Segundo Hirschman (1961), o encadeamento produtivo ocorre quando a atividade de dada indústria gera pressões econômicas, ou de outra natureza, surgindo assim novas atividades. O encadeamento se dá quando uma indústria A gera economias externas para si, podendo ser absorvida por uma indústria B, que por sua vez gera economias externas a si que podem ser apropriadas por outras indústrias C. Sendo assim, a expansão de uma certa indústria é capaz de encadear outras indústrias.
Forças geradoras de investimentos que são postas em ação, através das relações de insumo produção, quando as facilidades produtivas que suprem os insumos necessários à mencionada linha de produto ou que utilizam sua produção são inadequadas ou inexistentes.
Desta forma, o desenvolvimento de uma economia com industrialização tardia pode ser explicado, dentre outros fatores, pelos generalized linkages – encadeamentos generalizados – que é classificado por Hirschman (1985) como:
1) Efeito de encadeamento generalizado interno: São os casos em que as novas atividades induzidas pelo efeito em cadeia são empreendidas pelos mesmos agentes econômicos já envolvidos na atividade do produto básico de exportação.
2) Efeito de encadeamento generalizado externo: Ocorre quando as novas atividades são empreendidas por agentes estrangeiros ou pelo setor público.
3) Efeito de encadeamento específico: Diz respeito aos efeitos de encadeamento de produção, consumo e fiscal. Estes efeitos estão dispostos da seguinte forma:
• Efeitos de encadeamento da produção:
São os efeitos decorrentes da relação insumo-produto. Seus impactos são refletidos diretamente na cadeia produtiva. Estes efeitos podem ser divididos em retrospectivos (para trás), que levam a novos investimentos produtivos no setor de fornecimento de insumos e prospectivos (para frente), que propiciam investimentos em setores que utilizem a produção da atividade principal. Resumindo, os efeitos de encadeamento da produção podem ser classificados de acordo com seus impactos a montante ou a jusante.
Os efeitos em cadeia retrospectivos dizem respeito à atividade capaz de induzir o surgimento de novas atividades voltadas para o fornecimento de insumos necessários. Estes efeitos são mais significativos quando os novos insumos necessários envolverem recursos tecnológicos, devido à dificuldade dos países subdesenvolvidos em dar saltos tecnológicos.
Já os efeitos em cadeia prospectivos são decorrentes do aparecimento de novas atividades que utilizam como insumos a produção da atividade principal, mesmo que o destino não seja a demanda final.
• Efeitos de encadeamento de consumo:
De início, o conceito de efeito em cadeia foi bastante vulgarizado devido à aplicação restrita às análises de estruturas e processos ligados à indústria e industrialização, pois nesses casos era mais fácil conceber os efeitos em cadeia com variedade e profundidade, tanto no sentido retroativo quanto prospectivo. Porém, o conceito de efeito em cadeia passa a ser aplicado na produção primária a partir do momento em que se evidencia a sua ligação com a teoria do
produto primário de exportação (HIRSCHMAN, 1985).
O mecanismo indutor que leva à criação de novas indústrias de bens de consumo, em consequência do produto primário de exportação, foi denominado por Watkins (1977) como
efeito em cadeia da demanda final. Segundo Hirschman (1985), esse efeito é explicado pelos
rendimentos gerados através da produção e exportação do produto primário, possibilitando a importação de bens de consumo que, ao atingirem um volume suficiente, podem ser substituídos por indústrias domésticas.
O mecanismo de criação dessas indústrias, em certa medida indireta, como reflexo do produto primário de exportação, foi denominado por Hirschman (1985) como consumption linkage ou efeito em cadeia do consumo.
• Efeitos de encadeamento fiscal:
Além dos efeitos de encadeamento da produção e do consumo, a implantação de novas atividades produtivas em uma determinada região pode gerar efeito de encadeamento fiscal:
Uma outra maneira importante pela qual uma coisa pode levar à outra é através da habilidade do Estado em regular o fluxo de rendimento decorrente do produto primário de exportação, orientando-o para as diversas facções e grupos, particularmente proprietários de minas e latifúndios. Se o Estado taxa esses rendimentos e canaliza para os investimentos produtivos, é possível falar de efeitos em cadeia fiscais do produto primário de exportação... (HIRSCHMAN, 1985, p.13).
