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Les modules de reconnaissance des CpG méthylés

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 27-30)

A. Les modifications épigénétiques

2. La méthylation de l’ADN

2.3. Les modules de reconnaissance des CpG méthylés

A tuberculose como uma zoonose tende a ser reconhecida pelos médicos-veterinários, entretanto a preocupação com o seu controle e erradicação vem acontecendo apenas nos últimos anos. O sargento Cruz, descreve esta situação: “O controle da tuberculose nem se

falava. Aí, no final, quando eu estava parando de trabalhar com grandes animais, é que quando se ia comprar uma vaca se pedia os testes de tuberculose e de brucelose. Isso começou há uns dez anos.” (SARGENTO CRUZ).

Como podemos notar, o controle das doenças era direcionada para animais que deveriam ser comercializados e o teste somente era feito em animais envolvidos em projetos de financiamentos. Portanto, não havia preocupação com a saúde dos rebanhos e das pessoas que trabalhavam com animais, porque as funções ocupadas pelo profissionais médicos- veterinários, centravam-se na área produtiva e em alguns casos clínicos. Esta posição dos profissionais e dos serviços públicos pode ser um dos fatores que levaram ao ressurgimento da tuberculose humana.

Outro profissional, médico-veterinário da iniciativa privada, há três anos exercendo a profissão, responsável pelo diagnóstico da tuberculose e que já trabalhou em propriedades em que a doença foi eliminada, mas retornou, acrescentou que existe grande dificuldade para realizar práticas de controle da tuberculose. Essa posição vai além da posição da biomedicina, segundo a qual para existir a doença é necessário presença do agente infecioso e espécie sensível. Para este profissional o agente causador pode ficar armazenado em outros animais, não necessariamente bovinos. Quando questionado sobre as dificuldades para o controle ele respondeu:

É complicado, porque ela é altamente transmissível, tomar leite que não é pasteurizado, transmite-se pela secreção nasal. Passa muito facilmente de um animal para o outro, principalmente em animais semi-confinados. Tenho tido experiências em propriedades que têm tuberculose, não é fácil tirar da propriedade... O animal doente é fácil, o difícil é tirar a doença, fica nas instalações, no ambiente. Então é bem complicado (Paulinho).

As afirmações do entrevistado vão na direção do que descrevemos no referencial teórico sobre as formas de reaparecimento da doença, pois ressurge de maneira tradicional e de forma não convencional o que a caracteriza como uma doença emergente. Notamos que este profissional possui clareza das formas tradicionais de transmissão e de contaminação da doença, a respiratória e a digestiva, porém acredita que existem outros fatores na transmissão, que não foram ainda suficientemente estudados. Por exemplo, a doença pode ficar em lugares que necessariamente não seja o animal portador (a doença passa a ter características locais); neste caso, passa a ser uma entidade construída socialmente e que ocupa vários locais que não os citados pela biomedicina. A doença está no ambiente e não possui, necessariamente, um hospedeiro específico. Este médico-veterinário, mesmo não tendo conhecimentos de antropologia, realiza a relativização de seus casos clínicos. Torna-se, portanto, necessário, nessa lógica, considerar questões sociais, comportamentais e culturais, como nos lembra Sevalho et al (1998), para realizar uma vigilância epidemiológica e sanitária abrangente.

Paralelamente a isso, os profissionais que trabalham em estabelecimentos com técnicas avançadas para a produção de alimentos referem a facilidade com que realizam o controle das doenças. Esses estabelecimentos cumprem as exigências de empresas que produzem alimentos dentro das normativas internacionais e estão inclusos no SISBOV(2005) e no PNCEBT (2004). Os próprios produtores fazem questão de realizar exames periódicos em seus animais. As práticas citadas, além de valorizarem o rebanho, recebem incentivos econômicos diretos na produção, visto que o leite e a carne dessas propriedades têm preço acima dos de tabela.

Outro profissional médico-veterinário da iniciativa privada, com três de experiência profissional, proprietário de laboratório para diagnóstico de tuberculose e brucelose, além de ser responsável por estabelecimentos que realizam o controle da doença, considera a tuberculose como uma zoonose, mas realça ser necessário que se faça o diagnóstico diferencial:

A tuberculose como zoonose não é muito falada hoje em dia, mas eu acredito. Mas, em primeiro lugar falta diagnóstico, diagnóstico diferencial para saber de onde veio esta tuberculose, saber se a pessoa esta infectada de tuberculose. Outra coisa, saber de onde veio esta tuberculose. O grande problema que eu vejo é o diagnóstico nas pessoas, eu acho que tem muita coisa que esta mascarada, nem sabem que é tuberculose, ou levam muito tempo para descobrir, esta tudo debaixo dos panos. Mas eu acho que há... há um grande potencial para haver, é muita gente em contato com muito animal (Márcio, médico veterinário da iniciativa privada)

O profissional entrevistado coloca em outros termos a questão do diagnóstico diferencial, dizendo que, para que ocorra o controle eficiente da doença é necessário que se realize a diferenciação do Micobacterium responsável pela tuberculose. Observa-se que, mesmo sendo treinado para realizar o diagnóstico laboratorial da tuberculose animal, há a necessidade de outras formas de diagnósticos, como o que diferencie a espécie do agente causador, não apenas identificando a doença, isso em humanos. Também é evidenciado na declaração acima que a doença pode ficar por muito tempo encubada, o que a caracteriza como uma “doença branca”. A entrevista corrabora um dos aspectos centrais para a compreensão deste estudo: se não houver este diagnóstico diferencial, não haverá notificação da doença.

Notamos que a especialização da medicina veterinária levou ao surgimento de outras especializações. Os profissionais, enquanto alunos nas universidades, procuravam, e procuram, uma especialização (gado de corte, gado de leite, criação de aves,...), pois depois de formados é necessário fragmentar mais ainda seus conhecimentos. Um exemplo disso é a necessidade de fazer curso para diagnóstico da tuberculose e da brucelose reconhecido pelo Mapa. Este tema é muito bem esclarecido por Bauman (1995) ao referir que o acúmulo de especialização é uma das características da “Modernidade ambivalente.” De fato, torna-se uma ambivalência porque, ao mesmo tempo em que as especializações propiciam o acúmulo de novos conhecimentos sobre as doenças, não conseguem solucionar o surgimento de novas doenças ou o aparecimento de patologias com formas diferenciadas. A idéia explicitada por Bauman (1995) contraria a idéia de haver uma solução final, porque a possibilidade de erradicação de todas as doenças não é lógica, de acordo com os entrevistados.

As representações sociais que os médicos-veterinários possuem sobre o tema em questão advém de seus conhecimentos adquiridos na universidade, entretanto posições próprias do indivíduo constituídas em razão de suas práticas em seus trabalhos de campo, contribuem para a emergência destas representações. Notamos que, mesmo possuindo formação clássica da biomedicina, os entrevistados elaboram aspectos evidenciados pela antropologia da saúde (da abordagem culturalista ou interpretativista), na qual o processo da

doença é experiencial; o estado de doença passa a ser uma construção social, torna-se plural, ou seja, cada propriedade é uma história. Assim, a doença é um movimento, é fluida como explicita Kleinman (1988-1976) no referencial teórico deste trabalho.

4.1.2 Formação universitária e qualificação no exercício da profissão dos médicos-

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