A tabela 3 apresentada na introdução deste trabalho mostra que a Região Nordeste
concentra 44,7% dos arranjos identificados pelo GTP-APL. Esta seção mostrará qual o perfil
destes APLs no que se refere aos setores no qual eles estão distribuídos, bem como faz uma
comparação com as outras regiões do país, os dados apresentados foram retirados de Costa
(2010) que teve como base um levantamento realizado pelo MDIC em 2005
8.
A tabela 8 apresenta os APLs que foram identificados distribuídos pelos setores
produtivos.
Tabela 8: Distribuição dos APLs por setores produtivos Setores Produtivos
Nº
APLs %
Setor Primário 567 59%
Setor Secundário 344 36%
Baixo Conteúdo Tecnológico 178 19%
Média-baixa tecnologia 109 11%
Média-alta Tecnologia 29 3%
Alta Intensidade Tecnológica 28 3%
Setor Terciário 47 5%
Fonte: Costa (2010).
8 Schmidt Filho (2007) também apresenta um estudo, com base no levantamento realizado pelo MDIC, porém pela formatação apresentada optou-se pela trabalho realizado por Costa (2010).
A partir da tabela 8, constata-se um predomínio do setor primário entre os arranjos do
país, este concentra 59% dos APLs, sendo seguidos pelo setor secundário com 36% e terciário
com 5%. Para uma melhor visão dos arranjos Costa(2010) apresentou uma divisão dos
arranjos do setor secundário de acordo com peso tecnológico das atividades. Deste modo,o
este setor é dividido em quatro tipos, são eles: Baixo Conteúdo Tecnológico; Média-baixa
tecnologia; Média-alta Tecnologia; Alta Intensidade Tecnológica.
O Quadro 3, apresenta as atividades que estão contidas em cada setor produtivo.
Quadro 3: Atividades dos setores produtivos
SetorProdutivo
Atividades
Setor Primário
a. Produção de lavouras temporárias; b. Horticultura e produtos de viveiro; c. Produção de lavouras permanentes; d. Pecuária;
e. Produção mista (Lavoura e Pecuária);
f. Atividade de serviços relacionados com a agricultura e a pecuária (exceto atividades veterinárias);
g. Caça, repovoamento cinegético e serviços relacionados; h. Silvicultura;
i. Exploração florestal;
j. Atividades dos serviços relacionados com a silvicultura e a exploração florestal. Setor Secundário Alta intensidade a. Farmacêutica;
b. Material eletrônico, aparelhos e equipamentos de telecomunicações, do qual constam os bens da linha marrom (de áudio e vídeo) e componentes eletrônicos;
c. Equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros;
d. Máquinas para escritório e equipamentos de informática; e e. Construção e montagem de aeronaves, inclusive reparação (subsetor que integra a atividade outros equipamentos de transporte).
Média-alta tecnologia
a. Outros produtos químicos (exclusive farmacêuticos e perfumaria, produtos de limpeza etc.);
b. Veículos automotores; c. Máquinas e equipamentos;
d. Máquinas, aparelhos e materiais elétricos;
e. Perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza; f. Outros veículos e equipamentos de transporte (na qual está a indústria de motocicletas dentre outras); e
g. Construção e montagem de vagões ferroviários, inclusive reparação.
Média-baixa a. Refino de petróleo e álcool; b. Metalurgia básica;
c. Borracha e plástico; d. Minerais não-metálicos;
f. Construção de embarcações (inclusive reparação).
Baixo conteúdo tecnológico
a. Alimentos;
b. Edição, impressão e reprodução de gravações; c. Celulose, papel e produtos de papel;
d. Bebidas; e. Têxtil;
f. Vestuário e acessórios; g. Calçados e artigos de couro; h. Mobiliário; i. Madeira; j. Fumo; e k. Diversas. Setor Terciário a. Turismo; b. Serviços; c. Comércio. Fonte: Costa (2010).
A tabela 9 apresenta como está divido por região os APLs segundo os setores
produtivos apresentados.
