Por diversas vezes, na fase de preparação para a construção da análise dos dados, verificamos a importância de que o formato de um metatexto que se pretenda compor o Estado da Arte sobre a produção escrita em Educação e Educação Matemática com o olhar sobre a EJA deveria aproximar-se a de um mosaico.
O mosaico é a arte de pavimentar caminhos em que as pedras vão sendo encaixadas, formando belos desenhos, e, por isso, proporciona uma facilitação do caminhar ao mesmo tempo em que pode tornar esse caminhar mais prazeroso e convidativo. Sob esse entendimento, o capturamos metaforicamente para a arte da construção do metatexto, em que a pavimentação do caminho foi a própria construção do metatexto, e as pedras utilizadas para a pavimentação foram os conhecimentos obtidos das leituras e releituras dos textos selecionados. Nessa “pavimentação”, pretendíamos construir um caminho que, além de refletir os conteúdos das produções analisadas, também promovesse novas descobertas. Daí a nossa valorização
do momento de emergência das ideias dos textos e a busca por relações entre elas e as de outros textos e a opção pela utilização dos mapas conceituais.
Em um processo bastante denso e demorado, em que os resultados por vezes pareceram obscuros e inatingíveis, optamos pela elaboração de Mapas Conceituais como forma de proporcionar uma melhor emergência dos conhecimentos provenientes das leituras dos textos. Para esse processo de impregnação e apropriação das ideias e conceitos apresentados nas produções, optamos pela elaboração de um Mapa Conceitual para cada um dos artigos selecionados56. Posteriormente, elaboramos Mapas Conceituais
gerais, aglutinadores de conhecimentos, sobre cada um dos temas de estudo (“Formação/Atuação do Professor/Alfabetizador da EJA”, “Práticas Pedagógicas na EJA”, “Currículo da EJA” e “Avaliação da EJA”), de tal forma que as principais ideias de cada uma das produções destacadas nos temas pudessem ser destacadas, e quando possível relacionadas às ideias dos outros artigos, gerando um melhor entendimento das produções em conjunto. Nesse mosaico, buscamos apresentar possíveis elos entre as produções, assim como pontos de tensão e discordância.
Para Moreira (2006, 2011), Mapas Conceituais (ou Mapas de Conceitos) são diagramas57 que indicam relações entre conceitos, ideias ou entre palavras que podemos utilizar para representar conceitos e ideias a respeito de um tema analisado, sem que esses conceitos sejam classificados, mas que possam ser relacionados (ou hierarquizados) com outros conceitos contidos no próprio texto. Não obrigatoriamente apresentam sequência, temporalidade, direcionalidade ou hierarquia de poder, por isso se diferenciam de organogramas ou diagramas de fluxo. Eles se diferenciam dos Mapas Mentais,
56 Para o desenvolvimento dessa atividade foi utilizado o software CMAP TOOLS, elaborado pelo
Institute for Human and Machine Cognition (IHMC). De acordo com as informações apresentadas na página do IHMC na internet, o instituto desenvolve pesquisa sem fins lucrativos do Sistema de Universidades da Flórida, visando primordialmente “estender as capacidades humanas”. As pesquisas são conduzidas pelo IHMC em um modelo interdisciplinar; por isso, dele participam psicólogos cognitivos, neurocientistas, médicos, matemáticos, filósofos, entre outros especialistas. O Software é distribuído gratuitamente na internet no endereço: <http://www.ihmc.us/about.php>. Acesso em 11/02/2012.
57A utilização de figuras geométricas (retângulos, círculos, elipses etc) na elaboração de um Mapa
Conceitual é opcional, embora possam estar vinculadas a determinadas regras colocadas pelo próprio desenvolvedor, tais como a utilização de elipses para a apresentação de conceitos mais amplos, e retângulos para a apresentação de conceitos menos abrangentes. Da mesma forma, são irrelevantes o comprimento e a forma das linhas e/ou setas que ligam os conceitos. Mas, o fato de dois conceitos estarem ligados por uma linha significará uma determinada relação entre eles. A utilização de palavras- chave sobre a linha que une dois conceitos pode servir para explicitar a natureza dessa relação.
que são associacionistas e não se ocupam de relações entre conceitos e partem de um único centro, a partir do qual são irradiadas as informações relacionadas a esse foco central. Importante destacar que, mesmo com a utilização dos artifícios de figura, linhas, setas e palavras-chave, o Mapa Conceitual não se torna auto-explicativo. Como observa Moreira (2011), “Mapas Conceituais devem ser explicados por quem os faz; ao explicá-los, a pessoa externaliza significados” (p.2), e aí reside o maior valor de um Mapa Conceitual: permitir que quem o elaborou apresente seu entendimento e avaliação a respeito de um documento, um texto ou uma aula.
A construção de Mapas Conceituais como estruturas esquemáticas para representar conceitos imersos em uma rede de proposições como forma de estruturar o conhecimento é uma técnica desenvolvida na década de 1970 pelos professores Novak e Gowin e seus colaboradores, tendo por base a Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel (MOREIRA, 2006, 2011; TAVARES, 2007). Foram idealizados como instrumentos facilitadores da meta-aprendizagem, oportunizando ao estudante aprender a aprender e ao especialista tornar mais claras as conexões percebidas entre os conceitos de um determinado tema, pois, durante uma pesquisa, podem melhorar a acessibilidade e usabilidade materiais por meio de suas marcas visuais/espaciais que podem guiar uma seleção ou categorização.
De acordo com Tavares (2007), existe a comprovação empírica sobre a eficiência de buscas, onde se comprovou que os interessados localizaram mais informações quando elas foram apresentadas em forma de Mapas Conceituais, ao invés de textos. Os Mapas apresentam uma visão idiossincrática do autor sobre a realidade a que se refere, sua visão aprofundada sobre um tema, no exercício de sua capacidade de perceber generalidades e peculiaridades desse tema em análise. Nesse sentido, é possível a construção de uma hierarquia conceitual “iniciando de características mais inclusivas para as mais específicas, tornando clara a diferenciação progressiva, um dos conceitos chave de da teoria de Ausubel” (p.85).
C
APÍTULO 3
A ANÁLISE
Neste capítulo apresentamos o resultado das análises dos artigos relacionados à Educação e à Educação Matemática em EJA, selecionados dos periódicos constantes da listagem Qualis (CAPES-MEC), publicados no período de 2000 a 2010, organizados em quatro temas: “Formação/Atuação do Professor/Alfabetizador da EJA”, “Práticas Pedagógicas na EJA”, “Currículo da EJA” e “Avaliação da EJA”. Conforme descrições apresentadas no capítulo anterior, ao selecionarmos os artigos, optamos por organizá-los em dois grupos: Grupo 1) produções que apresentam o imbricamento entre a Educação Matemática e a EJA, e Grupo 2) produções que apresentam análises em Educação para jovens e adultos sem o foco direto em matemática.