Mesure de l’ouverture commerciale et de l’intégration financière
2.1. Histoire des travaux effectués afin de mesurer l’ouverture commerciale et l’intégration financière
2.1.1. La mesure de l’ouverture commerciale d’une économie
Após uma fase menos ativa, a dinamização do intercâmbio musical retoma a sua pujança em 1980, após o restabelecimento da relação diplomática entre os dois países. Além das outras organizações governamentais, constatamos a existência das instituições que promovem a comunicação da música erudita portuguesa com a China, destacando ‑se a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Oriente e o Festival Internacional da Música de Macau.
A Orquestra Sinfónica da Fundação Gulbenkian tocou pela primeira vez na capital da China – Beijing, em outubro de 1980, logo após a reabertura da China ao Ocidente, em 1979. Em setembro de 1998, a orquestra voltou à China e realizou uma série de concertos em Chong Qing. Em outubro de 1999, a
orquestra efetuou mais uma série de concertos, sob a direção do maestro chinês Muhai Tang, nas cidades chinesas, nomeadamente em Suzhou, Sanghai, Wuxi, Nanjing, Beijing, Guangzhou e Shenzhen. O repertório inclui a estreia mundial duma obra chinesa – Três paisagens para orquestra – do compositor Xiaoyong Chen, encomendada pela Fundação Gulbenkian; ao mesmo tempo, a orquestra fez estreia da Três Esboços Sinfónicos do compositor português Joly Braga Santos. No mesmo ano, a Orquestra e o Coro Gulbenkian visitaram Macau e atuaram no Festival Internacional de Música de Macau, sendo este o último festival levado a cabo pelo governo português, antes de Macau regressar ao domínio chinês. No dia 18 de outubro de 2013, a orquestra Gulbenkian voltou a atuar no Festival Internacional de Música de Macau, sob a direção do maestro Paul MaCreesh. O programa incluiu a obra – Duas Melodias – do compositor português Luís de Freitas Branco. E, de seguida, a orquestra fez uma tournée pela China Continental, em Beijing e Guangzhou (Gulbenkian, 2013).
Além da Orquestra da Fundação Gulbenkian, passaram, pontualmente, na China outras orquestras e bandas portuguesas, nomeadamente a Camerata da Orquestra Sinfónica Juvenil, no Festival Internacional de Jovens de Tianjin, em junho de 2002. Em julho de 2004, a Orquestra Sinfónica Juvenil participou no Festival “Huanju Tianjin” (Embaixada da China, 2013). Entre 29 de dezembro de 2009 e 7 de janeiro de 2010, a Orquestra Metropolitana de Lisboa fez, também, uma digressão à China, percorrendo cidades como Shanghai, Huain, Suzhou e Wujiang. As obras de Joly Braga Santos e de Eurico Carrapatoso foram tocadas nos auditórios chineses, ao lado de compositores chineses e outros compositores clássicos como Saint ‑Saens, Prokofiev e Bártók (JP, 2010). Por coincidência, nesse mesmo ano e nessa mesma altura, a Orquestra Sinfónica Portuguesa efetuou, também, a sua primeira digressão à China, realizando dois concertos em Guanzhou, dois concertos em Fuoshan, um concerto em Macau e outro em Beijing. O público chinês ouviu, então, a obra do compositor Joly Braga Santos, a par de outros compositores europeus, tais como Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Strauss e Vaughan Williams (Portalalentejano, 2009). Em março de 2014, A Banda Sinfónica Portuguesa realizou uma tournée, com cinco concertos no sul da China (Dacapo, 2016).
