Como apontado no capítulo 1, diversos autores ligados à economia da complexidade defendem que, para se analisar a relação entre microeconomia e macroeconomia, a noção de emergência, centrada nas interações entre agentes, é fundamental. Tal noção, no contexto da ciência da complexidade (de forma geral, e não apenas em economia) é bem analisada por Bedau (1997), que defende um tipo de emergência (‘fraca’) que, de acordo com ele mesmo (e outros autores), se tornou a referência nessa abordagem:
An innocent form of emergence – what I call “weak emergence” – is now a commonplace in a thriving interdisciplinary nexus of scientific activity – sometimes called the “sciences of complexity” – that include connectionist modelling, non-linear dynamics (popularly known as “chaos” theory), and artificial life. (BEDAU, 1997, p. 375)
Weak emergence is the notion of emergence that is common in recent scientific discussions of emergence, and is the notion that is typically invoked by proponents of emergence in complex systems theory. (See Bedau 1997, for a nice discussion of the notion of weak emergence and its relation to strong emergence). (CHALMERS, 2006, pp. 244-245)
Além da emergência fraca, Bedau (2003) propõe também outros dois tipos de emergência, e defende que qualquer noção que se enquadre nos dois critérios de dependência e autonomia – os “twin hallmarks” (BEDAU, 2010, p. 47) – é candidato a ser considerado um tipo de emergência. De forma mais específica, ele coloca:
There are many ways in which phenomena might be dependent on underlying processes, and there are also many ways in which phenomena might be autonomous from underlying processes. Any way of simultaneously meeting both hallmarks is a candidate notion of emergence. (BEDAU, 2003, p. 6)
Esses critérios, de acordo com Bedau, são propositalmente vagos e, assim, permitem uma visão pluralista a respeito do conceito de emergência. Nessa visão, para se definir um conceito de emergência, basta especificar uma interpretação a respeito de dependência e de autonomia. Portanto, diferentes interpretações de dependência e de autonomia gerariam diferentes noções de emergência. Entretanto, nem todas essas noções seriam filosoficamente interessantes ou cientificamente úteis. Apenas aquelas que contribuíssem de forma central e construtiva para a explicação da natureza (realidade) (BEDAU, 2010, p. 48).
A partir dessa visão pluralista, Bedau apresenta três noções diferentes de emergência – nominal, fraca e forte – que, na suas palavras, seriam “not narrow definitions but broad concepctions each of which contains many different instances” (BEDAU, 2003, p. 8). Além disso, cada uma dessas deveria ser analisada de forma independente uma da outra e “must make its own case for itself, on its own merits” (BEDAU, 2010, p. 48). Ou seja, para Bedau, além de ser possível a existência de diversas noções de emergência, é possível que cada uma tenha a sua contribuição própria para o desenvolvimento da ciência, porém é necessário que se “prove” isso para cada caso. Sobre isso,ele acrescenta que “convincing credentials for one kind of emergence do not rub off on other kinds of emergence; each kind is independent” (BEDAU, 2010, p. 48).
Para defender um conceito de emergência em particular, Bedau propõe um “método” que, de acordo com ele, é semelhante ao utilizado por ele para defender o seu conceito de “emergência fraca” – dos três conceitos apontados pelo autor, é o que o ele mais se debruça sobre e defende ser “útil”. Esse “método” consistiria em três prontos: i) especificar bem os tipos de dependência e autonomia envolvidos entre o domínio macro e o domínio micro; ii) mostrar que esses tipos de
dependência e autonomia não possuem “implicações metafísicas negativas”; iii) mostrar que tal combinação de dependência e autonomia contribuiu para a investigação científica de algum aspecto relevante da realidade (BEDAU, 2010, pp. 48- 49). A partir desses três critérios, Bedau propõe os seus três conceitos de emergência (nominal, fraca, forte).
