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Les ine´galite´s de recours aux soins : bilan et e´volution

Optei pelo Grupo Focal como instrumento por favorecer a interação entre os sujeitos de pesquisa, permitindo que este processo ocorra numa relação dialogada. As vozes das tutoras, sujeitos desta pesquisa, foram socializadas e uma multiplicidade de ideias, opiniões, conceitos e pontos de vistas emergiram, compondo um montante de sessenta e seis páginas em texto.

Neto, Moreira e Sucena (2002) entendem o grupo focal como:

uma técnica de pesquisa na qual o pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público-alvo de suas investigações, tendo como objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico. (NETO, MOREIRA e SUCENA, 2002, p.5)

O grupo focal tem como principal característica a reflexão expressa por meio da voz dos participantes, permitindo que cada um apresente seus conceitos, impressões e concepções sobre determinado tema ou questão. Esta característica contempla plenamente o objetivo central desta pesquisa: ouvir a voz dos tutores sobre o ser tutor.

O grupo focal permite a criação de planos de imanência, dos devires, das emergências. Por meio dos corpos (e vozes e olhares) o momento do grupo focal é um acontecimento único em que todos os sujeitos são parte. Não são vozes em separado, mas vozes em composição. Os corpos se integram, reorganizam e reintegram em acordes sonantes e dissonantes. Não há vozes e olhares sobrepostos, mas postos, compostos em harmonias nunca jamais vistas. Nessa dinâmica, a pesquisa, sujeitos e o pesquisador são, ao mesmo tempo, regentes, instrumentistas e auditório. Não há o fora ou o dentro, mas o espaço em si. (BRUNO, 2011, MIMEO)

Para que a pesquisa tivesse êxito, fez-se necessário a distribuição de algumas funções: Mediador, Relator, Observador e Operador de gravação, que foram exercidas durante a coleta de dados e pós grupo focal: transcrição dos dados.

Mediador: A função de mediador foi exercida por mim, auxiliada por minha interlocutora direta e orientadora prof.ª Adriana Rocha Bruno. Fui responsável pelo início, desenvolvimento e conclusão dos debates, interagindo com as tutoras da pesquisa e propondo temas para o diálogo. Busquei dinamizar o grupo de modo que todos dessem suas contribuições/vozes com oportunidades iguais para todas e no incentivo ao debate. Nesse sentido, o clima livre de tensão, criado para favorecer as conversas e exposição de idéias, foi fundamental.

Relator: Esta função foi exercida por uma bolsista do Grupo de Pesquisa e Aprendizagem em Rede (Grupar). Sua atribuição era a de anotar as falas, nominando-as, associando-as e explicitando suas sensações com relação ao que estava ocorrendo no momento do Grupo. Tais relatos me auxiliaram nas análises dos dados, posteriormente.

Observador: esta função também foi exercida por uma bolsista do Grupar. Seu objetivo era atender aos participantes isoladamente e em suas relações com o

mediador, relator e operador de gravação. Suas anotações tiveram o propósito de contribuir com a qualidade do trabalho e o encaminhamento de ocorrências.

Operador de Gravação: Função exercida por uma bolsista do Grupar. Teve como função a gravação integral em vídeo e áudio dos debates do grupo.

Transcritor de gravações: Os dados coletados em áudio e vídeo foram divididos entre as bolsistas do grupo e outra parte coube a mim. As transcrições foram realizadas buscando fidelidade com o acontecimento naquela dinâmica.

As pessoas que assumiram tais funções possibilitaram também a emergência de outros olhares para a pesquisa/análise, pois cada um imprimiu em seu relato e anotações sua voz, seu tom, captados a partir de sua história, de suas referências e experiências e tudo isso está impregnado em seu texto.

Como pesquisadora, assumi o papel de mediadora/participante da discussão e, à medida que os assuntos dentro do tema central – SER TUTOR - revezavam seus centros, apresentei minhas dúvidas e busquei esclarecer alguns pontos obscuros para mim. O mesmo aconteceu com os participantes do grupo (sujeitos de pesquisa) que partilharam a mediação comigo na medida em que propunham temas, traziam inquietações e dialogavam. Como afirma Abramovay (2001):

O trabalho com grupo focal não busca o consenso, mas principalmente, a emergência das opiniões, preocupações, prioridades, percepções e contradições dos componentes, tal como se manifestam (ABRAMOVAY, p.30).

Foram dois encontros: o primeiro com quatro tutoras (Sara, Laura, Julia e Ruth10) realizadas no dia 30 de novembro de 2010, e o segundo com seis (Lia, Sara, Laura, Carla, Ruth, Bianca), ocorrido no dia 08 de dezembro de 2010. Tivemos também a participação de três bolsistas do Grupo de Pesquisa de Aprendizagem em Rede (GRUPAR), que ficaram responsáveis pela videogravação e pelas notas de campo, e da Professora Adriana Rocha Bruno.

A dificuldade em acordar uma data para o encontro entre as sete componentes do grupo me deixou preocupada, mas pude perceber que o modo como os encontros ocorreram, com número de participantes diverso nos dois

encontros, foi importante para que a dinâmica do grupo focal acontecesse de modo a atender o objetivo da pesquisa: DAR VOZ AO TUTOR do curso de Pedagogia da UFJF. Para tanto se fazia necessária a presença de todos os componentes do grupo nos dois encontros. A participação em cada um deles ficou a critério da tutora e de sua disponibilidade.

Barbour (2009) discute algumas formas de produção de dados em pesquisas qualitativas pelo uso do Grupo Focal. Segundo a autora:

Ele proporciona uma amostra do tipo de interação eliciada durante as discussões de grupo focal, incluindo como as pessoas podem reformular suas visões, engajar-se em um debate animado e expressar entendimentos culturais compartilhados. Torna explicito algumas das habilidades envolvidas e enfatiza a importância de se antecipar a análise, mesmo enquanto os dados estão sendo gerados, a partir da exploração de diferenças entre as perspectivas dos participantes, requisitando esclarecimentos e eles e colhendo seus insights. (BARBOUR, 2009, p.135-136)

Pude perceber que no grupo houve, em alguns momentos, uma reformulação de visões, quando, por exemplo, Bianca, ao contribuir com a conversa sobre a relação do professor da disciplina com o tutor, trazida por Lia, exclama: “Eu nunca tinha parado pra pensar nessa relação, mas é verdade!” Ou Laura, ao fechar sua fala no grupo, afirma que aprendeu com sua participação no grupo: “... pegando o que aprendi junto com vocês”. Há também as questões trazidas por Sara: “A Laura falou uma coisa que eu fiquei pensando aqui desde a hora em que ela falou que ficou ecoando, que é a questão da impaciência, né?”

Houve também a necessidade de esclarecimento por minha parte, ao tentar compreender as diferentes perspectivas do grupo frente ao tema docência, por exemplo. O interessante foi que estes esclarecimentos não partiram só de mim. Em algumas ocasiões, os sujeitos da pesquisa dialogavam com perguntas, como no caso da Laura ao questionar Lia sobre sua capacitação ao entrar no curso: “Que papel teve a formação pra você, no Moodle? Você já foi capacitada no Moodle? Você se ‘autocapacitou’?”

Todas essas inquietações envolveram o grupo numa conversa que durou em torno de uma hora e quarenta minutos, cada uma. Buscamos sempre o foco da pesquisa, mas isso não significou andar em linha reta, pois percorremos vários caminhos, olhamos por diferentes ângulos em busca da pluralidade de olhares sobre

o SER TUTOR e trabalhamos com os devires, com as emergências, daqueles ali presentes.