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KEY DATA 2.5. Review by business division

Dans le document Areva half-year report june 30, 2006 (Page 57-62)

First half 2005 as reported

KEY DATA 2.5. Review by business division

Durante a pesquisa, foram discutidas temáticas presentes na totalidade das cidades, nas quais os conceitos de cultura, educação, comunidade e identidade se atualizam constantemente da teoria pela prática e ainda da prática pela teoria. Estes são, portanto, ressignificados em função do espaço e tempo das relações sociais, econômicas políticas e culturais.

Os processos de reconstrução cultural acontecem desde o descobrimento da terra brasileira, inicialmente ligados à mistura das matrizes étnicas, fazendo surgir um novo povo, constituído principalmente pelos índios, africanos e portugueses, originando os brasileiros. Imersa nessas culturas, a identidade itapuanzeira demonstrou possuir ligação com tais ancestralidades, pautando-se nas lendas, histórias e memórias de pessoas que viveram e que vivem no lugar. Com o passar do tempo, as transformações diversas no espaço, afetadas por acontecimentos globais, trouxeram como consequência a rápida chegada de novos moradores ao bairro, influenciando principalmente em mudanças nas relações sociais. Com isso, o termo que designava o nativo, o local, chamado de Itapuanzeiro começa a ganhar um novo significado para tentar abraçar aquelas pessoas passíveis de desenvolverem um sentimento de pertencimento.

Assim, as pessoas ao buscarem novas identificações não anulam o “quem somos nós”, mas agrega valores aos indivíduos que a cada dia se descobrem, se desenvolvem e começam a perceber que as pessoas são diferentes, têm opiniões e atitudes também diferentes, pois os interesses e identificações são diversos. Em coletivo é preciso compreender essa diversidade e encontrar pontos de convergência no que é melhor para todos ou para a maioria, com ética e transparência das ações para que não haja dúvida de como foram feitas as decisões. Estas por sua vez, precisam de espaço para que todos participem e deem sua opinião. Portanto, o principal é buscar soluções para novos e velhos problemas dos processos organizacionais que envolvem a interseção da educação com a cultura e destas com a economia, estando estas intimamente ligadas.

O impacto da festa estabelece conexões diversas, provocando mudanças sociais, políticas, educacionais, organizacionais e econômicas. A Festa de Itapuã é uma prática social de gerações e tem sido realizada mediante a utilização da própria força de trabalho e a mobilização dos recursos disponíveis tanto na comunidade como provindas do poder público. O que se percebe é que a mudança na forma de organizar a Lavagem influenciou nas relações sociais que sofreram com o reflexo do lado econômico, na qual inicialmente a maneira de

fazer o evento acontecer era de forma compartilhada entre os membros da comunidade e com o passar do tempo, com a inserção de mais colaboradores como o Estado, com a quantia em dinheiro, acabou necessitando de uma nova estruturação e amadurecimento da comunidade para lidar com isso, que vem sendo buscado no cotidiano compartilhado, nos entretempos que renovam o sentido do que é comum a todos para dar continuidade às tradições e eventos.

Os grupos culturais são como chaves de mobilização e por isso é preciso conscientizar politicamente as pessoas que estão à frente destes para que a partir do trabalho que desenvolvem as pessoas ligadas a eles comecem a também perceber a realidade de forma mais crítica e venham a se interessar em mudar o que está posto, como numa corrente, que a cada conquista cresce em tamanho e força. Essa realidade, discutida nas músicas, nos ensaios, nos diálogos, nas trocas, passam mensagens que são difundidas ao tempo que o cotidiano é repensado. A constituição de redes, ligações, parcerias é fundamental para que haja uma comunicação e sejam potencializados os diversos movimentos sociais, entrelaçando seus fazeres educativos no sentido do desenvolvimento humano. Para isso, é preciso boa vontade, coragem, perseverança, esperança para continuar a criar alternativas solidárias e de resistência.

Percebe-se que os grupos detêm a responsabilidade de agregar mais pessoas, como também de fortalecer os próprios movimentos culturais que acontecem nos lugares, além de proporcionarem espaços educativos para que os participantes aprendam coisas novas e percebam os caminhos existentes. Caminhos estes que podem estar ligados à lógica moderna de valorização do dinheiro ou a outra lógica presente na cultura popular, que coloca o ser humano na centralidade aprendendo a administrar as situações em função do coletivo. A educação política e econômica são trabalhadas nos espaços de discussão dos grupos na qual aos poucos as pessoas começam a compreender e a criar as suas táticas e estratégias de manutenção e preservação da cultura.

As alternativas verificam-se nas ações de solidariedade no âmbito das comunidades, entre familiares, amigos, vizinhos e até pessoas “desconhecidas” objetivando a melhoria da qualidade de vida naquele meio e contam com o apoio das redes relacionais e de convivência para acontecerem. Assim, a criatividade e a autonomia são fundamentais para mobilizar as pessoas a usarem seus conhecimentos em função da sociedade.

As festas populares na cidade de Salvador são meios de reunir os bairros e suas comunidades ao mesmo tempo em que são espaços que fortalecem o sentimento de pertencimento através dos aprendizados gerados pela convivência das pessoas com a história, grupos e símbolos, que representam a cultura local, mas precisam ter sentidos e significados

para que os seus participantes as frequentem em função de uma conscientização sobre a realidade de maneira crítica e humana através das interações sociais. Elas são uma maneira de aprender sobre a história, bebendo na fonte da ancestralidade e da memória sobrevivente da cultura popular do lugar. São momentos que também proporcionam a autoafirmação identitária. São espaços de confraternização comemorativa e lúdica. São espaços de educação política e econômica. Ou seja, são momentos vividos em sua complexidade na qual aprendizados acontecem e os sujeitos nem percebem que estão aprendendo.