Começando pela emergência nominal, Bedau (2010, p. 49) afirma que ela “involves a macro property that logically or conceptually cannot be a property of the micro entities in question”. Diversas propriedades que caracterizam macroestruturas simplesmente não se aplicam aos seus microcomponentes, como, por exemplo, a propriedade “transparência” da água, que não se aplica a – ou não pode ser possuída por – suas moléculas constituintes. Assim, esse conceito de emergência nominal seria uma “specially simple and bare notion” (BEDAU, 2010, p. 49). Apesar disso, porém, ela envolveria as duas “hallmarks” apontados por Bedau: as estruturas macro dependeriam de seus microcomponentes, para existir; e tais estruturas seriam autônomas no sentido de possuírem propriedades que não se aplicam aos seus microcomponentes. Essas caracterizações dos tipos de dependência e autonomia, até por serem muito simples e amplas, não possuiriam nenhuma “implicação metafísica negativa”. Além disso, como mostra o exemplo da transparência da água, esses tipos de autonomia e dependência se aplicam a diversos casos na natureza.
Em seguida, Bedau (2010, p. 50) apresenta o conceito de emergência forte, que, segundo ele, seria o “most stringent conception of emergence”. Nesse tipo, além das características presentes no tipo nominal, haveria o requisito de que as propriedades macro emergentes fossem propriedades supervenientes com poderes causais irredutíveis. Como apontado na discussão sobre “downward causation”, embora Bedau defenda uma autonomia explicativa do macro, no caso da “emergência fraca”, esse nível apresentaria redutibilidade tanto ontológica quanto causal, uma vez que a macroestrutura seria composta por nada além de seus microcomponentes, e esses exerceriam os poderes causais possuídos pela macroestrutura. Já no caso da “emergência forte”, porém, as propriedades emergentes seriam distintas das propriedades estruturais resultantes das relações entre os componentes no nível micro. Desse modo, a downward causation presente na emergência forte não se manifestaria via os componentes do sistema – levando em conta inclusive a estrutura relacional desses componentes –, mas diretamente a partir do nível macro. Como aponta Bedau:
Although Strong emergence is logically possible, it is uncomfortably like magic. How does an irreducible but supervenient downward causal power arise, since by definition it cannot be due to the aggregation of the micro- level potentialities? Such causal powers would be quite unlike anything within our scientific ken. This not only indicates how they will discomfort reasonable forms of materialism. Their mysteriousness will only heighten the traditional worry that emergence entails illegitimately getting something from nothing. (BEDAU, 1997, p. 377)
Por fim, Bedau (2010, p. 51) apresenta o seu conceito de emergência fraca, que seria uma noção intermediária entre a emergência nominal e a emergência forte. Ele ressalta que o termo “fraca” é intencionalmente escolhido para fazer uma contraposição ao conceito de emergência “forte”, que seria caracterizado, como exposto acima, por poderes causais supervenientes não redutíveis aos poderes causais dos microcomponentes da macroestrutura. A emergência fraca, por sua vez, seria caracterizada por propriedades macro completamente determinadas (geradas) por seus microcomponentes, porém, de tal forma que a explicação dessa geração – a conexão entre o micro e o macro – seria “incompressível”. De forma mais detalhada:
If P is a macro property of some system S, then P is weakly emergent if and only if P has a generative explanation from all of S’s prior micro facts, but only in an incompressible way […] This definition defines weakly emergent macro properties by the distinctive way in which we explain how they are generated from underlying micro facts. (BEDAU, 2010, p. 52)
Assim, para explicar a emergência fraca, Bedau utiliza, aqui, o conceito de “incompressibilidade explanatória” (explanatory incompressibility), mas afirma que esse é equivalente ao conceito de “não possibilidade de derivação exceto por simulação” (underivability except by simulation), utilizado por ele em outros trabalhos (e.g., Bedau (1997), Bedau (2003)). Bedau afirma que escolhe utilizar o conceito de “incompressibilidade explanatória”, neste trabalho, para ressaltar o fato de que a emergência fraca não se aplica apenas a simulações computacionais, mas também a sistemas naturais. Esse é um ponto importante, e que será discutido mais adiante, pois Bedau defende que o seu conceito de emergência fraca não seria “apenas” epistemológico, mas teria um aspecto ontológico também, ou seja, esse conceito descreveria fenômenos reais existentes na natureza (ver Bedau (2008)). Na próxima subseção, esses conceitos de “incompressibilidade explanatória” e “impossibilidade de derivação exceto por simulação” serão analisados de forma mais profunda,
