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DDD compte aujourd’hui : une interview d’Eric Evans

Dans le document Domain-Driven Design Vite fait (Page 82-87)

O modelo primário-exportador, que se inicia com os movimentos independentistas ao início do século XIX na América Latina, tem seu motor nas economias externas. Os países que se especializaram na produção e exportação de produtos primários e na importação de manufatura dos países centrais passam a ser caracterizados como economias periféricas. Estas economias periféricas, chamadas também pelo pensamento cepalino de economias com “Desenvolvimento para Fora”, não dispõem do controle de seu próprio crescimento, pelo contrário é um modelo de produção dependente das decisões e do desenvolvimento das economias centrais; sendo que só o aumento da atividade industrial naqueles países tem o poder de estimular a atividade de produção primaria na periferia (Cardoso de Mello 1991).

Dito de outra forma, os desempenhos das exportações dos países primário- exportadores dependem da dinâmica do mercado internacional, o que provoca oscilações nos preços dos produtos e alta vulnerabilidade nas economias periféricas, pois todas as outras atividades produtivas são dependentes do setor exportador, e resultam afetadas frente às mudanças na queda da demanda externa.

“La base de la economía agroexportadora tradicional fue la concentración de la propiedad en manos de los terratenientes/exportadores y el uso de una variedad de formas de mano de obra asalariada y no asalariada” (Guerrero 1983 in Waters

2000, p.1).

A estrutura socioeconômica equatoriana se caracterizou pela adoção deste modelo de pensamento liberal, baseado na crença que alcançaria seu desenvolvimento mediante o “jogo livre das forças comerciais” (Valarezo et al. 2004). Assim como também pelo ingresso tardio ao modelo de “Industrialização por Substituição de Importações” ou “Desenvolvimento para Dentro”, que sustenta desde o ponto de vista teórico, que a industrialização é uma variável que influi na aceleração dos processos urbanos pelo desenvolvimento que se gera em torno dela. Porém, esta não se relaciona na origem do processo urbano equatoriano, mas sim em sua aceleração após anos 1960. Isto se deveu a uma divisão social do trabalho distinta.

“La esencia de la problemática del crecimiento “hacia fuera” típico de

las economías latinoamericanas, está vinculada evidentemente a la forma de división internacional de trabajo que impuso el tipo de desarrollo de las economías avanzadas y de la cual se desprendía, para los países de la periferia, una repartición del trabajo social totalmente distinta” (Tavares 1969, p.4).

O primeiro grande auge urbano equatoriano foi produto das atividades econômicas do período das exportações do cacau ou do chamado “boom do Cacau” 2 – atividade produtiva

herança da era colonial que se desenvolveu entre os anos 1875 e 1925. A produção foi de grande impacto que, segundo alguns autores, chegou a converter o Equador num dos principais produtores de cacau no mundo naquele período. Esta atividade agrícola desenvolveu-se no Litoral do país, promovendo o crescimento econômico desta região. O mesmo dinamismo produtivo não ocorreu na região Andina ou Serra equatoriana, marcando-se uma diferenciação no peso econômico e demográfico entre estas duas regiões do país. Isto gerou movimentações migratórias entre estas regiões —desde a Serra para o Litoral— atraídas principalmente pela

2 Termo usado pelos economistas e historiadores equatorianos para referirem-se ao rápido crescimento da

grande demanda por força de trabalho pelas fazendas produtoras do cacau, com melhores salários e condições laborais em relação às práticas repressivas do domínio senhorial que ainda continuavam nas fazendas serranas (Acosta 2006). Como consequência, o Litoral equatoriano cresceu demograficamente concentrando 30,42% da população total do país (Ramón Valarezo 2004).

Algumas das principais cidades da região do Litoral —donas das maiores fazendas produtoras do cacau— conseguiram crescer economicamente e terem maior protagonismo na economia do país. Uma delas foi a cidade de Guayaquil, que além de beneficiar-se do auge econômico, cresceu demograficamente, com muitos migrantes deslocados em procura de trabalho nas plantações de cacau e que acabaram por estabelecerem-se de forma permanente na periferia da cidade. Este crescimento econômico fortaleceu não só o poder dos latifundiários donos das plantações de cacau, mas também fomentou o desenvolvimento da classe burguesa comercial e financeira, que posteriormente induziria um incipiente crescimento de atividades manufatureiras e industriais na cidade (Paz y Miño Cepeda 2009) e forneceu as bases que permitiram à cidade converter-se na atualidade em capital comercial do país.

“Guayaquil fue el primer ejemplo de ciudad capitalista del país.

Vinculada al comercio agroexportador, surgió como una íntima necesidad de este e brotó de una actividad rural orientada básicamente al mercado internacional”. (Portais and Rodríguez 1987, p.26).

