LE RISQUE CHIMIQUE
2.1 LA STRUCTURE DE STAGE
A mulher fiel da CG, conforme afirmação da pastora Suely Bezerra, tem o aval Divino para ser alguém de sucesso como cristã, esposa, mãe, dona de casa, profissional, amiga e conselheira (2006: 7). Para conseguir estes êxitos anteriormente ela passa, necessariamente, pelos rituais da igreja que atestaram sua condição prestigiosa na confraria cristã e aptidão para alcançar gradativamente os triunfos celestiais. Concluídas estas fases ela adotará uma rotina devocional caracterizada por orações, estudo da Bíblia, jejum, louvor e adoração ao Deus. Para a execução eficaz deste culto, a mulher é instigada a procurar um lugar propício, escolher o horário adequado e traçar um plano de ação religiosa que delineará os seus atos. Atuando conforme as orientações da igreja e recorrendo às intervenções místicas do Espírito Santo ela terá maiores condições de obter as qualidades valorizadas por esta religião como próprias de mulheres casadas, ou seja:
amáveis, sensíveis, virtuosas, submissas, amigas, auxiliadoras, perdoadoras, cumpridoras do papel de mãe, femininas, belas, conselheiras, comunicadoras, atenciosas, inteligentes, eficientes em casa e no trabalho, administradoras eficazes das finanças e cumpridoras das obrigações eclesiais (Brandoles Bezerra, 2006).
As mulheres são instruídas, segundo Bezerra, a se destacarem como esposas praticando o rito da oração individual e coletiva com outras fiéis da CG. A pastora Suely adverte que parte das aflições e angústias que a mulher vivencia no relacionamento com seu esposo é decorrente da não observação do mandamento bíblico que ordena a prática cotidiana da oração. Conforme os discursos religiosos, quem ora passa a lidar melhor com os problemas e contempla milagres divinos. Dentre estes últimos, destacam-se a capacitação específica da mulher para discernir as situações que podem gerar rupturas familiares, a tranqüilidade concedida pelo Deus à esposa que não consegue fazer-se entender pelo marido – que por natureza é mais limitado espiritualmente do que ela –, e a habilitação para proferir as palavras corretas que irão sanar possíveis problemas com o esposo. Além disso, a mulher tem a incumbência de orar pela integridade do marido, por seu trabalho, pelos amigos dele, pelo exercício da paternidade, pelo equilíbrio emocional diante dos fatos passados que ele viveu, pelas expectativas erradas que ele tenha sobre o casamento, pela sua prática religiosa, pela pureza sexual do marido, pelo equilíbrio e as prioridades do cônjuge (Brandoles Bezerra, 2006: 63-74).
Além do exercício devocional as esposas que almejam ser bem sucedidas precisam evitar os atos que contrariam as diretrizes da igreja, sob pena de “pecarem contra Deus” e não alcançarem o sucesso. Ao invés de ser apresentada uma lista de vícios às mulheres, o manual “Mulheres que fazem a diferença” apresenta vinte blocos temáticos de perguntas com o intento de ajudá-las a evitarem os erros. Nestes averigua- se: 1. A gratidão da mulher a Deus; 2. Os sentimentos de inferioridade; 3. O proselitismo; 4. Auto-imagem; 5. Agressividade; 6. Cuidados com o corpo; 7. Vocabulário vulgar; 8. Interação com outras religiões; 9. Pagamento de dívidas; 10. O modo como lida com a liberdade; 11. Participação na igreja; 12. Uso de mentiras; 13. Desejos sexuais ilícitos; 14. Capacidade de gerar unidade na igreja; 15. Perdão; 16. Trabalho; 17. Gestão do tempo; 18. Relação com o dinheiro; 19. Hipocrisia; 20. Prática devocional cotidiana.134 Respondidas as setenta e duas questões, cada qual terá
condições de entender quais têm sido as suas falhas para corrigi-las e os seus acertos a fim de desenvolvê-los. Como salienta a pastora Bezerra, é no empenho por respeitar as funções que lhe foram determinadas desde os primórdios e adequar-se aos preceitos da
igreja que a vitória virá para a mulher: “atuamos de acordo com o quadro mental que temos de nós mesmas. Se nos vemos um fracasso, iremos fracassar. Se nos vemos mulheres de valor, seremos mais do que vitoriosas” (Brandoles Bezerra, 2006: 43).
Nas literaturas da igreja e nos cultos intitulados “Mulheres Intercessoras”, celebrados às segundas-feiras, às 20h00, no templo em São Bernardo do Campo, ficou evidente que não basta à crente da CG adaptar-se às ordenanças da igreja, ela precisa se conscientizar que o homem ao qual se relaciona conjugalmente foi criado por Deus diferente dela. Desde os primórdios a Deus determinou responsabilidades e funções diferentes aos cônjuges para serem desempenhadas com eficiência cumprindo-se assim a vontade celestial (cf. Barbosa, 1999). A mulher tem que se certificar de sua fragilidade física, ser “submissa em amor” ao esposo e a Deus, obedecer à função de líder que ele tem, valer-se de sua inteligência e espiritualidade para apoiá-lo, ajudá-lo nos afazeres domésticos e na busca por sustentar a família através do trabalho, amá-lo, manter-se feminina abstendo-se de trejeitos masculinos, promover a alegria e o deleite sexual ao cônjuge, saber que o seu corpo pertence ao marido, cuidar do corpo investindo em beleza, alimentação saudável, exercício físico e dormindo bem para servi-lo, bem como ser dignificada, cuidada e protegida pelo homem. Ao reproduzir este imaginário sobre o corpo e os afazeres femininos a mulher não somente obtém o bem-estar pessoal “narcísico”, como insiste Lipovetsky (1994: 130), mas alcança o prestígio religioso na família e na igreja (1974c).
O único local que o fiel pode se expressar e debater os assuntos com alvedrio é na reunião do GCEM, porém em nenhum momento contemplou-se uma oposição ao ideário da igreja. As falas dos interlocutores e as preces apenas confirmavam as instruções bíblicas. Ora os participantes se manifestavam para dar sugestões àqueles que estavam com dificuldades de seguir os preceitos, ora estes descreviam o modo como a Deus lhes ajudara no cumprimento das instruções e os benefícios recebidos. Na pesquisa de campo não houve possibilidade de analisar junto às mulheres e aos homens a aplicação corriqueira das instruções conjugais e seus pareceres, entretanto nos livros dos pastores da igreja, nos sermões, nos testemunhos dos fiéis, nas experiências e na catequização ocorrida nos GCEMs as aprovações e interdições religiosas foram reforçadas.