porém cabe, aqui, uma breve exposição sobre eles, para que se entenda melhor o significado de emergência fraca. Bedau explica:
Elsewhere I have characterized weak emergence as underivability without simulation. Here I shift terms slightly and replace derivations with explanations, and replace macro-sates that are underivable except by simulation with macro-states that have only incompressible explanations. Throughout I tacitly assume that we seek only true, exact, and complete explanations of how macro properties are generated from prior micro properties over time. (BEDAU, 2008, p. 445)
Now, an incompressible explanation is simply one that is not compressible. That is, an explanation of some macro-property of a given system is incompressible just in case there is no shortcut generative explanation of that macro-property that is true, complete, accurate, and avoids crawling the micro-causal web. (BEDAU, 2013, p. 95)
Desse modo, o ponto central do conceito de emergência fraca é que nele, embora as propriedades emergentes das macroestruturas dependam diretamente das – e possam ser reduzidas às – propriedades dos seus microcomponentes, a única forma de explicar essa conexão seria rastreando cada interação existente no nível micro, o que Bedau chama de “crawling the micro-causal web”. Essa forma de explicação seria “incompressível”, pois não haveria nenhuma outra, mais “curta”, que fosse verdadeira, completa e acurada. A relação desse tipo de explicação com simulações computacionais é que essas realizariam exatamente isso, elas rastreariam (ou executariam) cada interação existente no nível micro, para se gerar a macroestrutura:
So, each example of macro-level weak emergence is ontologically and causally reducible to micro-level phenomena. However, in practice, typically nobody can understand or follow such a complex micro-causal reduction unless they simulate the micro-causal web on a computer. In a wealth of interesting cases, studied in fields like soft artificial life, computer simulations make it possible to crawl simulated micro-causal webs and discover the resulting emergent macro-patterns. (BEDAU, 2010, p. 55)
Outro conceito citado por Bedau, em sua definição da emergência fraca, é o de “explicação generativa”. De forma bem sintética, Bedau (2010, p. 52) explica que “An explanation is generative just in case it exactly and correctly explains how macro events unfold over time (i.e., how they are generated dynamically)”. Com isso, por ser um conceito essencialmente dinâmico, a emergência fraca deve ser enquadrada na categoria de emergência diacrônica, como também classifica Humphreys (2008,
p. 432): “The account that goes under the name ‘weak emergence’ (Bedau 1997, 2003) captures much of what is important about computational forms of diachronic emergence”.
Voltando à comparação entre emergência forte e emergência fraca, foi dito que, diferentemente do conceito de emergência forte, no qual macroestruturas teriam poderes causais irredutíveis aos poderes causais de seus microcomponentes, no conceito de emergência fraca, as macroestruturas teriam propriedades que seriam redutíveis às propriedades de seus componentes micro. Essa característica da emergência fraca, de acordo com Bedau, não apenas a diferenciaria da emergência forte, mas seria um dos seus traços centrais: “the characteristic feature of weak emergence, in general, is that the macro is ontologically and causally reducible to the micro in principle, but the reductive micro explanation is specially complex” (BEDAU, 2010, p. 52). Essa característica é de suma importância, pois delimita esse conceito a casos em que o fenômeno emergente pode ser explicado a partir de seus microcomponentes – muito embora essa explicação seja de um tipo especial, generativa e incompressível. De acordo com Bedau:
Rather than rejecting reduction, weak emergentism requires (ontological and causal) reduction, for these are what make the complicated mechanisms work. The question whether any apparently emergent macro-level phenomena still resist micro-level explanation, even in principle, is controversial. What is uncontroversial is that weak emergence applies only those phenomena that do have micro-level explanations (of a certain complex sort). So weak emergence would not cover any phenomenon the explanation of which is irreducible in principle. The possibility of completely explaining weakly emergent phenomena by crawling the micro-causal web entails that weak emergence is consistent with reductionism. (BEDAU, 2010,
