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Les critiques de l’Intelligence Artificielle

Chapitre 5.2. Comment collaborer ?

3. Les critiques de l’Intelligence Artificielle

Capítulo 2 – Identidade, padrões de crenças, ritos, e processos de

comunicação na Igreja Pentecostal “Deus é Amor” - IPDA

Introdução

Analisamos no capítulo anterior as origens e a expansão da IPDA, ocasião em que identificamos suas raízes e as origens de David Martins de Miranda – DM, o fundador dessa denominação. Vimos que essa Igreja nasceu dos movimentos de curas divinas e mais diretamente das pregações de missionários americanos em suas tendas. Observamos que as origens de DM estão impregnadas das doutrinas de um catolicismo rural que ele absorveu em sua infância e adolescência no sítio da família, no interior do estado do Paraná. Por fim, notamos que ele soube se apropriar do clima que envolvia a população urbana, especialmente as levas de trabalhadores rurais que, nas décadas de 50 e 60, começavam a chegar à capital paulista, resultado do êxodo rural em busca de melhorias de vida. Apontamos sua estratégia para se valer de seu carisma e dos exemplos de outros grupos pentecostais que se desenvolveram no mesmo período. A seguir, estudaremos a identidade, os padrões de crenças, ritos e processos de comunicação da IPDA que dão continuidade a essa base sobre a qual se estabeleceu a Igreja Pentecostal “Deus é Amor”.

2.1 – Os padrões de crenças e doutrinas

Os movimentos religiosos, tal como nos aponta Thomas O’Dea (1969: 55), após um certo tempo entra em um processo de institucionalização. Nesse estágio começam a aparecer os rituais litúrgicos, os padrões de crenças e doutrinas, bem como regras de comportamento. Fink e Stark48 escrevem que “numa economia religiosa, onde funcionam vários tipos de fé, ocorre um alto grau de especialização”. Com isso, os autores querem dizer que a exigência da especialização força o aparecimento de uma grande diversidade de denominações, cada qual enfatizando características de seu próprio interesse ou dom. Por exemplo, Casa da Bênção: local para ser abençoado; Igreja Apostólica Renascer em Cristo: local onde há apóstolos e a pessoa renasce em Cristo, e assim por diante.

Assim, cada denominação, procurando impor a sua identidade passa, então, a uniformizar os ensinamentos que serão definidos por regras e normas. Por exemplo: em que crê a IPDA? Quais são as doutrinas específicas do pentecostalismo clássico com as quais ela

48 Os autores Fink e Stark (1988: 42) tratam sobre “Economias religiosas e dossel sagrado: mobilização religiosa

compartilha? A IPDA crê que suas características são similares à da Igreja primitiva, porque prega o Batismo com o Espírito Santo o dom de línguas e as curas divinas, enfatizando os dons do Espírito Santo. Sua liturgia, porém, dá ênfase no exorcismo e nas “revelações” do Espírito Santo para indicar e eventualmente curar pessoas enfermas ou possessas entre as que se acham presentes no culto. Allan Anderson (2004: 13,14) dá seu ponto de vista: “Eu penso que o termo ‘Pentecostal’ é apropriado para descrever globalmente todos os movimentos e igrejas que enfatizam as obras dos dons do Espírito [...] porque o pentecostalismo tem sua ênfase na experiência e espiritualidade mais do que na teologia formal ou doutrina...” Por seu lado, Donald Dayton sustenta que o pentecostalismo está alicerçado em dois princípios: “1. Valor pessoal e individual acima do estrutural ou denominacional; 2. Valor da experiência espiritual acima da articulação teológica. Por aí percebe-se que ambos têm o mesmo ponto de vista. Mais adiante, Dayton (1991: 12, 13, 24) afirma que:

Os pentecostais falam da recuperação da fé apostólica. Há relação de Wesley com o pentecostalismo na opinião dos que consideram Wesley como o “teólogo do Espírito.” Wesley era Cristocêntrico o que o diferenciava dos desenvolvimentos posteriores que culminaram nos pentecostais. Os “quakers” são contemporâneos de Wesley.

