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L’estimation et le planning

IV La phase de conception

S. I Solution technique Type de traitement

IV.8 L’estimation et le planning

Atinente à SN, os grupos de idosos com AE e C mostraram diferenças significativas entre si. O teste t Student (t (63) = 2,057); p=0,044) mostrou um valor de p<0,05, sendo as médias do grupo AE maiores do que as do grupo C, e os desvios padrão menores: AE (4,23+0,99), C (3,68+1,14), conforme Tabela 13. Os resultados obtidos, desse modo, mostraram que a escolaridade é um importante fator na produção de narrativas orais baseadas em figuras, especialmente no que tange à construção da SN.

Quanto à análise da SN, nossa hipótese 821 foi corroborada, a saber (haverá diferença estatisticamente significativa entre o desempenho do grupo de idosos saudáveis com alta escolaridade e o grupo controle, referente às análises de superestrutura, coerência local e coerência global da narrativa, bem como no uso de estratégias comunicativas (adaptado de Juncos-Rabadán et al., 2005; Tuker, Stern 2011)).

21 A hipótese 8 trata da relação entre escolaridade e desempenho linguístico no envelhecimento saudável. Como

esta hipótese não foi desmembrada, e ela abrange quatro das cinco análises linguísticas propostas, ela aparecerá em todas as seções abaixo que versarem sobre tal relação.

Tabela 13: Comparação entre o desempenho do grupo com AE, em relação ao grupo C, na análise da

superestrutura narrativa

SUPERESTRUTURA NARATIVA – HISTÓRIA DO CACHORRINHO

AE C N M (DP) N M (DP) Comparações p SUPERESTRUTURA NARRATIVA TOTAL 31 4,23 (0,99) 34 3,68 (1,14) AE >C 0,044*1

Legenda: AE= alta escolaridade; C= comparativo de baixa escolaridade; Nota: *p≤0,05 é considerado significante; ¹(teste t Student);

De acordo com a análise qualitativa, o grupo de idosos com AE teve maior concentração de participantes na Pn5 (51,6%), demonstrando que mais da metade do grupo criou uma história com todas as partes da SN. A segunda maior concentração de participantes com AE foi na Pn4 (29,0%), e nenhum participante ficou apenas na situação inicial. Diferentemente do grupo AE, o grupo C teve concentração de 35,3% na Pn4 e 26,5% chegaram à Pn5 – situação final da história. A Tabela 14 ilustra o número de participantes e o percentual deles em cada parte da SN.

Tabela 14: Comparação entre o desempenho do grupo com AE, em relação ao grupo C, na análise da qualitativa

da superestrutura narrativa

SUPERESTRUTURA NARATIVA – HISTÓRIA DO CACHORRINHO

AE C N % N % Pn0 0 0 0 0 Pn1 3 9,7 2 5,9 Pn2 3 9,7 3 8,8 Pn3 12 35,3 8 23,5 Pn4 9 26,5 12 35,3 Pn5 16 51,6 9 26,5 Total 31 100 34 100

Legenda: AE= alta escolaridade; C= comparativo de baixa escolaridade; (Pn0) – não situou espaço, tempo e características das personagens;

Situação inicial (Pn1): momento em que se definem as situações de espaço, tempo e características das personagens; Nó desencadeador (Pn2): ocorre após a situação inicial, por meio de uma ação que visa modificar o estado inicial da narrativa propriamente dita. Re-ação ou Avaliação (Pn3): re-ação culmina no momento que transforma a nova situação provocada pela complicação; avaliação: momento que

indica as reações das personagens. Desenlace (Pn4): estabelecimento de um novo estado, diferente do inicial da história. Situação final

(Pn5): fechamento da história.

A diferença estatisticamente significativa entre os grupos AE e C corrobora a hipótese de que a escolaridade proporciona uma reserva cognitiva ao idoso, influenciando positivamente em seu desempenho cognitivo (WHALLEY et al., 2004). Esta reserva vem ao encontro do que Adam (1987) chama de sentido configuracional pragmático da narrativa, em que o sentido emerge da história, pois o grupo de idosos com AE teve um número elevado de pessoas que conseguiram alcançá-lo, ao passo que o grupo C não. Abaixo, segue o texto de um idoso do grupo AE como exemplo.

Texto: “essa é a história do Joãozinho... ou melhor... do Pedrinho ...é o nome do meu outro filho... o Pedrinho tava na rua voltando do colégio quando bateu o olho num cachorrinho e o cachorrinho tava muito assustado porque ele tava abandonado e ninguém dava bola pra ele... aí o Pedrinho olhou e chamou ele e o cachorrinho já começou a balançar o rabo e ele disse “olha eu vou te levar pra casa mas com uma condição tu entra e fica quietinho porque lá em casa pode ser que nós não sejamos muito bem-vindo” e o cachorro como todo bom cachorro entendeu aí ele colocou o cachorro no seu quarto dentro do guarda-roupa e o cachorro ficou bem acomodadinho ali no quentinho... a essas alturas ele já tinha trazido uma comidinha e ele tava bem feliz até que chega a hora da mamãe arrumar o quarto e dá de cara com o cachorro... “que é isso menino”..”.mãe por favor (muda o tom de voz) é um bichinho bom tava faminto tava necessitado vamos atendê-lo vamos socorrê-lo”... a mãe achou meio ruim mas com todo jeito concordou e passaram no pátio... começaram a fazer uma casinha pro cachorro que é um lugar mais adequado do que dentro do roupeiro para um bichinho desses morar”

O texto apresentado inicia com uma contextualização para a história; o participante escolhe um nome à personagem principal, Pedrinho. Há algumas descrições e relato dos acontecimentos. O narrador é apresentado em primeira e terceira pessoa. Todas as falas em primeira pessoa foram marcadas com aspas. No áudio, é perceptível a mudança do tom de voz do idoso para interpretar as falas do Pedrinho. Todos os elementos da SN são contemplados, estando presentes ideias principais e acessórias. Neste exemplo, os acontecimentos são significativos para o todo da história; os fatos obedecem a uma cronologia e não há mera descrição das figuras.

A SN, conforme proposta por Adam (1987, 2008), mostra-se bastante pertinente à análise da produção narrativa baseada em figuras, podendo ser utilizada em diversas populações. O exemplo apresentado ilustra a aplicação da teoria, enfatizando a importância da escolaridade como reserva cognitiva no envelhecimento sadio. Na próxima seção, apresentaremos a análise de tipo textual.