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O vendedor ou fornecedor é o canal através do qual a biblioteca pode comprar livros eletrônicos. Mas esse processo pode ser muito diferente da compra tradicional dos livros impressos, conforme já observado pela American Library Association (2012), pois nem todos os vendedores de livros eletrônicos aceitam vender para bibliotecas com medo da ampla divulgação e da pirataria que podem advir da disponibilização desse material em bibliotecas. As editoras Simon & Schuster, Macmillan e Penguin, que junto com as editoras Hachette, HarperCollins e Random House fazem parte do grupo das seis editoras mais importantes dos Estados Unidos (Big Six), já se recusaram em algum momento a vender livros eletrônicos para bibliotecas (IFLA, 2014).

Com esse novo mercado surgem também novos termos, como agregador; ou novos significados para termos já existentes, como distribuidor. É importante destacar que apesar de agregador e distribuidor terem assumido significados diferentes, fornecedor e vendedor são comumente utilizados como sinônimos nos textos.

Apesar de ser um termo amplamente utilizado na literatura, não foi encontrada uma definição para o termo plataforma. Entretanto, a partir das leituras realizadas foi possível deduzir que uma plataforma de livros eletrônicos é o conjunto de soluções tecnológicas, que inclui a página da Internet, sua base de dados e tudo o que a acompanha, através da qual o vendedor oferece acesso ao material comprado.

As plataformas podem ser descritas e identificadas por algumas características: mercado de bibliotecas, tipo de plataforma, tipos de livros, assunto principal e modelos de negócios (RONCEVIC, 2013). Essas características foram utilizadas para identificar as plataformas apresentadas no artigo de Roncevic (2013).

Ao decidir pela compra de livros eletrônicos é importante ponderar como ela será feita, se diretamente de uma editora ou por meio de um agregador ou distribuidor. Essa decisão é

importante já que posteriormente ela irá afetar como se dará o acesso dos usuários aos livros comprados, considerando que cada vendedor pode oferecer o acesso de uma maneira diferente.

Usar o mesmo fornecedor para a compra de livros impressos e eletrônicos pode trazer vantagens ao simplificar a administração dos pedidos, mas devido a limitações no conteúdo disponível para compra, talvez seja necessário trabalhar com vários fornecedores. Se um título em formato eletrônico ou se o conteúdo de uma determinada editora está disponível através de um único vendedor, esse pode ser um fator de decisão na escolha do fornecedor. Alguns livros eletrônicos podem estar disponíveis apenas por meio de agregadores, enquanto outros podem ser encontrados tanto com agregadores quanto na editora. É comum encontrar um livro eletrônico disponível para compra individual em um agregador e também integrando um pacote de uma editora. A situação se torna ainda mais complicada porque algumas empresas trabalham tanto como vendedoras de livros impressos quanto como agregadoras que fornecem livros eletrônicos, por exemplo. Mas devido às limitações de fornecimento dos agregadores, é possível que uma empresa venda o livro impresso, mas não tenha os direitos para vender a versão eletrônica do mesmo livro (GRIGSON, 2011, p. 7, tradução nossa).

No artigo de Grigson (2011) é possível encontrar muitas sugestões que podem ajudar no momento da escolha entre um vendedor e outro. A autora enumera os fatores que devem ser considerados na escolha de um novo vendedor para analisar o conteúdo que ele disponibiliza, para descobrir sobre a disponibilização de novos títulos e para analisar a qualidade do serviço oferecido. Ela também analisa os modelos de negócios de maneira didática, comparando a escolha entre títulos individuais ou pacotes, acesso perpétuo ou assinatura e número ilimitado de usos por ano ou número ilimitado de usuários simultâneos.

Roncevic (2013) destaca que nem sempre as diferenças entre editoras, agregadores e distribuidores são claras no mercado de livros eletrônicos. Alguns agregadores atuam também como editoras e distribuidores, enquanto algumas editoras optam por distribuir seus próprios livros eletrônicos e também os tornam amplamente disponíveis em outras plataformas. Devido a essa troca de papéis, os bibliotecários devem estar atentos para evitarem confusão e sobreposição de conteúdo.

2.6.1.1 Editora

Com o surgimento do mercado de livros eletrônicos algumas editoras que já trabalhavam com livros impressos decidiram participar também desse mercado. Assim como acontece com a compra por meio de agregadores e distribuidores, a compra feita diretamente com as editoras possui características próprias. Normalmente as editoras vendem livros agrupados em coleções e oferecem grandes descontos, se comparados com a versão impressa.

