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Integrating Designer-generated Files into Your Qt ProjectQt Project

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GUI Design Using the Qt Designer

3.2 Integrating Designer-generated Files into Your Qt ProjectQt Project

A compreensão de Deborah Avant (2005) parece ser a mais abrangente e a que incorpora mais casos distintos. Além de usar o modelo de Singer, ela transporta esse modelo também para empresas que agem em serviços de policiamento e manutenção da ordem interna. Nesse sentido, Avant se aproxima mais de responder aos problemas levantados anteriormente relativos às outras tentativas de classificação. Empresas que prestam serviços de policiamento armado, como a SDS no México ou a Blackwater no Iraque são incluídas no primeiro tipo de empresa, as provedoras militares, que enfrentam diretamente as ameaças, mas em um eixo distinto, o do policiamento e ordenamento interno. O mesmo poderia ser dito, por exemplo, de empresas que fornecem serviços de treinamento. A norte-americana MPRI treinou as tropas croatas, enquanto que o caso específico do presente estudo, a empresa norte-americana DynCorp, ficou encarregada do treinamento da polícia iraquiana.20 Nesse caso, as duas seriam consideradas empresas do segundo tipo, que fornecem consultoria, mas em eixos distintos, a primeiro no eixo militar, e a segundo no eixo do policiamento (DUNIGAN, 2011, pp.16-22). Avant também contribui para a compreensão do papel das empresas ao defender a consideração de suas funções por contrato e pelo contexto. Isso ajuda a compreender o fato de que uma mesma empresa possa prestar diferentes tipos de serviço, ou até que um mesmo contrato mude de caráter dependendo das circunstâncias. A DSL, que fornece serviços de vigilância e guarda de instalações, funções primordialmente de policiamento, enfrentou

principalmente o paralelo entre os condottieri para o século XVII e as “firmas de mercenários”, ou PMSC, para o período contemporâneo.

Finalmente, Sean McFate (2014) dedica dois capítulos de sua obra, The Modern Mercenary, ao que ele chama de “guerra neomedieval”. De acordo com McFate, as PMSC seriam um indício do surgimento do neomedievalismo. “A key feature of neomedieval warfare is the market for

force, creating the possibility of contract warfare. Like their condottieri ancestors, PMCs are among the new actors waging neomedieval warfare, further blurring the Westphalian distinction between combatant and civilian and that between war and peace. “ (MCFATE, 2014, p.314)

O paralelo entre os mercenários pré-modernos e as PMSC se dá com base tanto na natureza do ator quanto no contexto que favorece seu surgimento. O problema desse tipo de abordagem, derivada de uma das hipóteses originais de Bull, é a suposição da “desintegração do Estado” como característica fundamental de uma ordem medieval (BULL, 2002, p.299). Como veremos adiante, essa informação é inconsistente com os fatos que serão apresentados, já que o maior cliente das PMSC segue sendo o Estado.

insurgentes diretamente na Colômbia, se aproximando muito de uma empresa militar “combatente” (DUNIGAN, 2011, p.170). O conceito de “empresa de segurança privada” da autora (private security company) englobaria todas essas nuances e diferenças num mesmo fenômeno.

Christopher Kinsey (2006) parte da mesma compreensão de Avant, de privilegiar os casos específicos, em vez de tentar classificar as empresas. Para o autor existem dois critérios a serem levados em conta: o “objeto a ser protegido”, e os “meios para proteger o objeto”. Os objetos são classificados dentro de um contínuo entre público e privado, e os meios estão num contínuo entre meios letais e não-letais (DUNIGAN, 2011, pp.13-14). As chamadas empresas “provedoras” de Singer, seriam prestadoras dos meios letais, e podem prestar segurança tanto para objetos públicos quanto privados. Ao analisarmos o caso do Iraque por exemplo, é crucial compreender que uma mesma empresa pode estar envolvida na proteção de bens públicos e privados, todos parte da mesma Operação Iraqi Freedom. Já as empresas “consultoras” e de “apoio” fornecem, normalmente, serviços de tipo não letal, como vigilância, treinamento e monitoramento, tanto na dimensão pública quanto privada, ou seja, podem por exemplo, treinar policiais, ou treinar funcionários de uma terceira empresa. Essa classificação é interessante principalmente por revelar também a ampla gama de clientes que passam a se beneficiar dos serviços das empresas. No entanto, como chama atenção Carmola (2010, p.25) a tipificação fragmentária sempre deixará de lado a percepção do contínuo entre diferentes atividades. Mais do que isso, como aponta Avant, num exercício de autocrítica,

Harder to categorize are the contracts that offer operational capacity in counter-insurgency, anti-terrorism, and other special operations. These services, offered to states as well as multi- national corporations and other non-governmental entities, work in the nebulous area that connects external and internal security. (AVANT, 2005, p.21)

De certa maneira, a preocupação de Avant é reflexo do que foi descrito como uma das características cruciais das novas guerras. A dificuldade de distinção

entre as diferentes áreas de serviços militares não é apenas um problema para analistas das RIs. É uma característica fundacional do panorama dos conflitos contemporâneos, que se reflete também do ponto de vista analítico e epistemológico.