As festas são, por sua vez, um meio potencial de acolhimento para que recém chegados moradores possam desenvolver um sentimento de pertencimento através da interação e convivência, criando novos significados pessoais a partir dos significados coletivos, traduzindo o que existe de tradição numa concepção particular. No entanto, para que isso venha a acontecer, é preciso que as comunidades estejam abertas à diversidade, que pode aparecer em meio às suas tradições.

Os eventos culturais tem relação com a satisfação de necessidades de formação das pessoas; de preservação, promoção e difusão da cultura, que envolvem tanto recursos materiais como imateriais. É um processo de educação e tem relação com a economia quanto a forma criativa das pessoas produzirem, divulgarem e discutirem. Portanto, é educação política, econômica e cultural pois transcende a obtenção de ganhos monetários, está vinculada a uma outra lógica distinta da lógica mercantil, tendo como princípio a política da ajuda mútua, levando-se em consideração os modos de vida do lugar.

O envolvimento comunitário fortalece diálogos locais e estimula que o capital humano mobilize os lugares. Ao mesmo tempo, as comunidades precisam entender e aprender sobre as políticas destinadas à cultura e ainda encontrar meios de repassar esses conhecimentos para o maior número de pessoas do lugar para informar e conscientizar, sendo que ainda há uma deficiência muito grande na maneira das comunidades dialogarem internamente e também com o poder público. Dessa forma, faltam políticas culturais mais eficazes no sentido de preparar os sujeitos para lidar com os recursos tanto materiais como imateriais das cidades, de maneira ampla, mas também dos próprios bairros, de maneira localizada.

O processo antes, durante e depois das festas que perpassam o ano todo humaniza e faz florescer vínculos, que formam e dão continuidade às comunidades. Isso é importante porque a existência desses vínculos e da fé numa possível mudança da realidade contribuem na manutenção e atualização dos espaços de interação das pessoas do lugar, na qual a

convivência educa e forma quando pautada no respeito pelo diferente, ao estabelecer relações humanas de trocas.

Esse movimento de reconstrução cultural aguça a consciência crítica das pessoas envolvidas sobre a realidade vivida da sociedade de maneira mais ampla, que passam a ter maior esperança de que é possível mudar a realidade das drogas, violência, tráfico, prostituição, disputas envolvendo dinheiro, dentre outros problemas que afetam o social. O sujeito envolvido com a cultura local e/ou popular, que preza pela valorização do ser humano, sabe que existe a necessidade e a possibilidade de conscientizar, sensibilizar a partir da cultura, mesmo com a diversidade e dificuldades estabelecidas nos tempos atuais.

A mudança da realidade deve pautar-se no respeito ao próximo, a si mesmo e ao coletivo, na ação e reflexão do cotidiano na busca por mais meios de contribuir com ideias e conhecimentos para melhorar o que está posto, dentro das possibilidades de cada um, mesmo que este lugar esteja sendo influenciado pela diversidade e ainda por uma lógica que leva à “confusão dos espíritos”, a que Milton Santos tanto se refere. Isso ocorre através de uma relação dialógica, complexa, entre os ambientes sociais, os grupos de pertencimento que os indivíduos frequentam, na qual estes passam a ter afinidades, identificações e outras qualificações que emergem das interações. Dessa maneira, uma identidade territorial mantida no imaginário e no cotidiano das relações sociais pode vir a se transformar em uma identidade de reconhecimento com a convivência.

Isso pode refletir no desenvolvimento do sentimento de pertencer, que independe do lugar onde o sujeito nasceu, mas se refere principalmente onde este se identificou culturalmente, sendo, portanto, imprescindível a interação, o conhecimento e o respeito para com o modo de vida do lugar. Portanto, a festa e outros eventos culturais são de extrema importância para a aproximação das pessoas, lugar para criar e fortalecer o espírito identitário, espaço para o exercício da cidadania, lócus de aprendizados diversos, espaço que incentiva e divulga associações civis, artísticas e culturais, local em que as regras diárias podem e são modificadas a partir das vivências com o contexto global, o cotidiano local e pressões de ambas as partes.

O acesso dos sujeitos à cultura, aos saberes populares de maneira mais participativa contribui para que as pessoas possam se ver na história enquanto um reflexo da formação do quem somos nós, que continua a ser construído e reconstruído a todo instante. Esse movimento tende a somar na formação das pessoas envolvidas, desenvolvendo a sua consciência crítica de maneira libertária, criativa, autônoma e mais humana.

Espero que esse trabalho sirva de reflexão para aqueles que tiverem acesso ao mesmo e que as atuais e futuras intervenções possam se inspirar no conteúdo aqui explicitado. Escrever esta dissertação foi apenas um dos desafios, pois o maior deles ainda está para ser vencido, que é o de promover a comunicação e a relação entre moradores sem que as diferenças sejam anuladas, mas, pelo contrário, sejam aproveitadas em função dos seres humanos e do seu desenvolvimento. A festa passa a ser então uma metáfora da vida na qual forças colaborativas, mas também disjuntivas, separativas, conscientes, inconscientes, resultam numa complexidade em que o real se relaciona com o abstrato misturados em meio aos indivíduos.

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