A maioria dos livros eletrônicos disponíveis para compra é protegida por Digital Rights

Management (DRM), que é um software que restringe o que o usuário pode fazer com o arquivo

(como por exemplo, copiar ou imprimir) e que pode eliminar o acesso ao arquivo que contém o livro depois de um período determinado (DOUCETTE; LEWONTIN, 2012). O DRM das editoras pode ser mais aberto que o dos agregadores já que a própria editora monitora a atividade diretamente e pode identificar tentativas de pirataria com rapidez. As editoras se sentem mais seguras se as bibliotecas assinam um pacote de conteúdo completo. Algumas editoras, entretanto, não podem ou não querem vender títulos individuais para bibliotecas. Elas não oferecem planos de aprovação e a qualidade dos registros MARC varia muito de uma editora para outra (MORRIS; SIBERT, 2011).

Uma das vantagens para a biblioteca que compra diretamente da editora é a eliminação dos intermediários no processo de aquisição, o que economiza tempo e dinheiro. Além disso, as editoras são normalmente mais abertas a negociações do que os grandes agregadores e negociam com os bibliotecários para atender às suas necessidades específicas (RONCEVIC, 2013).

Algumas editoras grandes possuem suas próprias plataformas tecnológicas e vendem diretamente para bibliotecas, mas a desvantagem é que cada editora costuma oferecer apenas seus próprios títulos (GRIGSON, 2011). Isso é inconveniente quando comparado a agregadores e distribuidores que podem reunir o material de várias editoras, facilitando tanto a compra quanto o acesso aos livros por meio de uma única plataforma de informática.

As plataformas das editoras possuem uma aparência mais harmônica e são equipadas com melhorias como manutenção feita por editores e outros membros da equipe que conhecem o conteúdo. Suas plataformas, segundo Roncevic (2013), também podem apresentar conteúdos que não estão disponíveis nas versões dos livros oferecidas pelos agregadores, como funções multimídia.

Trabalhar simultaneamente com várias editoras é outra desvantagem, pois significa que há a coexistência de vários acordos, o que exige certo malabarismo e agilidade para lidar com negócios. Além disso, conforme bem observado por Roncevic (2013), aumenta o trabalho, já que bibliotecários e usuários precisam receber treinamento cada vez que uma nova plataforma de editora é contratada – infelizmente, ainda não existe um mínimo de padronização das interfaces desses sistemas.

Um bom lugar para começar a procurar por livros eletrônicos é com a mesma editora com a qual a biblioteca já está acostumada a comprar livros impressos. Muitas editoras possuem coleções de livros digitais organizadas por assunto. Os sites das editoras contêm as informações

mais completas com listas de livros eletrônicos organizadas por assunto. Recomenda-se manter contato frequente com representantes de editoras, já que eles são muitas vezes a melhor fonte de informações sobre publicações a serem lançadas e a única fonte de preço institucional (DOUCETTE; LEWONTIN, 2012).

Seguem os nomes de algumas editoras que, no último trimestre de 2014, vendiam livros eletrônicos para bibliotecas brasileiras: Fórum, Cambridge (via EBSCO), IOP Publishing, Cengage, Wiley, Palgrave, Springer e Saraiva. Nessa categoria também se encontram a Minha Biblioteca e a Biblioteca Virtual Universitária, que são grupos de editoras que se uniram para facilitar o processo de venda (RESENDE, 2014). Os endereços dos sites dessas empresas se encontram no Apêndice A.

2.6.1.2 Agregador

Um agregador é uma organização que oferece livros eletrônicos por meio de uma plataforma tecnológica única. Ele pode oferecer títulos individuais ou coleções de livros eletrônicos de várias editoras (DOUCETTE; LEWONTIN, 2012). Os agregadores licenciam conteúdo das editoras e vendem diretamente para bibliotecas, hospedando os livros eletrônicos em uma plataforma computacional própria. Assim como os distribuidores, os agregadores costumam trabalhar com um grande número de editoras, incluindo as menores que não possuem plataformas próprias de livros eletrônicos. Entretanto, o conteúdo que pode ser disponibilizado pelos agregadores é limitado pelas licenças obtidas por eles. Segundo Grigson (2011), algumas editoras podem decidir não licenciar nenhum conteúdo por meio de agregadores, outras podem oferecer uma parte ou todo o seu conteúdo através de todos os principais agregadores, e algumas podem ter um contrato de exclusividade com um único agregador.

