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A AMT utiliza, durante as fases de apreciação e projetação, o Design Macroergonômico (DM), proposto por Fogliatto e Guimarães (1999), que se constitui em um método auxiliar no desenvolvimento de projetos, de caráter participativo, estruturado em sete etapas, onde as seis primeiras destinam-se à geração de parâmetros de projeto, enquanto que a última etapa corresponde à interação com a atividade projetual propriamente dita (GUIMARÃES, 2002).

Segundo Krug (2000), o DM leva este nome porque é fundamentado nos procedimentos tradicionais do design, ou seja: aquisição de conhecimento, estudo de conceitos, design básico, construção de um protótipo e teste de campo; aplicados à área da Ergonomia.

Guimarães (2002), esclarece que a partir de estratégias de coleta de dados junto aos sujeitos da pesquisa, o DM permite discriminar as diferentes demandas, denominadas Itens de Demanda Ergonômica (IDEs), em função das atividades dos sujeitos. Essa ferramenta auxilia

o projeto de produtos e postos de trabalho sob o enfoque da Macroergonomia (VAN DER LINDEN, 1999).

A ferramenta DM é operacionalizada por meio de um questionário estruturado a partir de uma entrevista prévia que tem por objetivo identificar a percepção dos trabalhadores sobre a sua atividade, identificar e analisar as condições do ambiente físico, posto de trabalho, fatores organizacionais, ritmo e rotina de trabalho, associa técnicas estatísticas e ferramentas de análise de decisão para a fase de diagnose em um projeto ergonômico (FOGLIATTO; GUIMARÃES, 1999). Portanto, além da percepção dos sujeitos envolvidos, alia-se a avaliação de especialistas, proporcionado aos primeiros, um senso de responsabilidade e comprometimento com o proposto, transformado agora em realidade (VAN DER LINDEN, 1999).

As etapas do (DM) são as seguintes (FOGLIATTO e GUIMARÃES, 1999):

1. Identificação do usuário e coleta organizada de informações relativas à sua demanda ergonômica.

2. Priorização dos itens de demanda ergonômica (IDEs) identificados pelo usuário, com o objetivode criar um ranking de importância para os IDEs.

3. Incorporação da opinião de especialistas (ergonomistas, designers, etc.), com vistas à correçãode distorções apresentadas no ranking obtido na 2ª etapa, incorporação de itens pertinentes de demanda não identificados pelo usuário. O resultado é um ranking corrigido de IDEs a ser utilizado nas etapas seguintes dometodo.

4. Listagem dos itens de design (Ids) a serem considerados no projeto ergonômico do posto de trabalho. Uma lista inicial de itens de design pode ser obtida inspecionando-se a lista de IDEs, etapa desenvolvida essencialmente pelo ergonomista.

5. Determinação da força de relação entre IDEs e Ids, determinados na 4ª etapa. O objetivoé identificar grupos de Ids a serem priorizados nas etapas seguintes da metodologia.

6. Tratamento ergonômico dos Ids. São estabelecidas metas ergonômicas (valores-alvo dimensionais, especificação de materiais, dispositivos acessórios, etc.) para os Ids baseadas em fatores como conforto e segurança do ambiente físico, além de questões antropométricas e de organização do trabalho.

7. Implementação do novo design e acompanhamento. 3.3.1.1 Identificação dos IDEs:

O objetivo desta etapa é identificar os itens de demanda ergonômica dos usuários, seja de um determinado produto e/ou posto de trabalho. Após essa identificação, segue-se à coleta

organizada de informações relativas à demanda ergonômica conforme método do DM, que poderá ser realizada através de diferentes estratégias, a saber:

 Por meio de entrevistas (espontânea e/ou estruturada), onde são levantados os IDEs, que serão priorizados por ordem de menção e freqüência. Essa estratégia é apropriada para situações quando não há disponibilidade de retorno para a coleta de dados através de questionário;

 Por meio de entrevistas (espontânea e/ou estruturada), onde são levantados os IDEs, que serão priorizados em um questionário. Essa estratégia é apropriada para situações quando há disponibilidade de retorno para a coleta de dados através de questionário;  Essa estratégia consiste na utilização das estratégias A e B, onde permite que os

usuários que não fizeram parte das entrevistas possam manifestar suas opiniões por meio de questionário.

