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Interprétations géométriques et discussions

3.2 Le concept de longueur d’onde

3.2.2 Interprétations géométriques et discussions

Após abordada a definição de língua materna, torna-se fundamental explicar os conceitos de língua segunda e de língua estrangeira. Importa, desde já, salientar que não existe um consenso relativamente a estas duas noções. Gallisson e Coste (1983) definem língua segunda (L2) como a expressão pedagogicamente não justificada, mas que introduz uma alteração útil em relação a «língua estrangeira» nos países em que uma «língua não materna» beneficia de um estatuto privilegiado. Por sua vez, descrevem língua estrangeira (LE) como a aprendizagem no meio escolar de qualquer língua diferente da L1 que depende de uma pedagogia não materna ou «estrangeira», qualquer que seja o estatuto oficial dessa língua na comunidade em que vive o aluno (Gallisson e Coste, 1983). Na perspectiva de Xavier e Mateus (1990), língua estrangeira designa a língua não nativa do sujeito e por ele apreendida com maior ou menor grau de eficácia (Xavier e Mateus, 1990). Ançã (2005) menciona que a língua não materna engloba a língua segunda e língua estrangeira. No entanto, a língua segunda pode surgir como sinónimo de língua estrangeira mediante o contexto não apenas das escolas, como também da perspectiva de aquisição da língua ou da política educativa vigente. Neste sentido e segundo a autora, L2 pode ser definida por dois tipos de critérios: piscolinguísticos, na medida em que se tem em conta a cronologia de aquisição da língua (a segunda a seguir à materna, primeira língua) e sociolinguísticos, visto que se trata da escolha de uma língua internacional não materna, para língua oficial.

Embora língua materna, língua segunda e língua estrangeira sejam divergentes quanto à sua definição, existem, contudo, espaços que as aproximam e intercepcionam conforme se constata na figura seguinte:

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Figura 2 – Conceitos e Intercepções, Ançã (2005).

Segundo Ançã (2005), LM e L2 cruzam-se relativamente aos contextos de utilização escolares e sociais, afastando-se, deste modo, da LE que é falada, quase unicamente, no espaço da aula de língua estrangeira. Na continuidade do seu pensamento, a investigadora salienta que “nesta conformidade, as finalidades das línguas fazem aproximar de novo LM e L2, no que se refere à integração social, aprendizagem escolar e acesso ao saber. Por outro lado, L2 e LE cruzam-se, no que respeita à sua natureza dado ambas serem línguas de natureza não materna para o aprendente” (Ançã, 2005: 38). No âmbito da definição de língua segunda, podem identificar-se, ainda, algumas variantes desta. Neste sentido, e de acordo com a autora, PL2 pode identificar-se como: Português – língua das raízes, no que concerne à língua falada pela comunidade portuguesa dispersa pelo mundo; Português – língua de acolhimento, no que se refere à aprendizagem do português pelas populações imigrantes em Portugal; Português – língua oficial, relativamente aos países que integram os PALOP (Angola, Cabo Verde, Guiné - Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe); Português – língua de resistência, como se verificou em Timor-Leste, enquanto resistência à dominação indonésia. Por seu turno, Ellis (1985) realça que a aquisição da língua segunda e da língua estrangeira se caracteriza por um processo complexo. Primeiramente, refere que existe um contraste entre aquisição da língua materna e da língua estrangeira, visto que se aprende uma língua adicional após a aquisição da língua materna. Seguidamente, refere que o termo L2 abarca a aprendizagem da língua naturalmente e não controlada, ao invés da LE que se caracteriza pela aprendizagem dependente do ensino em sala de aula. Desenvolvendo esta linha de pensamento, afirma

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que “o termo “aquisição da segunda língua” refere-se ao processo subconsciente ou consciente pelos quais uma língua diferente da língua materna é aprendida num ambiente natural ou tutelado. Abrange o desenvolvimento da fonologia, do léxico, da gramática e do conhecimento pragmático” (Ellis, 1985: 6).

Cook (2001) corrobora este pensamento na medida em que menciona que a L2 é utilizada em contextos do dia-a-dia, enquanto a LE se caracteriza pela aprendizagem, em contexto escolar, de uma língua adicional. Na sequência da sua teoria, refere que as similaridades existentes entre a aprendizagem da língua materna e língua estrangeira devem encontrar-se determinadas pois, embora a língua materna ajude os aprendentes em determinados elementos comuns com a língua estrangeira, deve cessar quando estes são diferentes. No seguimento da teoria apresentada, Cook (2001) refere que ambas as línguas coexistem na mesma mente e, consequentemente, torna-se necessário atribuir um nome que refira todo o conhecimento que combine a língua materna com a segunda língua adquirida independentemente à qual denominou de “multi-competence”. O exemplo seguinte apresenta o conhecimento das duas linguagens na mesma mente:

Figura 3 – Multicompetência, adaptado de Cook, (2001).

De notar que Frias (1992: 65) confirma a mesma opinião referindo que “o aluno da L2 elabora, a partir dos dados que tem, um sistema intermediário em relação ao sistema de referência. Mais do que a imitação, a aprendizagem da L2 implica a reconstituição dos diversos sistemas de regras da língua-alvo pela elaboração de uma sucessão de estados intermediários aproximativos”. Na óptica de Klein (1986), a língua segunda pode ser adquirida de diferentes maneiras, em qualquer idade, com diferentes intenções e condições. A principal diferenciação entre a língua segunda e língua

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estrangeira reside no facto da primeira ser apreendida espontaneamente e de uma forma não orientada e a aquisição da língua estrangeira é orientada, usualmente, por um professor. Acrescenta, ainda, que “o termo “aprendizagem espontânea” é usado para designar a aquisição de uma segunda língua na comunicação quotidiana, de uma forma natural, sem orientação sistemática” (Klein, 1986: 16).

Desta forma, e após referirmos algumas teorias, podemos concluir que por língua segunda se entende a língua apreendida por um indivíduo naturalmente, como similitude da língua materna, em situação de imersão linguística. No que concerne à língua estrangeira, podemos referir que consiste na aprendizagem de uma nova língua, em instituições de ensino, no qual se desenvolve um variado reportório linguístico, em situação formal de aprendizagem. Como menciona Leiria (2001), língua segunda refere-se à aprendizagem de qualquer língua depois da primeira, independentemente do estatuto dessa língua face a quem a aprende, ou ao país em que essa língua está a ser estudada. Por seu turno, Brumfit e Carter (1986: 36) defendem que “a língua segunda é uma língua não-nativa que é utilizada para fins de comunicação, normalmente usada como meio para a educação, governo ou negócios”.

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