AMEBICA, Une interface adaptative pour la supervision
1.1 Pr´ esentation du projet
1.1.4 Illustration de l’adaptation dans AMEBICA : le Storm Scenario
As linguagens implícitas no brincar são importantes no processo de construção da linguagem oral e escrita.
Mas de quais linguagens está se falando? A resposta pode seguir vários caminhos e percorrer inúmeras teorias, ciências e momentos históricos, mas, independentemente do tipo de brincadeira, a linguagem se manifesta como a capacidade de simbolizar, de se expressar e de se comunicar com o outro. Esta
linguagem, seja verbal ou não, encontra-se em todos os momentos em que a criança interage num movimento constante de corpo e de mente.
Vygotsky (1994) vê a linguagem durante o brincar, como a expressão da criança através do gesto, do riso, das lágrimas, da imaginação criadora, da produção individual e coletiva.
É interessante ressaltar que, para Vygotsky (1994, p. 121), o gesto é o signo que contém a futura escrita da criança “eles são a escrita no ar e os signos escritos são gestos que foram fixados”.
Portanto, quanto mais a criança vivenciar situações em que ela possa se movimentar, melhor será o seu desenvolvimento. Os gestos seriam, então, as primeiras manifestações da criança na busca de expressão de desejos e sentimentos na comunicação com o outro.
Através da observação constante do educador durante o brincar da criança, será possível acompanhar suas atitudes ao transformar, por exemplo, um lápis em um avião, um pedaço de madeira num carrinho.
A escola tem muita dificuldade em lidar com a movimentação e a expressão corporal da criança, o que é lamentável, considerando tudo o que foi discutido anteriormente.
Toda linguagem que está permeada no meio ambiente reflete uma forma de perceber o real num dado tempo e espaço, aponta o modo pelo qual a criança apreende as circunstâncias em que vive, cumprindo uma dupla função: de um lado, permite a comunicação, organiza e medeia a conduta; de outro, expressa o pensamento e ressalta a importância reguladora dos fatores culturais existentes nas relações sociais.
Muitas das pesquisas realizadas até este momento, estão pautadas nas contribuições relevantes de Vygotsky para crianças de 0 a 6 anos. A estas contribuições será associada a experiência de Reggio Emilia.
Partindo do pressuposto de que as crianças são capazes de múltiplas reações desde que nascem, os limites das ciências e das metodologias adotadas levantam novas temáticas, novas questões: será possível pensar alternativas para a educação da criança de 0 a 6 anos que traga propostas pedagógicas voltadas à interação das crianças nas suas múltiplas linguagens? Como o educador poderá dirigir seu olhar para estas múltiplas linguagens?
A metodologia com as brincadeiras, tendo como referência a experiência de Reggio Emilia, enfatiza que a criança pequena deve ser estimulada a representar o mundo que a cerca de diferentes maneiras: desenhando, pintando, construindo, interpretando papéis, modelando, dramatizando, cantando e dançando, etc.
Nesta perspectiva, sugere-se um trabalho pedagógico para o Sesi/Educação Infantil a partir deste estudo sobre as “Várias Linguagens do Brincar” pautado nas experiências e na abordagem de Reggio Emilia, que documenta o significativo trabalho desenvolvido no conjunto de escolas de Educação Infantil daquela região.
A Educação Infantil deve ser um espaço onde possa ser garantido à criança a expressão das suas linguagens, pois é sobre a linguagem que vai se construindo o pensamento e a capacidade de decodificar a realidade e a própria experiência, ou seja, a capacidade de aprender.
É preciso, então, criar um ambiente no qual as linguagens sejam as grandes protagonistas deste cenário. Todas as situações de brinquedo são oportunidades para exercitá-las e sugerir múltiplas possibilidades de ação. Durante a brincadeira, estas linguagens ficam explícitas, tendo em vista que a criança tenta entender o mundo adulto “Brincando”.
Sobre esta temática, Silva (2002, p. 83) comenta:
Outra brincadeira que os indivíduos fazem ainda com pouca idade é que também faz parte da descoberta do seu corpo e das possibilidades, é o uso de sons que vem e saem de dentro delas. Movimentos bucais, balbucios, as primeiras notas musicais são meios de a criança explorar a si mesma , o mundo à sua volta. É também o início de uma expressão e comunicação, que requer um parceiro atento e vem disposto a brincar e a responder a seus anseios.
