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DES INFRASTRUCTURES DE TRANSPORT TERRESTRE SUR LA COMMUNE DE POMAS

Dans le document > RAA SPECIAL N° 14 - AOUT 2016 - tome 6 (Page 56-62)

PREFECTURE DE L'AUDE

DES INFRASTRUCTURES DE TRANSPORT TERRESTRE SUR LA COMMUNE DE POMAS

Se nas pinturas e desenhos, ou na iconografia fotográfica do Recife, anteriores e da década de 1920, podiam ser observados diversos registros de sobrados altos e estreitos e de espaços urbanos mais antigos, do período colonial, como os largos e pátios, nos filmes do Ciclo eles foram menos presentes, mesmo ainda fazendo intensamente parte da vida urbana.

Figuras 287 e 288: Desenhos do álbum de Luís Schlappriz - Pátio e o Largo da Boa Vista. Meados do século XIX.

Fonte: DUARTE, 2014.

Equipamentos urbanos como creches, escolas, hospitais, praças e parques (com exceção da Praça Adolfo Cirne) e equipamentos para o esporte, que já se constituíam como parte de uma nova forma de vida na cidade (como pôde ser visto no capítulo 2), também são pouco presentes nos filmes do Ciclo.

Com relação às questões sociais, observa-se que não houveram referências aos conflitos no espaço urbano, apesar das greves e do ativo movimento operário já existente em Pernambuco, conforme descrito na contextualização da cidade na década de 1920. Nem mesmo as moradias da classe mais pobre, na cidade do Recife, já tão presentes e espalhadas nas várzeas do Capibaribe e em diversos locais da cidade, apareceram nos filmes do Ciclo.

Os mocambos eram “discriminados”, e não interessava aos governantes, que

contratavam os cinegrafistas para filmar os naturaes, a exposição dos mesmos. Provavelmente, não queriam que a pobreza fosse enfatizada nos filmes, pois poderia repulsar ou deixar de atrair possíveis novos moradores, investidores e visitantes à cidade. Também são poucos os miseráveis, negros ou mulatos destacados nas narrativas dos filmes, mesmo sendo a maioria da população.

Como visto, os realizadores do Ciclo do Recife, especialmente dos naturaes, faziam o papel de interlocutores entre o cinema e a gestão pública, compactuando entre si a imagem que queriam passar da cidade, quando na realidade a situação era ainda mais complexa.

Outro aspecto é o relacionado à violência urbana. Mesmo existindo um cenário de criminalidade ligada a conflitos políticos (levantes militares, assassinatos, confrontos entre grupos rivais), também já presentes em Pernambuco na década de 1920, esse tipo de violência fica ausente nos filmes, restringindo-se ao caso do estupro contra a filha do advogado e à luta entre bandidos e mocinhos nos filmes de enredo.

No que tange à geografia da cidade, sabe-se que o Recife possui uma forte origem fisiográfica devido ao seu sítio natural e a sua gênese como área portuária e uma configuração aquática, vascularizada e perenizada pelos rios Capibaribe e Beberibe. É uma cidade entre águas (de mar e de rio), mangues, ilhas, viveiros e alagados, maciços vegetais remanescentes da Mata Atlântica e morros em suas porções norte, oeste e sudeste, que a delineiam e a delimitam. Pode-se dizer, ainda, que a cidade do Recife se compõe de quatro unidades

ambientais ou unidades de paisagem: o ambiente litorâneo, o da planície, o do baixo estuário e o dos morros117.

A água é a “protagonista” da paisagem recifense118

, assim como a extensa linha de arrecifes que separa a cidade do mar, fator preponderante na formação natural da cidade. É, entretanto, capturada nos filmes como parte de um percurso natural, favorável ao deslocamento de embarcações. Água parada, lagoas e mangues eram mal vistos.

Assim, ao conhecer-se um pouco melhor a geografia da cidade, conclui-se que os filmes do Ciclo do Recife se detiveram ou privilegiaram apenas a região do baixo estuário, correspondente à linha de arrecifes e do porto, e parte do ambiente da planície, onde se desenvolveram a cidade tradicional e a cidade moderna. Exclui e, portanto, torna ausentes as áreas mais afastadas de colinas e morros já existentes e que, possivelmente, eram de mais difícil acesso, além de, provavelmente, já se constituírem como locais de moradia para pessoas de baixa renda, que também não foram privilegiadas na visão dos cinegrafistas e dos gestores locais.