Tabela 9: Divisão percentual dos arranjos por setor produtivo de acordo com a região
Setores Produtivos
Regiões (em %) Centro-
oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Total
Setor Primário 3 55 28 11 3 100 Setor Secundário 8 30 9,5 37 15,5 100 Baixo Conteúdo Tecnológico 8 31,5 11 33 16,5 100 Média-baixa tecnologia 9 32 8 39 12 100 Média-alta Tecnologia 0 21 3,5 41 34,5 100 Alta Intensidade Tecnológica 10,5 18 11 50 10,5 100 Setor Terciário 21,5 34 4,5 21 19 100 Fonte: Costa (2010).
Ao analisar a tabela 9, observa-se que o Nordeste comporta 55% dos arranjos do setor
primário e a Região Norte detém 28% destes, assim as duas regiões concentra 83% dos APLs
do setor primário identificados no país.
Em relação ao setor secundário, o Sudeste é a região que apresenta maior quantidade
de APls identificados com 37%, sendo seguido pelas regiões Nordeste, Sul, Norte e Centro-
oeste, com 30%, 15,5%, 9,5% e 8%, respectivamente. Por sua vez, quando se analisa o setor
secundário de acordo com intensidade tecnológica das atividades, o Sudeste concentra 50%
dos arranjos com alta intensidade tecnológica, as outras regiões dividem de forma
proporcional os outros arranjos com o Nordeste comportando 18% dos APLs. O Sudeste
comporta a maior quantidade de arranjos nos outros sub-setores do setor secundário, no sub-
setor de média-alta a Região comporta 41% dos arranjos, sendo seguido da Região Sul com
34,5% dos APls.
O Nordeste se destaca no setor secundário, nos sub-setores de baixa intensidade
tecnológica e baixa-média tecnologia com 31,5% e 32% dos arranjos identificados no país,
respectivamente.
No tocante ao setor terciário o Nordeste concentra 34% dos arranjos identificados no
país, sendo seguido pelas regiões Centro-oeste e Sudeste com 21,5% e 21%, respectivamente,
a Região Norte concentra a menor quantidade de arranjos neste setor com 2,5%, o Sul, por sua
vez, detém 19% dos APLs do setor terciário.
A tabela 10 apresenta como os arranjos estão divididos nas regiões de acordo com os
setores produtivos.
Tabela 10 Distribuição percentual dos arranjos por região de acordo com o setor produtivo
Setores Produtivos
Regiões (em %) Centro-
oeste Nordeste Norte Sudeste Sul
Setor Primário 27 72 82 31,5 23 Setor Secundário 53 24 17 63,5 66 Baixo Conteúdo Tecnológico 27 13 10 30 35 Média-baixa tecnologia 20 8 5 21 16 Média-alta Tecnologia - 1 1 6 12 Alta Intensidade Tecnológica 6 1 2 7 4 Setor Terciário 20 4 1 5 11 Total 100 100 100 100 100 Fonte: Costa (2010).
Observa-se a partir da tabela 10 que de modo geral há uma concentração dos arranjos
nos setores primário e secundário, em relação ao primeiro o destaque é para o Nordeste e o
Norte com 72% e 82% dos seus arranjos neste setor, respectivamente. O setor secundário tem
um maior número de arranjos na região Sul, Sudeste e Centro-oeste, com 66%, 63,5% e 53%,
respectivamente. Em relação ao setor terciário, o destaque é a Região Centro-oeste que dentre
os seus arranjos 20% de concentram neste setor, sendo seguido do Sul com 11%, por sua vez,
o Nordeste, Norte e Sudeste, concentram apenas 4%, 1% e 5% de arranjos no setor,
respectivamente.
No tocante a intensidade tecnológica dos arranjos do setor secundário, observa-se uma
concentração de arranjos de baixo e média-baixa tecnologia em todas as regiões. Em relação
aos arranjos de média-alta e alta tecnologia o destaque são das regiões Sul e Sudeste, que
dentre seus arranjos 16% e 13% concentram-se neste segmento.