David Miranda enfatiza que a IPDA resgata valores dos tempos apostólicos. Até aqui Dayton já havia chegado bem antes de DM como vimos acima. As novidades ficam por conta de DM quando introduz regras e exigências que restringem ou alteram usos e costumes da própria sociedade em que sua Igreja está inserida. Com referência às regras para se obter a santidade, o “Regulamento Interno” chega a especificar o número mínimo de jejuns que um membro deve praticar, ou um mínimo de horas que a pessoa deve cumprir orando no “Ministério orai sem cessar”, ou o número de dias em que deve cumprir uma campanha na Igreja, sem faltar um dia sequer. Max Weber, (1982:368) referindo-se às exigências sectárias do puritanismo, escreveu:

Para o puritanismo, tal conduta era um certo modo de vida, metódico, racional que – dentro de determinadas condições – preparou o caminho para o “espírito” do capitalismo moderno. As recompensas eram atribuídas a quem se “provava” perante Deus, no sentido de alcançar a salvação – que se encontra em todas as seitas puritanas – e “provar-se” frente aos homens no sentido de manter a posição social dentro das seitas puritanas.

Na IPDA, a pessoa deve se esforçar para alcançar a salvação.49 Nesse sentido, DM conserva suas crenças para “alcançar uma graça” trazida do catolicismo.

2.1.1 – O Batismo com o Espírito Santo e a glossolalia

Na história das religiões não é desconhecido o hábito de se usar sons de gonzos e sinos para criar estados alterados de consciência. Parece-nos que tais técnicas são semelhantes às praticadas pela IPDA. Pois, quando esta começa a sua liturgia com um hino apropriado e uma oração exaltada do celebrante, a pessoa é orientada a dizer “glória, glória, glória, glória, glória”, mantendo, assim, a sua mente livre de qualquer outro pensamento, repetindo “glória, glória, glória” até que sua língua pareça engrossar e, então, a pessoa comece a falar em línguas, pronunciando sons inarticulados, principalmente labiais. O que não se entende é que essa língua “estranha” repita palavras que, via de regra, são ditas pelo orador principal ou pelo Missionário David Miranda, por exemplo: Surianda, orikanda, alabaia, alabakata,

alabachéia. Essas expressões mudam conforme a congregação e de acordo com o costume

daquele orador habitual que diariamente celebra cultos naquele local. Assim, percebe-se uma “imitação” da língua que não é mais “estranha”, porém, conhecida, embora sem tradução inteligível.50 Aqui, invoca-se o mantra Umm...Umm... (Leila Amaral, 2000: 115), que, de certa forma, leva a coletividade ao êxtase ou ao estado Zen: “...se você estiver inteiro, como um arqueiro Zen, imbatível em sua plena atenção...você se transforma em Deus...” (Ibidem, p. 50). Nesse ponto, diverge frontalmente da doutrina da IPDA, a qual deixa, ao Espírito Santo, a tarefa de revelar ao celebrante, aquilo que Deus quer revelar à Igreja.

Saulo de Tarso Cerqueira Baptista, (2007: 85), escrevendo sobre a glossolalia, registra que ela “é encontrável tanto no pentecostalismo como nos movimentos carismáticos das igrejas protestantes históricas e na Renovação Carismática Católica. Nesses contextos, os cânticos são usados para criar o clima emocional intenso que leva os participantes das reuniões ao êxtase.” Certas pessoas, nesse transe, manifestam-se aos pulos e gritos e tremores

49 O ministério “Buscai ao Senhor” baseado em Is 55.6: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar” considera

desviado o membro que se dedica menos de 30 horas mensais a buscar ao Senhor em: “Horários de cultos, vigílias, orações, louvor, visitas, ler a Bíblia, programa, trabalho na obra sem ganhar (reforma da Igreja, construção, cantina, escritório, livraria, procurar programa, salão e qualquer trabalho nba obra de Deus sem ganhar. – sic.” Ainda segundo esse cartão de controle, o membro que se dedica 31 a 45 horas mensais nessas atividades é considerado espiritualmente fraco; 46 a 75 horas: regular; 76 a 120 horas: bom; 121 a 150 horas: excelente. (Dossiê “IPDA”, item 28).

