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Indications de transfert vers un centre d’intervention coronarienne percutanée (ICP)

Dans le document Annexes - Fibrinolyse coronarienne (2016) (Page 62-65)

compreender a relação entre condições de saúde do trabalhador e as situações em que ele trabalha

O que se entende por saúde? Saúde pode ser definida como ausência de doença? No dicionário, saúde é definida como “estado daquele cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal” (Ferreira, 2008, p. 727). A Organização Mundial de Saúde – OMS – (1979) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência da afecção ou doença”. No cotidiano dos profissionais de saúde, é comum um exame do fenômeno saúde com base em uma visão dicotômica, em que esse fenômeno aparece como oposto à doença. Essas diferentes formas exemplificadas de entender saúde indicam, em parte, uma diversidade terminológica quanto ao entendimento sobre saúde. Alguns autores, inclusive, separam e destacam estudos referentes à saúde mental como algo diverso da saúde física. Dessa forma, parece necessário clarificar o conceito de saúde para poder identificar os comportamentos intermediários da classe geral “Caracterizar necessidades de intervenção na relação entre condições de saúde do trabalhador e as situações em

que ele trabalha”.

Ao longo da história da ciência, os estudos das relações dos acontecimentos ou eventos têm sofrido uma evolução na sua maneira de entender as relações de determinação dos fenômenos na natureza. Na

concepção pré-galileica, os acontecimentos (eventos) são

compreendidos de maneira dicotômica, estáveis e apresentam uma relação de causalidade entre os eventos. Já na concepção pós-galileica, os fenômenos são abstrações de eventos semelhantes que variam o tempo todo, são instáveis e complexos. Os eventos são caracterizados por múltiplas relações entre variáveis de diferentes tipos ou natureza e variam em graus. O entendimento das relações de determinação dos fenômenos na natureza auxilia o profissional (psicólogo) a compreender situações de trabalho como um conjunto de variáveis (somente uma parte do conjunto de relações) que interagem para determinar o grau (nível) das condições de saúde do trabalhador (Botomé, 2006).2

Alguns autores indicam que, assim como qualquer outro evento na natureza, o fenômeno saúde é uma entidade variável, isto é, pode variar de diferentes formas ao longo de uma dimensão. Chaves (1980) enfatiza que saúde é um fenômeno que possui graus variados em uma escala, apresentando inúmeros valores que compõem as condições de saúde. Essa maneira de entender saúde concebe saúde e doença como graus das condições de saúde dos indivíduos. O Esquema 1 ilustra alguns dos valores mencionados por Chaves que a variável “condições de saúde de um organismo pode ter”. Dependendo das variáveis que determinam os graus de condições de saúde, estas sofrerão variações.

PLENAS CONDIÇÕES DE SAÚDE Atividades normais com facilidade e conforto Atividade normal com algum esforço

Atividade normal, mas com algum desconforto “Doença” compensada por drogas

Limitação da atividade

Dependência de artefatos para funções vitais Incapacidade total ou definitiva

Coma Estado agônico MORTE

Esquema 1: Representação dos valores da variável “condições de saúde de um organismo”

Fonte: Transcrito de Mário Chaves (1980).

2

Comunicação pessoal apresentada em uma aula promovida pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Stédile (1996) também apresenta saúde como o resultado da inter-relação entre variáveis determinantes das condições de saúde de um organismo. Kienen e Botomé (2003) indicam, em um estudo sobre as relações entre controle sobre o trabalho e condições de saúde de alunos universitários, o fenômeno saúde como um processo no qual ocorrem graus de alterações de conforto e de segurança dos organismos que podem variar entre o máximo de saúde (plenas condições de saúde) e o máximo de sua falta (falecimento). Entre esses extremos, podem existir múltiplos valores. Além da compreensão de saúde como um fenômeno que varia ao longo de uma dimensão, é importante compreendê-la também com base na noção de multideterminação.