p. 55)
Por fim, um último ponto que precisa ser analisado, aqui, sobre a emergência fraca, é o argumento de Bedau (2008, p. 450) de que esse conceito “is not just in the mind”. Para ele, o conceito de emergência fraca não seria “meramente” epistemológico, mas diria respeito, também, a relações causais objetivas existentes na natureza, possuindo, assim, aspectos ontológicos. De forma mais específica, ele aponta que a “incompressibilidade explanatória” de um fenômeno fracamente emergente seria devido a um tipo de estrutura micro-causal que é incompressível na realidade – e não apenas em sua explicação. Assim, essas estruturas micro-causais incompressíveis gerariam fenômenos macro na realidade, de forma objetiva. Nas palavras de Bedau:
Weak emergent phenomena might also have ontological, non- epistemological aspects. In particular, the distinctively incompressible micro- causal explanations of weak emergence presumably are due to a distinctively incompressible form of micro-causal structure in reality. It is presumably not an accident that one sort of micro-causal structure is incompressible and another sort is compressible. […] weak emergence results from incompressible macro-level structure in the network of micro- level causal connections. This causal web is embodied and brought to life in real ontological substances with real causal powers, and it really generates certain macro-level ontological and causal phenomena. (BEDAU, 2008, p. 451)
Esse aspecto ontológico da emergência fraca torna mais clara a relação que essa possui com simulações computacionais. Como já mencionado acima, essas executariam exatamente o que uma explicação incompressível requer: o rastreamento da teia micro-causal geradora do fenômeno emergente. Porém, como essa teia micro-causal é uma característica objetiva do fenômeno real, a simulação estaria apenas reproduzindo tal fenômeno emergente no computador. Como aponta Bedau (2008, p. 454), “[...] the computer produces something that is weakly emergent in its own right. If the computer happens to be simulating some natural system, that natural system might also exhibit its own emergent phenomena”. Essa relação entre emergência fraca e simulações computacionais, entretanto, merece uma análise mais detalhada. A próxima subseção foca justamente nesse ponto.
Antes, porém, é importante apontar, aqui, que esse conceito de “emergência fraca” de Bedau, como já esperado, se enquadra nos três requisitos por ele indicados como essenciais para qualquer proposta de emergência (noções bem definidas de autonomia e dependência, que não possuam implicações metafísicas negativas, e que contribuam para a investigação cientifica). A noção de dependência é clara, dada a redutibilidade, tanto ontológica quanto causal, apresentada pela macroestrutura emergente, em relação a seus microcomponentes. A noção de autonomia, por sua vez, tem sua base na incompressibilidade explanatória desse fenômenos, que tornam a explicação a partir dos microcomponentes impraticável, sendo necessário, assim, recorrer a simulações computacionais para poder se observar o comportamento da macroestrutura (BEDAU, 2010, p. 56). A adequação ao segundo requisito viria da sua compatibilidade com um reducionismo tanto ontológico quanto causal, o que torna esse conceito pouco controverso. E com relação ao terceiro requisito, Bedau defende que o conceito de emergência pode ser observado em diversos exemplos na natureza, sendo, portanto, útil para a ciência (BEDAU, 2010, p. 58).
2.3.1. “Emergência fraca” e simulações computacionais
Como apontado acima, o conceito de “emergência fraca” de Bedau está intimamente associado a simulações computacionais. Apesar desse conceito se referir também a fenômenos naturais reais, ele sempre requer, na prática, simulações computacionais em sua explicação, devido a sua exigência de se rastrear a “teia micro-causal” das interações entre os microcomponentes. Ou seja, embora seja possível explicar fenômenos fracamente emergentes sem o uso de simulações computacionais, analisando cada interação entre os agentes “manualmente” – por mais demorado que isso se torne –, como é exatamente essa a “tarefa” que uma simulação computacional faz, o seu uso, na prática, se torna indispensável.