Priorização dos Itens de Demanda Ergonômica (IDEs) Identificados pelo Usuário. Nesta etapa, apriorização é realizada de acordo com a percepção dos usuários. As estratégias podem ser realizadas da seguinte forma:

 Realizada mediante a correção da ordem de menção e freqüência dos itens do modo espontâneo da entrevista, obtendo-se um ranking de importância para os IDEs. Podem ser adotados vários métodos para informação a respeito da ordem de menção dos itens. Como por exemplo, pode-se estabelecer que os três primeiros itens receberão pesos de 3,0;2,0;1,0 no módulo espontâneo de entrevista. Peso 1,0 será atribuído para os demais itens do módulo espontâneo e para todos os itens do módulo induzido. De acordo com Fogliato e Guimarães (1999), pode-se também identificar a informação a respeito da ordem de menção dos itens de cada entrevistado, em que o peso de importância de um fator mencionado na pésimaposição seja dado pelo recíproco da respectiva posição, ou seja, 1/p. Logo, o primeiro fator mencionado pelo entrevistado recebe valor1/1=1,0, o segundo fator recebe½=0,5,e assim por diante. Dessa forma, a função recíproca garante um peso alto de importância para os primeiros fatores mencionados. De posse da pontuação dos itens de demanda, seus pesos são somados, obtendo-se pesos finais para elaboração de um ranking de importância para os itens demandados, onde os três primeiros fatores mencionados tendem a ser os mais importantes.

 Nesta segunda estratégia, após conclusão das entrevistas, segue-se para elaboração de um questionário, no qual os IDEs identificados são medidos quanto ao grau de importância e agrupados por afinidade, nesta opção, o grau de importância dos IDEs é medido por uma escala contínua, de 15cm, proposta por Stone 104e 104e. (1974, apud FOGLIATTO e GUIMARÃES, 1999). A escala é composta por duas âncoras nas extremidades (pouco importante e importante) e uma âncora no centro da escala (neutro ou importante), atualmente, usam-se apenas as duas âncoras das extremidades, o ponto demarcado na escala pelo entrevistado é transformado em um valor numa escala de 0 a 15. Através da média aritmética, será gerado peso para cada um dos itens do questionário.

 Estratégia A+B, onde se considera para priorização dos IDEs a função do somatório dos pesos obtidos em cada uma das estratégia A e B para obtenção do resultado final. Incorporação da Opinião de Especialistas de Itens Pertinentes à Demanda Ergonômica não identificados pelo Usuário:

A necessidade de se incorporar a opinião de especialistas, deve-se à ocorrência de situações em que o próprio usuário não mencione itens importantes para o design macroergonômico. Dessa forma, é possível corrigir distorções que possam ocorrer nos pesos de importância atribuídos aos IDEs pelos usuários, mediante a opinião desses especialistas.

Para tanto, o DM propõe o uso da matriz de comparação aos pares de Saaty (1997 apud FOGLIATTO; GUIMARÃES, 1999) associado à técnica de brainstorming (Jones, 1978). O brainstorming auxiliará os especialistas na identificação dos itens não mencionados pelos usuários, complementando portanto a lista de IDEs. O método de comparação aos pares será útil para a geração de um ranking de importância dos itens comparados; ou seja, os IDEs identificados pelos usuários e os itens listados pelos especialistas serão consolidados em uma nova lista de prioridades. O método de comparação aos pares também permite o estabelecimento de uma medida de consistência nas avaliações. Porém, devido à dificuldade para comparar grande número de pares, em muitos casos será necessário agrupá-los por categorias. Dessa forma se avaliará apenas os IDEs de uma mesma categoria entre si.

Logo, em função de cada estratégia adotada para a coleta de dados, será utilizado um procedimento diferente para a comparação aos pares. Sugere-se Fogliatto e Guimarães (1999) para maiores esclarecimentos sobre a utilização do método de comparação aos pares.

Para análise ergonômica deste estudo, foi utilizada uma aproximação dos preceitos preconizados pelo método de Análise Macroergonômica do Trabalho (AMT) de modo a atingir completamente todos os objetivos propostos da pesquisa, com uso das ferramentas Design Macroergonômico (DM), proposta por Fogliatto e Guimarães (1999) que permite identificar os itens de demanda ergonômica (IDES), que posteriormente serão transformados em dados quantitativos. Apesar da ferramenta DM ser composta por sete etapas, neste estudo, foram abordadas apenas as três primeiras etapas, visto não ser objeto deste estudo soluções projetuais, as áreas visualizadas neste estudo tiveram apenas caráter comparativo.

3.4 PROFUNDIDADE E AMPLITUDE DA PESQUISA

A apresentação desta pesquisa se dá sob a forma de um estudo de caso, uma investigação empírica que analisa um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto (YIN, 2001). Ainda segundo o autor, essa estratégia é escolhida quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos, além do foco da pesquisa se encontrar em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real.

Conforme (MIGUEL, 2010, p.130), “é um estudo de caráter empírico que investiga um fenômeno atual no contexto da vida real, geralmente considerando que as fronteiras entre o fenômeno e o contexto onde se insere não são claramente definidas”. Deve ser pautado na confiabilidade e validade, critérios estes que julgam a qualidade da pesquisa.

Pacheco Jr; Pereira; Pereira Filho (2007) observa que o estudo de caso requer pouca amplitude da coleta de dados e grande profundidade no conteúdo para obtenção de conhecimento do objeto de estudo.

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