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AN INTRODUCTION TO DISPLAY EDITING WITH VI

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Nos mapeamentos e análises realizados, os pulsos de inundações que ocorreram tiveram como base de comprovação ou de evidência os volumes pluviométricos precipitados para cada período, além disso, foram comparadas as lâminas de sangria da barragem do Açu com os índices de pluviosidade dos períodos de possível ocorrência de pulsos de inundações. Estes dados, em comparação com imagens de satélites, corroboraram para a assertiva de ocorrência de pulso de inundação nos períodos de 1984-1985 e 2007-2008. Em uma análise feita por Neves; Melo; Sampaio (2010) acerca da pluviosidade do Rio Grande do Norte entre os anos de 1963 e 2009 foi verificado que os períodos dados aqui neste estudo apresentaram quadra chuvosa e foram classificados como anos chuvosos. Dos períodos elencados, o período de 1984-1985 foi o único considerado chuvoso a muito chuvoso (NEVES; MELO; SAMPAIO, 2010), desta forma, estes dados corroboram com as informações pluviométricas dispostas nos resultados deste estudo, bem como oferece mais uma base científica para a coerência dos pulsos de inundação no baixo Açu.

Além da pluviosidade, outros fatores são importantes na ocorrência de pulsos de inundação o baixo Açu. No sistema rio-planície de inundação estudada, as menores declividades situam-se na zona estuarina, as quais estão entre 0° e 1°, a altimetria desta zona também é baixa, varia 0 metro a 10 metros (SILVA et al.,

2010). Seguindo para o sul, conforme os resultados obtidos por imagens SRTM neste estudo, o perfil altimétrico vai aumentando gradualmente, chegando próximo aos 30 metros acima do nível do mar. Além destes, é importante considerar a bacia hidrográfica ao qual o rio pertence também tem influências nos pulsos de inundação. A bacia hidrográfica do rio Piancó-Piranhas-Açu tem cerca de 42.900 km² (CBHRPPA, 2016), sendo que a mesma drena áreas cratônicas e, portanto, tem alta densidade de canais e de escoamento (LATRUBESSE; STEVAUX; SINHA, 2005). Segundo Souza (2005), quanto maior for a área de uma bacia hidrográfica, maior será a possibilidade de ocorrer inundações, no caso da bacia hidrográfica do rio Piancó-Piranhas-Açu, além de ser extensa, ela drena áreas cratônicas, tem drenagem com bom escoamento e é atingida por períodos chuvosos com potencial de gerarem pulsos de inundações (LATRUBESSE; STEVAUX; SINHA, 2005; NEVES; MELO; SAMPAIO, 2010; CBHRPPA, 2016), sendo assim, as inundações em toda a bacia são eventos ocorrentes.

Apesar de todos estes fatores por si só serem cruciais para a ocorrência de pulsos de inundações, as intervenções humanas na superfície terrestres e consequentemente na drenagem tem causado mudanças significativas quanto aos pulsos de inundação na bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu. A região semiárida do Nordeste é marcada pela política de “açudagem”, que consiste na construção de reservatórios nos drenos da região (CIRILO, 2008). Os constantes períodos de estiagens fizeram com que esta política pública fosse bastante difundida, fazendo surgir uma grande quantidade espelhos d’águas (MARTINS et al., 2007) e gerando impactos cumulativos, ou seja, excesso acumulação de água nos milhares de reservatórios construídos (e. g. CAMPOS; VIEIRA NETO; QUEIROZ, 2000). Dessa forma, um ano bastante chuvoso pode não mais gerar um pulso de inundação que gerava antes sem a grande quantidade de açude, pois os reservatórios em abundância armazenam a água e diminuem o transporte de matéria orgânica e de sedimentos para jusante.

Para se ter uma ideia, só no Rio Grande do Norte a bacia do rio Piancó- Piranhas-Açu é composta por 22 sub-bacias, sendo que a principal delas é a sub- bacia hidrográfica do rio Seridó (SANTOS, 2005). Dos 853 reservatórios públicos e privados registrados da bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte (os quais tem capacidade de retenção de mais de 3,13 bilhões de metros cúbicos),

481 estão localizados na sub-bacia do rio Seridó (Figura 23) (SANTOS, 2005). Estes dados dão uma dimensão do quanto à bacia onde se localiza a área de estudo é “açudada”, e do quanto de água deixa de chegar ao baixo Açu, e para que ocorra pulsos de inundações, é necessário que haja anos seguidos com boa pluviosidade. Neste contexto, pode se citar os estudos de Oliveira; Souza; Fragoso Júnior (2014), que analisaram uma grande inundação ocorrida em 2010 nas bacias do Rio Mundaú e Paraíba do Meio, que atingiu 95 cidades dos estados de Alagoas e Pernambuco, onde a mesma teve como fator crucial chuvas prolongadas que saturaram os solos e encheram os reservatórios. A seguir, os corpos cujas cores variam de preto a azul claro são reservatórios construídos na sub-bacia do rio Seridó (imagem de 2008). Estes contribuem para a diminuição da ocorrência e da intensidade dos pulsos de inundação no baixo Açu.

Figura 23: Trecho da Bacia Hidrográfica do Rio Piranhas-Açu, destaque para os reservatórios.

Fonte: Elaborado pelo autor (2016).

Dessa forma, como se sabe que modificações feitas na drenagem e na hidrologia de uma bacia hidrográfica causam mudanças nas inundações e pulsos de

inundações (KOBIYAMA et al., 2006), é de se esperar que a política de açudagem largamente empregada na bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu cause diminuição na intensidade dos pulsos de inundações no baixo Açu e no sistema rio-planície de inundação. Isto, por sua vez, pode ser benéfico para as atividades que lá se desenvolvem, uma vez que a ocorrência de inundações pode ser mais escassa podendo haver, portanto, menos enchentes. Do ponto de vista ecossistêmico, a diminuição dos eventos de pulsos de inundações impedem a conectividade rio- planície de inundação, a qual é de grande importância para o transporte e distribuição de nutrientes, sedimentos e matéria orgânica (JUNK, 1980; JUNK; BAYLEY; SPARKS, 1989; JUNK;. WANTZEN, 2004) e também para a manutenção dos ecossistemas que compõe a Zona de Transição Aquático Terrestre (JUNK; BAYLEY; SPARKS, 1989; WARD; STANFORD, 1995; WARD; TOCKNER; SCHIEMER, 1999).

Contudo, quando os pulsos de inundações acontecem no sistema rio- planície de inundação do rio Piranhas-Açu (como foi constatado neste estudo três pulsos de inundações bem documentados – os de 1985, 1989 e 2008) os ecossistemas são novamente conectados, mas as atividades econômicas são atingidas, gerando prejuízos.

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