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Influence sur la mousson d’Afrique de l’ouest

4.3 Résultats des simulations couplées à l’Holocène

4.3.2 Influence sur la mousson d’Afrique de l’ouest

A segunda seção da entrevista é destinada a dinâmica do feirante com a Feira José Avelino, como por exemplo, o tempo de trabalho, o motivo que o levou a trabalhar informalmente, sua expectativa para o futuro profissional, entre outros.

Em relação ao local onde o feirante vende sua mercadoria, na elaboração da pesquisa foi inserido duas opções, que seriam, nos galpões ou na rua. Entretanto, no momento da aplicação da entrevista, por questões de segurança, preferiu-se fazer as entrevistas somente com os feirantes dentro dos galpões, tendo em vista os diversos conflitos entre os guardas municipais e os feirantes, desde a ação da prefeitura de desocupação da Rua José Avelino, como demonstrado no gráfico 6. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Fundamental Incompleto Fundamental Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo Pós Graduação Outros

Gráfico 6 – Local de trabalho dos feirantes.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

No tocante ao tempo em que os feirantes trabalham na feira, como demonstrado no gráfico 7, 30% dos entrevistados (18 pessoas) já estão a mais de 11 anos, o segundo maior grupo foi referente a 25% dos entrevistados (15 pessoas) que estão de 3 a 5 anos trabalhando na José Avelino.

Gráfico 7 – Tempo de trabalho dos feirantes na Feira José Avelino.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Quanto aos motivos que levaram os entrevistados a trabalharem na Feira José Avelino, como demonstrado no gráfico 8, os três mais significativos foram os seguintes, a busca por um negócio próprio como resposta de 30% (18 pessoas) dos feirantes, seguido por 27% (16 pessoas), que relataram buscar na Feira um melhor rendimento e 25% (15 pessoas) acharam na feira uma oportunidade de sair do desemprego.

100% 0% Galpão Rua 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Menos de 1 ano De 1 ano a 2 anos De 3 anos a 5 anos De 6 anos a 8 anos De 9 anos a 10 anos Acima de 11 anos

Esses números expressam que mais da metade dos entrevistados seguiram para o mercado informal, não por conta do desemprego, mas por achar na Feira José Avelino uma oportunidade de ter um negócio próprio e um melhor rendimento que está de acordo com Nascimento (2013), porém ainda que a maioria busque por escolha, o mercado informal, muitos ainda enxergam na informalidade uma fuga do desemprego, por isso a importância de Políticas Públicas aplicadas para esse fim.

As duas possibilidades de um trabalhador buscar o mercado informal, que seriam elas, a necessidade, ou a escolha, como os motivos que os feirantes buscaram na Feira estão de acordo com Chaves (2012), que diz que apesar do crescimento da economia brasileira e do aumento de vagas em trabalhos formais o número de ambulantes vem crescendo, isso está associado a uma característica estrutural da economia local.

Gráfico 8 – Motivos dos feirantes trabalharem da Feira José Avelino.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Foi perguntado também, se caso os trabalhadores tivessem uma oportunidade de emprego formal, se eles sairiam da feira, 53% responderam que não sairiam, o motivo mais significativo foi que não ganhariam a mesma renda caso fossem para um trabalho formal. O restante, 47% responderam que sairiam da feira, os motivos mais significativos foram por causa dos horários que a feira acontece e da estrutura, conforme demonstrado no gráfico 9. Também foi achado relevante saber se os trabalhadores já tinham trabalhado em um emprego formal, o resultado foi 67% dos feirantes já possuíram ou possuem carteira assinada, e 33% nunca trabalharam formalmente, como demonstrado no gráfico 10.

