A partir dessa apresentação mais geral da importância da região no cenário nacional e estadual, é preciso um estudo mais detalhado da estrutura produtiva do conjunto de municípios que compõem
a Aglomeração Urbana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Primeiramente, apresenta-se os dados correspondentes à composição setorial do Valor Adicionado Bruto (VAB), que expressa qual é a participação no VAB de cada setor de atividade econômica no VAB total. A importância desses dados relaciona-se ao fato deles permitirem indicativos do grau de complexidade da estrutura produtiva municipal. Quanto maior a participação das atividades primárias, ligadas à agropecuária, embora se saiba que há presença de uma agricultura moderna na região, menos complexa e diversificada é a estrutura produtiva municipal, havendo um maior comando do setor agropecuário sobre os demais setores de atividade. Por outro lado, a ampliação da presença do setor secundário revela que as atividades industriais podem estar em processo de expansão e podem causar uma modificação, no sentido de maior complexidade, da estrutura produtiva. Contudo, por outro lado, nem sempre pode-se afirmar que a presença significativa da atividade secundária revela elevado grau de complexidade da estrutura produtiva, como veremos para alguns municípios da Aglomeração Urbana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Além disso, mudanças na composição setorial do VAB levam, também, a modificações na estrutura ocupacional.
A Tabela 4 permite uma comparação da estrutura produtiva do TMAP e das microrregiões que a compõem com a estrutura produtiva do país e do estado de Minas Gerais. A primeira observação a se fazer consiste na importância do setor agropecuário para a região. Embora para a referida Aglomeração Urbana como um todo a participação da agropecuária na composição setorial do VAB seja superior à participação do mesmo setor no VAB nacional e estadual, esse setor perde participação entre os anos de 2000 e 2010 em contrapartida a uma elevação na participação do setor de serviços. A participação do setor industrial, para a Aglomeração Urbana em análise, embora tenha sofrido pequenas oscilações na década, se mantém estável em 2010 em comparação ao ano de 2000.
Tabela 4. Composição setorial do VAB – Brasil, Minas Gerais, Aglomeração Urbana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Microrregiões, 2000, 2006, 2009 e 2010. Anos Setores Econômicos Brasil Minas Gerais Aglomeração Urbana do T riângulo Mineiro e Alto P aranaíba Microrregiões
Ituiutaba Uberlândia Futal Uberaba Patrocínio
Patos de Minas Araxá 2000 Agricultura 5,6 10,5 18,3 19,5 9,8 31,9 13,6 39,2 28,5 23,6 Indústria 27,7 31,5 30,9 29,7 32,5 36,7 33,5 10,3 16,3 40,4 Serviços 66,7 58,0 50,8 50,9 57,7 31,5 53,0 50,5 55,2 36,1 2006 Agricultura 5,5 8,4 15,0 19,3 6,6 21,8 14,8 33,5 25,0 23,1 Indústria 28,8 31,8 31,8 19,1 36,3 43,1 32,3 10,0 13,2 35,6 Serviços 65,8 59,8 53,2 61,6 57,1 35,1 52,9 56,6 61,7 41,4 2009 Agricultura 5,6 9,0 16,6 17,6 7,8 26,1 13,0 36,0 27,8 27,8 Indústria 26,8 30,1 29,1 17,6 31,2 37,2 34,2 10,6 13,6 35,1 Serviços 67,5 61,0 54,2 64,7 61,0 36,7 52,8 53,4 58,6 37,1 2010 Agricultura 5,3 8,5 16,7 18,5 7,5 27,7 14,6 36,3 26,1 23,7 Indústria 28,1 33,6 30,5 18,2 33,7 35,8 33,5 11,1 14,5 39,6 Serviços 66,6 57,9 52,8 63,3 58,7 36,5 51,9 52,7 59,4 36,8 Fonte: IBGE (2014).
A participação do setor industrial na estrutura produtiva do TMAP é superior à média nacional, mas isso não significa que se trata de uma região que apresente grande concentração industrial e indústria de ponta. Os ramos industriais presentes na região estão ligados, predominantemente, à atividade agroindustrial, com destaque para indústria de alimentos, açúcar e álcool, sementes e fumo (esse último ramo em Uberlândia), além de outros ramos produtores de bens de consumo não duráveis.
Interessante notar, na Tabela 4, que as composições setoriais do VAB das microrregiões que compõem o TMAP são bastante diferentes entre si.
A Microrregião de Patrocínio consiste naquela que apresenta maior peso do setor agropecuário e menor peso do setor industrial, revelando uma baixa diversificação da estrutura produtiva da microrregião.
Entre os municípios que compõem a microrregião, em Romaria cerca de 66,8% do VAB provinham de atividades agropecuárias em 2010, com participação de apenas 4,4% da indústria. Outros municípios que apresentam participação do setor agropecuário superior à média da microrregião são Abadia dos Dourados, Coromandel, Cruzeiro das Fortalezas, Douradoquara, Estrela do Sul e Serra do Salitre. Uma análise do conjunto da Microrregião mostra que há uma pequena perda de participação do setor agropecuário entre 2000 e 2010, que se dá em contrapartida a uma pequena elevação do setor industrial (menos de um ponto percentual) e um ganho um pouco mais expressivo para o setor de serviços (pouco mais de dois pontos percentuais).
A microrregião de Frutal tem uma estrutura produtiva diferenciada em comparação às demais microrregiões, com participações muito próximas dos três grandes setores na sua estrutura produtiva. Entretanto, essa informação, ao se referir à média da microrregião, esconde algumas especificidades. Apenas três municípios da microrregião apresentavam em 2010 uma participação do setor agropecuário inferior à média da microrregião, sendo eles Fronteira com a pequena participação de 3,7% do setor agropecuário na composição setorial do VAB, Iturama (20,8%) e Planura (12,3%).
