• Aucun résultat trouvé

5.1 Mesures en incidence normale

5.1.3 Le mod`ele

Revisão de literatura é um capítulo importante nos trabalhos científicos. Sua função é embasar o problema de pesquisa, salientando a contribuição dos principais autores. Outra função é demonstrar o argumento teórico do autor sobre o tema de pesquisa, além de permitir a interpretação dos dados apresentados (VIEIRA, 2006). Embora seu objetivo dependa do propósito geral do estudo em que aparece, a revisão de literatura é um elemento padrão em qualquer estudo que apresente uma pesquisa empírica.

Nesse trabalho, a revisão de literatura é utilizada como metodologia e, portanto, implica os mesmos processos de qualquer outra metodologia científica, ou seja, especificar uma pergunta de pesquisa, selecionar a base de dados e analisar as evidências.

Enquanto método, a revisão de literatura pode ser dividida em dois momentos: revisão narrativa e revisão sistemática da literatura.

Segundo Jackson (1980, p. 438)12,

[r]evisões de pesquisas são atividades fundamentais na ciência comportamental [...] Os focos e os propósitos de tais revisões variam substancialmente. Alguns investigadores estão principalmente interessados em medir uma nova questão substantiva e/ou metodológica desenvolvida em

um dado campo da ciência. Alguns estão principalmente interessados em verificar teorias existentes ou desenvolver novas. Alguns estão interessados em sintetizar conhecimento de diferentes linhas ou campos de pesquisa, e ainda outros principalmente interessados em inferir generalizações acerca de questões substantivas a respeito de um conjunto de estudos diretamente relacionados a tais questões.

A partir de 1930, com o desdobramento da ciência social em campos específicos de conhecimento, tais como antropologia, economia, história, ciência política, psicologia, e sociologia, as pesquisas tornaram-se multi-disciplinares. “Nas décadas de 1940 e 1950, um revisor [...] poderia encontrar uma ou duas dúzias de artigos sobre um dado tópico” (GLASS, 1977, p 351)13

Com o advento da Segunda Grande Guerra, a importância e o número de estudos acadêmicos cresceram, tomando proporções gigantescas na década de 1960 (GLASS, MCGAW e SMITH, 1981). As revisões passaram a exigir grande esforço de colaboração e a depender de instrumentos tecnológicos para atingir seu objetivo.

. Até então, a técnica de revisão narrativa era possível e satisfatória.

A revisão narrativa é a forma mais simples de síntese de uma revisão qualitativa de literatura. É também chamada de revisão tradicional ou informal. Seu caráter é descritivo- discursivo, procurando dar um sentido conceitual às descobertas nela contida (ORLITZKY et al. 2003). Por esta razão, não parte de uma pergunta ou questão bem definida, permitindo um escopo temático mais amplo. Seu propósito é oferecer uma “visão geral” ou um “resumo” da literatura em determinado assunto (THE MAGENTA BOOK, 2003, p. 5)14

Toda metodologia está sujeita à influência do pesquisador, seja na seleção da amostra seja na análise dos dados, porém a revisão narrativa tende a uma avaliação mais subjetiva por estar especialmente condicionada aos critérios do pesquisador, podendo conduzir a conclusões questionáveis (MÖSER, 2006).

.

Para Glass, McGaw e Smith (1981), a revisão narrativa tem como problemas fundamentais a própria limitação mental do revisor e a magnitude da tarefa a que se propõe. Em função de tais limitações, a revisão não é exaustiva e enfatiza os estudos disponíveis (SLAVIN, 1995), ocasionando o fenômeno conhecido como file-drawer (Rosenthal e Rubin, 1988)15

13 Tradução livre do autor.

.

14

Tradução livre do autor.

Para Egger e Smith (1997) e Klassen, Jadad e Moher (1998), o problema da revisão narrativa consiste na falta de informação detalhada do processo que levou o pesquisador às suas conclusões e, portanto, à impossibilidade de verificar e replicar a revisão. Slavin (1995) destaca que raramente em uma revisão narrativa o autor estabelece um método sistemático de como as evidências e a qualidade dos estudos foram mediadas.

