Maillage de discontinuit´ e
4.3 Impl´ ementation du calcul du maillage de discontinuit´ e
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Figura 1
Tradução de cor entre equipamentos à esquerda, e entre equipamentos e um espaço de cor de conexão à direita (Lacie, 201-)
de tempo e recursos valiosos. Para além dos equi- pamentos, as configurações dos softwares utiliza- dos por clientes, designers e produtores são peças chave para determinar e comunicar corretamente entre todos, os dados técnicos referentes às cores. Aquilo que antes era uma tarefa bem definida e dependente de profissionais com grandes conheci- mentos técnicos e experiência profissional, passou agora a ser uma série de processos automáticos que tentam diminuir drasticamente as variações na reprodução da cor (Sharma, 2004, p. 44). No que diz respeito aos sistemas de gestão da cor, a tendên- cia aponta para uma simplificação dos processos e, acima de tudo, para a produção de forma padroni- zada e por isso, hoje em dia, o controlo da cor não começa apenas na fase da pré-impressão, mas sim no momento da captura ou produção dos ficheiros de imagem. Desta forma, as ferramentas que possi- bilitam o controlo da cor, devem ser utilizadas ainda durante os processos criativos, permitindo que desde logo se definam corretamente os parâme- tros da cor e como esta deve ser comunicada entre todos os intervenientes do fluxo de trabalho.
2. PERFIS DE COR
O setor da comunicação gráfica debate-se com dificuldades na reprodução da cor, que estão essen- cialmente relacionados com a dificuldade em alcan- çar uma precisa, ou pelo menos, boa correspon- dência de cor, entre dispositivos como um monitor e uma impressora. O problema reside na enorme variedade de dispositivos e suportes de impressão que temos ao nosso dispor, o que se traduz numa impraticável quantidade de conversões de cor entre todos os dispositivos, inviabilizando qualquer tenta- tiva de uniformização do processo (ver figura 1). No entanto, os sistemas de gestão da cor propõem uma solução que passa por não efetuar a tradução de cor diretamente entre os dispositivos, mas sim entre estes e um espaço de cor de conexão. Assim, cada dispositivo necessita apenas de se relacionar com este espaço de cor independente, e não com cada um dos dispositivos presentes no fluxo de trabalho. Assim, a tradução dos valores de cor entre diferen- tes plataformas é efetuada mais facilmente, utili- zando os denominados perfis de cor ICC, respon- sáveis por descrever a gama de cor de cada um dos dispositivos. Tecnicamente estes perfis não são mais do que tabelas com os valores de cor que o dispositivo consegue reproduzir (RGB ou CMYK), e as correspondências desses valores no espaço de cor de conexão (CIE XYZ ou CIE L*a*b*). Este espaço
independente não tem por função alterar os valo- res RGB ou CMYK, mas sim interpretá-los e trans- formar o valor da cor num código universal capaz de ser entendido por qualquer sistema de gestão da cor. Da mesma forma, os perfis ICC não alteram o comportamento dos dispositivos, apenas descre- vem como devem estes representar um determina- do valor de cor (Fraser, 2009, p. 84).
Os perfis de cor utilizados podem ser genéricos, produzidos por entidades como a ECI ou a Fogra, que combinam determinadas condições como a tecnologia de impressão e o papel utilizados. Na impossibilidade de uma gráfica criar os perfis ICC para cada um dos equipamentos que possui, esta é uma forma relativamente fácil de utilizar siste- mas de gestão de cor. Assim só teremos de garantir que os equipamentos estão a produzir nas condi- ções indicadas pelas normas específicas. Apesar de todos os equipamentos presentes num determina- do fluxo de trabalho estarem a “falar” entre si sobre cor, eles não “falam” a mesma língua, são equipa- mentos que reproduzem a cor de maneira diferente. Para que a “conversa” tenha algum sentido, é neces- sário utilizar a figura do tradutor ou do conversor, para que todos possam interpretar e representar a mesma cor.
3. INVESTIgAÇÃO
Durante o desenvolvimento desta investigação foi necessário definir as metodologias a utilizar, de forma a podermos alcançar os resultados espe- rados. A escolha recaiu em metodologias mistas, intervencionistas e não intervencionistas, consoan- te a fase em que foram aplicadas, sempre com uma base qualitativa.
Num primeiro momento, a nossa atenção foi foca- da na investigação bibliográfica, que nos permitiu estabelecer o estado da arte dos temas transver- sais à investigação. Após determinar o estado da arte, foi possível então apontar algumas hipóteses que poderiam conduzir às respostas das questões colocadas inicialmente. Entre elas destacamos as seguintes:
• Não existe trabalho cooperativo entre clientes, designers e produtores, prejudicando assim a previ- sibilidade dos resultados;
• Os intervenientes da indústria gráfica ainda não se adaptaram aos novos fluxos de trabalho digitais, dificultando a comunicação dos dados de cor;
• Será possível desenvolver uma ferramenta de apoio que facilite a seleção dos parâmetros de cor, de forma a promover a previsibilidade na reprodu- ção da cor.
