4 ENVIRONNEMENTS IONISES TERRESTRE ET PLANETAIRES
4.4 INTERACTIONS ONDES PARTICULES Dans les plasmas chauds et peu denses des
Os dados empíricos resultantes da fase de coleta de dados foram analisados à luz da Análise de Discurso Critica (ADC) referenciada por Norman Fairclough. A ADC constitui um modelo teórico-metodológico apropriado para ser usado em diversas práticas da vida social, uma vez que se apresenta como uma abordagem transdisciplinar que, além de aplicar outras teorias, também, por meio do rompimento das fronteiras epistemológicas, operacionaliza e transforma tais teorias em prol da abordagem sociodiscursiva (FAIRCLOUGH,2001).
A ADC busca uma aproximação da função linguística da linguagem e da prática social. Essa perspectiva teórica reúne uma variedade de teorias em diálogo, em especial teorias sociais de um lado e teorias linguísticas de outro (FAIRCLOUGH, 2001).
Por meio da ADC, busca-se mapear as relações existentes entre os recursos linguísticos utilizados por atores/grupos sociais e aspectos da prática social em que os discursos desses atores/grupos sociais se inserem (RESENDE; RAMALHO, 2006). Ao considerar a linguagem como parte irredutível da vida social e, dialeticamente interconectada a outros elementos sociais, a ADC envolve uma visão segundo a qual os discursos são moldados pelas estruturas sociais e também sofrem influências destas (FAIRCLOUGH, 2001).
O discurso, nessa concepção, é socialmente constitutivo – por meio dele as estruturas sociais são constituídas – e ao mesmo tempo ele é constituído socialmente, uma vez que sofre variações conforme os domínios sociais em que é gerado e que se filia (RESENDE; RAMALHO, 2004).
O cunho crítico dado á proposta de análise de discurso de Fairclough (2001) justifica-se na medida em que o autor afirma:
Crítico implica mostrar conexões e causas que estão ocultas; implica também intervenção – por exemplo, fornecendo recursos por meio da mudança para aqueles que possam encontrar-se em desvantagens. Nesse sentido, é importante evitar uma imagem da mudança discursiva como um processo unilinear, de cima para baixo: há luta na estruturação de textos e
ordens de discurso, e as pessoas podem resistir ás mudanças que vêm de cima ou delas se apropriar, como também simplesmente as seguir (FAIRCLOUGH, 2001, p.28).
Dessa forma, para Fairclough (2001), há a necessidade de saber o que está nas entrelinhas do discurso e quais vozes e atores sociais desejam controlar e manipular as coerências individuais. É saber como se constroem os textos a partir de outros e como esses outros textos se posicionam na dominação e/ou manipulação dos sujeitos (FAIRCLOUGH, 2001; RESENDE;RAMALHO, 2006).
Partindo dessa percepção de discurso, Fairclough (2001) propõe o modelo de análise tridimensional dos eventos discursivos, considerando as dimensões de texto, de prática discursiva e de prática social no contexto sócio-histórico e das transformações sociais (FIGURA 3)
Figura 3- Concepção tridimensional do discurso
Fonte: Adaptado da obra de Fairclough (2001) e Resende; Ramalho (2006)
No modelo tridimensional, a prática discursiva é entendida como os processos de produção, distribuição e consumo do texto, que são processos sociais relacionados a ambientes econômicos, políticos e institucionais particulares. A prática discursiva assume, neste modelo, a função de ser mediadora entre o texto e a prática social.
Com a finalidade de direcionar a análise minuciosa a ser feita pelo pesquisador, para o tratamento dos dados empíricos que compõem o corpus deste estudo buscou-se seguir alguns passos:
1º passo: primeira leitura cuidadosa de todo o material gerado nas entrevistas e na análise documental.
2º passo: segunda leitura do material com a utilização de grifos e notas a respeito do texto, inicio de uma seleção prévia de recortes potenciais.
3º passo: definição dos recortes que seriam usados na análise. Nesta etapa foi necessário estar atento para a escolha de trechos considerados significativos em seu conjunto para expressar as categorias.
4º passo: codificação em cores como estratégia relevante para a análise discursiva do documento e aproximação com as categorias da ADC. Cada categoria recebeu uma cor e os trechos onde as categorias estavam presentes eram destacados.
5º passo: separação dos recortes que tratavam das categorias que emergiram para a discussão.
Vale ressaltar que na ADC o processo principal é aproximar dos textos, buscar o que é latente e o que está implícito e em seguida ver quais categorias emergem. As categorias devem emergir das aproximações do pesquisador e dados. O discurso não deve ser moldado a categorias definidas previamente pelo pesquisador. Na ADC a preocupação não está na repetição dos conteúdos, mas na forma como esses conteúdos compõem os discursos (FAIRCLOUGH, 2001; RESENDE;RAMALHO, 2006).
Fairclough (2001) sumarizou diversas categorias linguísticas para a Análise de Discurso Crítica. No entanto, o autor ressalta a possibilidade de se focalizar nas categorias mais relevantes ao objetivo da análise e a natureza do trabalho analítico (FAIRCLOUGH, 2001).
Seguindo esse direcionamento dado por Fairclough, neste estudo, a análise dos dados empíricos, a partir da dimensão do texto, destaca-se como categoria o vocabulário. Já na dimensão da prática discursiva sobressaem as categorias intertextualidade e interdiscursividade. E, por fim, na dimensão da prática social, a hegemonia e a ideologia recebem destaque.
Em estudos que envolvem a Análise de Discurso Crítica (ADC), na transcrição das entrevistas o pesquisador deve entender que o registro escrito, por si só, já representa uma tradução ou mesmo uma interpretação dos dados e assim devem ser explicitadas as pausas e ênfases dadas a expressões e termos. Neste estudo, são adotadas as convenções de Kloch (2010). Dessa forma, para a
entonação enfática da voz usam-se letras maiúsculas. Para os alongamentos de vogal ou consoante, adotam-se os dois pontos duplos e para as pausas, as reticências.
APÍTULO 4 - DO CONTEXTO DA INFLUÊNCIA AO CONTEXTO DA