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Les changements imposés par l’intermodalité

2. LES CONDITIONS CONTEMPORAINES DE DÉVELOPPEMENT DES

2.2. Les changements imposés par l’intermodalité

No início de uma investigação, como tivemos a oportunidade de encontrar, o cenário escolar é quase sempre o mesmo. Sabemos vagamente como se constituem a cultura escolar e a cultura profissional (FULLAN; HARGREAVES, 2001; PÉREZ GOMÉZ, 2001), não conhecemos o(a)s sujeitos aluno(a)s, nem os sujeitos professore(a)s, entre outros profissionais que atuam na escola. E, assim, é inevitável defender a conquista da confiança entre os partícipes da pesquisa, fato que se constitui em um dos pré-requisitos para nossa inserção no campo empírico, e para a construção de saberes docentes colaborativamente.

Nesse cenário, ainda uma das dificuldades suscitadas no processo de aproximação do ambiente natural da pesquisa, consistiu na resistência das professoras e de outro(a)s profissionais em receber professore(a)s da universidade e bolsistas no interior da escola. Para essas instituições, éramos sujeitos estranhos ao seu cotidiano.

Tivemos a impressão de que a presença de professoras da universidade e/ou de um bolsista amedrontava a comunidade escolar. Como se essa instituição socioeducativa guardasse um segredo irrevelável, mas visível aos olhos de quem se propõe a escutar os “resíduos” da escola. Pois, “de tudo fica um pouco”, bem ao estilo de Drummond34: dos diálogos colaborativos com as professoras, da curiosidade dos alunos, das interações em sala de aula, da necessidade de “desvelar” o texto.

Pelos motivos acima expostos, pareceu-nos que há um longo caminho a ser construído no processo de ruptura das concepções de investigação científica, no interior da escola, na qual ainda se privilegia o distanciamento entre professoras da escola e professoras da universidade. Nesse contexto discursivo, a investigação se coloca como uma possibilidade de romper com o distanciamento entre a universidade e a escola.

Como postula Ibiapina (2008, p. 30) “pesquisar colaborativamente é investigar determinado objeto de pesquisa que frequentemente é proposto pelo pesquisador universitário, conquanto interesse e motiva o professor a repensar a prática docente e mudá-la”. Na nossa investigação, podemos dizer que, na verdade, o resultado possível de uma pesquisa é a evidência de um limite superado, apesar de todas as angústias ao longo do processo (GHEDIN; FRANCO, 2008).

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Verso do poema “Resíduo”, do poeta Carlos Drummond de Andrade, em “A rosa do povo”, publicado em 1945.

A presente pesquisa foi nos mostrando como é difícil romper com a cultura profissional do isolamento35 e com a cultura escolar que, muitas vezes, não valorizam o(a)s professore(a)s e seus saberes. As escolas nem sempre se sentiam copartícipes dos processos de ensino, das decisões e das escolhas metodológicas realizadas pelo professor. Isso, em muitos momentos, fez-nos questionar: será que vamos conseguir concluir a pesquisa? E, entre momentos de abre e fecha as portas da escola, respeitando a sua cultura, fomos conseguindo cumprir as etapas desta pesquisa.

As participantes da pesquisa, nos grupos colaborativos, foram identificadas por: QUADRO 1

COMPONENTES36 DOS GRUPOS COLABORATIVOS

SUJEITOS FUNÇÃO ESCOLA/UNIVERSIDADE

Adriana37 Professora Universidade

Bernice Professora Escola Municipal Freire Filho

Calista Professora Escola Estadual Manoel Lumba de

Oliveira

Calidora Coordenadora Pedagógica Escola Estadual Manoel Lumba de

Oliveira

Dácia Professora Escola Municipal Freire Filho

Ebe Professora Universidade

Filotéia Estudante Universidade

Laila Professora Escola Municipal Freire Filho

Lana Estudante Universidade

Luna Professora/ “bibliotecária” Escola Municipal Freire Filho

Mélia Professora Universidade

Nazira Professora Universidade

Quíone Coordenadora Pedagógica Escola Municipal Freire Filho

Vítula Professora Universidade

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Segundo Fullan e Hargreaves (2001, p. 22) “O isolamento e o privatismo têm muitas causas. Muitas vezes, eles podem parecer uma forma de fraqueza de personalidade que é revelada na competitividade, nos comportamentos defensivos em relação às críticas e na tendência para se arregimentarem mais recursos do que os que são devidos. Mas, as pessoas são um produto das suas circunstâncias e quando o isolamento é um fenómeno alargado, devemos perguntar-nos o que existe nas nossas escolas que o suscite tanto”.

