SECTION 2 : ANALYSE DES RESULTATS
3.1. Méthode de Galerkin
4.5.3. L’état de déplacement vertical de la plaque
Escolhido os tipos de análise, foram adaptadas técnicas diferentes para o questionário e para o roteiro. E, mesmo no roteiro, ocorreram diferenças de técnica por questão.
A análise da Enunciação considera o discurso produzido numa interlocução como “palavra em ato”, entendendo a comunicação “como um processo e não como um dado”, pois no momento da aproximação entre o entrevistado e o pesquisador, a partir do estímulo das perguntas são ativados raciocínios e reflexões e todos os elementos constituintes desta construção discursiva tornam-se objeto de análise e de significação (d’Unrug, 1974 apud BARDIN, [1977] 2010, p.215, 216). Neste ponto de vista, o discurso é tido como um processo em que participam: as motivações, os desejos e os investimentos do entrevistado e as condições de sua produção (BARDIN, [1977] 2010, p.215,216).
Composta por três elementos básicos (locutor, objeto do discurso e o entrevistador), a comunicação/entrevista revela as “imperfeições” próprias desta situação. Esta é a condição básica da produção da palavra, segundo d’Unrug apud Bardin ([1977] 2010). Tais características coincidem com a experiência do trabalho de campo realizado e, salvo as adaptações necessárias, elementos desta técnica se mostraram de fato, apropriados.
Em relação aos desvios de aproximação, são distintos três tipos: análise sintática e paralinguística (estruturas formais gramaticais), análise da lógica (arranjo do discurso) e análise dos elementos formais atípicos (omissões, silêncios, pausas). Segundo Bardin, na proposição de d’Unrug, são utilizadas a análise da lógica do discurso ou dinâmica da entrevista junto com as figuras de retórica que também fazem parte da construção do discurso e geralmente têm a função de “retardar os conflitos”, mediando as tensões da fala, ou seja, os movimentos, intervalos e gestos que complementam a fala e que fornecem um “tempo” para a sua construção (d’Unrug, 1974 apud BARDIN, [1977] 2010, p.217).
Convergem para este tipo de análise influências teóricas e metodológicas diversas, onde se destacam a psicanálise (Lacan e Freud), a lógica, a linguística, a gramática gerativa e a análise estrutural do discurso. Entretanto, como citado anteriormente, esta técnica não se restringe a especialistas destas áreas, o que a torna acessível a outros campos (BARDIN, [1977] 2010).
A entrevista não diretiva, usualmente objeto da análise da Enunciação, demanda algumas posturas do entrevistador, que sejam: 1) suposição de uma atitude de consideração positiva e incondicional (não há juízo de valor) da parte do entrevistador, constituindo assim uma atitude de empatia (em relação ao ponto de vista do entrevistado), 2) seguir a lógica
própria do entrevistado, limitando-se a condução da comunicação às instruções temáticas (perguntas) e 3) uma pré-formação mínima pois cada entrevista é singular e requer observar a relação do locutor com o objeto do discurso (BARDIN, [1977] 2010, p.218,219). Estas posturas foram adotadas integralmente na pesquisa.
Para uma análise intensiva (focada nos locutores) é recomendado que o número de entrevistados seja estabelecido entre quinze e trinta, (BARDIN, [1977] 2010, p.219). Caso sejam feitas análises comparativas, as condições da produção das falas devem ser equivalentes (mesma situação do ambiente, temas e problemas). Se a análise focar na elaboração individual do discurso (palavra em ato), são respeitadas a liberdade e criatividade de cada locutor. Há uma relação média de tempo e extensão de texto transcrito – de meia a uma hora de fala para quatro até trinta páginas), porém esta relação não foi necessariamente aplicada. Este requisito não foi acompanhado integralmente, pois houve uma variação maior de tempo e de volume de textos transcritos, o que também não foi considerado um problema.
A análise da Enunciação é, em muitos casos, precedida de uma análise temática que é transversal, ou seja, perpassa o conjunto das entrevistas. Por meio de uma “filtragem” inicial do texto são identificadas e extraídas categorias que serão utilizadas nas etapas posteriores. Esta análise temática ocorreu:
. Na primeira questão, através de uma lista com temas diversos para que o entrevistado atribuísse um grau de importância ou escala de valor acerca dos temas (aberta para as contribuições pessoais);
. Na segunda questão, foi observada a frequência de determinados assuntos, a partir da leitura das transcrições e então foram listados os temas recorrentes.
A análise proposicional do discurso – APD, segundo Bardin ([1977] 2010), pode ser uma variação da análise temática (considerada uma técnica empírica) e é bem adaptável ao conteúdo resultante de entrevistas. A APD tem como objetivos esclarecer o significado dos enunciados e identificar o “universo de referências dos agentes sociais” (BARDIN, [1977] 2010, p.233).
Entre diversas operações desta técnica, destacam-se: a determinação dos RN – referentes núcleos e a divisão do texto em proposições. Os RN são fundamentais, pois são estruturadores do sentido do discurso. A determinação destes RN se dá pela sua força de sentido no texto, e não apenas pela sua frequência. Normalmente, os RN são encontrados através de uma leitura global da entrevista ou por “filtros” temáticos que provocam o
entrevistado a adotá-los (o caso da primeira questão do roteiro). As frases que explicam os RN são as proposições e são definidas como um trecho ou segmento do texto, configurado por: sujeito, verbo e complemento. Atarefa de determinar os RN e as proposições consiste em:
. Isolar no texto todas as proposições que convergem para os RN; . Reescrever as proposições de forma simplificada;
. Reduzir o número dessas proposições (por equivalências, proposições embutidas ou por decisão em função do objetivo da análise).
Normalmente, este processo é codificado (letras e números), mas para esta análise, a codificação se mostrou inadequada, pois, a ideia é que seja feita a leitura dos trechos das falas nas fichas. A codificação, geralmente feita por programas de computador, não permite a fluidez da leitura, incompatível, portanto, com o propósito de revelar os trechos mais significativos das falas. A associação e simplificação de técnicas e procedimentos da análise da Enunciação e da análise Proposicional do discurso foi construída de modo a tornar o processo de análise mais objetivo e acessível (QUADRO 20).
QUADRO 20 – TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS ADOTADOS A PARTIR DA ANÁLISE DE ENUNCIAÇÃO E DA ANÁLISE PROPOSICIONAL DO DISCURSO.
Análise da Enunciação Análise Proposicional do Discurso Entendimento da fala como “palavra em ato” Identificar o “universo de referências” Condições de produção da palavra (standartização,
consideração positiva – empatia, limitação às instruções temáticas, pré-formação mínima)
Determinação dos RN’s (Referentes – núcleo)
Observação ao arranjo do discurso Divisão do texto em proposições
Análise temática Agrupamento das RN’s para análise comparativa
FONTE: A autora (2019).