CHAPITRE PREMIER L’ÉMERGENCE D’UN DROIT GOUVERNEMENTAL
SECTION 2. LA RATIONALISATION LIMITÉE DE L’INITIATIVE LÉGISLATIVE DU GOUVERNEMENT
A. L’ ABSENCE DE BOULEVERSEMENT DES INFLUENCES EXTRA GOUVERNEMENTALES
2. L A STRUCTURATION DU TRAVAIL INTERMINISTERIEL
A dislipidemia é a alteração dos níveis de lipídeos circulantes, em geral, níveis elevados de CT, TG e LDL-C e baixos níveis de HDL-C (PEGORARO, 2008; LUNARDI et al., 2009). Tal perfil tem sido associado ao avanço epidêmico do excesso de adiposidade infantil nos últimos anos. Este quadro dislipidêmico é causado pelas alterações na síntese, catabolismo e/ou no clearence, em conseqüência de fatores ambientais e/ou genéticos, dieta inadequada e/ou sedentarismo (SANTOS et al., 2008).
A prevalência das dislipidemias na infância e adolescência varia de 24 a 33% (RIBEIRO, 2000). Estudo realizado por Giuliano et al. (2005) com 1.053 escolares de 7 a 18 anos de Florianópolis-RS encontrou hipercolesterolemia em 10% dos avaliados, 22% dos escolares apresentaram hipertrigliceridemia, 6% LDL-c elevado e 5% HDL-c baixo.
Ribas et al. (2009) também investigaram a prevalência de dislipidemia em escolares de 6 a 17 anos de Belém-PA. Subdividiram a amostra em 4 subgrupos, quais sejam, 6 a 9 anos; 10 a 12 anos; 13 a 15 anos e 16 a 19 anos. Observaram que 49% da população estudada apresentou alguma alteração no perfil lipídico, sendo que as crianças e os adolescentes da faixa de 10 a 15 anos foram os grupos etários que revelaram as maiores taxas de dislipidemia (34,6% e 25,5%, respectivamente). Ressalta-se que a maior prevalência de obesidade foi verificada entre as crianças (33,6%).
Estudos epidemiológicos revelam que os níveis de colesterol sérico de crianças estão diretamente associados à presença de doença coronariana nos adultos da mesma região, sendo que tal fato pode ser devido ao tracking, favorecendo a tendência de as crianças se manterem nos mesmos percentis de colesterol até a vida adulta (GIULIANO et al., 2005).
Associa-se a esta situação o agrupamento de fatores de risco para doença cardiovascular aterosclerótica que tende a ocorrer nos indivíduos (clustering effect) e permanecer no período de crescimento e desenvolvimento (FREEDMAN et al., 2001).
Sabe-se também que a hipercolesterolemia, em especial, o aumento da fração LDL- c é o principal preditor das DCV, aterosclerose principalmente, em razão de tais partículas
36 conterem 70% do colesterol no sangue (GIULIANO et al., 2005; PEGORARO, 2008). Por este motivo, conforme o National Cholesterol Education Program, este é o principal alvo de intervenções (NCEP, 1992).
Ao contrário, níveis séricos aumentados de HDL-c reduzem o risco relativo para doenças cardiovasculares. Tal fenômeno se deve à capacidade que esta molécula possui de realizar o transporte reverso do colesterol, isto é, removê-lo das células e transportá-lo ao fígado para que seja excretado posteriormente. O HDL-c atenua o potencial aterogênico do LDL-c, por meio da prevenção da oxidação e agregação desta partícula na parede arterial (SANTOS et al., 2008).
Observa-se associação entre obesidade e ocorrência de dislipidemia (LUNARDI et
al., 2009). Como exemplo, pode-se citar o estudo tipo caso-controle realizado por Coronelli et al. (2003), que objetivando investigar fatores de risco para a hipercolesterolemia em escolares de Campinas apontou a obesidade como fator de risco (OR = 2,7; IC95%=1,05- 4,45).