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%

Ter negócio próprio Busca por melhor rendimento Desemprego

Busca por flexibilidade de horário

Outro Todos

Gráfico 9 – Especulação de trabalho formal

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Gráfico 10 – Feirantes que já trabalharam/trabalham formalmente.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Quanto a importância da Feira José Avelino para os trabalhadores, a maioria dos feirantes disseram ser satisfeitos com a Feira e gostarem do seu trabalho. Quanto a remuneração que eles possuem, 30% (18 pessoas) disseram ser satisfeitos com o que ganham, 70% (42 pessoas) disseram que já foi melhor, como demonstrado no gráfico 11. Isso pois, no último ano as vendas caíram bastante, segundo eles, um dos motivos é a crise que o país enfrenta, além da tentativa de deslocamento da Feira realizada pela Prefeitura, que geram constantes confrontos com os guardas municipais, que deixam os clientes atemorizados.

Gráfico 11 – Satisfação dos feirantes com a remuneração proveniente da Feira.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

47% 53% Sim Não 67% 33% Sim Não 30% 0% 70% Sim Não Já foi melhor

Em relação a remuneração proveniente da Feira ser a principal fonte de renda familiar, 85% (51 pessoas) responderam que sim, que a feira seria sua principal fonte de renda, e 15% (9 pessoas) responderam que não, conforme gráfico 12. Dessa forma, pode-se constatar a importância da Feira na vida dessas pessoas como fonte de renda, como foi dito anteriormente, a Feira José Avelino gera mais de 100.000 empregos diretos e indiretos, possui uma grande influência na vida desses trabalhadores, e na economia da cidade.

Quanto a possuir outro trabalho além da Feira, 72% (43 pessoas) disseram não possuir, 28% (17 pessoas) dos feirantes responderam sim, como demonstrado no gráfico 13. Desses 28%, muitos trabalham de maneira a complementar a renda fazendo “bicos”, o mais citado foi o Uber, além de outros como, pedreiro e vendedor individual.

Gráfico 12 – Remuneração proveniente da Feira como principal fonte de renda familiar.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Gráfico 13 – Feirantes que possuem outros trabalhos além da Feira.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Dos entrevistados, 65% (39 pessoas) eram proprietários e 35% (21 pessoas) funcionários, como é demonstrado no gráfico 14. Dessas 39 pessoas que são proprietárias 59%

85% 15% 0% Sim Não Já foi 28% 72% Sim Não

(23 pessoas) são registrados como Microempreendedores individuais (MEI), dessa forma, possuem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), e acesso a benefícios previdenciários, a maioria comentou a necessidade do registro por conta do envio de mercadoria com nota fiscal para fora do estado, e o acesso a direitos, 18% (7 pessoas) pretendem contribuir de alguma forma para ter acesso a direitos trabalhistas, 13% (5 pessoas) não tem opinião formada sobre o assunto de direitos trabalhistas, como demonstra o gráfico 15. Já as 21 pessoas que são funcionárias, 76% (16 pessoas) não possuem carteira assinada, 24% (5 pessoas) possuem. Desses 76% (16 pessoas) que não possuem carteira assinada, 25% (4 pessoas) contribuem como autônomos para o INSS e 38% (6 pessoas) não possuem uma opinião formada sobre o assunto como demonstrado no gráfico 16.

De maneira que, 46% (28 pessoas) do total de entrevistados são trabalhadores formais, os proprietários por possuírem o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), e os trabalhadores por possuírem Carteira assinada, contestando um pouco a literatura que trata a feira como um local de informalidade. Pode-se dizer que existe um mercado formal, dentro do mercado informal. Com a regulamentação dos galpões, muitos deles estão cadastrando as bancas com o CNJP do proprietário, obrigando os feirantes a realizarem esse registro. De maneira que esse número tende a crescer, já que começou a ser implementado nos últimos meses.

Gráfico 14 – Proprietário ou funcionário na José Avelino.

