

imobiliária na região central deve ter, no final das contas, ajudado a afastar os investidores. A lógica das imobiliárias segue sempre em maior lucro. Reparti-lo com o setor público não deve ser algo muito atraente.

Porém é necessário identificar dentro da ques- tão urbanística, além da política econômica, o aspecto estético. Com as intervenções de rea- bilitação no antigo centro da cidade, a EMURB afirmou uma sensibilidade na atuação com os elementos urbanos: O Viaduto, o Edifício e a Rua do pedestre são as testemunhas, que re- presentam na pesquisa, essa experiência. A EMURB, composta por arquitetos cuja formação era enraizada na arquitetura moderna, identifi- cou o centro antigo como um dado ineliminável e sem limites para seu desenvolvimento moder- no. Os arquitetos, engenheiros e técnicos da empresa pública atribuíram aos projetos históri- cos analisados, valores que exercem novas fun- ções: a rua virou calçadão, a ponte de veículos foi transformada em um viaduto de pedestres, e

o degradado edifício Martinelli virou um prédio

»...abrir mão do encurtamento do traçado

de uma rua em pr

ol da beleza e do prazer