No estudo realizado por Muratova et al., (2001), a obesidade definida pelo IMC foi considerada um ótimo preditor da colesterolemia, sendo que crianças com IMC >21 Kg/m2 revelaram risco de 18% de apresentarem hipercolesterolemia, enquanto naquelas com IMC > 30 Kg/m2 este risco foi de 32%.
Tendo em vista a associação dos lipídeos séricos com o excesso de peso, e considerando-se o crescente avanço da obesidade infantil, o controle das dislipidemias na infância deve ser alvo de prioridade nos programas de prevenção, a fim de reduzir a incidência de doenças relacionadas à aterosclerose na vida adulta.
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3. O B JE TIV O S
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3.1. Objetivo geralVerificar a associação entre obesidade e resistência à insulina e fatores de risco clínicos, nutricionais e bioquímicos para doenças cardiovasculares em escolares de Nova Era – MG, com a finalidade de subsidiar o planejamento de ações de saúde pública na região.
3.2. Objetivos específicos
• Objetivo 1 - Verificar a prevalência de obesidade entre os escolares de 6 a 10 anos do município de Nova Era – MG.
• Objetivo 2 - Descrever a população de estudo segundo suas características: demográficas; comportamentais; antropométricas e de composição corporal; físicas; clínicas; hemodinâmicas; bioquímicas e do metabolismo glicêmico e insulinêmico.
• Objetivo 3 – Analisar a freqüência de fatores de risco para doenças cardiovasculares na população de estudo.
• Objetivo 4 – Analisar a capacidade preditiva dos métodos de detecção da obesidade em relação ao Índice de Massa Corporal (IMC).
• Objetivo 5 - Estimar a associação entre obesidade e fatores de risco cardiovascular nos escolares.
• Objetivo 6 – Estimar a ocorrência de Síndrome Metabólica na população de estudo.
• Objetivo 7 – Analisar a frequência de fatores de risco cardiovasculares acumulados na população de estudo.
• Objetivo 8 – Analisar a concordância entre os diferentes métodos da Pressão Arterial.
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4.1. Área de EstudoO estudo foi realizado no município de Nova Era, situado na região central do estado de Minas Gerais. Localizado a uma altitude de 526 m, na Bacia do Rio Piracicaba e distante a 140 km da capital de Minas Gerais. A área do município é de 363 Km2 e sua população é composta de 18.579 habitantes, sendo 86 % residentes no meio urbano (IBGE, 2009).
Segundo a Secretaria de Educação do Município, aproximadamente 70% das crianças na faixa etária de 6 a 10 anos estão matriculadas nas escolas públicas municipais (SE/ Nova Era, 2007).
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4.2. População do estudo
O estudo foi realizado com escolares de 6 a 10 anos, regularmente matriculados nas escolas da rede pública municipal de ensino de Nova Era - MG.
4.2.1. Delineamento do estudo
Realizou-se inquérito descritivo populacional e, posteriormente, estudo epidemiológico observacional do tipo caso-controle pareado, duplo-mascarado, para detecção da resistência à insulina e outros fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares entre as crianças obesas.
4.2.2. Procedimento amostral
O desenho do estudo foi dividido em duas etapas:
1ª Etapa: Inquérito populacional descritivo
A primeira etapa do estudo teve por objetivo verificar a prevalência de obesidade na população e consistiu na avaliação do total de 1027 alunos de ambos os sexos e com idade de 06 a 10 anos, os quais estavam regularmente matriculados na rede pública de ensino de Nova Era – MG no ano de 2009.
As crianças foram submetidas à pesagem e aferição da estatura para obtenção do Índice de Massa corporal (IMC). Em seguida, calculou-se o indicador IMC/idade para classificação do estado nutricional dos escolares em escore-z, tomando-se como referência o critério preconizado pela World Health Organization (WHO, 2007).
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2ª etapa: Estudo caso-controle
O grupo a ser estudado foi composto pelo universo de escolares diagnosticados como portadores de obesidade e por seus respectivos controles, classificados como eutróficos.