Nesse sentido, outros filmes, especialmente do cinema moderno e do cinema contemporâneo, tanto do Recife como de outros países e de outras cidades brasileiras, diferenciaram-se bastante desse tipo de produção da década de 1920 (especialmente dos

naturaes ou “filmes de cavação”), pois vieram, de modo geral, para denunciar as condições

sociais, os problemas e os conflitos existentes no meio urbano e não apenas para exibir as belezas, os ganhos e conquistas, as obras e os progressos obtidos articulados a um programa modernizante.

5.2 Uma primeira cartografia de Cidade e Cinema

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O ambiente litorâneo se refere à estreita faixa de areia que corresponde à orla marítima, com menos de 9 km de extensão ao longo da costa. Situa-se entre o mar, o canal de Setúbal e os manguezais do baixo estuário. O ambiente do baixo estuário é

“aquele onde ocorrem as trocas de águas doces e salgadas, provenientes dos rios e do mar, no qual florescem os vastos

manguezais, com maciços vegetais de mangue-vermelho, mangue branco e siriúba, dentre outras espécies”. E, por fim, o

ambiente de morros do Recife apresenta “fisionomia e altura variando entre 50 e 80 metros, ocupa mais de 58% de seu

território, estende-se desde o norte, e tem formação em escudo cristalino”. As terras baixas são protegidas por muralhas de arrecifes, proporcionando a existência de um porto natural, e, ao interior da planície, nasce e se espraia a cidade do Recife (VERAS et al., 2017, p. 46).

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No Recife, o que não é água foi água ou lembra água [...] água do mar que cobriu em época remotíssima, água dos rios que a cortam e recortam [...] água subterrânea [...] água dos pântanos que a vegetação dos mangues ensombra e oculta, água do mar que não capitula diante dos recifes [...] (VERAS et al., 2017, p. 38-39).

As representações gráficas e visuais das cidades podem se enquadrar tanto nos estudos da história urbana, na geografia cultural como, principalmente, nos estudos e nas análises fílmicas conforme aponta Mennel (2008, p. 15). A autora indicou que dentro da análise fílmica há algumas categorias como: topografias, lugares, locais e localizações, ou seja, categorias também trabalhadas pelas disciplinas que abordam a cidade, pela geografia e pela cartografia. O mapeamento119 das imagens do cinema também foi apontado por Bruno (2008), como destacamos no capítulo 1.

Por cartografia, entende-se que se trata de um conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que, tem por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação, voltando-se mais especificamente para a elaboração e utilização de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos. Sobre esta arte de elaborar e utilizar-se da cartografia e consequentemente de mapas, e a relação com a arte cinematográfica, Harper afirma:

Fazer mapas é análogo ao empreendimento cinematográfico, onde o esforço comum e a visão singular muitas vezes encontram-se. O papel do diretor de cinema pode ser visto como similar ao papel da pessoa que faz um mapa. Tanto os mapas como os filmes situam o público, ideologicamente e geograficamente (HARPER, 2010, p.?)

Até o presente momento, neste trabalho, dedicamos-nos às observações diretas de fotogramas, de planos e sequências dos filmes, bem como de documentos e estudos teóricos. Agora, no entanto, destina-se um espaço à observação mais direta dos mapas, tanto os que representam as transformações urbanas e obras de infraestrutura do período, como os de localização das locações cinematográficas ou espaços da cidade escolhidos pelos cinegrafistas do Ciclo do Recife.

Diante do exposto, inicia-se então a construção de um mapa da cidade do Recife no cinema (a princípio, no recorte temporal deste trabalho), registrando os lugares capturados

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Acerca da arte do mapeamento articulando o cinema e as cidades, vale destacar um exemplo contemporâneo e recente de utilização de mapas e tecnologia: o site da internet e aplicativo “Cinemacity”, onde cidades já mapeadas, como Paris, têm seus espaços urbanos associados e vinculados aos filmes já produzidos na cidade. À medida que se localiza um espaço da cidade, podem-se visualizar trechos de filmes. Assim, tanto as cidades como o cinema podem tornar-se mais conhecidos e acessíveis a todos. http://cinemacity.arte.tv/en/

https://www.facebook.com/cinemacityparis/

pelos filmes do Ciclo do Recife que geraram ou despertaram emoções em tantas pessoas,

complementando o “mapa emocional” (que não é somente um mapa físico, conforme o

exposto por Bruno, 2008) criado pelos cineastas para representar a cidade.

Mesmo que certos lugares representados nos filmes da década de 1920 em Pernambuco não existam mais, e que esses filmes não sejam mais tão vistos hoje como os da produção contemporânea, ficará aqui um registro e um início da construção de uma cartografia da cidade do Recife no cinema e do cinema na cidade.