O incremento nas receitas tributárias do Estado, decorrente do encadeamento fiscal, pode partir diretamente das exportações através da incidência de taxas e impostos ou indiretamente mediante a cobrança de tarifas alfandegárias sobre as mercadorias importadas que sejam relacionadas à elevação da exportação do produto primário (HIRSCHMAN, 1985).
O produto primário exportado não é capaz de gerar efeitos de encadeamento em toda a linha, ou seja, produção – consumo – fiscal. As experiências mostram que a ocorrência de um efeito, geralmente, não acontece de forma simultânea com os outros.
Segundo Hirschman (1985), a produção mineral pode se comportar como um enclave, ou seja, ausência de elo de encadeamento da atividade em questão com a economia local. Logo, este enclave torna-se alvo óbvio das autoridades fiscais. Consequentemente, os efeitos de encadeamento fiscais estão intimamente ligados a ausência de efeitos em cadeia de produção e consumo, e vice-versa. Deve-se deixar claro que freqüentemente essas atividades geradoras de enclave são de propriedade estrangeira que tem como fim a remessa de lucros para exterior, sendo assim surge a figura de autoridade do Estado com intuito de reapropriar-se de parte dos fluxos de rendimentos gerados pelo enclave.
O efeito de encadeamento fiscal ganha forte conotação em atividades exportadoras de recursos naturais não-renováveis, cabendo ao Estado a função de maximizar os benefícios do seu rendimento de forma a compensar o futuro esgotamento do recurso natural em questão.
6.2 ENCLAVE EXPORTADOR
Como já foi visto, o conceito de efeito em cadeia não tem aplicação restrita à indústria, mas também nas atividades primárias. Mais precisamente, a princípio, o efeito em cadeia de produção analisa apenas o desenvolvimento de regiões de base exportadora, tendo o produto primário como a base da pauta de exportação.
Neste capítulo, já foi visto que a atividade mineral pode ser caracterizada pelo enclave, que segundo PEREIRA (2004) é uma das situações básicas de dependência no atual sistema capitalista. Situação esta que o capital estrangeiro investido é incorporado ao processo produtivo local, modificando parcela da renda total auferida em salários e impostos que são
retidos na região. Não se deve deixar de mencionar que através da exploração da força de trabalho local e dos recursos minerais os lucros das grandes empresas aumentam e são remetidos para o exterior, desta forma “respeitando” a lógica do capital externo.
A outra forma de dependência diz respeito ao sistema produtivo, que é controlada pelo empresariado local e não pelo setor externo, tendo também o aumento dos lucros decorrente da exploração da mão-de-obra local e dos recursos naturais, porém essa apropriação tem maior probabilidade de ficar na região.
Geralmente as atividades minerais voltadas para exportação, caso do vanádio em Maracás, se relacionam com as economias industrializadas quase que exclusivamente por meio da exportação dos recursos minerais na qual a sua continuidade praticamente independe da intervenção humana (PEREIRA, 2004). Essas regiões exportadoras de recursos minerais são caracterizadas pelo baixo nível de encadeamento, tanto pra frente quanto pra trás, com a economia local.
Uma economia de enclave pode ser caracterizada pela organização da produção de produtos primários voltada para o mercado externo. “O desenvolvimento econômico baseado em enclaves passa a expressar o dinamismo das economias centrais e o caráter nelas assumido pelo capitalismo, independentemente da iniciativa dos grupos locais” (CARDOSO; FALETTO, 1977).
Em uma economia de enclave mineral, é reduzido o nível de ocupação de mão-de-obra e elevada a concentração de capital para construção das plantas. Além da pouca demanda, a mineração exige uma mão-de-obra qualificada.
Feitas as considerações a respeito do desenvolvimento da economia baiana nas últimas décadas, na qual Maracás e sua região não experimentaram um relevante desenvolvimento econômico, a mineração surge como uma oportunidade de interiorização do desenvolvimento da Bahia, possibilitando a desconcentração espacial das atividades econômicas que é objetivo do governo da Bahia.