Esses municípios interferiram na redução da média da microrregião, visto que dentre os municípios que compõem essa microrregião, alguns apresentam uma estrutura produtiva bastante dependente da produção primária, com participações elevadas do setor agropecuário: Carneirinho (40,3%), Comendador Gomes (72,9%), Itapagipe (37,8%), Limeira do Oeste (49,1%), Pirajuba (36%), São Francisco de Sales (61,4%), União de Minas (70,2%). Tratam-se de municípios com pequeno grau de diversificação de suas estruturas produtivas. Os municípios de Iturama e Frutal são os que apresentam maior diversificação de suas estruturas produtivas. O município de Fronteira apresentou, na última década, importante incremento populacional, cuja população total passou de 9.024 para 14.041 pessoas entre 2000 e 2010, sendo que neste mesmo período a taxa de urbanização do município passou de 76,75% para 96,23% e a importância do setor agropecuário no VAB municipal caiu de 8,6% em 2000 para 3,7% em 2010.
A terceira microrregião que apresenta grande peso do setor agropecuário na composição setorial do VAB consiste na microrregião de Patos de Minas. Entre 2000 e 2010 essa microrregião apresentou uma pequena queda de participação desse setor com perda também da indústria e ganho do setor de serviços. Arapuá sofreu grande queda de participação do setor agropecuário na composição setorial, passando de 54,2% em 2000 para 23% em 2010. Os municípios de Tiros e Rio Paranaíba possuem mais de 50% do VAB proveniente da produção agropecuária, mostrando uma baixa diversificação de sua base econômica. Os municípios que apresentam uma estrutura produtiva diferenciada em relação aos demais municípios da microrregião são Patos de Minas e São Gotardo, com baixa participação de agropecuária e indústria e uma participação de serviços bastante elevada, que se aproxima da participação de serviços na estrutura produtiva nacional.
Os dados referentes a microrregião de Araxá apresentam uma composição setorial parecida com a de Frutal, com destaque para uma elevada participação da indústria. Entretanto, os ramos de atividade dos três setores que se destacam nas duas microrregiões são distintos. Os municípios que elevam a participação da indústria na composição setorial dessa microrregião são Araxá, Nova Ponte e Tapira. Por outro lado, nessa microrregião estão localizados municípios que possuem uma base produtiva com grande força da agropecuária, com o setor agropecuário correspondendo a mais de 50% do VAB, tais como Campos Altos, Pedrinópolis, Perdizes, Pratinha.
As microrregiões de Ituiutaba, Uberlândia e Uberaba são as que apresentam maior complexidade de suas estruturas produtivas. Entretanto, dentre essas três microrregiões, a de Ituiutaba apresentou perda de participação da indústria na composição setorial do VAB. Os municípios que contribuíram para essa pequena queda de participação do setor industrial foram Gurinhatã, Ipiaçu e Ituiutaba. Vale a pena destacar o comportamento dos dados desse último município: entre 2000 e 2010 a participação da agropecuária teve uma pequena queda de dois pontos percentuais na composição setorial do VAB, ao passo que a indústria apresentou queda de dezessete pontos percentuais nesse mesmo indicador. Por outro lado, o setor de serviços foi o que mais cresceu, com
ganhos de dezoito pontos percentuais no mesmo período, perfazendo 72,1% do VAB em 2010.
A microrregião de Uberaba também figura entre aquelas com maior diversificação de suas estruturas produtivas, sendo que Uberaba consiste no município que apresenta maior diversificação econômica, com apenas cerca 8,9% do VAB correspondente à atividade agropecuária, sabendo- se, também, que nesse município há uma agropecuária moderna. Seu setor industrial corresponde a 34,5% do VAB e o setor de serviços por 56,6%. Alguns municípios se distanciam bastante dos dados médios da microrregião, com o setor agropecuário perfazendo mais de 50% do VAB, tais como Água Comprida (73,1), Conquista (55,3%) e Veríssimo (56,8%). Destaque tem que ser dado à modificação da estrutura produtiva de Delta, que apresentou perda de importância do setor agropecuário cuja participação no VAB caiu de 23,1% para 6,8% entre 2000 e 2010, com correspondente ganho de participação do setor industrial que passou de 37,6% para 59,3%.
Por fim, a microrregião de Uberlândia é a que apresenta maior diversificação e complexidade e uma estrutura que mais se aproxima das estruturas nacional e estadual. Em termos relativos, na última década a microrregião apresentou queda na participação do setor agropecuário no VAB, com ganhos para indústria e setor de serviços. Nessa microrregião todos os municípios apresentaram a mesma tendência de queda de participação do setor agropecuário no VAB e apenas Monte Alegre de Minas apresentava uma participação do setor agropecuário superior a 50% do VAB. Por outro lado, percebe-se que outros municípios possuem uma vocação agrícola bem definida, com mais de 40% do VAB correspondente ao setor agropecuário, tais como Canápolis, Cascalho Rico, Centralina e Prata. Uberlândia consiste no município polo da região e apresentava, em 2010, uma pequena participação da agricultura no VAB, cerca de 3%, à medida que participação da indústria e dos serviços eram de, respectivamente, 31,2% e 65,8%.
Embora com uma estrutura produtiva com grande peso do setor agropecuário, a Aglomeração Urbana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba possui uma agricultura e uma pecuária moderna e produtiva
e grande parte de sua indústria e do setor de serviços possui dinamismo decorrente dos efeitos desencadeados pelo setor primário.
4. Características Gerais da Indústria de Transformação Regional