Para esta etapa, de construção do mapa das locações, ou “literalmente” e não apenas

metaforicamente, de uma cartografia do cinema, foram consideradas todas as áreas e locações na cidade do Recife que serviram de base para a captura de imagens para os filmes, e identificadas a partir de uma minuciosa observação de planos e sequências, sendo reconhecidos praticamente todos os lugares escolhidos pelos cinegrafistas e produtores dos filmes do Ciclo (com algumas exceções, em que não foi possível reconhecê-los devido às transformações pelas quais a cidade passou nas décadas seguintes).

5.2.1 Locações dos filmes do Ciclo do Recife

Os textos abaixo correspondem aos espaços da cidade/locações escolhidos pelos diretores do Ciclo do Recife. A numeração segue a ordem das sequências e indica as localidades, ficando, portanto, visíveis aquelas que se repetem em cada filme. Esta numeração é destacada no mapa das locações (ver anexo II).

a) Veneza Amerciana (1922): (1) Diário da Noite (2) Dique de pedras e quebra-mar (nas proximidades do Cais do Porto e Armazéns) (3) Farol e trilhos (4) Cais do Porto (nas proximidades da Torre Malakoff e do Edifício das Docas) (5) Instalações do Navio Gelria (6) Linha férrea (lateral dos armazéns) (7) Av. Beira-Mar (calçadão, estrada e trilhos) (8) Pedreira na Zona da Mata (9) Armazéns do Porto (1, 2, 9 e 10) (10) Interior de um Armazém (11) Praia de Boa Viagem (mar, areal e arrecifes) (12) Avenida de Ligação – Pina (13) Ponte do Pina (14) Avenida do Entroncamento (15) Ruas do centro comercial do Recife (16) Ponte da Boa Vista (17) Praça Rio Branco e edifícios ecléticos – Bairro do Recife (18) Avenidas Rio Branco e Marquês de Olinda (19) Ponte giratória (20) Cais de Santa Rita (21) Ponte Velha (22) Parque de diversões – área em frente ao Quartel (23) Quartel da Polícia no Derby.

b) As Grandezas de Pernambuco (1925): (24) Avenida Archimedes de Oliveira (2) Dique de pedras e quebra-mar (nas proximidades do Cais do Porto e Armazéns) (25) Matadouro de Peixinhos (26) Armazéns e Docas do Porto (27) Sítio Histórico de Olinda (28) Igreja do Amparo (11) Praia de Boa Viagem (mar, areal e arrecifes).

c) Recife na Confederação do Equador (1924): (2) Dique de pedras e quebra-mar (nas proximidades do Cais do Porto e Armazéns) (11) Praia de Boa Viagem (mar, areal e arrecifes) (29) Largo das Cinco Pontas (30) Palácio do Governo.

d) A chegada do Jahú ao Recife (1927): (31) Rio Capibaribe – imediações do Marco Zero; (4) Cais do Porto (nas proximidades da Torre Malakoff e do Edifício das Docas); (15) Ruas do centro comercial do Recife (32) Sobrados e Edifício do Diario de Pernambuco (17) Praça Rio Branco e edifícios ecléticos – Bairro do Recife (18) Avenidas Rio Branco e Marquês de Olinda (33) Faculdade de Direito e Praça Adolfo Cirne (34) Navios e embarcações (na área em frente ao Cais do Porto) (35) Ponte Maurício de Nassau.

e) A Filha do Advogado (1926): (36) Sobrados e edifícios ecléticos do Bairro do Recife (16) Ponte da Boa Vista (37) Sobrados, igrejas do Bairro de São José e Basílica da Penha (38) Rua Nova (39) Rua da Imperatriz (40) Rua da Aurora (41) Palacete na Av. Rosa e Silva-Aflitos (42) Chalé em Socorro (4) Cais do Porto (nas proximidades da Torre Malakoff e do Edifício das Docas) (43) Interior do navio (17) Praça Rio Branco e edifícios ecléticos – Bairro do Recife (44) Linha Férrea Sul e Estação Socorro (45) Estação Central do Recife (46) Clube Internacional (47) Igreja da Soledade (48) The Western Telegraph Company (49) Casa de Detenção do Recife (50) Palace Hotel (51) Cais José Mariano.

f) Aitaré da Praia (1925): (15) Ruas do centro comercial do Recife (52) Mar, arrecifes e coqueirais, casas e vila de pescadores (Praia de Piedade) (53) Ladeira de Olinda (54) Villa Retiro – Recife (Palacete) (38) Rua Nova (39) Rua da Imperatriz (41) Palacete na Av. Rosa e Silva-Aflitos.

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