A Fundação Oriente tem sido outra instituição a apoiar as atividades musicais portuguesas na China. Em 1998, a Fundação Oriente assinou um protocolo com a China International Culture Association, e dentro deste protocolo vários grupos e músicos receberam apoios financeiros para atuarem na China (Embaixada da China, 2013). É de salientar, por exemplo, com o apoio da mesma Fundação e inserido nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e da Comunidade Portuguesa, o duo composto pela cantora portuguesa Isabel Alcobia e a pianista
P E LO S M A R E S DA L Í N G U A P O R T U G U E S A 3
195 A MúSICA ERUDITA PORTUGUESA NA PERSPETIVA INTERCULTURAL
chinesa Shao Xiao Ling, que realizou um concerto no Centro Cultural de Macau, em junho de 2004. O programa incluiu canções portuguesas dos composito‑ res Fernando Lopes ‑Graça e de Eurico Carrapatoso, para além das canções brasileiras, chinesas e áreas de ópera. Em 2010, a 1.ª digressão da Orquestra Metropolitana de Lisboa na China foi patrocinada pela Fundação Oriente. Em junho de 2013, o pianista português Sequeira Costa atuou no recital de piano, no Centro Cultural de Macau. O programa continha a Cantiga de Amor e Chura de Viana da Mota e a Dança de Sui Mei ‑Mei do músico português em Macau, padre Áureo da Costa Nunes e Castro (Casa de Portugal, 2013). Em agosto de 2014, com o apoio da Fundação Oriente, o guitarrista Pedro Joia e o seu trio apresentaram dois concertos no âmbito da 8.ª edição do China International Youth
Arts Festival em Beijing. No seu programa, incluiu uma grande parte da música
tradicional portuguesa, sobretudo obras de Carlos Paredes, Armandinho e da sua própria autoria (RTP, 2015). No dia 8 de junho de 2014, um trio formado pelos músicos portugueses (o flautista Jorge Correia, o guitarrista Paulo de Vaz Carvalho e a pianista chinesa Shao Xiao Ling) apresentou um programa da música erudita portuguesa do século XX, no teatro D. Pedro V, em Macau, inserido nas atividades da comemoração do Dia de Portugal. O mesmo trio atuou também na cidade de Shanghai.
O Festival Internacional de Música de Macau é um evento anual em que se apresenta a música portuguesa. Este festival foi fundado em 1987 e é pro‑ gramado, anualmente, para se realizar em outubro. Os três primeiros festivais foram organizados pela Direção dos Serviços de Turismo de Macau. Em 1991, o festival passou para as mãos do Instituto Cultural de Macau. António Carmo foi o primeiro coordenador geral e Adriano Jordão, o seu diretor artístico. Em 1992, João Pereira Bastos tomou a pasta da direção artística até ao ano de 1999. Nas programações das edições destes anos, verifica ‑se um peso considerável dos músicos e orquestras portuguesas. É de salientar, por exemplo, que na edição de 1989 e 1999, esteve a Orquestra e o Coro Gulbenkian. Em 1996, Elisabete Matos e Pedro Burmester atuaram neste festival. Após a reintegração de Macau na China e a partir de 2000, o sino ‑americano Warren Mok tornou ‑se o diretor artístico deste evento. No entanto, os músicos portugueses continuam a ser apreciados em Macau. Em 2002, atuaram o clarinetista António Saiote e o pianista António Rosado; em 2003, apresentou ‑se o ensemble TetVocal; em 2004, a pianista Maria João Pires atuou no festival; em 2010, apresentou ‑se o grupo da música antiga Concerto Atlantis; em 2011, o ensemble vocal Introitus e
Sete Lágrimas participaram no festival; em 2013 e 2014, a Orquestra e o Coro
Gulbenkian voltaram a atuar; em 2015, o esteve presente o grupo Danças Ocultas (ICM, 2016).
A par das atividades performativas, vários compositores contemporâneos também se deram a conhecer ao público chinês. Por exemplo, a compositora Isabel Soveral e a sua obra Contornos foi selecionada para a representação portuguesa no festival The 1998 ISCM ‑ACL World Music Days, em Hong Kong; Em 2002, a sua obra Anamorphoses III voltou a encantar o público chinês e foi gravada no ISCM World Music Days 2002, em Hong Kong. Um outro caso, em 1996, o FIMM foi a encomenda de uma obra ao compositor António Chagas Rosa, que resultou no Concerto para Piano e Orquestra, estreado no dia 25 de outubro, no 10.º Festival Internacional de Música de Macau. A obra foi tocada pela
Symphony Orchestra of the National Opera and Ballet of China, com Jay Gottlieb
no piano e sob a direção do maestro Ronal Zollman. Gostaria de salientar que estes compositores são docentes da Universidade de Aveiro e lecionam no Departamento de Comunicação e Arte. A criação de novos circuitos para intercâmbios culturais é originada, também, pela mobilidade de estudantes internacionais – a Universidade de Aveiro é um local de destaque. Encontram‑ ‑se estudantes chineses e brasileiros a aperfeiçoar música no Departamento de Comunicação e Arte. É de referir que, na disciplina Música de Conjunto do Mestrado em Performance, está a emergir um diálogo intercultural ao nível individual e de repertórios. Os alunos chineses, brasileiros e portugueses têm colaborado para aprender e interpretar as obras portuguesas, além das obras dos compositores dos seus países natais.