Num segundo momento, optamos por proceder à análise de casos de estudo, de forma a conse- guir reunir uma grande quantidade de dados sobre a reprodução da cor, para num terceiro momento, produzir uma ferramenta de apoio que permitis- se colocar à disposição dos profissionais das áreas exploradas, uma nova ferramenta desenvolvida para resolver o problema identificado.
4. CASOS DE ESTUDO
Para compreender melhor de que forma os siste- mas de gestão da cor estão a ser utilizados, duran- te a nossa investigação analisamos diversos estudos de caso. Estes estudos foram selecionados tendo em conta a sua proveniência geográfica, as diferen- tes entidades promotoras, e a análise de diferentes aspetos do mesmo problema.
Neste processo concluímos que os estudos efetua- dos por Riordan (2006) apontam inicialmente para a falta de normas e especificações para a fase entre a criatividade e a execução de uma prova de cor, para depois apresentar os designers como profis- sionais pouco preocupados com os ajustes de cor das aplicações informáticas que utilizam, dando sempre preferência aos parâmetros standard preestabelecidos. Identifica ainda que esta atitu- de se deve ao facto de depositarem a responsa- bilidade dos ajustes finais de cor aos profissionais de pré-impressão e impressão que produzem os seus trabalhos. Mas já no caso de O’Neill (2007, pp. 231-250) chega-se mesmo à conclusão que, quer designers, quer fornecedores de impressão, rara- mente utilizam sistemas de gestão de cor e que os fluxos de trabalho são quase sempre incompa- tíveis, obrigando à realização de tarefas em dupli- cado, aumentando a probabilidade de erro. Martin (2010) confirma alguns destes dados e acrescen- ta que apenas uma pequena percentagem das artes finais chega às gráficas com perfis de cor embuti- dos, e que mesmo quando isso acontece, o forne- cedor de impressão acaba por eliminá-los por não confiar na forma como estes foram criados. Este autor avança mesmo que os atuais sistemas de gestão da cor, apesar de cientificamente corretos, são de tal forma complexos que dificilmente vai ser possível implementá-los de forma adequada. Para resolver esta situação este autor sugere o desen- volvimento de uma aplicação ou software adicional
que ajude na tarefa de comunicar os dados entre os diferentes fluxos de trabalho. Já Willamowski (2010) encontra exatamente as mesmas dificul- dades na comunicação dos dados técnicos da cor e propõe resolver esta situação com a criação de uma plataforma a que dá o nome de agente de media- ção, que seria responsável pela comunicação entre designers e produtores. Apesar de a ideia não ter sido concretizada na prática, teoricamente é uma solução que pode apresentar algumas vantagens, dependendo da complexidade de utilização desse agente mediador. A própria investigadora, no final do seu estudo, afirma que esta solução carece de confirmação, pois é reconhecido que uma platafor- ma deste género pode ter o efeito contrário e, pela sua complexidade ou imperfeita conceção, afastar os utilizadores.
5. PLATAFORMA COLORTRANSLATION
Após a análise dos casos de estudo anteriormente apresentados, questionamos de que forma a nossa investigação poderia ajudar a colmatar os proble- mas detetados. Já durante a análise bibliográfi- ca, tínhamos percebido que vários autores apre- sentavam a falta de comunicação entre os diversos intervenientes no processo gráfico como um dos principais problemas para o não cumprimento das expectativas na reprodução da cor.
Várias poderiam ter sido as abordagens, no entan- to, optamos por tentar construir uma platafor- ma que permitisse a clientes ou designers, ter um apoio concreto no que diz respeito à seleção dos diversos parâmetros de cor nas aplicações infor- máticas. Desta forma podemos começar a gerir a cor logo desde o início e garantir que a comuni- cação dos dados técnicos é feita da melhor forma. Durante a nossa investigação conseguimos perce- ber que existem já diversas entidades preocupa- das com a normalização de processos para garan- tir alguma consistência no tratamento da cor. Entre elas o GWG – Ghent Workgroup, que desenvolve
um conjunto de recomendações e especificações para as áreas da edição e da embalagem, com base na experiência dos profissionais associados. Funda- da em 2002, é reconhecida sobretudo pelas espe- cificações de 2012 que sugerem um conjunto de indicadores que o ficheiro PDF deve conter, depen- dendo do tipo de produto em causa. Estas especifi- cações podem ser obtidas gratuitamente na página de internet da organização, e carregadas na aplica- ção informática que utilizamos para criar o fichei- ro PDF.
Outra ferramenta que os designers podem utilizar antes de efetuarem o envio do ficheiro para produ- ção, é a verificação prévia – Preflight. Apesar de algumas aplicações informáticas já possuírem esta funcionalidade, que verificam se o ficheiro PDF criado apresenta as condições necessárias para produção, a organização ViCG criou um conjunto de perfis próprios para a área gráfica, que permitem a verificação de erros específicos. Esta entidade cede também o acesso gratuito a estas ferramentas que podem ser importadas para as aplicações da Adobe, nomeadamente o InDesign.