50 No “Regulamento Interno” da IPDA, item F21 consta: “Haverá um culto por semana em todas IPDA’s para

buscar o batismo e os dons do Espírito Santo...” Nesses cultos, formam-se filas e membros que têm o dom de línguas se postam na frente do púlpito e vão impondo as mãos nas pessoas que se aproximam. Quando impõem as mãos, vão dizendo: “Batiza, Senhor; batiza, Senhor...” Por seu lado, o membro vai repetindo “glória, glória, glória...” Quando o dom se manifesta, a pessoa é separada num grupo que continua ali orando em línguas por alguns minutos. Quem não recebeu o Espírito Santo retorna aos bancos. Essa parte do culto toma cerca de 15 a 30 minutos.

tão acentuados como aqueles que deram origem aos “quacres”, forma aportuguesada de

quakers, termo inglês que significa “os que tremem” ou “tremedores”, usados também pelos

pentecostais que falam em língua estranhas. Participamos de inúmeros cultos quando essas manifestações ocorrem e certa ocasião, dirigindo um desses cultos, fomos constrangidos a repreender um jovem que corria em círculos diante do púlpito, com os braços abertos como avião ou pássaro. Quando os obreiros o seguraram, foi esclarecido a ele o que Paulo escreveu: “que tudo fosse feito com ordem e decência.”

2.1.2 – A cura divina e a salvação

A cura divina foi característica marcante do movimento de tendas que chegou na capital paulista no início da década de 50. Com a eclosão desse movimento em São Paulo, muitas pessoas se converteram, inclusive a família de David Miranda. Ele, porém, converteu- se um pouco depois, numa das diversas religiões que pregavam a cura divina, tanto que se celebrizou, em seus próprios dizeres como “o maior pregador de curas divinas da época”. DM tem afirmado que a maior parte das enfermidades é de origem maligna. Quando o demônio é expulso, com ele sai a doença. Apenas 5% das doenças têm origem fisiológica. Nesse ponto, sua teologia se aproxima dos judeus do tempo de Jesus e da visão mais holística de religiosidades indígenas e orientais, isto é, corpo e espírito estão unidos. A salvação de um implica na cura do outro. Segundo o evangelho de João, perguntaram a Jesus: “Rabi, quem pecou, ele ou seus pais para que nascesse cego?” (Jo 9). Para David Miranda, é o demônio que faz a pessoa pecar e com o pecado vem a enfermidade. A base bíblica para esse posicionamento de DM vem de Jo 5.14: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior” (BJ).51 Leonildo Campos (1982: 102), em seu artigo “O Milagre no Ar”, aborda a técnica persuasiva utilizada por DM no trato com as questões de doenças e aflições.

A exploração da idéia de que há um inimigo comum a todos é uma antiga técnica persuasiva, empregada especialmente na propaganda política.

DM também emprega o conceito de inimigo através da apresentação do Diabo, inimigo forte, persistente, onipresente e astuto. Sua maior finalidade é desviar o homem da vontade de Deus. Ele se torna para DM o responsável por todas as doenças e aflições. Daí o fato de sua mensagem libertadora ser apenas uma linguagem exorcista.

O uso desse símbolo já está presente na religião desde os tempos mais antigos. Ele é o encarregado da oposição à divindade.

51 Bíblia de Jerusalém (2002: 1718): Em nota de rodapé consta: Ref. Mt 9.2 “...as enfermidades eram

Ora, no conceito pentecostal, coisas ruins, infortúnios, doenças, praticamente tudo isso está ligado ao pecado cujo resultado é a doença. Esse posicionamento não deixa de ser uma influência do judaísmo no cristianismo, que se alojou profundamente na teologia pentecostal. Então, como se dá a cura? Nas igrejas pentecostais, partindo-se de uma interpretação discutível dos profetas do Antigo Testamento (Is 53) afirmam que Jesus, (o Messias) morreu e levou sobre si a doença. Logo, ao aceitá-lo afastam-se a doença e o pecado. Mas, na teologia de DM, o pecado vem com o diabo e ao expulsá-lo, expulsa-se também a doença, o infortúnio e tudo o mais que atribula o ser humano. Por essa razão é que a IPDA reserva boa parte do seu culto para a cura divina que se dá de várias formas:

Revelação divina: A pessoa que ora por “revelação divina” por exemplo, diz: “O Espírito de

Deus que não se engana está me revelando que alguém nesta fila de bancos está com câncer. Levante sua mão!” Entre algumas mãos levantadas, o pastor ou quem quer que esteja orando por revelação indica aquela mão que Deus mostrou. Então a pessoa vai até ao púlpito e fica aguardando o final das “chamadas por revelação”. A essa se juntam outras que vão sendo reveladas.