Ao se fazer uma comparação dos prognósticos “sem” e “com” a implantação e operação do empreendimento minerador em Maracás, levando em consideração uma relação de custo beneficio, fica evidente uma maior significância do prognostico “com” a exploração mineral no município. No entanto acredita-se que a expectativa da população maracaense supera os reais impactos a serem gerados, daí sugere-se programas de capacitação dos fornecedores e da mão-de-obra local com intuito de amenizar a ocorrência de um enclave exportador e de alguns impactos negativos, tais como pressão ocupacional e pressão sobre a infra-estrutura.
Com a possibilidade da não implantação da mineradora, acredita-se que a atual situação socioeconômica de Maracás seja mantida, tendo em vista toda a história de desenvolvimento econômico da região e a falta de perspectiva com relação ao futuro do município.
A exploração do vanádio no município pode trazer oportunidades de geração de empregos – que estatisticamente na atividade mineradora é de 3 a 4 indiretos a cada direto criado – para uma população que tem como principal empregador o setor público e agricultura que sozinhos são incapazes de absorverem a mão-de-obra de uma População Economicamente Ativa de aproximadamente 11.000 pessoas.
Além da geração de empregos, outro impacto de grande relevância diz respeito ao incremento nas receitas do Município de Maracás, através do aumento da arrecadação do ICMS e ISS além do importante (e novo) imposto que será responsável pela maior parcela do incremento nos cofres públicos municipais: CFEM que contribuirá com aproximadamente R$ 2 milhões anuais para a Prefeitura de Maracás, possibilitando maiores investimentos na precária infra- estrutura.
Sugere-se a implantação de programas de capacitação de fornecedores locais, possibilitando a ocorrência de efeitos de encadeamento contribuindo para a dinamização da economia.
Como exemplo pode-se citar o Programa de Qualificação dos Fornecedores – PQF- que é uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e é desenvolvido pelo Instituto Euvaldo Lodi da Bahia (IEL/BA) juntamente com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). O PQF visa aumentar e potencializar o numero de negócios entre as empresas âncoras e as demais empresas.
A formação de um forte empresariado local e regional é de extrema importância para um alto aproveitamento dos efeitos da mineração, desta forma dificultando que outros municípios, como Jequié, absorvam os impactos positivos.
A contratação da mão-de-obra local se apresenta como medida mitigadora a ser tomada pela mineradora canadense, porém a desqualificação profissional da população maracaense é notória. Logo surge como imprescindível a realização de cursos para capacitação da mão-de- obra local.
Finalmente, sugere-se que o Setor Público Municipal deve estar bem estruturado, possibilitando a realização de melhorias para a comunidade local, fruto de um incremento na arrecadação tributária. Também é de fundamental importância uma aproximação entre Prefeitura e mineradora permitindo parcerias que rendam bons frutos para população maracaense.
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Foto 1 - Visão geral do povoado de Porto Alegre
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO B
Foto 2 - Residência do povoado de Jacaré Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO C
Foto 3 - Escritório de campo da LARGO na Fazenda Patrícia.
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO D
Foto 4 - Visão do início do povoado de Pé de Serra
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO E
Foto 5 - Uma das vias internas do povoado De Pé de Serra
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO F
Foto 6 - Residência em adobe, ainda bastante comum na região de Pé de Serra
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO G
Foto 7 - Comércio localizado às margens da rodovia BA 330
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO H
Foto 8 - Posto de Saúde da Família – PSF de Pé de Serra
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO I
Foto 9 - Escola Estadual do Povoado de Porto Alegre
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO J
Foto 10 - Exemplo de períodos distintos de construção na zona urbana
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO K
Foto 11 - Exemplo do comércio na sede Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO L
Foto 12 - Ao fundo prédio sede da Prefeitura e a agência do Banco do Brasil
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO M
Foto 13 - Visão parcial da continuidade do Centro de Maracás
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO N
Foto 14 - Via sem pavimentação no limite do bairro das Flores
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO O
Foto 15 - Trabalhadores agrícolas em Porto Alegre
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO P
Foto 16 - Ao fundo, visão da plantação irrigada às margens do rio de Contas
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
Foto 17 - Venda de animais no Mercado Municipal
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO R
Foto 18 - Venda de cereais no Mercado Municipal
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008
ANEXO S
Foto 19 - Venda de frutas no Mercado Municipal
Fonte: elaboração própria baseado em BRANDT, 2008