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La méthode de Newton pour le calcul d’inverses

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Polynômes et séries

3. Calculs rapides sur les séries

3.2 La méthode de Newton pour le calcul d’inverses

A investigação para a compilação da história literária A literatura indo-portuguesa começou em 1960, tendo o livro sido publicado quase 12 anos depois, no final de 1971. Vimala Devi e Manuel de Seabra nunca se deslocaram a Goa para pesquisar ou conhecer de perto o meio literário goês. As pesquisas tiveram principalmente lugar na Sociedade de Geografia e na British Library, em Londres, para onde o casal se mudou em 1963. A mudança para a capital do Reino Unido obrigou Vimala a viajar várias vezes para Portugal, para integrar as pesquisas, enquanto Manuel estava empenhado a trabalhar para a BBC. De facto, como se deduz pela entrevista anexada a este trabalho, essa fase londrina viu a Vimala ser a parte mais ativa do casal no desenvolvimento da obra, enquanto a Manuel teria cabido o papel de compilador da história literária. As únicas contribuições que chegaram diretamente da Índia foram as enviadas pelos autores ou seus familiares, que responderam ao apelo de Seabra publicado no Diário de notícias de Lisboa, em 1960, bem como aos contatos feitos privadamente por Vimala. Na nota prefacial do livro, destacam-se, desde logo, as dificuldades encontradas pelos autores no processo de investigação:

As pesquisas com um trabalho desta sorte em mente começaram em 1960 e, de facto, continuam ainda. Esta área de cultura encontrava-se totalmente por explorar, sendo pouco numerosos e superficiais os trabalhos de referência existentes. Foi preciso, pois, partir do nada e tentar, literalmente às cegas, estabelecer uma perspectiva histórica da literatura indo-portuguesa. Infelizmente, o livro do P.e Filinto Cristo Dias chegou demasiado tarde para nos auxiliar nessa tarefa básica, embora, de qualquer maneira, apresentasse grandes lacunas que interessava preencher. (DEVI & SEABRA, 1971: 5)

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Em 2012, Paul Melo e Castro publicou no seu blog Archive of Goan writing in Portuguese, uma entrevista feita a Vimala Devi pelo jornal goês A Vida, em 1967177 – no auge da fase de compilação do trabalho –, em que a autora conta que o projeto inicial previa, além da parte «histórico-crítica», também um dicionário biográfico e uma antologia. O formato final da obra, publicada em 1971, incluiu apenas um volume histórico-crítico e um volume antológico, provavelmente devido às dificuldades em aceder às informações biográficas de todos os autores levantados. À luz da magnitude da lista e da inacessibilidade de informações completas sobre os autores, Vimala declara que, até o momento em que se deu a entrevista, tinham conseguido cortar pelo menos cinquenta nomes. Na entrevista de 1967, é também mencionado o facto de eles terem alargado o olhar para outros fenómenos culturais que iam além da mera literatura criativa, como o mandó, os almanaques e a imprensa periódica: «Já vai ultrapassando os limites de uma simples história literária de Goa para se tornar praticamente uma história da cultura em Goa».178

Em 1972, o casal recebeu o Prémio Abílio Lopes do Rego da Academia das Ciências de Lisboa, destinado a: «autor português de obra original, em língua portuguesa, sobre administração ultramarina, publicada no ano da abertura do concurso ou inédita».179 Os prémios da Academia das Ciências não eram financiados nem pelo Estado, nem pelas receitas da instituição, mas sim pela iniciativa particular de benfeitores. Nesse caso, o Prémio Abílio Lopes do Rego foi instituído pela Academia em 1950, graças a um donativo de Lopes do Rego equivalente a um milhão de escudos, enquanto o valor do prémio era estabelecido a cada ano. Sobre o âmbito científico do concurso, lê-se no regulamento do prémio:

A expressão «administração ultramarina», deverá ser entendida em sentido lato, isto é, abrangendo:

«a) qualquer tema da ciência de colonização ou qualquer problema concreto que diga directamente respeito à administração ultramarina portuguesa;

b) qualquer estudo de ciências humanas de interesse directo e imediato para a administração ultramarina portuguesa».(Prémios da Academia. Regulamento especial do prémio «Abílio Lopes do Rego», artigo nº 2)

177 «Vimala Devi- Uma História de Literatura Goesa (1967)»,

http://archiveofgoanwritinginportuguese.blogspot.com/2012/01/vimala-devi-uma-historia-de-literatura.html

178 Apesar de Vimala Devi falar de «história da cultura em Goa» – devido à abragência de autores, obras e tópicos

tratados – , no livro, os autores referem-se ao próprio objeto de estudo enquanto história literária. Da mesma forma, eles referem-se ao seu próprio texto indicando-o como uma obra de história da literatura.

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A literatura indo-portuguesa enquadra-se na segunda definição por ser um estudo de ciências humanas. A obra é uma história literária que atende realmente a um problema concreto, ou seja, como preservar o património literário e cultural da mais antiga possessão ultramarina, e que podia servir também como prova da diversidade do colonialismo português, ou, como escrito na nota prefacial do livro, que podia «servir de base à futuração da cultura luso-oriental» (DEVI & SEABRA, 1971: 5). Permanecendo no âmbito do «problema», na visão global da obra, são dois os problemas centrais que os autores expõem, um relativo à metodologia de pesquisa privilegiada e outro referente a algo que poderíamos definir como o problema do cânone. Os dois são originados na sequência da determinação das instâncias de excecionalidade em que a literatura indo-portuguesa se teria formado, sendo o lusotropicalismo a tese principal onde os dois autores fundamentam as suas observações. A pergunta que deve aqui ser colocada é se os dois problemas levantados por Devi e Seabra sobre a metodologia e o cânone podiam ser considerados, na década de 70, como problemas de administração ultramarina. Acredita-se que a resposta seja afirmativa, sendo que existe um evidente nexo entre a metodologia utilizada pelos dois críticos e o discurso político representado pela obra.

4. A assunção dos problemas metodológicos: «o método sociologista» e a aceção «literatura

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