Fonte: Elaborado pela autora (2017). 65% 35%

Proprietário Funcionário

Gráfico 15 – O que os proprietários pensam sobre direitos trabalhistas.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Gráfico 16 – O que os funcionários pensam sobre direitos trabalhistas.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Em relação a percepção dos feirantes sobre ações ou projetos realizados pela prefeitura para a Feira José Avelino, 80% (48 pessoas) dos entrevistados responderam não conhecer nenhuma ação ou projeto direcionado para a Feira, e 20% (12 pessoas) afirmaram conhecer e citaram o descolamento da Feira para o Centro Fashion como uma ação. Além de não conhecerem projetos ou ações, os trabalhadores sentem-se prejudicados pelo Município pela retirada das pessoas da rua, tendo como consequência os constantes conflitos e violência.

De acordo com Santos (2011), são desenvolvidos projetos públicos direcionados aos feirantes. Porém, esses projetos não são visualizados pelos feirantes, e quando são,

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Paga INSS Pretende pagar futuramente Pretende ir para um emprego formal Sem opnião formada Não pretende pagar no momento

Trabalha formalmente Nunca pensaram sobre o assunto 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Paga INSS Pretende pagar futuramente Pretende ir para um emprego formal Sem opnião formada Não pretende pagar no momento

Trabalha formalmente Nunca pensaram sobre o assunto

acontecem de forma negativa. Aumentando os confrontos existentes entre os ambulantes e o poder público.

Gráfico 17 – Conhecimento de projetos ou ações da prefeitura para a Feira José Avelino.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

No tocante a opinião sobre os projetos da prefeitura para a geração de emprego e renda para os cidadãos, 50% (30 pessoas) responderam desconhecer essas ações, algumas pessoas gostariam de conhecer e acham que poderiam ser mais divulgadas, outras pessoas disseram também que essas ações poderiam ser implantadas nas pessoas que foram retiradas da Rua José Avelino que precisam de trabalho e não possuem outro local para vender a sua mercadoria. Apenas 2 pessoas responderam que fizeram uso de políticas públicas, deram o SINE como exemplo, mas, não sabiam se era uma política específica da prefeitura, outra citou o Jovem Aprendiz. Na opinião geral, os feirantes não consideram conhecer nem fazer uso das políticas e direcionam elas para os trabalhadores que foram retirados da rua. Nenhuma ação ou projeto exercido pelo município foi citado por nenhum dos entrevistados. Algumas pessoas citaram também que essas políticas são direcionadas para pessoas que possuem trabalho formal com carteira assinada, e que são para pessoas privilegiadas.

Em relação a precarização do trabalho, foi perguntado quanto as condições de trabalho dos feirantes e ambulantes na feira, 40% dos entrevistados consideraram a estrutura boa, seguido de 37% que consideraram que a estrutura está melhorando e 23% acreditam que a estrutura é um risco para o trabalhador, conforme demonstrado no gráfico 18. Isso considerando que os trabalhadores entrevistados se encontram em galpões, que são estruturados com banheiros, locais para alimentação, limpeza, iluminação. Assim, é possível que os feirantes não considerem os seus locais de trabalho precarizados. Em discordância com Nascimento (2013), que considera as condições de trabalho dos feirantes muito precárias.

20%

80%

Sim Não

Gráfico 18 – Condição de trabalho dos feirantes e ambulantes.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Referente aos entrevistados que não conhecem ações ou projetos da prefeitura para a Feira José Avelino, 37% (22 pessoas) acham que a estrutura está melhorando, isso decorrente de uma ação da prefeitura de regularização dos Galpões para melhorar a segurança dos trabalhadores, assim eles não assimilam que essas melhorias está sendo consequência de uma ação exercida pelo município. Isso ocorre pois, não existe um diálogo formal entre representantes dos feirantes e o munícipio, o que seria de extrema importância para ambas as partes.

