Part Two
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2. Larger messages must be passed through a section object, which is a region of shared memory associated with the channel
A adolescência é uma fase caracterizada por transformações comportamentais, físicas, psicológicas e sociais, na qual comumente há a presença de conflitos psíquicos, comportamentos revoltantes, principalmente contra os pais ou responsáveis, o que pode ocasionar em vulnerabilidade e risco social. Outra característica dessa fase é a puberdade, que diz respeito aos aspectos biológicos e fisiológicos dos sujeitos, tais como formas dos membros, tamanhos e funções hormonais específicas de cada sexo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é definida como o período compreendido entre dez e vinte anos, ou a segunda década da vida. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define a adolescência dos 12 a 18 anos de idade. A Organização das Nações Unidas (ONU) caracteriza essa fase no período que vai de 15 a 24 anos de idade.
De acordo com Morgado e Dias (2016, p. 16), a adolescência
É um estádio muito particular no desenvolvimento humano, durante o qual os sujeitos procuram adaptar-se a um ambiente cada vez mais complexo e diversificado, deparando-se também com a necessidade de construir a sua identidade, autonomia e relações significativas fora do contexto familiar. Assim, os comportamentos antissociais verificados neste estádio não podem ser dissociados da complexidade e significância destas tarefas desenvolvimentais.
Os adolescentes preferem interagir entre os pares, isto é, com outros adolescentes que apresentam a mesma forma de se comportar, comunicar, ser e agir. Há um processo de reafirmação de gostos, costumes, crenças e estilos de personalidade. Existem formas
semelhantes de se vestir, ouvir músicas, frequentar determinados tipos de festa, se apaixonar pelos mesmos ídolos, entre outras atividades relativas a cada grupo de adolescentes.
Cristina, Alves e Perelman (2015, p. 74) ressaltam que
Para os adolescentes, a influência de amigos e grupos aumenta à medida que a influência da família diminui. Os adolescentes rodeados por pares e afastados de casa estão menos sujeitos ao controle parental e, consequentemente, mais propensos ao consumo de substâncias. Ao longo do processo de ajustamento ao ambiente escolar, os jovens desenvolvem uma nova identidade psicológica, os pares funcionam como modelos, constituindo uma oportunidade de socialização. Como consequência, as atitudes e comportamentos de consumos dos pares são frequentemente relacionados como atitudes e comportamentos individuais.
A influência negativa de um grupo de amigos pode aumentar a chance de vulnerabilidade e risco social, facilitando o contato com drogas lícitas e ilícitas, comportamento sexual desprotegido e de pouco cuidado, delitos, entre outros comportamentos que rompem as normas legais e morais.
Zappe e Dell’aglio (2015, p. 45) afirmam que
A convivência com pares engajados em comportamentos de risco tem sido apontada como um aspecto fortemente associado com o envolvimento nesses comportamentos durante a adolescência. Estudos indicam que há forte correlação entre o uso de álcool e ter amigos usuários de álcool e drogas, e a mesma relação foi encontrada com relação a comportamento sexual de risco.
Os pais e as mães dos alunos e alunas com nível socioeconômico baixo precisam trabalhar por longas jornadas de trabalho, para garantir o sustento do lar, nem sempre, os familiares acompanham de perto os comportamentos dos filhos. Os adolescentes necessitam de educação, regras e construção de princípios que possam lhe fazer bem futuramente, para que, uma vez internalizados, eles possam usar esses valores, com o intuito de afetar positivamente outras pessoas que vierem se relacionar com eles.
Cristina, Alves e Perelman (2016, p.70) elucidam que
De fato, os adolescentes provenientes de famílias com menor estatuto socioeconômico podem estar expostos a bairros inseguros, a trabalhos precários a fim de ganharem dinheiro para contribuir para o rendimento da família ou para gastarem consigo. Logo, podem ter menos tempo para participar em atividades extracurriculares e estarem sujeitos a maiores níveis de stress.
Estudos ressaltam as consequências de condições econômicas, sociais e culturais, relativamente baixa, o que pode facilitar o acesso às drogas, tráfico de entorpecentes, roubo, furto, entre outras práticas criminosas.
Estudos internacionais comprovam que um baixo estatuto socioeconômico pode colocar os adolescentes em risco por inúmeras razões, como ter menos acesso a cuidados de saúde, piores condições de vida, menor nível de conhecimento sobre as consequências negativas de comportamentos que comprometem a saúde e maior stress psicológico. Por outro lado, estudos documentam a relação entre tabagismo do adolescente e condições socioeconômicas da família, apontando para a influência negativa de ter pais que não trabalham, da pobreza e privação material e do baixo nível de educação dos pais. Os estudos também apontam para a influência do estatuto socioeconômico do próprio adolescente, representado pelo seu desempenho escolar e o seu rendimento próprio. Existe também evidência de que o estatuto escolar tem maior influência que as condições socioeconômicas da família (CRISTINA; ALVES; PERELMAN 2016, p. 70).
O desenvolvimento educacional de adolescentes com menor poder aquisitivo é diferente daqueles que possuem maiores recursos financeiros, acesso à cultura, esporte, lazer e educação de qualidade. Torna-se, portanto, discrepantes essas duas realidades. Novamente questionamos: Onde há o maior predomínio de evasão escolar, entre adolescentes com classe média alta ou baixa? Quais fatores contribuem para o baixo desempenho escolar?
Segundo Zappe e Dell’Aglio (2015, p. 45),
Fatores de proteção podem levar à obtenção de resultados positivos ou moderar o impacto dos fatores de risco. Com relação a aspectos familiares, estudos indicam que a coabitação de pais ou mães e adolescentes reduz as chances de consumo de tabaco e drogas ilícitas, assim como a presença de intimidade, proximidade familiar, relação positiva com os pais e monitoramento parental reduz a frequência de comportamento sexual de risco, evasão escolar e uso de álcool.
O papel da família é crucial no desenvolvimento social, já que é nesse contexto que as crianças aprendem, pela primeira vez, como se comportar em contexto social através da aprendizagem e ensaio das interações sociais. Com efeito, práticas de gestão familiar como o controle, a disciplina, a supervisão e a rejeição e a qualidade da comunicação e das relações familiares têm sido amplamente referidas como fatores de risco para o envolvimento em comportamentos antissociais (MORGADO; DIAS, 2016, p. 16).
Caso não haja estratégias de cuidado e prevenção de comportamentos de risco, os adolescentes podem abrir mão do preservativo e se exporem ao vírus HIV. As festas, a ingestão de bebidas alcoólicas, o consumo de tabaco, drogas, a troca frequente de parceiros amorosos e sexuais também contribuem para a contaminação.