Sendo as escolas organizações cuja qualidade do ensino–aprendizagem passa necessariamente pela qualidade dos seus profissionais de que os pro- fessores são os principais protagonistas, e sendo a literatura unânime em afir- mar que a avaliação do desempenho docente é uma questão sensível, con- frontando-se muitas vezes com a resistência dos próprios professores que não entendem os seus objectivos e consequências práticas, procurou-se nesta in-
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vestigação enquadrar a avaliação do desempenho num modelo mais amplo de gestão do desempenho.
A opção por uma escola do ensino particular pautou-se por duas ordens de razões; por um lado, por esta escola estar a participar num projecto de “Melhoria da Qualidade” tendo como suporte de acção o modelo teórico da EFQM1, que está a ser adaptado e aplicado ao ensino, no âmbito de um pro-
jecto nacional promovido pela AEEP (Associação de Estabelecimentos de Ensi- no Particular) e que conta com a participação de escolas do ensino particular; a outra ordem de razões, prende-se com os objectivos desta investigação, ou seja, conceptualizar a avaliação de desempenho como um instrumento de gestão e melhoria dos professores, promovendo o seu bem-estar e desenvolvi- mento profissional.
Assim, parte-se do princípio que, escolas que estão a desenvolver mode- los de gestão do desempenho, oferecerem condições a nível de gestão e esta- bilidade do corpo docente fundamentais para o modelo de avaliação que nos propomos desenvolver.
A área da educação, considerada por muitos estrategas e políticos desde há muito, como a área chave do desenvolvimento das nações, teve necessaria- mente de entrar nesta dinâmica mesmo que com poucas escolas, e procurar desenvolver práticas de melhoria da qualidade, sendo a avaliação do desem- penho uma das práticas fundamentais, preconizadas por este modelo.
É exactamente na definição do conceito de qualidade no ensino que co- meçam as principais dificuldades, no entanto, ao aplicarmos este modelo, partimos do princípio que a construção da qualidade faz-se pela adopção de uma visão sistémica da escola, assente num projecto estratégico mobilizador, que integre quer a perspectiva pedagógica, quer a perspectiva administrativa e de gestão, numa dinâmica de melhoria contínua.
Procurou-se com esta investigação, desenvolver um modelo que mais do que um sistema de avaliação do desempenho, é um sistema de gestão do de- sempenho, pois além da avaliação, contempla o papel da direcção da escola na motivação e no desenvolvimento dos colaboradores, de forma a maximizar os níveis de realização e satisfação do trabalho.
Trata-se de uma ferramenta que nos permite identificar os níveis de empe- nho e competência de cada colaborador, durante um determinado período de tempo, de modo a gerir o desempenho de pessoas com características diferentes – que necessitam ser estimuladas, motivadas. Desenvolver ferramentas de ava-
1Modelo de Excelência, lançado na Europa no início da década de 90, cuja responsabilidade coube à European
Foundation for Quality Management (EFQM), uma organização criada em 1988, sob a égide da Comissão Europeia,
liação do desempenho docente, aplicá-las e fazer da avaliação um processo de desenvolvimento e melhoria de cada profissional com vista à diferenciação e à excelência, num processo de co-responsabilidade de todos os intervenientes na comunidade educativa, foram pois, os objectivos da presente investigação.
Assim, a par de toda a preparação logística da investigação, fundamental para a promoção de uma cultura de avaliação escolar, sem a qual, o grande objectivo da avaliação do desempenho fica comprometido, apresentam-se igualmente a construção e validação das escalas de avaliação do modelo 360º. As escalas foram construídas com base numa sólida definição do con- ceito, de forma a avaliar o desempenho do professor de uma forma contex- tualizada e em função de objectivos de desempenho definidos pelos professo- res e direcção para cada ano lectivo. Naturalmente que sendo os alunos uma peça fundamental do desempenho docente, afigura-se igualmente importante construir e validar uma escala de avaliação dos docentes pelos alunos. Tendo em conta o nível etário e conceptual dos alunos, bem como o facto de serem alunos do 5º ao 12º ano de escolaridade, achou-se por bem não utilizar exactamente a mesma escala de avaliação da direcção e da auto-avaliação docente, desdobrando alguns dos itens da escala numa linguagem mais sim- ples e de fácil compreensão. Fez-se pois uma opção em função dos objectivos da avaliação em detrimento da análise estatística posterior, uma vez que seria interessante com a mesma escala identificar para cada item as diferenças de percepção das três partes implicadas.
Espera-se pois avaliar até que ponto os alunos se constituem como uma das partes fundamentais da avaliação docente, podendo então ser considera- dos como elementos activos no modelo de avaliação 360º. Esta é, de facto, uma questão que tem sido muito debatida ao longo dos anos (Natriello, 1990; Rivilla e Ângulo, 1995), evidenciando a investigação mais recente que os alu- nos não são menos eficazes na avaliação dos professores do que outro tipo de fontes de avaliação, por exemplo direcção e os próprios professores (Shinkfield e Stufflebeam, 1995).
Para esta análise, foram consideradas na avaliação do desempenho do- cente, as avaliações feitas pelos alunos, direcção e auto-avaliação dos profes- sores, analisando as diferenças significativas entre estas três tipologias de avaliação e a forma como determinam a avaliação final de cada docente.
Conscientes de que a avaliação só faz sentido se promover a diferencia- ção, desenvolve-se por fim um sistema de diferenciação do desempenho a partir da avaliação final, que vai conduzir a um sistema de recompensas e in- centivos, a aplicar a cada professor, com vista ao seu desenvolvimento e me- lhoria da escola.