Em relação ao que poderia ser feito pela prefeitura para a melhoria das condições dos trabalhadores na feira, a maioria respondeu que o deslocamento para outro local não é o mais correto, que está em discordância segundo Scaliotti (2015) sobre o novo projeto foi lançado, chamado Centro Fashion, os feirantes comentam sobre os preços cobrados nas bancas disponíveis para venda e que não possuem condição de comprar. Eles possuem ciência que da maneira que está não é correto pela desorganização e insegurança. Mas acreditam que o munícipio poderia realizar uma reorganização, com cadastro dos feirantes tanto dos galpões quanto da rua, um ponto muito citado foi a segurança no entorno da Feira, tanto para os trabalhadores, quanto para os clientes. Os feirantes acreditam que se existisse uma parceria município e trabalhador seria melhor para ambas as partes. Os feirantes acreditam que o estimulo do comércio é bom para a cidade, para os trabalhadores e em consequência para o município como um todo.

De acordo com Albuquerque (2011) que cita que uma legislação mais adequada e atual e o reordenamento dos ambulantes seria a melhor solução para os conflitos existentes.

37%

40%

23% Está melhorando

Acha a estrutura boa Acha um risco para os trabalhadores

Apesar dos constantes conflitos e da queda nas vendas, a expectativa de 72% (43 pessoas) é de continuar na feira, 27% (16 pessoas) gostariam de ir para um trabalho formal, conforme demonstrado no gráfico 19. Desses que gostariam de continuar na feira 85% são proprietários, e os que gostariam de um trabalho formal 52% são funcionários. Assim, pode-se dizer que a maioria dos que gostariam de continuar na feira são proprietários, e a maioria dos que gostariam de ir para o trabalho formal são funcionários, esse resultado tem consequência direta com o rendimento dos feirantes proprietários da Feira, que pode ser analisado juntamente com o motivo que trouxeram eles a trabalharem na feira José Avelino, o segundo mais citado foi a busca por melhor rendimento, eles acharam na feira o que estavam procurando.

Gráfico 19 – Expectativa profissional dos feirantes.

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Com a ação da Prefeitura de retirada dos feirantes da Rua José Avelino e adjacências, mesmo após a obras de requalificação, os trabalhadores não poderão mais comercializar as mercadorias na Rua, conforme demonstrado na figura 01 e 02.

72% 27% 1% Continuar na Feira Gostaria de ir para um trabalho formal Outro

Figura 1 – Imagem da Feira José Avelino após obras de requalificação.

Fonte: (O POVO, 2017).

Figura 2 – Imagem de adjacências da Rua José Avelino após obras de requalificação.

Fonte: (O POVO, 2017)

Os feirantes comercializavam em bancas armadas, em porta mala de carros, ou nos próprios braços os seus produtos antes da ação de retirada dos feirantes da Rua José Avelino, conforme demonstrado na figura 03 e 04.

Figura 3 – Imagem da Rua José Avelino em um dia de feira.

Fonte: (DIÁRIO DO NORDESTE, 2014).

Figura 4 – Imagem de adjacências da Rua José Avelino em um dia de feira.

Fonte: (O POVO, 2017).

Após essa ação da Prefeitura, os feirantes muitas vezes ainda insistem em continuar com o comércio na Rua José Avelino, que acarreta em conflito com os fiscais e a Guarda Municipal, ocorrendo a apreensão de mercadorias, tanto de clientes, quanto dos feirantes, conforme demonstrado na figura 05. Esses frequentes conflitos estão influenciando as vendas, que segundo a fala de alguns entrevistados tem acarretado menos movimento por parte dos clientes, que se sentem temerosos em frequentar a feira. No momento em que os fiscais chegam começam as correrias e conflitos.

A Feira José Avelino, antes chamada Feira da Sé, ficava localizada próximo a Igreja da Sé como mostra a figura 06. Os vendedores comercializavam suas mercadorias em carros, braços e na própria calçada/rua.

Figura 5 – Imagem de conflitos na Feira José Avelino.

Fonte: (O POVO, 2017).

Figura 6 – Imagem da Feira próximo a Igreja da Sé

Fonte: (Diário do Nordeste, 2014).

Segundo a fala dos entrevistados, o sentimento é de revolta e tristeza para com o Poder Público, dizem não possuir apoio da Prefeitura, analisam essas ações como negativas, no sentido de atrapalhar e impedir os trabalhadores de exercerem suas atividades.