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Létat de ressource

Dans le document Catherin Cudicio (Page 119-127)

Esta pesquisa foi realizada em escola pública de ensino fundamental e médio, na qual ministramos aulas há quase dez anos como professora efetiva da Secretaria Executiva de Educação. A escola fica localizada na periferia de Belém, em um conjunto habitacional cercado por comunidades carentes, das quais provêm muitos dos alunos nela matriculados. Atualmente, estão matriculados 1650 alunos, conforme dados fornecidos pela direção da escola. No ano de 2015, a escola teve como nota do IDEB 3,3, considerada uma nota baixa, visto que a meta a ser atingida era 4,8.

A estrutura física das 14 salas de aula mescla precariedade e tecnologia. De um lado, a gestão da escola empregou bem as verbas advindas de projetos destinados à melhoria do Ensino Médio, como o Projeto Jovem de Futuro, da Fundação Unibanco, que foi criado em 2007 e objetivava melhorar os resultados de aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio

das escolas públicas. Por meio de ações e verbas desse projeto, houve investimento na estrutura das salas de aula desse nível educacional, que foram climatizadas e tiveram a instalação de recursos audiovisuais para dar melhor suporte às aulas. De outro lado, embora a gestão invista os recursos financeiros em serviços básicos de manutenção, devido ser antiga, a escola necessita de reforma geral, uma vez que os ambientes já estão bastante deteriorados e a quantidade de espaços já não é suficiente para comportar todas as necessidades pedagógicas, tendo em vista que, ao longo dos seus anos, a escola passou por reformulações, pois foi construída para abrigar somente o Ensino Fundamental, mas um tempo depois, passou a atender ao público do Ensino Médio também.

Essa situação paradoxal é ilustrada concretamente pelo corredor que abriga o Ensino Fundamental, em que as salas possuem várias características que influenciam de forma negativa no desenvolvimento das aulas. Começando pela parte estrutural, encontram-se salas que, por não contarem com estrutura refrigerada, tornam o ambiente quente em todos os turnos, especialmente no turno da tarde, durante o qual os raios solares incidem diretamente em um dos lados da parede externa, sendo necessário fechar os balancins, o que torna a temperatura do ambiente ainda mais elevada e, muitas vezes, propicia a sensação de mal-estar em alunos e professores. Há, nessas salas, somente ventiladores de teto, muitos dos quais não funcionam devido à instalação elétrica, e mesmo quando funcionam, não têm potência suficiente de ventilação capaz de amenizar o calor, visto que o vento só atinge uma pequena área logo abaixo deles. Além disso, no lado oposto da sala, em que a parede é no corredor, não há janelas nem porta, e sim uma grade, que não impede de entrarem os sons externos à sala. Assim, qualquer barulho no corredor, no pátio da escola ou nas salas contíguas, influencia na aplicação de qualquer atividade feita em sala. No turno da noite, além de todas essas dificuldades estruturais, há também a questão de iluminação, já que há salas em que somente parte da quantidade de lâmpadas instaladas funcionam, dificultando a visão. À parte a questão estrutural, em comparação com as salas do Ensino Médio, as salas do Fundamental não contam com recursos tecnológicos como Datashow e recursos de áudio, que poderiam propiciar uma aula ainda mais dinâmica, em momentos em que o professor necessita ilustrar sua explicação com um documentário ou filme, por exemplo.

A escola conta com quadra poliesportiva, sala de leitura e sala de informática, ambas atualmente fechadas devido à falta de profissional lotado para esses espaços, e sala multiuso, atualmente utilizada para execução do Projeto Mundiar, articulado por meio de parceria do Ministério da Educação com a Fundação Roberto Marinho. Podemos afirmar que esse projeto vai contra o que se pode pensar para a melhoria na qualidade da educação pública, já que,

com o pretexto de acelerar o ensino para alunos com a chamada “distorção idade-série”, se faz uso de recursos que impossibilitam o aprendizado de maneira eficaz e vasta dos conteúdos, como uso de vídeos explicativos e da chamada multidocência, na qual um mesmo professor auxilia os alunos com todas as disciplinas, mas é sabido que nem um curso de licenciatura prepara um profissional com essas habilidades todas ao mesmo tempo e com o mesmo nível de desempenho, o que nos leva a questionar até que ponto isso seria produtivo para a formação do aluno e, consequentemente, para a sociedade que vai receber esse aluno, seja no mercado de trabalho, seja nas universidades, quando ele consegue ter acesso a um curso superior. Podemos, então, considerar que esse projeto se configuraria como uma técnica para, entre outros fatores, reduzir a de folha de pagamento, visto que um único professor trabalha por vários, sem, no entanto, dispor de toda a qualificação necessária para isso.

Devido ao fato de ser considerada pela comunidade onde se localiza como a melhor escola da redondeza, já que “possui índice de criminalidade muito baixo”, como se costuma ouvir, se comparado às demais instituições públicas do bairro, é bastante procurada. Há alunos que vem de comunidades um pouco mais distantes para poder estudar nessa escola, e afirmam que o fazem por confiarem em sua organização e na qualidade do ensino oferecido. Lá, há, pelo menos, duas situações que podemos chamar de peculiares àquela escola e que acreditamos que a fazem ser considerada diferenciada:

1. Primeiro, o fato de muitos professores da escola morarem nas redondezas, o que os aproxima do convívio com os alunos e com a realidade em que estes vivem, o que pode ser visto por dois ângulos: pelo fato de professor e aluno fazerem parte de um mesmo contexto em que a separação social em classes sociais diferentes não se estabelece; e pelo fato de relações de outras naturezas se estabelecerem entre alunos e professores – o professor, muitas vezes, é também amigo do pai, da mãe do aluno, vizinho etc. Há também os professores que não moram perto da escola, mas escolheram ser lotados lá, mesmo havendo outras escolas próximas as suas residências.

A gestão da escola constrói o Plano de Ação sempre contando com a participação dos demais membros da comunidade escolar, constituindo-se, portanto, como uma gestão participativa, atuante e que apoia projetos elaborados pelos discentes e técnicos com a finalidade de melhorar o ensino-aprendizagem. Isso se dá, na prática, através de várias ações, por exemplo com a participação ativa dos professores na construção do Projeto Político Pedagógico da escola, bem como do calendário e das atividades a serem desenvolvidas ao longo do ano letivo, entre as quais costumam entrar projetos criados pelos professores, para os quais a equipe pedagógica costuma dar apoio. Entre esses exemplos, podem ser citados

projetos como Gincana Cultural e Solidária, participação em projetos de cunho educacional para conhecimentos que vão além das matérias estudadas em sala, como projeto Fetran, da Polícia Rodoviária Federal, doação de sangue, em parceria com o Hemopa, o qual participa trazendo seu ônibus equipado com os recursos necessários para todas as etapas da doação de sangue, em que a coleta é feita na porta da escola; participação da comunidade escolar e externa à escola nas decisões via Conselho escolar, entre outros.

Assim, o contexto dessa escola é diferenciado, no entanto se observam muitos dos problemas comuns a outros ambientes escolares. Há a possibilidade de, com o auxílio da comunidade escolar e apoio da gestão, aplicar medidas de intervenção para melhorar a educação pública.

Dans le document Catherin Cudicio (Page 119-127)