A partir do entendimento de Botomé e Rosenburg (1981), Botomé e Santos (1984) e de Rebelatto e Botomé (1999), é possível identificar no Esquema 2, cinco diferentes maneiras de entender como ocorrem as relações de determinação entre os eventos na natureza, sendo representadas por uma imagem gráfica em cada letra que compõe o Esquema. É possível verificar na letra A que as relações de determinação são concebidas como uma relação de “causa-efeito”; sendo conhecida por “determinismo absoluto”, em que são atribuídas aos acontecimentos causas únicas e fixas. Para cada “efeito”, há uma “causa”, e cada “causa” tem um “efeito”. A representação na letra B indica explicações de natureza multicausal, admitindo várias “causas” para um único “efeito”. Nessa representação, é possível ainda verificar que é mantida uma concepção simplista e fixa sobre as relações de determinação. Na letra C, é identificado um “encadeamento causal”, no qual algo que é “efeito de uma causa” passa a ser “causa de um outro efeito”. Esse encadeamento pode acontecer muitas vezes e, estas desdobrarem-se em várias “cadeias de causalidade”. Nessa etapa do desenvolvimento do conhecimento científico caracterizado por concepção como essa, a noção de “causa” ou de “efeito” é relativa e depende do “papel” ou “função” que um determinado fenômeno ou evento (acontecimento) tem em relação a outro fenômeno ou evento (Tosi, 2005). Na letra D, aparece uma representação gráfica que integra as concepções anteriores, em que tudo pode ser “causa” e tudo pode ser “efeito”, dependendo do momento ou da relação nos quais ocorrem essas interações ou dependendo do evento em relação ao qual há interesse de exame. Surge a noção de instabilidade e de determinismo probabilístico. Na letra E, mostra-se que, a partir das “relações de determinação” e do “determinismo probabilístico”, o que passa a ser considerado são os eventos (acontecimentos que não são fixos estão sempre variando em algum aspecto ou grau). Essa concepção possibilita

examinar os fenômenos a partir de um determinado ponto da rede de relações de determinação, o que significa ao profissional (psicólogo) ter condições de selecionar partes definidas do conjunto de relações, detalhando o que for necessário até o âmbito de interesse do estudo ou da intervenção, aumentando, assim, a probabilidade de planejar procedimentos de intervenção ou de “investigação” que sejam eficazes.

C A U SA 2 C A U SA 3 C A U SA 4 C A U SA 1 EFEITO C A U SA 5 C A U SA 6 C A U SA 7 EFEITO 4 C A U SA 5 C A U SA 6 E FEITO 3 C A U SA 3 E FEITO 2 C A U SA 4 EFEITO 1 C A U SA 2 C A U SA 1 C A U SA 4 C A U SA 3 E FE ITO C A U SA 2 C A U SA 1 E FEITO C A U SA E VEN TO 1 EV EN TO 7 E VEN TO 3 E VEN TO 5 EVE N TO 8 EV EN TO 2 EV EN TO 6 EV EN TO 4 A B C D E

Esquema 2: Representação de cinco maneiras de entender as relações de determinação dos fenômenos na natureza

Fonte: adaptado de Botomé e Rosenburg (1981), Botomé e Santos (1984) e Rebelatto e Botomé (1999, p. 239).

No Esquema 2 são mostradas a complexidade envolvida no exame dos fenômenos e a necessidade de ser considerada, para orientar o trabalho dos profissionais, visto que, dependendo do nível de entendimento das relações de determinação dos fenômenos na natureza, poderão surgir problemas quanto ao direcionamento das análises ou intervenções profissionais. De acordo com Kubo e Botomé (2001b, p. 108), a percepção da “saúde” como um fenômeno multideterminado aumenta a visibilidade das inter-relações entre as diferentes variáveis, facilitando o trabalho multiprofissional, e proporciona maior clareza sobre o tipo de atuação a ser apresentada. Dessa maneira, com base na concepção sobre os eventos na natureza apresentada no painel “E” do Esquema 2, é necessário compreender o fenômeno saúde de acordo com o entendimento de que as condições de saúde do trabalhador sofrem variações em diferentes graus e é multideterminada. Compreender esse fenômeno tomando-se por base diferentes níveis de complexidade de um evento e das relações de determinação destes na natureza aumenta a probabilidade de se entender e lidar melhor com as variáveis que compõem as situações de trabalho as quais determinam as condições de saúde dos trabalhadores e tornar conhecidos os comportamentos intermediários da classe geral “caracterizar necessidades de intervenção na relação entre condições de saúde do trabalhador e as situações em que ele trabalha”. Ao buscar identificar os comportamentos, é necessário compreender o processo de trabalhar e suas condições como variáveis importantes que podem determinar em diferentes graus as condições de saúde dos trabalhadores.

1.4 O processo de trabalhar e sua relação com as condições de

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