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INTRODUCTION TO THE SHELL

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Mesmo sem uma data específica, Franthiesco Ballerini (2015) considera a invenção do tipo mecânico móvel para a impressão por Johannes Gutenberg, em 1450, um marco indireto da gênese do jornalismo cultural, uma vez que ajudou a “difundir rapidamente as artes, sobretudo a literatura, tornando o terreno fértil para o crescimento do jornalismo cultural” (BALLERINI, 2015, p 16).

Em seguida, uma das datas emblemáticas do jornalismo cultural no ocidente é o ano de 1711, quando os ingleses Joseph Addison e Richard Steele lançaram a revista The Spectador. Segundo Piza (2011), a publicação abordava assuntos diversos – livros, óperas, costumes, festivais de música e teatro, política – e era voltada para o homem “moderno”.

Em outros centros urbanos europeus, o desenvolvimento do jornalismo cultural ocorreu no mesmo século, com o fortalecimento dos estados nacionais e o surgimento do público e demanda por produtos culturais. Gadini (2009) revela que em Lisboa isso acontece a

partir do ano de 1755. Já em Paris, Barcelona e algumas cidades italianas, este fenômeno surge apenas em 1800, quando se observa vestígios históricos de uma atividade cultural mais intensa nas respectivas localidades.

Ao longo do século XVIII, o jornalismo cultural é marcado pelo desenvolvimento da crítica de arte, cujo principal representante é o inglês Samuel Johnson, considerado por Piza (2011) como o pai de todos os críticos. Ele tornou-se conhecido por suas resenhas da prosa e poesia de seus contemporâneos, como o poeta inglês Alexander Pope. Além deste, os nomes de Sainte-Beuve (França), G.E. Lessing (Alemanha), John Ruskin (Inglaterra) e Edgar Allan Poe (Estados Unidos) se destacaram no segmento da crítica de arte.

No século XIX, o jornalismo cultural começa a se desenvolver no continente americano. Nos Estados Unidos, a prática desse jornalismo, segundo Ballerini (2015), propaga-se especialmente no norte industrializado do país pelas mãos de romancistas como Henry James (New York Tribune).

No Brasil, o nascimento “oficial” do jornalismo cultural ocorreu no mesmo século. De acordo com Ballerini (2015), o primeiro espaço destinado a assuntos culturais nasceu no “Correio Braziliense, na seção „Armazém Literário‟, que trazia subdivisões como „Comércio e Artes‟, „Literatura & Ciência‟ e „Miscelância‟, com assuntos variados.

Produzido em solo nacional, o jornal As variedades ou Ensaios de Literatura, foi o primeiro a publicizar notícias culturais. Nelson Werneck Sodré (1999) pontua que o veículo se propunha a divulgar “extratos de história antiga e moderna, viagens, trechos de autores clássicos, anedotas etc.”. No entanto, o veículo só teve duas edições, em fevereiro e junho de 1812.

Sodré (1999) acrescenta que, até as últimas décadas do século XIX, a imprensa como um todo ainda era “frágil”. E a inserção de informação e debates culturais era feita por meio de notas que anunciavam aniversários de algumas figuras políticas e do restrito meio imperial, recados festivos de madames, dentre outras notícias do gênero.

O noticiário era redigido de forma difícil, empolada. O jornalismo feito ainda por literatos é confundido com literatura, e no pior sentido. As chamadas informações sociais – aniversários, casamentos, festas – aparecem em linguagem melosa e misturam-se com a correspondência de namorados, doestos a desafetos pessoais e a torva catilinária dos a pedidos (SODRÉ,1999, p. 283).

Ballerini (2015, p. 21) descreve que o jornalismo cultural do período era caracterizado pela divisão evidente nas páginas dos jornais: “um fio horizontal preto separava, em cima, política e economia – mais sisudas – do rodapé, que cotinha textos mais leves, comentários sobre livros e outras manifestações artísticas”. Gadini (2003) concorda com este aspecto ao

afirmar que o jornalismo neste momento passa a adquirir uma perspectiva similar à europeia - centrada no tripé política/economia/variedades.

