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Interaction électron-matière – d pôt d’ e gie

Ajustement analytique E

3. La théorie liée à la lithographie électronique

3.2. Interaction électron-matière – d pôt d’ e gie

Além de envolver relações, o aprender é um processo que implica em atividades (CHARLOT, 2005). No caso da escola, para que um escolar (sujeito) se aproprie de um saber (para que ele aprenda) é preciso, por exemplo, que ele estude, isto é, que se engaje numa atividade intelectual, que se mobilize intelectualmente. E, para que o aprendiz se mobilize, é preciso que a atividade tenha sentido para ele. Mais ainda, é preciso que a atividade faça sentido de tal forma que direcione o estudante à função específica da escola: estudar, aprender, saber. Em suma, “[...] o que induz a atividade é o que tem valor positivo para o sujeito”. (FEITOSA, 2012, p. 27). Esta é uma condição primeira. Com efeito, se toda situação faz sentido de certa maneira, isso não é garantia de uma aproximação da situação. Mesmo quando um estudante detesta a aula de Física, por exemplo, ela tem um sentido para ele. Uma segunda condição é que a mobilização intelectual leve a uma atividade intelectual eficaz e, para ser eficaz, é necessário que uma atividade intelectual respeite as normas internas dos conteúdos aprendidos (CHARLOT, 2005).

Convém neste ponto esclarecer o que Charlot entende por mobilização, sentido e atividade. A mobilização coloca ênfase na dinâmica interna do movimento. “Mobilizar-se é pôr-se em movimento” (CHARLOT, 1997). É por privilegiar a dinâmica interna que utiliza mobilização em vez de motivação. A última enfatiza o fato de que se é motivado por algo ou por alguém, exterior ao sujeito. Mobilizar-se é também engajar-se em atividades geradas por móbiles. Em termos cotidianos, existem “boas razões” para fazer aquilo. Não é por pôr em relevo a dinâmica interna

que se desconsidera o exterior. Motivação e mobilização são um par inseparável. Algo externo motiva o sujeito se nele provoca mobilização, se nele reverbera.

Os móbiles, por sua vez, são definidos por referência a uma atividade. A definição de atividade é tomada da teoria da atividade de Leóntiev (1978), que considera a atividade como sendo um conjunto de ações impulsionadas por móbiles e que visam atingir uma meta. As ações são operações implementadas durante a atividade, a meta é o resultado que se pretende alcançar com as ações e operações e o móbil é o que se pretende satisfazer com esse resultado. Assim, a pintura de paredes é um conjunto de ações que transformam as características físicas das paredes de uma casa, por exemplo. Esse é o resultado das ações. A meta da pintura pode ser tornar as paredes sem manchas e perfeitamente lisa. O móbil pode ser o amor, caso seja o pintor um rapaz a pintar o apartamento que irá morar com sua futura companheira ou seu futuro companheiro.

O sujeito mobiliza-se em uma atividade quando investe nela, quando faz uso de si mesmo como recurso, quando ela é posta em movimento por móbeis que remetem a um desejo, um sentido e um valor. A atividade possui, assim, uma dinâmica interna, pois esses desejos, sentidos e valores são entes que “pertencem” ao sujeito. Contudo, não se considera que essa dinâmica ocorra de maneira isolada do mundo. Ela pressupõe uma troca entre o interior (sujeito) e o exterior (mundo), no qual o sujeito encontra metas desejáveis, meios de ação e recursos diversos que não a si próprio.

Por fim, o conceito de sentido é, no sistema teórico proposto por Charlot, polissêmico. Em “Da relação com saber: elementos para uma teoria” a noção de sentido é construída a partir de referências de campos distintos do conhecimento. Para fazer a discussão Charlot se apoia no filósofo francês Francis Jacques, que trata do sentido no domínio da filosofia da linguagem, e em Alexis N. Leóntiev, que o faz dentro do domínio da psicologia e das situações nas quais a linguagem se opera - as atividades. Amplia, “[...] muito livremente [...]” (CHARLOT, 1997, p.64), o alcance das ideais do primeiro, estas no domínio dos enunciados, ao domínio dos acontecimentos. Isto é, as situações que ocorrem na vida do sujeito também têm sentido. Assim, uma palavra, um enunciado, um acontecimento tem sentido se produz inteligibilidade sobre algo no mundo, se pode ser comunicável

com outros e se tem relações com outros elementos da vida do sujeito. Em síntese, o sentido é produzido nas relações do sujeito com o mundo e com os outros.