Exorcismo: Da mesma forma, a pessoa que está orando diz: Alguém aqui entre nós, na fila de

bancos da esquerda está sofrendo muitas lutas. É o “Exu Caveira” (pode dizer, também, que é o “Tranca Rua”, outra divindade do mal) que está na sua vida. Vamos orar, Igreja para que esse demônio caia por terra. Em seguida começa toda a Igreja a clamar em alta voz: “Queima ele, Jesus”. O clamor se sucede até que alguma pessoa caia endemoninhada, é segura por obreiros, se for homem, e por obreiras, se for mulher. Em seguida, é levada à frente para ser exorcizada. É interessante notar a participação da Igreja. Sob a voz de comando do celebrante a Igreja toda levanta as mãos em direção à pessoa endemoninhada, gritando: “Sai diabo”, “Sai capeta”, e assim por diante. Quando o pastor decide entrevistar o demônio, pessoas curiosas correm à frente (até mesmo crianças) para ver de perto as feições da pessoa endemoninhada até que seja liberta: a pessoa solta grunhidos, retorce mãos ou pés, fica transtornada. Com a provável libertação, vem a provável cura, a solução do problema. Quando a pessoa fica curada ou liberta (Gerstenberger, 2007: 89)52 e quer contar a bênção, no final do culto, o seu

testemunho será gravado e, posteriormente, divulgado pela extensa rede de rádio da IPDA.

Copo de água sobre o rádio: Quando David Miranda está orando por cura divina, a pessoa

coloca um copo de água sobre o rádio e após a oração, a pessoa toma a água para se curar.

52 “Mas é possível que, no caso de terceiros serem responsáveis pela desgraça, o atingido tenha outro

distanciamento em relação ao sofrimento. As más influências exteriores que lhe amarguraram a vida são, de fato, ‘obras do diabo’, da qual é preciso desvencilhar-se e que precisa ser expulsa.”

Disco de oração de DM: O disco de oração é colocado sobre o local enfermo ou é tocado em

casa e a pessoa se cura ouvindo a oração ou coloca o copo com água ao lado do toca-disco para beber depois de ouvir a oração do disco.

Garrafa ou frascos com água sobre o púlpito: No final do culto, as vasilhas com água são

levadas para casas para passar sobre as enfermidades das pessoas que não puderam ir ao culto, as quais podem também tomar daquela água.

Unção com óleo: A pessoa pede que o pastor faça a unção com óleo sobre peças de roupa para

a pessoa vestir e se curar, ou faça unção com óleo sobre a carteira de trabalho para que Deus abra a porta do emprego à pessoa desempregada.

Envelope de voto de ofertas que foi ungido no culto: Tem havido casos de testemunho de

pessoas que colocaram o envelope ungido debaixo da cabeça de defunto na mesa do necrotério e a pessoa reviveu! (Havia uma pessoa vinda do estado do Pará que contava esse testemunho). Há também outros exemplos de crentes da IPDA que ousaram colocar o envelope ungido sobre o defunto no caixão para a pessoa ressuscitar, mas nada aconteceu.

Durante os anos que freqüentamos a IPDA tomamos conhecimento de todas essas formas de cura, além daquela cura normal que acontece quando uma enorme fila se forma após o culto e os obreiros e obreiras, inclusive o pastor ora por imposição de mãos, ocasião em que acontece de tudo: pessoas caem endemoninhadas, pessoas se curam e para muitas nada acontece, a não ser a certeza de sua fé que saem da Igreja protegidas contra tantas coisas que podem acontecer em suas vidas.

Mistério da cura. Finalmente, vem uma instrução sobre o mistério da cura. Essa orientação foi

dada numa certa ocasião por DM numa reunião de obreiros: “sabemos que muitas pessoas doentes acabam se curando; assim, se você ora por um grupo de pessoas enfermas, a maior parte ficará curada a você começa a ficar conhecido como um “pregador de curas divinas”. As exceções ficam por conta dos verdadeiros milagres que podem acontecer quando uma pessoa com doença terminal acaba por se curar: na opinião de DM, a pessoa se cura pela fé de quem está orando, pela fé da pessoa que recebe a oração ou pela misericórdia de Deus.

