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DEPARTEMENT DE L'AUDE

Dans le document > RAA SPECIAL N° 14 - AOUT 2016 - tome 6 (Page 23-31)

PREFECTURE DE L'AUDE

DEPARTEMENT DE L'AUDE

Foi no período entre 1922 e 1926 que, segundo Silva (2010), se deu um processo intenso de ajardinamento de espaços vazios no Recife, originando seis novos parques, cuja construção havia sido iniciada desde o século XIX: o Parque do Derby, o Parque/Praça Sérgio Loreto, o Parque do Entroncamento, o Parque/Praça do Paissandu, o Parque/Praça Oswaldo Cruz, o Parque Amorim, além de grandes reformas nas praças da República e na Praça Maciel Pinheiro. Também foram executados boa parte da arborização da cidade, reformas em jardins já existentes, projetos de ajardinamento de antigos largos e campinas nos arredores da área central.

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[...] Durante muitos anos o Capibaribe foi o grande collector de todo o esgoto do Recife. Sempre nelle se pescou e não consta que houvesse mais typho que no Rio, que em Londres, que em Paris, que em Petropolis. Si o dr. Saturnino aconselhou que se não pescasse na proximidade do esgoto, ele o fez mais por uma medida de limpeza dos pescadores que propriamente pelo perigo para a saúde dos consumidores dos peixes [...] O grande perigo da emissão em natura é a contaminação dos mananceaes de agua potável, quando se lançam dejecto nos rios. Quando se os lançam no mar é um luxo caro cuidar da depuração, porque, se nos próprios rios se dá a depuração natural, no mar esta depuração é ainda mais completa e mais rápida. E, afinal, se estas criticas fossem justas, seria explicável que o departamento de Saúde e Assistencia que tem uma organização modelar e à sua frente médicos dos mais cultos do estado, concordasse com este suposto atentado à saúde publica? (A AVENIDA..., 1924, p. 23).

Ao defender a manutenção de espaços livres nas cidades, Saturnino de Brito também já havia recomendado a implantação de um parque na Campina do Derby. O local que fazia parte do antigo Sítio do Derby daria lugar ao famoso “Parque do Derby”82. Segundo Silva (2010), a Campina do Derby já era uma área destinada à prática do golfe e de peladas. Posteriormente, a área fora comprada pela prefeitura na gestão de Lima Castro (1919-1922), que manifestou interesse em urbanizá-la, mas repassou a missão ao governo do Estado.

Sob o pretexto de construir um novo quartel83 para alojar a Força Pública Estadual, aproveitando as antigas ruínas do Mercado Coelho Cintra, em 1924, o governo do Estado iniciou um amplo projeto de melhoramentos na área que incluiu a drenagem, os aterros e a abertura de um canal, bem como a construção de largas avenidas arborizadas, a implantação de infraestrutura urbana, de loteamentos, a construção de uma grande praça para exercícios e o parque.

Na planta do projeto de melhoramentos da área do Derby, destacam-se as linhas sinuosas e curvas do desenho do Parque, a intensa proposta de arborização, tanto no parque como nas ruas adjacentes, as linhas convergentes das novas avenidas e o eixo central que fazia a conexão com todas as linhas de circulação do parque.

No novo bairro do Derby foram construídos muitos palacetes que passaram a ser habitados pela elite pernambucana, por um tempo. Entretanto, parte dos novos lotes acabaram por receber usos de edifícios públicos, como a antiga Escola Técnica, a Faculdade de Medicina, um Hospital público, e uma Casa de Estudantes.

Figura 105: Projeto de Melhoramento no Derby.

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A designação Derby, expressão inglesa que significa “corrida de cavalos”, remonta ao hipódromo instalado naquele sítio, em 15 de novembro de 1888, pelo Derby Club e desativado em 1898 (SILVA, 2010).

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O antigo mercado foi completamente remodelado, constituindo um imponente edifício eclético em "Estilo Renascença", que deu origem ao Quartel do Derby, que também é utilizado como sede da Exposição Geral de Pernambuco, um arremedo das exposições universais e nacionais, mas que não ficava atrás em termos de exibicionismo burguês (MOREIRA, 1994, p. 129).

Fonte: Revista de Pernambuco.