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Com o propósito de preservarmos a identidade dos sujeitos, substituímos os nomes de todas as partícipes da pesquisa por pseudônimos de nomes de personagens da mitologia Grega. É sabido que os Gregos criaram vários mitos com o propósito de transmitir mensagens às futuras gerações. Com esse propósito, tinham por objetivo preservar a memória histórica e coletiva de seu povo. Nesse contexto, a mitologia, como fonte de formação e conhecimento humano, pode ser entendida como o conjunto de relatos ou lendas históricas e de entidades divinas e fantásticas criadas por um povo, transmitidas de geração a geração; crendices históricas com verdades, simbólicas ou não.

37 Para preservarmos a autoria da pesquisadora que atuou como colaboradora do projeto do Observatório

Na Escola Municipal Freire Filho (EMFF)38, a professora Dácia constituiu-se nosso sujeito de pesquisa. Ela contou com a colaboração das professoras da EJA e da coordenadora pedagógica Quíone, quando possível, no pensar sua prática docente durante as sessões de estudos. Nesta escola, a pesquisa pôde ser mediada em todos os momentos pela professora da Universidade Adriana, autora desta tese. E acompanhada pela aluna bolsista do Observatório Filotéia. Em algumas ocasiões, participaram também as professoras da Universidade Mélia, Vítula, Nazira e Ebe.

Na Escola Estadual Manoel Lumba de Oliveira (EMMLO)39, contamos com a colaboração, exclusivamente, da professora Calista. O(a)s demais professore(a)s, embora tenham sido convidados, em nenhum momento participaram da investigação. Nessa escola, também, as ações da pesquisa foram conduzidas pela professora Adriana e acompanhadas pela aluna bolsista Lana, do referido Observatório. Contamos esporadicamente, nas ações da pesquisa, com a participação das professoras da Universidade Mélia, Vítula e Ebe.

Em tal contexto, a investigação não teve o propósito de fazer uma análise comparativa entre o processo de pesquisaformação vivenciado pelas professoras Dácia e Calista, mas de defendermos quais saberes sobre o ensino da leitura elas foram capazes de significar e ressignificar durante o processo de pesquisa. Por isso, optamos em alguns momentos da análise por separar os diálogos das professoras Dácia e Calista, com o intuito de demarcar suas singularidades.

A referida pesquisaformação aconteceu em 02 (duas) escolas públicas – uma da rede municipal e outra da rede estadual situadas no município da capital, que fazem parte da pesquisa do Observatório. Os critérios para escolha consistiram: atender os sujeitos dos anos iniciais de EJA; contar com professores efetivos, e ter uma história de acesso à EJA na comunidade.

As entradas nos campos empíricos das escolas aconteceram simultaneamente, via Observatório, em 2011, na ocasião da adesão das professoras. Considerando a sua dinâmica organizacional e o seu tempo pedagógico, especificamente, durante o andamento do referido projeto, na EMFF conseguimos avançar mais rápido no processo

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No intuito de mantermos o anonimato da escola escolhemos esse pseudônimo e ao mesmo tempo fazemos uma homenagem ao Grupo Escolar Freire Filho no qual fomos alfabetizada.

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Esse pseudônimo foi escolhido em homenagem ao meu avô materno, que ao doar um terreno para a construção de uma escola, na zona rural da cidade de Arcoverde – PE, seu nome foi escolhido para nomear a referida escola.

de pesquisaformação. Enquanto que na EEMLO o processo aconteceu de forma mais lenta, em respeito aos acontecimentos escolares (reuniões pedagógicas, calendário letivo, festividades da escola, faltas da professora, entre outros) que impulsionaram alterações no cronograma da pesquisa. Sentimos que, de fato, “o tempo escolar é um tempo social e administrativo imposto aos indivíduos, é um tempo forçado” (TARDIF; LESSARD, 2005, p. 76), um tempo sem espaço para a reflexão sobre o fazer pedagógico.

Em ambas, os processos de aceitação da investigação deram-se paulatinamente, considerando que precisávamos de um tempo de inserção no campo para sermos aceitas pelo grupo de professoras, aceitarmos os outros e construirmos os grupos colaborativos. A constituição desses grupos é um processo lento, que pode se iniciar com momentos de estudos coletivos, e evoluir para espaços reflexivos sobre as práticas de leitura propostas pela escola.

Dado o exposto nos referidos campus empíricos – adentramos com cuidado, “pisando leve”. Com o intuito de irmos percebendo a singularidade dos sujeitos e as especificidades da cultura institucional, de modo que pudéssemos iniciar as atividades de pesquisa colaborativamente (entrevistas individuais, grupos focais, observações das práticas pedagógicas, sessões reflexivas e sessões de estudos) como veremos no próximo tópico.

2.5 No caminho ecos soavam: entrevistas, grupos focais, observações, sessões de