Apesar de já ser possível obter especificações para a criação e a verificação prévia dos ficheiros PDF, detetamos que não existia nenhuma entidade que sugerisse ou desenvolvesse a correta configuração dos parâmetros de cor dos softwares de edição de imagem, desenho vetorial ou paginação. A confi- guração destas definições de cor permite tornar o aspeto da cor estável ao longo do processo criativo e pode depois servir para comunicar corretamente os dados da cor aos processos produtivos seguintes. Já no caso de estudo apresentado, Riordam refe- ria que os designers não prestavam atenção a estes parâmetros e por isso pareceu-nos importante poder criar uma plataforma onde possamos descar- regar este tipo de informação. Assim decidimos criar uma ferramenta onde, para além das prede- finições PDF do GWG e dos perfis de verificação prévia do ViCG, fosse possível descarregar as defi- nições de cor criadas por nós com base nas normas ISO em vigor para este sector.
Durante as primeiras fases da investigação, várias vezes nos deparamos com descrições de diver- sos autores para explicar como atuava um sistema de gestão da cor ou um perfil de cor. Os exemplos mais apresentados eram a comparação do perfil de cor com um dicionário ou com um conversor de moeda (Johansson et al., p. 127) e daí surgiu a ideia de nomear a nossa plataforma de ColorTrans- lation. Durante o processo de criação foi necessá- rio desenvolver de raiz as definições de cor, compi-
Figura 2
Configuração geral da aplicação desenvolvida.
lar as predefinições PDF e as de verificação prévia, determinar de que forma o utilizador poderia sele- cionar essa informação e descarregar os ficheiros necessários. A avaliação e validação da ferramen- ta desenvolvida foi efetuada por um conjunto de especialistas de reconhecido mérito nas áreas do design, produção gráfica, gestão de cor, normaliza- ção e fluxos de trabalho digitais. De forma gené- rica os resultados obtidos foram muito satisfató- rios e grande parte das sugestões apresentadas foram rapidamente implementadas. A plataforma está já disponível gratuitamente no endereço www. colortranslation.ipt.pt, e pretende-se que seja uma ferramenta em constante evolução.
6. CONCLUSõES
Após os dois momentos metodológicos desenvol- vidos ao longo desta investigação, era necessá- rio agir de forma a poder apresentar uma solução para os problemas identificados. Por um lado, era necessário tornar mais simples e acessível a infor- mação técnica que já está disponível de uma forma dispersa, e por outro pretendíamos também contri- buir com uma solução mais integrada que pudes- se ajudar o designer a tomar decisões no que diz respeito à forma como deve comunicar os dados da cor. A análise de casos de estudo demonstrou que a grande maioria dos designers não atribui grande importância às definições de cor, apesar de desem- penharem um papel central na forma como a infor- mação é depois transmitida para a produção. Para melhorar esta situação, desenvolvemos uma plataforma onde conseguimos juntar a informa- ção dispersa, nomeadamente a que diz respei- to às predefinições do PDF e da verificação prévia dos ficheiros, e disponibilizamos as definições de cor preferenciais para determinadas condições de produção. Através desta ferramenta, o utili- zador pode selecionar um conjunto de requisitos consoante o tipo de trabalho que vai produzir e, no final, obtém um conjunto de ficheiros que poderá ser carregado no seu software para atualizar todas as definições de cor.
Podemos assim concluir que é possível desenvol- ver ferramentas que apoiem a tomada de decisão dos designers, nomeadamente no que diz respeito às opções de comunicação dos dados técnicos da cor, contribuindo assim de forma significativa para a promoção da previsibilidade na reprodução da cor, confirmando as hipóteses por nós estabelecidas.
REFERêNCIAS BIBLIOgRáFICAS
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Lacie (201-). Color Management White Paper 4: The Basics on ICC Color Management Syste- ms. Disponível em www.lacie.com/download/ whitepaper/wp_colormanagement_3_en.pdf Martin, D.; O’Neill, J.; Colombino, T.; Roulland, F.; Willamowski, J. (2010). Color, It’s just a constant problema: an examination of practice, infrastructu- re and workflow in color printing. Grenoble: Xerox Research Centre Europe.
O’Neill, J.; Martin, D.; Colombino, T.; Watts-Perotti, J.; Sprague, M. A.; Woolfe, G. (2007). Asymmetrical collaboration in print shop-customer relationships. London: Springer-Verlag.
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Willamowski, J.; Roulland, F.; Martin, D. (2010). Supporting ‘good enough’ colour reproduction in non colour managed workflows. In Proceedings of the CGIV 2010/ MCS’10 5th European Conference on Colour in Graphics, Imaging, and Vision and 12th International Symposium on Multispectral Colour Science, volume 5.
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PARA REFERENCIAR ESTE CAPÍTULO / TO REFERENCE THIS CHAPTER:
Brandão, D.; Martins, N.; Teixeira, P.; Ferreira, A. (2017). Marca Mutante, Dinâmica e Viva - A Metamorfose na Identidade Visual da Rádio Manobras. Em D. Raposo, J.Neves, J.Pinho & J.Silva, Investigação e Ensino em Design e Música (135-140). Castelo Branco: Edições IPCB. Retrieved from journal URL: http://convergencias.ipcb.pt