A doença pode ser estudada sob um outro enfoque, na visão de Erhard S. Gerstenberger e Wolfgand Schrage53 (2007: 125) para quem há que se considerar a questão

psíquica, não apenas os planos individual, social e espiritual. “Evidencia-se aqui, uma vez mais, o aspecto integral do sofrimento, em especial sua relação com fatos psíquicos e religiosos (cf. Mc 2.1ss com v.5), sem que se defina a natureza da doença, o que, aliás, até

hoje não foi possível.” Contudo, os autores estão considerando outros fatores: “A doença, no entanto, não tem apenas a faceta biológica e somática, mas também efeitos sociais e religiosos” (ibidem, p. 126). Sua origem, na concepção judaica, segundo esses autores (p. 33) está no mal e no pecado, que não passa de uma transgressão de mandamentos:

Ao contrário de muitos teóricos de nossos dias, porém, o indivíduo do AT não estava disposto a localizar o mal de forma inequívoca e definitiva. Ele pode estar aninhado no próprio indivíduo. Este talvez tenha melindrado, de modo consciente ou não, por medo ou petulância, um poder na imensa ‘economia’ universal ou transgredido uma norma de comportamento. Mais adiante Gerstenberger e Schrage (p.85) vão explicar esse conceito quando escrevem sobre a desgraça ou o sofrimento: “Ele vive numa estrutura legal não fixada por escrito cujas regras não transgredirá impunemente. A desgraça pode muito bem ser um lembrete de alguma falta ou descuido.” Saindo das raízes do pensamento cristão sobre o pecado, profundamente arraigadas na sua matriz, o judaísmo, e chegando aos nossos tempos, podemos apreciar as considerações feitas por José Comblin (1996: 38) quando analisa a atuação do atual pregador de curas divinas e de libertação.

Sabe manipular os sentimentos de angústia, de desamparo ou de pecado dos ouvintes. Ou persegue-os nos lugares em que a angústia é maior: hospitais, prisões... Penetra nas pessoas pelo lado de sua maior fraqueza. Mostra-lhes que não há salvação fora da adesão ao seu grupo. Em tal situação não há diálogo possível. A pessoa perde as suas faculdades críticas e se entrega a quem sabe manipular melhor as suas falhas de personalidade. [...] Outros oferecem bens materiais ou espirituais, sobretudo a saúde, a cura das doenças, ou então a paz interior, a tranqüilidade, uma experiência de reconciliação com a vida.

Ainda de acordo com José Comblin, essas pessoas que manipulam os sentimentos dos oprimidos operam sob denominações carismáticas que atuam essencialmente nas cidades, uma vez que no campo as pessoas preferem continuar na sua religião de origem e “morrer nela”. Para Comblin (1996: 40)

As Igrejas carismáticas dirigem-se à sensibilidade, despertam emoções, permitem a todos que se expressem e manifestem suas necessidades psicológicas pessoais, suas angústias, seus temores e suas aspirações. Oferecem uma resposta a uma população que vive diariamente o fato da doença. Oferecem uma resposta a um povo que vive assustado pela violência, angustiado pelas brigas, pelos gritos, pela falta de comunicação. Oferecem a saúde.

David Miranda é recorrente em seu discurso quando diz que a IPDA resgata características da Igreja primitiva. Por seu lado, DM parece encontrar dificuldade na divisão

dos bens amealhados na comunidade de seus fiéis. Ananias e Safira,54 apesar de entregarem a

metade de seus bens para dividir, mesmo assim pagaram com a vida pela tentativa de burlar os fiéis da Igreja primitiva. Na verdade, na IPDA “nada é comum a todos”, conforme o livro de Atos dos Apóstolos. A razão dessa afirmativa é a existência do enorme patrimônio que esta Igreja amealhou nas últimas décadas de sua de existência. Seu patrimônio hoje é dividido entre a IPDA como instituição e a família Miranda, conforme demonstraremos mais adiante num levantamento parcial feito em cartórios de registros de imóveis da capital paulista. Nesse caso, parece que o objetivo principal da IPDA foi desvirtuado ao longo de sua trajetória ou