A criança, sujeito de direitos, passa a ser objeto desta pesquisa e, desta forma, as metodologias adotadas pelos professores até agora também precisarão ser redimensionadas, considerando-se inclusive entre outras coisas que a estruturação do espaço físico é relevante para que a criança possa se expressar nas múltiplas linguagens durante o Brincar.
Nesta experiência, são desafiadas crenças e práticas que se ajustam em 3 categorias:
aula;
b) Interpretações gerais do papel do professor em relação às crianças; c) estratégias específicas desenvolvidas para a promoção das linguagens
simbólicas entre crianças de várias idades e competências durante a atividade do Brincar.
As crianças, quando brincam, estão se comunicando até mesmo através do olhar. Nesta perspectiva, como já foi citado, enquadram-se as escolas de Reggio Emilia e esta referência nos remete a citação do poema de Loriz Malaguzzi, que foi extraído do livro “As Cem Linguagens da Criança”, expressando a filosofia do projeto por ele desenvolvido, que norteia por sua vez esta pesquisa.
Ao Contrário, as Cem existem:
A criança É feita de cem. A criança tem Cem mãos
Cem pensamentos Cem modos de pensar De jogar e de falar.
Cem sempre cem Modos de escutar As maravilhas de amar. Cem alegrias
Para cantar e compreender. Cem mundos Para inventar. Cem mundos Para sonhar. A criança tem Cem linguagens (e depois cem, cem, cem) mas roubam-lhe noventa e nove. A escola e a cultura lhe separam a cabeça do corpo. Dizem-lhe:
De pensar sem as mãos De fazer sem a cabeça De escutar e de não falar De compreender sem alegrias De amar e maravilhar-se Só na páscoa e no Natal.
Dizem-lhe: De descobrir o mundo que já existe E de cem Roubam-lhe noventa e nove. Dizem-lhe:
A realidade e a fantasia A ciência e a imaginação O céu e a terra
A razão e o sonho São coisas
Que não estão juntas.
Dizem-lhe: Que as cem não existem A criança diz: Ao contrário as cem existem.
(Malaguzzi I citado por EDWARDS et. all., 1999).
Enfocar a brincadeira como elemento norteador do trabalho pedagógico para crianças de 2 a 6 anos implica reconhecê-la como um significativo instrumento de aprendizagem e desenvolvimento; significa, ainda, considerá-la como a atividade principal da criança, cujo desenvolvimento está baseado nas experiências significativas que ela vivência.
Desta forma, a brincadeira, como atividade principal, agrega em torno de si uma seqüência de linguagens que irão desenvolver na criança capacidades distintas, igualmente significativas e complementares entre si, mas necessárias para sua aprendizagem.
Verifica-se, portanto, que, ao brincar, a criança constrói conhecimento na interação e na confiança que ela tem quanto a sua própria capacidade de encontrar soluções.
Na experiência de Reggio Emilia, Vecchi apud Gandini (1999, p. 35) comenta:
O atelier ajuda que os professores compreendam como as crianças inventam veículos autônomos de liberdade expressiva, de liberdade cognitiva, de liberdade simbólica e vias de comunicação. O atelier tem um efeito importante provocador e perturbador sobre idéias didáticas ultrapassadas.
Portanto, o ato de brincar é importante, é terapêutico, é prazeroso, e o prazer é ponto fundamental da essência do equilíbrio humano.
Sendo assim, o Brincar é uma necessidade interior, tanto da criança quanto do adulto. Brincar é inerente ao desenvolvimento.
expressividade que ela representa.
Ainda segundo o autor, a brincadeira possui três características: a imaginação, a imitação e a regra, pois elas estão presentes em todos os tipos de brincadeiras infantis, tanto nas tradicionais, naquelas de faz-de-conta, como ainda nas que exigem regras.
Nesta perspectiva este trabalho, refere-se a múltiplas linguagens, onde está se valorizando as trocas que existem durante o brincar das crianças, pois é nessas interações que as linguagens pessoais passam a ser enriquecidas. Considera-se, portanto, que a acessibilidade do pensamento manifesta-se, pois, na e pela linguagem que expressa, ao mesmo tempo, muitos outros aspectos da personalidade do sujeito.