Essa falta de transparência torna difícil a percepção a algum tipo de viés, que pode ser oriunda da escolha pessoal do autor dos estudos que comporão a pesquisa (viés de seleção) e/ou da tendência de editores da mídia especializada; estudos que não trazem o resultado esperado tendem a não ser publicados, induzindo o critério de seleção a um viés conhecido como viés de publicação.

Segundo Kitchenham (2007, p. 15)16,

[v]iés de publicação refere-se ao problema de que resultados positivos são mais propensos a serem publicados do que resultados negativos. O conceito de resultado positivo ou negativo algumas vezes depende do ponto de vista do pesquisador. Os trabalhos que não conseguem rejeitar a hipótese nula são considerados menos importantes do que aqueles experimentos que são capazes de rejeitar a hipótese nula.

Jackson (1980) faz uma pesquisa sobre o emprego de padrões metodológicos em pesquisas nas áreas de educação, psicologia e sociologia durante o período 1973-1976. Em seu trabalho, pesquisou livros, artigos científicos, além de realizar entrevista com editores de jornais e responsáveis pelas dez principais organizações em integração de literatura. O autor conclui que se dá pouca atenção à sistematização a aos padrões metodológicos, indicando que as revisões dependem quase exclusivamente do julgamento do autor da revisão.

Nesse sentido, “o desenvolvimento de uma abordagem sistemática de revisão visa a estabelecer um processo formal para conduzir este tipo de investigação, evitando a introdução de eventuais vieses da revisão da literatura informal” (MAFRA e TRAVASSOS, 2006, p. 11). A revisão sistemática pode ser vista como uma versão mais moderna da tradicional revisão narrativa e vem de encontro ao crescente número de publicações e aos problemas metodológicos da revisão narrativa. Distingue-se da revisão narrativa por estabelecer, a priori, um critério bem definido para o processo de seleção e análise dos estudos.

16 Tradução livre do autor.

Kitchenham (2004, p. 1)17

Seu objetivo é a investigação científica de estudos primários. Como estudo primário ou análise primária entende-se “a análise original da informação contida em um estudo”, enquanto estudo secundário ou análise secundária “é a re-análise da informação com o propósito de responder à pergunta original da pesquisa com melhores técnicas estatísticas, ou responder a uma nova pergunta com as informações antigas” (GLASS, MCGAW e SMITH, 1981, p. 21)

define revisão sistemática da literatura como “um meio de identificar, avaliar, e interpretar todas as pesquisas disponíveis, relevantes a uma particular pergunta de pesquisa, uma área específica ou um fenômeno de interesse”.

18

Ao apresentar os dois momentos da revisão bibliográfica, não se pretendeu criar qualquer ordem de importância. O tipo de revisão depende do conhecimento que se quer integrar. A revisão narrativa tem sua utilidade quando se trata de atestar a eficácia de um dado tratamento (Boaz, Ashby e Young, 2002), e ainda é largamente empregada na ciência política e na sociologia . A técnica também é utilizada como ajuda para tomada de decisão, baseada em evidências. Segundo Petticrew (2001), desde a década de 1970, pesquisadores utilizam a técnica de revisão para demonstrar o resultado de políticas e intervenções na área social. “A revisão sistemática é um método de localizar, avaliar, e sintetizar evidências” e “tem sido largamente utilizada para examinar um conjunto de questões contemporâneas e muitas vezes contenciosas do ‘mundo real’ e, portanto, um instrumento crível na tomada de decisão e na formulação de políticas” (PETTICREW, 2001, p. 98)

. Assim, estudos individuais que integram a revisão sistemática são estudos primários; a revisão sistemática é, em si, um estudo secundário (KITCHENHAM, 2007).

19

A revisão sistemática vem de encontro à necessidade de maior rigor metodológico no que diz respeito aos processos de seleção e análise dos dados e à diversidade dos resultados decorrentes do aumento das técnicas e modelos estatísticos empregados. Segundo Glass (1977, p. 351), “o estilo para integração de pesquisas tem sido moldado pelo tamanho da literatura”.

.

17 Tradução livre do autor.

18

Tradução livre do autor.