É interessante destacar que a busca por feições do jornalismo cultural também está associada à compreensão do terreno no qual emergiram, valorizando a emergência do segmento da prática jornalística e seu relacionamento com a sociedade. Logo, no século XIX alguns fatores como: o alto índice de analfabetismo, a lenta urbanização e o precário desenvolvimento dos serviços do comércio e indústria dificultam a consolidação da imprensa brasileira e o fortalecimento do campo cultural no país.

Apenas na segunda metade do século XIX é que o jornalismo cultural ganha fôlego na cena nacional, especialmente na forma de periódicos literários, que se proliferaram rapidamente. Sodré (1999) cita alguns exemplos: a Revista Brasileira (1857-1861), O Guaíba (1856-1858), Arcádia (1867-1870) e a Revista Mensal (1869-1879). No mesmo período, “os jornais brasileiros passam a exercer maior influência, junto aos seus leitores, através do folhetim-novelesco que acompanha as edições periodísticas” (GADINI, 2003, p. 16).

Com o advento do século XX, a prática do jornalismo cultural brasileiro é alavancada. Surgem inúmeros suplementos e revistas culturais. Entre eles, merece destaque O Cruzeiro (1928). A publicação “era um porta-voz nacional influente por apresentar um visual arrojado, realizar grandes reportagens em série” (BALLERINI, 2015, p. 24).

O JC impresso deixa de ser apenas literário e passa a agregar matérias sobre novas mídias, como o cinema. Torna-se popular, conforme Ballerini (2015), a presença dos fanzines (produções artesanais em que o autor escrevia, ilustrava, editava e criava uma matriz, distribuindo para o público textos culturais de produtos) no contexto nacional.

Atrelada a estes aspectos, a popularização do rádio estabelece novas demandas por uma informação mais voltada para o campo cultural. Pode-se mencionar a “curiosidade, seja pelo mistério em torno da vida do artista do rádioteatro, a voz do locutor que chegava à casa dos ouvintes, dos mecanismos de produção de som, ou das promessas que o áudio lançava aos possíveis consumidores” (GADINI, 2009, p. 156).

Na trajetória de como a cultura passou a adquirir relevância no jornalismo brasileiro é válido mencionar a atuação do periódico Correio da Manhã (que circulou de 1901 até 1974). Desde seu surgimento, o Correio circulou com seções voltadas ao campo cultural e chegou a lançar na década de 1950 o caderno cultural dominical intitulado de Quarto Caderno.

Apesar desta iniciativa, foi no final dos anos 50 que o Brasil deu seus primeiros passos no jornalismo cultural moderno com a publicação do Caderno B no Jornal do Brasil, o

lançamento da secção de cultura do jornal Estado de São Paulo (mais tarde ampliada e transformada em suplemento cultural), e a criação da Folha Ilustrada em 1958.

A formatação em cadernos culturais – que ganha adesão em periódicos de todo o País – vai juntar em uma única editoria temas que envolvem manifestações culturais em suas mais diversas configurações, formatos, linguagens e suportes técnicos. O modelo hegemônico dos jornais brasileiros se torna, assim, referência (WOITOWICZ; GADINI, 2014, p. 06).

O fenômeno dos cadernos culturais é impulsionado pelo fortalecimento da indústria cultural nacional, pelo aumento de consumidores e do poder aquisitivo em geral. Da mesma forma como é influenciado pelo crescimento populacional, urbanização e facilidade de acesso aos bens de consumo cultural (GADINI, 2009).

Mais recentemente, com o surgimento da internet comercial (que no Brasil ocorre a partir de 1994), surgem novos espaços para divulgação e reflexão da arte e do entretenimento, como portais e blogues produzidos por especialistas em jornalismo cultural ou leigos. As redes sociais (Twitter, Instagram e Facebook) também tornaram-se poderosas ferramentas de propagação de eventos, produções e espaços culturais.

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