Na teoria da atividade de Leóntiev (1978), o sentido é o resultado da relação entre móbil e meta. O mote clichê da “vingança com as próprias mãos” da indústria cinematográfica estadunidense é um exemplo elucidativo: um homem tem sua família assassinada. Após descobrir os autores do crime, segue em uma caçada que tem por meta dar cabo da vida do assassino para satisfazer o anseio por retaliação (móbil). Assim, o sentido desta atividade é o de vingança. No entanto, um mesmo conjunto de ações com um mesmo fim pode ter sentidos diferentes. Recorrendo novamente ao exemplo da pintura, pintar de branco a parede de um apartamento, por exemplo, pode ter um sentido de presente amoroso, para aquele que faz uma surpresa para a sua companheira ou seu companheiro, ou de ganha pão, para aquele que faz dessa ação um meio de receber dinheiro para seu sustento e de sua família.

Dando um passo adiante, Charlot (1997) introduz outra dimensão do sentido, agora ligado à “desejabilidade”, valor, que não se encontra, explicitamente, nos escritos de A. N. Leóntiev. Dizer que algo que acontece com o sujeito tem sentido, não é somente afirmar que ele compreende o que se passa ou que tem expectativas com respeito ao resultado das ações da atividade, mas considerar também que estas expectativas são mais ou menos importantes. Atingir a meta permite satisfazer o desejo que era o móbil da atividade. Assim, “pode-se dizer que fazem sentido um ato, um acontecimento, um [sic] situação que se inscrevam nesse nó de desejos que o sujeito é.” (CHARLOT, 1997, p. 64). Quando um sujeito diz “isso tem sentido para mim”, está indicando que dá importância a “isso”, que “isso” tem um valor. Contudo, quando um sujeito diz “não estou entendendo nada”, está indicando que aquele enunciado ou acontecimento não têm significado, não é/está inteligível.

Temos ciência que a introdução da ideia de desejo na relação entre meta e móbil, originalmente não presente na teoria de Leóntiev, não é uma simples troca das palavras que descrevem os componentes da atividade, pois o desejo é um conceito psicanalítico básico. Ao reiterar sua alegação de que “atingir a meta permite satisfazer o desejo que era o móbil da atividade”, Charlot cita o seguinte trecho da

obra de Jacques Beillerot (1989): “não há sentido senão no desejo”; dando, assim, indícios de uma aproximação com a psicanálise. No entanto, na obra que estamos discutindo, não fica claro a que autor da psicanálise ele se refere ao tratar deste conceito.

Por fim, é importante frisar que o sentido não é estático e que está ligada à relação de um sujeito com o mundo, com os outros e consigo mesmo (ROCHEX, 1995). Algo pode adquirir sentido, perder seu sentido, mudar de sentido, pois o próprio sujeito se constrói em um movimento que dura toda sua vida. Um exemplo proposto por Leóntiev (1978) ilustra bem a questão. Uma pessoa pode compreender profundamente o que é a morte, pode compreender que é inevitável para o indivíduo da espécie humana, pode estar completamente convencido que é inevitável para si mesmo. Pode ainda conhecer com detalhes a natureza biológica do processo. Isto significa que esta pessoa adquiriu conhecimento e compartilha do significado mais cristalizado sobre a morte. Mas, esse significado pode adquirir importâncias distintas na vida dessa pessoa dependendo do momento que vive, de sua história pessoal. Compreender a inevitabilidade da morte pode, de certo modo, não ter sentido para essa pessoa, ou seja, não interfere em sua vida e não a modifica em nada. Este fato é muito comum na juventude. Todavia, algo muda na vida dessa pessoa e, de repente, ela passa a calcular os anos de vida que lhe restam, passa a ter pressa em cumprir alguns de seus propósitos e chega a renunciar outros. Afinal, já não há tanto tempo assim. Pode-se dizer, neste caso, que a importância, o valor da morte na vida desta pessoa tornou-se distinto. O que muda neste caso não é o significado cristalizado da morte, mas, sim, seu sentido para esta pessoa.