No que tange a Região Nordeste, o setor secundário corresponde a 24% dos arranjos,
tendo um predomínio do setor primário, com 72%. Em relação à intensidade tecnológica dos
arranjos do setor secundário, constata-se um predomínio de arranjos com baixa intensidade,
com 13% e 8% dos arranjos com baixa e média-baixa tecnologia, respectivamente. Por sua
vez, os arranjos com média-alta tecnologia e alta intensidade tecnológica, ambos
correspondem a 1% dos arranjos da Região. Por sua vez, o setor terciário tem uma
representatividade de 4% dentre os arranjos. Deste modo, constata-se que a Região Nordeste é
composta primordialmente de arranjos do setor primário e atividades de baixa intensidade
tecnológica.
A tabela 11, apresenta a distribuição dos arranjos da Região Nordeste entre os estados
que a compõem.
Tabela 11: Distribuições dos APLs da Região Nordeste entre os estados
Estados Setor Primário Setor Secundário Baixo conteúdo Tecnológico Média- baixa Tecnologia Média-alta Tecnológia Alta Intensidade Tecnológica Setor Terciário Total AL 7 3 1 1 - 1 2 12 BA 36 13 5 5 1 2 3 52 CE 55 18 8 5 5 - 3 76 MA 43 11 8 3 - - 1 55 PB 40 18 15 2 - 1 1 59 PE 11 8 4 3 - 1 1 20 PI 65 8 4 4 - - 2 75 RN 40 17 8 9 - - 2 59 SE 13 6 3 3 - - 1 20 Total 310 102 56 35 6 5 16 428 Fonte: Costa (2010).
Dentre os estados nordestinos, o Ceará e o Piauí concentram a maior parte dos arranjos
da Região, com 17,8% e 17,5% dos arranjos identificados, respectivamente. O estado de
Alagoas é o que possui o menor número de arranjos identificados com 2,8% do total apenas.
Os estados de Pernambuco e Sergipe concentram ambos 4,7% dos APLs da região. Os demais
estados possuem entre 12,2% a 13,8% dos arranjos identificados na região.
Em relação ao tipo de arranjos encontrados, destaca-se que do total de arranjos
identificados, o Ceará e a Paraíba detém cada um 4,21% dos APLs do setor secundário da
Região, destaca-se que o setor secundário concentra cerca de 23% dos APLs porém com cerca
de 21% do total de arranjos entre os setores de baixa e média-baixa tecnologia. Assim, do
total de APL do setor secundário cerca de 89% são relacionados com atividades de baixa
tecnologia, mostrando assim uma característica da Região, que dos 428 arranjos identificados,
apenas 11 concentram-se em atividades de média-alta e alta intensidade tecnológica, ou seja,
apenas 2,6% dos APLs identificados. Destes, cinco encontram-se no Ceará, três na Bahia, e os
outros três estão na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
A tabela 12 mostra a divisão percentual dos APLs em cada estado da Região Nordeste.
Tabela 12: Divisão percentual dos APLs em cada Estado do Nordeste. (em %)
Estados Setor Primário Setor Secundário Baixo conteúdo Tecnológico Média- baixa Tecnologia Média- alta Tecnologia Alta Intensidade Tecnológica Setor Terciário Total AL 58,3 25,0 8,3 8,3 0,0 8,3 16,7 100 BA 69,2 25,0 9,6 9,6 1,9 3,8 5,8 100 CE 72,4 23,7 10,5 6,6 6,6 0,0 3,9 100 MA 78,2 20,0 14,5 5,5 0,0 0,0 1,8 100 PB 67,8 30,5 25,4 3,4 0,0 1,7 1,7 100 PE 55,0 40,0 20,0 15,0 0,0 5,0 5,0 100 PI 86,7 10,7 5,3 5,3 0,0 0,0 2,7 100 RN 67,8 28,8 13,6 15,3 0,0 0,0 3,4 100 SE 65,0 30,0 15,0 15,0 0,0 0,0 5,0 100 Fonte: Costa (2010).