O capítulo 3 será dividido utilizando as sugestões de Singer e de Avant, separando funções de empresa provedora militar, empresa consultora militar e empresa de apoio militar. O capítulo será dedicado a explorar os contratos e as operações específicas da DynCorp, sem preocupação específica com o contexto, ou seja, observando a empresa em ambientes de guerra ou não. No entanto, como já destacado na introdução, parte da informação crucial encontra-se na relação das empresas com seus clientes e com os contextos de seus Estados de origem. O exercício aqui proposto, embora informado pelos esforços classificatórios aqui elencados, buscará traçar a rota inversa. Em vez de criar categorias e tentar classificar as empresas dentro dessas rubricas, a opção é por “dissecar” uma empresa e deixar que isso revele novas maneiras de classificar suas relações e atividades. É possível antecipar duas dinâmicas importantes, que completam o comentário da presente seção. Em primeiro lugar, a atuação da DynCorp não obedece às fronteiras entre guerra e paz, e consequentemente entre segurança militar e segurança pública. Os mesmos funcionários da empresa irão implementar serviços semelhantes em ambientes de conflito ou não. Em segundo lugar, a mesma empresa, a DynCorp, oferece serviços nos três setores mencionados. Ou seja, se a classificação de funções serve para organizar a análise, ela serve pouco ao seu intuito original, classificar os tipos das diferentes empresas.

Capítulo 2 – A DynCorp por dentro – história e

estrutura de uma empresa militar e de segurança

privada

O presente capítulo tem como objetivo compreender a estrutura atual da empresa DynCorp e de que maneira essa estrutura se desenvolveu ao longo do tempo. Para esse fim o capítulo terá três partes principais: uma histórica, na qual será explorado o desenvolvimento da DynCorp até sua forma atual; uma segunda parte descritiva, cujo objetivo é destrinchar a atual estrutura da empresa, principalmente em relação às pessoas que compõe a empresa, seus funcionários; e por fim, uma terceira parte analítica, na qual será desenvolvida uma relação entre as descobertas das duas partes anteriores e o estado atual da literatura sobre as PMSC. Ainda nessa parte consideramos algumas tendências e perspectivas para o negócio das PMSC, de acordo com as recentes movimentações da DynCorp.

Para compreender de que maneira a DynCorp se tornou uma das grandes PMSC contemporâneas, é necessário compreender suas especialidades e principais missões. Ao longo da narrativa de trajetória do desenvolvimento da empresa, a parte 1 do presente capítulo, o leitor encontrará pontas soltas, indicadas nas notas de rodapé. Essas pontas soltas são pontes lançadas para os demais capítulos, principalmente o capítulo 3, no qual podem ser encontradas informações mais detalhadas sobre as funções da empresa, que aqui serão tratados de maneira mais superficial. O objetivo, como já manifesto na introdução, é permitir a observação da empresa numa perspectiva multidimensional, sem perder de vista a necessidade de articular os conhecimentos acumulados nas diferentes partes do texto.

A segunda parte, relativa a atual estrutura da empresa e seus quadros de funcionários, tem como objetivo compreender diferentes facetas da empresa que a identificam em três dimensões: a) como uma grande empresa transnacional, que possui estruturas semelhantes às de empresas de outros setores da economia. Essa dimensão será igualmente demonstrada ao tratar

do histórico da empresa; b) como uma grande empresa militar, em muitos sentidos semelhante às grandes empresas da indústria bélica, seja na maneira como engaja e recruta seus administradores, seja na maneira como explora seu mercado específico; e c) como uma grande PMSC, empresa especializada em fornecer um tipo de produto único, mão-de-obra militar especializada. Finalmente, a terceira parte apresenta os vínculos da DynCorp com a indústria da qual faz parte, ou seja, a DynCorp como uma PMSC em meio a outras PMSC. Para essa parte nos focaremos nas dinâmicas do mercado, nos interesses concorrentes de empresas que competem entre si, mas também nos interesses comuns de empresas que compartilham um setor particular da economia. A segunda e a terceira partes do capítulo deverão lançar alguns pontos que serão retomados no capítulo 4, que trata especificamente das relações da DynCorp com seu maior cliente, que coincidentemente é o maior cliente das demais grandes PMSC, o governo federal dos Estados Unidos.

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