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O guia eleitoral de Geraldo Júlio é o que possui maior duração dentro do horário reservado à propaganda política obrigatória, doze minutos e trinta e cinco segundos, de um total de vinte minutos reservado na programação das emissoras de televisão. Por causa disso, seus programas podem explorar de forma diversificada os recursos audiovisuais, há uma predominância de cenas externas, principalmente em locais públicos da cidade – parques, praças, calçadão a beira mar – bem como áreas que receberam ações de Geraldo Júlio enquanto secretário do Governo do Estado – como o Porto de Suape e os Hospitais Metropolitanos. As cenas internas em estúdio são basicamente para as falas do apresentador e os depoimentos de seus apoiadores políticos. O apresentador em questão também é uma peça chave, dada as dificuldades iniciais do candidato de se sentir à vontade em vídeo, ele faz a conexão entre os assuntos tratados em cada programa dando fluidez ao guia, além de ser alguém familiar a maioria dos telespectadores recifenses – Evaristo Filho, ex-apresentador do NETV 1ª edição, jornal local da Rede Globo.

Os programas se mostram dinâmicos alternando quadros em que o candidato ou o apresentador falam diretamente à câmera, com outros que são montagens de diferentes cenas com falas de diversas pessoas, como os quadros que mostram os diversos avanços de Pernambuco, em vídeo, e os depoimentos das pessoas beneficiadas, em áudio. Assim, cada quadro tem em média dois minutos de duração. Também se deve salientar que geralmente há uma música de fundo reforçando a mensagem transmitida, com seu ritmo construído de acordo com o teor dos conteúdos – por exemplo, o currículo de Geraldo Júlio é mostrado como alguém que tem uma carreira ascendente, logo escuta-se ao fundo uma melodia que lembra uma marcha. Ainda nesta ceara, todos os programas analisados trazem um clip de algum dos jingles, seja o “Geraldo Prefeito”, com cenas de campanha e do cotidiano da cidade em vídeo, ou o “Um Novo Recife” cantado por artistas locais. Aliás, majoritariamente o conteúdo musical presente nos programas são jingles ou variações construídas em cima destes.

Os primeiros programas analisados – os de número um e dois – tem por objetivo apresentar o candidato ao eleitor/telespectador, por isso focam-se em mostrar sua origem política, ressaltando seu histórico de realizações no âmbito estadual, e seu currículo como um

todo, além de sua família – por sinal somente no primeiro e no último programa, dentre os analisados, o aspecto familiar vai aparecer com alguma força – e, principalmente, o apoio do Governador Eduardo Campos. Este apoio, por sinal, vai ser reforçado ao longo de todos os programas, somente nos de número oito e dezessete Eduardo não vai aparecer de forma direta, mas sempre é lembrado que Geraldo tem seu apoio. Nestes dois programas iniciais isto aparece de forma mais forte, já que é quando começa a se construir esta relação, ao ponto de o programa dois – e o mesmo ocorre no programa três – ser aberto por uma fala de Eduardo e no primeiro programa haver três momentos em que ele aparece manifestando explicitamente seu apoio ao candidato. Assim, estes programas iniciais vão começar a construir o cenário eleitoral, trabalhando o contexto de surgimento da candidatura – o abandono da cidade e seu descompasso em relação ao estado, privilegiando falas dos próprios recifenses sobre a situação – e plantando a ideia de Geraldo Júlio como o melhor para resolver este cenário, pelo apoio recebido do Governador, suas realizações em Pernambuco e seu jeito de trabalhar: é o discurso da meritocracia e da competência, núcleo da argumentação para convencimento do eleitor.

Os programas do meio – de número três, sete, oito, treze, quinze e dezessete – são essencialmente propositivos, cada um foca-se num tema e apresenta propostas para tal: saúde, habitação, mobilidade urbana, emprego e segurança, respectivamente, com exceção do programa treze que faz um apanhado geral das propostas até então feitas. De maneira geral, estes programas seguem um padrão, com poucas variações: é citado o bom momento econômico que vive o estado, destacando que Geraldo é corresponsável por isto, junto com o Governador, depois cita-se o atraso que vive o Recife, aí pode-se citar um conjunto de problemas específicos que vai ser o mote da apresentação das propostas para aquele tema, segue-se as propostas em si e por fim depoimentos dos recifenses sobre estas. Neste interim, privilegia-se o uso de animações para explicar as proposições e destacam-se dados quantitativos para demonstrar a eficiência do que é colocado como solução. Também podem ser usados pequenos quadros, com uma linguagem mais emotiva para reforçar a importância do que é dito, como no caso do programa três em que há uma sequência de cenas de mães cuidando de seus filhos ao som de “Noite Feliz”, enquanto uma locutora anuncia que Geraldo vai fazer o primeiro Hospital Municipal da Mulher com maternidade para gravidez de alto risco. Também nestes programas começa a aparecer um quadro, geralmente no final, com cenas de campanha de rua, caminhadas em bairros, comícios e o candidato sendo ovacionado pelos moradores, bem como estes expressando seu apoio a ele em depoimentos à câmera.

Os programas dezenove e vinte, por serem os finais, entram numa linha mais de reforço a tudo que foi dito sobre Geraldo Júlio e tem um tom mais emocional. Ambos terminam em

comícios, o primeiro com o do lançamento do programa de governo e o segundo com o da “Caminhada da Vitória”, falas efusivas de Geraldo e de Eduardo, conclamando a militância a permanecer ativa até o último minuto. Ambos também atribuem ao eleitor um papel importante no crescimento da candidatura, que começou com baixa intenção de votos, colocando-o como o grande responsável por isto, uma vez que escutou, assimilou o discurso e agregou-se à campanha, tornando-se um amplificador desta chamada “onda amarela”. Em específico, o programa dezenove destaca este aspecto aglutinador de Geraldo Júlio, trazendo depoimentos de diversos eleitores que justificam o porquê de seu voto nele, além de falas de apoio de esportistas pernambucanos – em especial de jogadores de futebol dos três maiores times recifenses, Náutico, Sport e Santa Cruz – e também não esquece de elencar o apoio institucional dos deputados federais, estaduais e senadores, que estão em partidos da Frente Popular do Recife. Antes de encerrar, ainda se apresentam dois quadros mais emotivos, um com o significado de quatro anos para crianças e um segundo falando da importância do momento que a cidade vive e da chance que se tem de mudar sua trajetória. Por fim, o programa vinte segue uma linha de esperança, ou seja, a possibilidade de mudança e de melhoria da cidade que a candidatura de Geraldo Júlio representa, com dois quadros que usam de uma linguagem mais poética, além de trazer de novo o elemento familiar, desta vez com sua esposa e filhos falando sobre como foram os meses de campanha. O programa encerra então no comício, seguido pelo jingle “Geraldo Prefeito”, numa fala forte e efusiva, com o candidato agradecendo ao apoio recebido – ele muito mais à vontade na lida com o público, quando comparado às primeiras edições do guia – reforçando o caráter aglutinador de sua candidatura, com propostas feitas escutando a população, e chamando todos a ficarem a ativos até o último minuto.