tutor: Doutor Carlo Bottaini Metodologia
O trabalho centrou-se na realização de modelos 3D de artefactos procedentes de contextos arqueológicos: uma cerâmica (XII d.C.) (Figura 12a) do período Islâmico proveniente de uma escavação da Alcáçova de Santarém e uma taça carenada (Figura 12b) encontrada em contexto de escavação no sítio do Bronze Médio (a cerca de 1500 a.C.) de Torre Velha 3 (Beja). Para o efeito, recorreu-se a duas metodologias distintas, nomeadamente, digitalização com o laser scanner utilizando um scanner 3D
NextEngine, o software NextEngine ScanStudio HD e software opensource Meshlab Figura 10: Análise in-situ de fluorescência de raios X.
Figura 11: Análise por fluorescência de raios X: a) área analisada; b) respetivo espetro
indicando a presença de HgS.
(Figura 13) e a fotogrametria, utilizando uma máquina fotográfica Canon 1100D e o programa Agisoft PhotoScan (versão 1.1.5.2034).
Resultados
O laser scanner permitiu a criação de um modelo 3D. A peça foi varrida por feixes de laser que ―traduzem‖ as formas da peça digitalizada em nuvens de pontos (Figura 14). Foi utilizada a modalidade 360º. O modelo foi realizado em alta definição (modalidade HD) e o tempo de adquisição foi de ~1 hora. Através do programa
NextEngine ScansStudio HD, procedeu-se ao alinhamento manual das nuvens de
pontos resultantes das várias perspetivas de aquisição permitindo a criação do modelo 3D da peça.
Figura 14: Alinhamento manual das diferentes nuvens de pontos
obtidas.
Figura 13: Aquisição de um modelo 3D com utilização do Scan 3D NextEngine. Figura 12: a) amostra de cerâmica do período Islâmico (XII d.C); b) taça
carenada (1500 a.C.).
a) b
3. CONCLUSÃO
O INICI(AR)3 foi um projeto inovador na Universidade de Évora e no panorama do Ensino Superior em Portugal pois possibilitou que alunos de 1º ciclo de cursos de ciências exatas e naturais, a maioria a frequentar o 1º ou 2º ano do curso, fossem integrados em projetos de investigação de equipas especializadas do Laboratório HERCULES na área do património cultural.
Este projeto mostrou ter uma ação pedagógica importante, tanto no âmbito científico, como pessoal e social, e ser profundamente motivador. Paralelamente, para os docentes e investigadores que tiveram a função de tutor foi um desafio trabalhar em projetos de investigação científica avançada com alunos em fases básicas do conhecimento científico. Esta simbiose permitiu a ambos os grupos uma interação e cumplicidade que normalmente é atingida em fases bastante mais tardias da formação académica dos alunos. O INICI(AR)3 pode ser, de facto, visto como um projeto piloto a implementar nos ensinos de ciências exatas e naturais pela excelente contribuição que pode dar na motivação e captação de conceitos através da metodologia do ―aprender-fazendo‖.
Dada a importância que a avaliação do projeto pelos próprios alunos tem, foi elaborado um questionário de opinião, a responder de forma anónima, e solicitado aos alunos que respondessem. O questionário abordou questões relacionadas com o desempenho escolar durante o projeto assim como a aproximação à investigação científica e ao trabalho laboratorial numa tentativa de avaliar o impacto que o projeto teve na formação académica e na motivação dos alunos participantes, segundo o seu próprio ponto de vista. No sentido de completar a avaliação do projeto por todos os grupos participantes, será também solicitado aos docentes a resposta a um questionário a eles dirigido e focado na relação tutor/aluno e no interesse demonstrado e na evolução de cada aluno.
Nas Figuras 15 a 17 apresentam-se em modo gráfico algumas das respostas obtidas para as diferentes questões elaboradas. Na Figura 15 resumem-se as respostas relativas à questão ―O projeto: a) é inovador; b) devia ser implementado ao nível do 1º ciclo dos cursos de ciências exatas e naturais; c) teve uma implicação positiva na motivação escolar; d) ajudou a aprender e a gerir melhor o tempo; e) ampliou os conhecimentos científicos; f) permitiu o contacto com equipamentos nunca antes utilizados; g) melhorou hábitos de trabalho em grupo; h) melhorou hábitos de trabalho individual‖.
No que diz respeito à alínea a), este projeto foi considerado inovador por 100% dos alunos e 87% concordam parcial e totalmente que este deveria ser implementado a nível do 1º ciclo dos cursos de ciências exatas e naturais (alínea b). Verificou-se que cerca de 90% dos alunos concordaram ou concordaram totalmente em que o projeto teve uma implicação positiva na motivação escolar (alínea c) e 75% dos alunos considera que a sua participação os ajudou a aprender a gerir melhor o seu tempo (alínea d). A ampliação dos conhecimentos científicos (alínea e), o contacto com equipamentos nunca antes utilizados (alínea f) e a melhoria dos hábitos de trabalho em grupo e individuais (alíneas g e h, respetivamente) foram avaliadas com uma concordância (total e parcial) de 100%.
Algumas das respostas à questão ―O projeto permitiu: a) aumentar a curiosidade científica e a capacidade de análise, interpretação e discussão; b) compreender o contributo das ciências exatas e naturais na construção do conhecimento científico; c) compreender as etapas do desenvolvimento de um trabalho prático de investigação científica‖ são apresentadas na Figura 16.
Figura 15: Respostas ao questionário de opinião.
A nível de competências de investigação científica, 100% dos alunos concordou ou concordou totalmente que a sua integração neste projeto permitiu aumentar a curiosidade científica e a capacidade de análise, interpretação e discussão (alínea a); compreender o contributo das ciências exatas e naturais na construção do conhecimento científico (alínea b) assim como as etapas do desenvolvimento de um trabalho prático de investigação científica (alínea c).
Na Figura 17 apresentam-se as respostas obtidas na questão ―No que diz respeito à interação com o docente/investigador: a) foi esclarecedora e adequada; b) foi respeitosa e informal; c) houve articulação de estratégias e responsabilidades, cooperação e partilha de conhecimentos; d) promoveu o desenvolvimento pessoal e profissional.
Verificou-se que 100% dos alunos concordou ou concordou totalmente que a relação tutor/aluno foi esclarecedora e adequada (alínea a) respeitosa e informal (alínea b), que houve articulação de estratégias, responsabilidades, cooperação e partilha de conhecimentos (alínea c) e ainda que promoveu o desenvolvimento pessoal e profissional (alínea d).
No geral, constatou-se pela resposta às questões ―O projeto INICI(AR)3 foi uma mais- valia no desenvolvimento de competências pessoais, escolares e profissionais?‖ e ―O projeto atingiu as expectativas?‖, uma concordância de 100% (25% de respostas ―concordo parcialmente‖ e 75% ―concordo totalmente‖ e 12% dos alunos concorda parcialmente e 88% concorda totalmente, respetivamente). Os resultados apresentados sustentam a qualidade e eficácia do projeto e a adequação das ferramentas utilizadas para o desenvolver e aplicar, o que nos permite fazer uma avaliação extremamente positiva e concluir que o INICI(AR)3 foi um projeto muito bem aceite pelos alunos.
4. AGRADECIMENTOS
A autora agradece o financiamento prestado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ao abrigo do Concurso para Projetos de Partilha e Divulgação de Experiências com Inovação Didática. A autora está também grata a Margarida Nunes pela colaboração na coordenação do projeto e a todos os membros e alunos do Laboratório HERCULES pelo empenho e colaboração no projeto.
5. REFERÊNCIAS
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