Bedau explica assim essa relação entre emergência fraca e simulações computacionais:
So, weakly emergent phenomena always have complete and accurate explanations solely from micro-phenomena, at least in principle. These explanations rely on complete prior micro-level information, and they necessary proceed by crawling the micro-causal web. It is easy to see why it is typically impossible for anyone to grasp or understand how the emergent phenomena unfold from the micro, in practice, without resorting to computer simulations. This leads to the special connection between weak emergence and computer simulations. (BEDAU, 2013, p. 96)
Assim, embora “em princípio” seja possível explicar fenômenos de emergência fraca a partir de um rastreamento das interações que ocorrem entre os microcomponentes que geraram o fenômeno – reduzir o fenômeno fracamente emergente ao comportamento dos seus componentes –, “na prática”, como essa explicação é “incompressível”, a única alternativa viável é simular tais interações para poder se observar o comportamento macro resultante (ou seja, o fenômeno fracamente emergente). Bedau (2013, p. 97) explica essa dualidade da redutibilidade de fenômenos fracamente emergentes afirmando que eles são “em princípio irredutíveis na prática”. De forma mais elaborada, ele aponta:
The subtle way in which weak emergence balances principles and practices is summarized with the awkward but apt notion of in-principle irreducibility in
practice. Although weakly emergent phenomena have true, complete, and
incompressibility makes the explanation useless, in practice. In practice, we have no alternative but to simulate the system’s micro-level behavior, if we want to observe what macro behavior will emerge. (BEDAU, 2010, p. 56). Essa limitação da redução “na prática”, entretanto, de acordo com Bedau, não se deve a características cognitivas humanas, mas seria uma limitação que ocorreria para qualquer agente epistêmico que tentasse explicar o comportamento do sistema fracamente emergente em questão. Assim, a necessidade de se recorrer a simulações computacionais não seria devido ao estado em que se encontra a teorização cientifica a respeito do fenômeno emergente, mas, sim, ao tipo de explicação atrelado a esse, que requer o rastreamento da sua “teia micro-causal”. Ou seja, para se gerar o comportamento macro do fenômeno emergente, a única maneira possível, dada a “incompressibilidade explanatória” desse fenômeno, seria simular todas as interações entre os seus componentes. Qualquer outro tipo de explicação, de acordo com Bedau, resultaria em perda de poder explicativo:
Incompressible explanations cannot be replaced without explanatory loss by shorter explanations that avoid crawling the causal web. If an explanation of some macro-property of some system is incompressible, then there is no short-cut generative explanation of that macro-property that is true, complete, accurate, and can avoid crawling the causal web. (BEDAU, 2008, p. 446)
Dada essa caracterização da emergência fraca, que tipos de fenômenos se enquadrariam nesse conceito? Ou seja, que fenômenos só poderiam ser representados a partir de simulações computacionais, devido à sua “incompressibilidade explanatória”? De acordo com Bedau (2013, p. 97), fenômenos fracamente emergente seriam ubíquos na natureza, porém, com sua maioria não possuindo nenhum significado cientifico ou filosófico especial. Isso porque muitos sistemas complexos naturais apresentariam um comportamento macro que só poderia ser explicado rastreando-se sua “teia micro-causal”, mas sem que tal comportamento apresente um padrão mais regular e geral. Haveria casos, entretanto, em que fenômenos fracamente emergentes possuiriam grande força explanatória, quando apresentassem “realizabilidade múltipla” – termo já citado, utilizado por Bedau para defender a existência de downward causation em emergência fraca – robusta:
Weakly emergent phenomena become more interesting when they are
robust, that is, when they involve causally salient law-like patterns in weakly
emergent macro-properties (Bedau 2003). Many features of emergent patterns are insensitive to the details of the local micro-interactions that produce the patterns, so the emergence have multiple realizations. When multiply realizable emergent patterns are generic or robust, they can have significant explanatory force. (BEDAU, 2013, pp. 97-98)
Como exemplo desses casos onde há múltipla realizabilidade robusta, Bedau aponta congestionamentos de trânsito: congestionamentos surgiriam espontaneamente quando a densidade do trânsito ultrapassasse certo valor crítico. Esse fenômeno fracamente emergente seria robusto, pois envolveria um padrão