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L’ÉDITION DE COMMANDE EN LIGNE

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6.5 L’ÉDITION DE COMMANDE EN LIGNE

Abílio Afonso Lourenço Maria Olímpia Almeida de Paiva Escola Secundária Alexandre Herculano, Porto, Portugal

Resumo

A adolescência, actualmente, é reconhecida como um período de desenvolvimento humano que representa, cada vez mais, uma fase de grandes transformações em que a an- siedade, a insegurança e mesmo a revolta, condicionam o comportamento do indivíduo. Toda esta turbulência conduz, por vezes, a comportamentos menos adequados, comporta- mentos anti-normativos, os quais se poderão denominar como Comportamentos Anti-So- ciais, que representam um grave problema social e que preocupam a população de uma for- ma geral.

A nível empírico, este trabalho teve como objectivo avaliar os diversos tipos de com- portamentos anti-sociais, assim como a sua frequência, as diferenças em função do sexo e da idade e o tipo de correlação entre esses comportamentos e a satisfação escolar, fazendo referência aos principais conceitos e modelos explicativos. A amostra é constituída por 247 adolescentes do 3.º ciclo do ensino básico de uma escola do centro do Porto.

Dos resultados desta investigação, conclui-se que existem correlações significativas negativas entre os Comportamentos Anti-Sociais e a Satisfação Escolar, sendo o Vandalis- mo o tipo de conduta anti-social que apresenta maior correlação negativa com a Satisfação Escolar. É de salientar a correlação significativa positiva entre a Idade e os comportamen- tos Infracção e Vandalismo. Os resultados sugerem que o Sexo não é uma variável primor- dial para a compreensão dos comportamentos anti-sociais.

PALAVRAS-CHAVE: Comportamentos anti-sociais, satisfação escolar, adolescentes.

Introdução

A adolescência é uma realidade complexa que abrange mudanças e transformações físicas, familiares e culturais. O adolescente é sujeito a tensões oriundas do exterior e às expectativas que os outros têm sobre si mesmo. A questão principal da adolescência é a procura da identidade, tomar conheci- mento de si próprio e qual a sua função na sociedade (Aguirre, 1994).

© P.P.C.M.C.M. - Colégio Internato dos Carvalhos

Todavia, hoje é sabido que a adolescência é o produto da interacção de factores biológicos e culturais. Sabemos, também, que nas sociedades em que ela expressa uma etapa de mudança, é acompanhada por algumas pressões e inseguranças. Contudo, estas dependem, grandemente, das características individuais. A adolescência é reconhecida, hoje em dia, como uma etapa do desenvolvimento humano e é considerada, cada vez mais, como um período de enormes modificações, em que a ansiedade, a incerteza e mesmo a revol- ta, influenciam as atitudes do indivíduo. Toda esta agitação leva, por vezes, a comportamentos desajustados, comportamentos anti-normativos, os quais se poderão designar por Comportamentos Anti-Sociais, que configuram uma problemática social e que, de alguma forma, inquietam a população.

A atitude não ajustada do sujeito, ao ser considerada como uma forma de aprendizagem resultante de um processo de socialização, pressupõe alguns fac- tores que explicam e determinam este fenómeno social (Mirón, 1990). Os facto- res de socialização são vários e intervêm de distintas formas, nomeadamente as instituições, a comunidade, os media, o agregado familiar, o grupo de pares, etc. Sem o intuito de menosprezar o papel e o valor de outros factores, este estu- do tem como ponto central a influência da escola e a relação existente entre os Comportamentos Anti-sociais e a Satisfação Escolar do aluno.

Da revisão de literatura, sobre os comportamentos anti-sociais do adoles- cente, constata-se a utilização, talvez excessiva, do termo delinquência juvenil para se fazer referência aos comportamentos agressivos e anti-sociais dos adolescentes.

Ao encarar a delinquência como um tipo de aprendizagem proveniente de um processo de socialização torna-se necessário fazer referência a determina- dos factores que estão na génese desse processo (Mirón, 1990). O termo so- cialização equivale a um fenómeno complexo ao incidir em múltiplos e diversos factores. Poderá ser descrito como um processo a partir do qual o sujeito aprende e interioriza diferentes elementos, como valores, normas, códigos e re- gras de conduta da cultura em que está inserido, integrando-os na sua perso- nalidade com o objectivo de adaptar-se ao contexto social (Aguirre, 1994).

No entender de Mirón (1990), os factores essenciais que determinam os comportamentos anti-sociais são: a personalidade, a família, o grupo de ami- gos e a escola. Quanto à personalidade, são muitas as variáveis que têm sido objecto de estudo em relação à delinquência juvenil. Contudo, as que pare- cem ter um papel mais preponderante no caso da delinquência são: a impulsi- vidade, o juízo moral e o desenvolvimento de valores e a agressividade (Luen- go, 1982). Num outro estudo, pode constatar-se a existência de uma relação estatisticamente significativa entre a eficácia de negociação de conflitos em

contexto escolar e alguns factores da personalidade - Extroversão, Amabilida- de e Conscienciosidade (Paiva e Lourenço, 2004).

A escola tem um papel renovador das estruturas sociais e concorre para a mobilidade e intercâmbio social. Os professores são, ou podem ser, modelos de importância significativa e facilitar um ambiente de acção crítica. Segundo Wells (citado por Aguirre, 1994), as experiências de aprendizagem, a inte- racção social, o espaço físico e social, frequentemente distinto do contexto fa- miliar, podem ser um exemplo teoricamente positivo para o adolescente. Algu- mas investigações que aludem a influência da escola na delinquência, comprovam que o clima e a estrutura da própria escola podem abreviar ou le- var à delinquência. Podemos dizer, assim, que o êxito escolar e uma boa ati- tude dos adolescentes, relativamente à escola, reduz a delinquência. Todavia, determinadas práticas nas escolas conduzem à delinquência, nomeadamente as actividades disciplinares e as formas pelas quais a escola influencia o alu- no a desistir ou a sair (Gullota et al., 1998).

Para cada indivíduo, a adaptação à escola simboliza um tipo de equilí- brio particular, que poderia ser enunciado da seguinte forma: cada ser huma- no tem necessidade de satisfazer e anuir-se às condições do meio ambiente, assim como compensar as suas necessidades mais íntimas e particulares. Este equilíbrio prevê que o meio ambiente faculte as condições necessárias ao seu crescimento e desenvolvimento individual (Bandres et al., 1985). O desajuste escolar surge no momento em que este equilíbrio se destrói, seja porque o es- tudante tem dificuldades individuais, ou porque a escola não age de forma convincente e solicita em demasia.

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