O Parque do Derby consolidava, assim, a vocação cívica e recreativa dos tempos do Prado, empreendimento de Delmiro Gouveia, e da antiga Campina (SILVA, 2010, p. 102). A área do entorno do Parque tornar-se-ia valorizada e bem servida por linhas de transporte público, o que atraiu novos moradores para a área, como descrito abaixo:

A actual administração do Estado, realizando importantes melhoramentos, transformou o nosso antigo Derby em um centro de habitação de primeira ordem, servido por varias linhas de bondes, muito próximo à cidade e favorecido pelos mais bellos aspectos da nossa natureza. Por isso avulta dia a dia a valorização desses terrenos que hoje estão sendo repartidos em lotes e se tornarão em pouco disputadíssimos por quantos desejem edificar, o que só pode encher de justos jubilos o governo actual por ver que todos trazem sua cooperação nas grandes iniciativas em prol do bem estar e do desenvolvimento de Pernambuco. As obras do Derby valem por um grande e patriótico programma de realizações, que vem ajudar poderosamente outros complexos problemas da cidade, como o das habitações (OS TERRENOS..., 1924, p. 19)

Ao lado da Avenida Boa Viagem e da reforma do porto, o Derby foi uma das mais importantes obras executadas no período e na gestão do então governador, reafirmando a sua importância para a cidade, tornando-se, ao longo dos anos, um importante núcleo central, por onde praticamente todas as linhas de transporte se encontram e se cruzam, especialmente na contemporaneidade. Atualmente, o Derby é também considerado um importante espaço para manifestações, paralizações, atos cívicos e passeatas. Em 1924, também foi construída a Praça

do Paissandu ─ hoje conhecida como Praça Chora Menino.

Fonte: Revista de Pernambuco.

Já na antiga Campina do Bodé foram implantados o Parque Sérgio Loreto e o grupo escolar de mesmo nome:

A velha campina se está transformando no futuro Parque Sergio Loreto, destinado a servir brevemente de magnífico logradouro aos habitantes da freguesia de S. José. Com isto atende o sr. Prefeito, com a possível solicitude ao embelezamento da cidade e distribue por todos os bairros os benefícios reclamados da sua operosidade...(Revista de Pernambuco, anno I, n.1, julho de 1924).

Em 1925, foi construída a Praça do Entroncamento, localizada no largo homônimo justamente por ser o encontro ou entroncamento de três linhas maxambombas: Arraial, Dois Irmãos e Várzea, as quais partiam do Campo das Princesas e lá se dividiam. A Praça da República, localizada na parte norte da Ilha de Antônio Vaz, fora uma das primeiras a usufruir de novos jardins cercados por gradis de ferro.

Nesse período, o poder público também executou o projeto paisagístico e de jardinamento do Largo da Paz. Silva (2010, p. 127) descreveu que “o jardim já continha árvores, uma pérgula circular dórica, sem coberta, igual à que se vê atualmente na Praça Oswaldo Cruz, e uma estação elevatória construída por Saturnino de Brito, como parte do

sistema de esgotos do Recife”.

Segundo Moreira (1994, p. 129), essas intervenções nos espaços livres públicos (praças

largos e campinas se situavam em posições estratégicas na estrutura urbana e foram essenciais

para a formação do Recife moderno”. Esse conjunto de obras também era de interesse de

parte da burguesia local que, aos poucos, se deslocou para os subúrbios.

Todos esses espaços passaram por obras e tratamento paisagístico, tornando as áreas dos seus entornos espaços favoráveis à expansão imobiliária, à construção de palacetes e de casas em estilo eclético. Seguia-se, assim, um novo padrão urbanístico nas novas áreas da cidade que se diferenciava bastante das áreas centrais e possuía características que já remetiam aos projetos de bairros residenciais inspirados pelo conceito de ‘Cidades-Jardim’, dos Estados Unidos e da Inglaterra. De fato, a cidade-jardim de Ebenezer Howard inspirava os brasilerios com seu verde e suas ruas curvas.

Assim, tanto o conjunto de parques84 como a inserção da arborização nos espaços livres,

construídos entre 1924 e 1925, expressavam, juntos, a ideia de “jardins públicos” já presente

no pensamento e na prática urbanística do início do século XX no Brasil, e sintetizam uma série de ações para dotar a cidade de áreas verdes e jardins, enquadrando-se nos moldes e pensamentos urbanísticos considerados modernos, implantados também nas cidades europeias e americanas.

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