Os agregadores podem ajudar a simplificar o processo de compra, pois oferecem um ponto de acesso único em uma única licença, além de permitir a compra de livros de várias editoras em um único lugar. Tais características contribuem enormemente para reduzir o trabalho de uma biblioteca na busca e seleção de conteúdo para aquisição. Entretanto, algumas editoras não disponibilizam seus principais títulos por meio de agregadores ou não permitem a venda única de livros de séries. Algumas editoras, como apontam Morris e Sibert (2011), sequer utilizam agregadores na esperança de cortar o intermediário nesse fluxo comercial.

Os agregadores devem equilibrar as necessidades das bibliotecas para quem vendem com as preocupações das editoras que eles representam. Eles gostariam de oferecer às bibliotecas um acesso com o mínimo de restrições possível, mas uma política mais aberta

poderia afastar as editoras. Além disso, se o modelo de negócios de um agregador não oferece um lucro significativo para as editoras, ele pode ter dificuldade em atrair novos conteúdos (MORRIS; SIBERT, 2011).

As vantagens dos livros eletrônicos disponíveis nas plataformas dos agregadores é que geralmente eles são pesquisáveis e também permitem buscas avançadas. Eles podem ser adquiridos de diversas maneiras já que cada agregador possui seu próprio modelo de negócios. Os bibliotecários devem conhecer as particularidades de cada agregador antes de realizar a compra (RONCEVIC, 2013).

Como os agregadores foram os primeiros a entrar no mercado dos livros eletrônicos, eles costumam ser pioneiros em funcionalidades técnicas e opções de compra. A vantagem de comprar de um agregador é que é necessário lidar apenas com uma licença de compra e a entrega é mais simples já que eles estão completamente integrados ao sistema de distribuição. Outra vantagem é que agregadores oferecem muitos títulos em um único lugar (RONCEVIC, 2013).

A desvantagem do agregador é que nem todos os títulos das editoras estão disponíveis, e muitos sofrem períodos de embargo previamente determinados pelas editoras antes do lançamento de sua versão eletrônica. Apesar de oferecerem acesso a uma grande quantidade de títulos, as plataformas de agregadores normalmente são caras, impõem limites mínimos de compra e não permitem a negociação já que os preços, assim como os períodos de embargo, são determinados pelas editoras (RONCEVIC, 2013).

EBSCO, Ebrary (Proquest), ACLS Humanities Ebook, Biblioteca Xeriph, Árvore de Livros e Nuvem de Livros são exemplos de agregadores que, no último trimestre de 2014, vendiam para bibliotecas brasileiras (RESENDE, 2014).

2.6.1.3 Distribuidor

Os distribuidores, que também podem ser conhecidos como representantes, vendem livros eletrônicos em nome das editoras e oferecem tanto ofertas de editoras individualmente quanto de coleções agregadas (DOUCETTE; LEWONTIN, 2012). O papel do distribuidor é fornecer apoio no momento da venda e quando a compra é concluída o acesso é fornecido através da página da editora. Assim como os distribuidores de livros impressos, eles oferecem obras de várias editoras. Mas enquanto um distribuidor de livros impressos oferece livros das principais editoras, o número de editoras oferecidas por um distribuidor de livros eletrônicos é

mais limitado, porque algumas editoras vendem apenas diretamente, especialmente se os livros forem vendidos apenas por pacotes e não por títulos individuais (GRIGSON, 2011).

Apesar de distribuírem somente para editoras e agregadores, os distribuidores oferecem a vantagem de facilidade na aquisição, já que a compra do livro eletrônico pode ocorrer simultaneamente com a compra do livro impresso. Os livros eletrônicos podem ser comprados por meio de seus planos de aprovação, e eles possuem sistemas para notificar as bibliotecas sobre novos títulos eletrônicos que atendam as suas especificações. Eles também oferecem uma linha única para cobrança e para o recebimento dos registros MARC, que normalmente tem qualidade maior do que os oferecidos pelas editoras (MORRIS; SIBERT, 2011).

Alguns distribuidores que, no último trimestre de 2014, vendiam livros eletrônicos para bibliotecas brasileiras eram: ITMS Group, De Gruyter, DotLib, ACCUMON e Mienciclo Ebooks (RESENDE, 2014).