Mas se o “boom do Cacau” provocou um auge urbano ao promover o crescimento da região litorânea, sua crise, que se iniciou no ano 1914 e aprofundou-se na década de 1920, também gerou diferentes repercussões na conformação urbana a nível nacional. Lembrado que esta crise foi produto da queda das exportações do cacau —efeitos da Primeira Guerra Mundial 1914-1918— produto da diminuição da demanda internacional, sobretudo a destinada para o continente europeu, implicando altos impactos nas bases da economia equatoriana.

Esta crise intensificou-se com os efeitos do período da Grande Depressão, chegando a seu ponto crítico em 1931 com o colapso do sistema financeiro do país, produzindo uma grave inflação e desvalorização da moeda, além de uma profunda crise no mercado laboral, aumentando o desemprego e diminuindo o poder aquisitivo dos equatorianos. A região do Litoral e em particular a cidade de Guayaquil foram umas das mais afetadas pela conjuntura econômica desse momento, pois tiveram que enfrentar problemas gerados pela migração massiva de camponeses que saiam desempregados das plantações de cacau e procuravam estabelecer-se nas periferias urbanas, sobretudo na cidade de Guayaquil (Portais and Rodríguez 1987). Não obstante, esta crise fomentou o desenvolvimento de outras áreas da economia e de

outras regiões, como a Serra Norte e Central. Entre 1915 e 1930 nas cidades de Quito, Ambato,

Riobamba, assim como Ibarra e Cuenca instalaram-se numerosas empresas que chegara a

representar o 90% da indústria têxtil do país desse período (Allou 1987, p.29)

Nesse período, a construção da ferrovia, teve um papel significativo no processo urbano equatoriano. Esta chegou a consolidar-se em 1908 —no auge do cacau— sob o governo do Gral. Eloy Alfaro Delgado3 líder da Revolução Liberal equatoriana4, contribuindo na integração nacional das regiões equatorianas, fomentando o comércio e o mercado de trabalho nacional. A indústria do açúcar no Litoral foi um dos setores favorecidos pela ferrovia, primeiro porque recebeu muita da mão de obra migrante proveniente da região Andina e porque facilitou o transporte do produto para outras regiões. Por sua parte, na região Andina, a ferrovia fomentou a modernização das cidades e da produção agrícola, nesta última pela importação de sementes selecionadas e a introdução de novas pratica de cultivo (Miño Grijalva 2011).

Entre as principais e mais importantes cidades vinculadas à expansão ferroviária destacam as localizadas no Centro-Sul do Litoral como Durán (início da rota ferroviária que conecta Guayaquil com Quito) e Milagro (possuidora de uma das maiores e mais antiga indústria de açúcar do país); assim como as localizadas na Serra-Centro: Sibambe, Riobamba,

Ambato e Latacunga (atuais capitais de províncias exceto Sibambe), finalizando na capital Quito. Cada uma destas cidades possuíam estações pela qual recebiam diretamente a influência

da rota ferroviária fortalecendo historicamente seu crescimento urbano (Mapa 1).

O próximo auge urbano no país se associa ao incremento produtivo do setor agroexportador pós-segunda Guerra Mundial, quando ocorreu o boom da Bananicultura5 (segunda etapa do modelo agroexportador). Este boom se desenvolve entre os anos 1948 até 1965 seguido de sua decadência entre os anos 1965 até 1971. Depois da profunda crise do cacau, prolongada até 1939, esperava-se que a economia equatoriana consolidasse o processo de Industrialização por Substituição de Importações tal e qual os demais países latino- americanos vinham empreendendo, mas, ainda que este se incorporasse ao modelo no ano 1948,

3 Gral. Eloy Alfaro Delgado: Presidente da República do Equador por duas ocasiões (1897 até 1901 e 1906 até

1911) líder da Revolução Liberal equatoriana, chamado também o “Velho Lutador” focado no serviço social e a procura da nova república. Entre suas obras esteve à eliminação da exploração trabalhista, a criação do Registro Civil e muitos centros educativos sob o posicionamento de uma educação laica e gratuita, e a obra mais reconhecida foi à construção da ferrovia que conectou as regiões do país e fomentou o comércio.

4 Revolução Liberal Equatoriana, chamada também a guerra civil equatoriana foi um Movimento revolucionário

que nasceu como oposição aos governos conservadores da época. Inicia-se nos anos 60 do século XIX, consolidando-se o 5 de maio de 1895 mediante Assembleia Popular que desconheceu o governo dessa época e proclamou como presidente ao Gral. Eloy Alfaro. A Revolução Liberal culminou com a morte de seu líder em 1912.

5 Termo usado pelos economistas e historiadores equatorianos para referirem-se ao rápido crescimento da

a estratégia requeria de uma participação ativa do Estado. Todavia, devido à precariedade de suas instituições e do sistema econômico empresarial, a produção industrial foi débil e instável, impedindo qualquer intento de crescimento da indústria. A forte influência que ainda exerciam os grupos latifundiários sobre os rumos produtivos do país, e a débil presença de grupos industriais, dificultaram a industrialização da economia do país (Valarezo et al. 2004)(Martín- Mayoral 2009).

Dans le document Domain-Driven Design Vite fait (Page 82-87)