Enquanto a criança brinca, uma destas linguagens é a fala, que tem como mediador os seus gestos e suas ações durante este processo.
Sabemos que este é um mundo que emite “sons” cria “imagens” para tentar entender o que está a sua volta e fazer-se entender também.
É fundamental que a Escola de Educação Infantil possa legitimar estas linguagens no seu cotidiano através de uma “metodologia lúdica”, entendida aqui como situações em que a criança vivência com prazer situações significativas em um espaço de aprendizagem, manifestando suas várias linguagens.
Zabalza (1998) comenta que a comunicação encontra no mundo do jogo um espaço fértil para dar características de natureza educativa às linguagens verbais e não verbais, isto é, sons, gestos e imagens.
È através das novas concepções de infância que os professores da Educação Infantil estão construindo uma pedagogia que observa e escuta a criança nos seus diversos ambientes e formas de expressão.
Essa criança está inserida numa pedagogia que considera os professores e as crianças como protagonistas do trabalho.
Atualmente, este olhar sobre a aprendizagem da criança, coloca a razão e emoção no mesmo patamar, e com isso, a brincadeira ganha força, prestígio e destaque na Educação Infantil, transformando-se em um instrumento poderoso na mudança de paradigmas.
A aceitação de uma prática com brincadeiras por parte dos professores da Educação Infantil, não garante uma postura lúdica – pedagógica na sua atuação. O Brincar é uma ciência nova que precisa ser estudada e vivenciada, mas a tendência
dos professores é achar que é fácil lidar com esta nova ferramenta porque um dia já brincaram.
O professor que consegue olhar e compreender as linguagens que a criança manifesta enquanto brinca, e mediar estas ações, está reconhecendo o real significado das brincadeiras para oportunizá-la adequadamente, estabelecendo a relação entre o brincar e o aprender a aprender.
A Brincadeira na Educação Infantil aqui proposta atribui significados às manifestações das crianças sob o olhar de extrapolar os limites da linguagem verbal, oral e escrita.
Nesse sentido; andar, desenhar, pintar, modelar, recortar, colar, chorar, bater, estar diante de uma situação de conflito, a forma como a criança resolve esse conflito, brincar, ouvir e contar histórias etc... são manifestações presentes no cotidiano da Educação Infantil, que precisam ser consideradas pelos professores.
Na experiência de Reggio Emilia, percebe-se que os professores envolvidos com as crianças, estão constantemente fortalecendo a imagem da criança, que tem capacidade de representar seus pensamentos, sentimentos e observações por meio das brincadeiras.
Este olhar precisa ser atento, sensível e criterioso, produzindo relações de sentido sobre as produções das crianças nas interações com as diferentes linguagens.
O professor ao identificar algumas pistas significativas, ( como por exemplo o desenho da criança) precisa conhecer alguns princípios das linguagens geradoras, e a forma de planejar as ações pedagógicas-educativa em sala de aula.
Quando ele apresenta essas linguagens às crianças de forma intencional através das atividades da rotina, o professor vai tendo a oportunidade de conhecer as crianças a partir destas interações que as mesmas vão estabelecendo com essas linguagens. Ou seja, o professor precisa estar constantemente pesquisando o seu grande objeto de conhecimento, de investigação que são as crianças.
Nessa perspectiva, o professor é sujeito leitor das crianças, e com elas aprende a lê-las durante o cotidiano. Quanto mais aprende a lê-las, mais vai conversando com elas a partir de suas intervenções, diálogos, isto é, cada vez com mais chances de acertos e adequações.
Nessa interação entre professor x criança, é preciso ter clareza de que as crianças, além de objetos de conhecimento – linguagens do professor, também são
sujeitos leitores de seus professores. As crianças também estão atentas e sensíveis a todas as realizações, atitudes e produções de seus professores.
Portanto, as linguagens que a criança apresenta durante as brincadeiras são geradoras de um planejamento voltado aos assuntos que mobilizam os interesses das crianças, de uma em particular, parte do grupo, ou de todo o grupo.
A elaboração de um projeto de estudo, intervindo nestes interesses e necessidades das crianças, propiciará a elas conhecer as regras específicas de funcionamento destas linguagens.