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I NFORMATIONS ENVIRONNEMENTALES ET SOCIALES

PARTIE II. PRESENTATION DE WAFASALAF

VI. I NFORMATIONS ENVIRONNEMENTALES ET SOCIALES

A observação direta nos destinos indicados pelos sujeitos, como os destinos mais comercializados no Estado do Rio Grande do Sul, foi realizada durante o mês de fevereiro de 2010 abrangendo os Municípios de Cambará do Sul, Canela e Mostardas.

A justificativa para tal observação pode ser percebida pelo crescente interesse do público em visitar áreas naturais protegidas, em especial os Parques Nacionais, como demonstrado na figura 4:

Figura 4: Número de visitantes nos Parques Nacionais

Fonte: Brasil (2010b)

A observação direta envolveu o Parque Nacional dos Aparados da Serra, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe e o Parque Estadual do Caracol.

O Parque Nacional dos Aparados da Serra, localizado no Município de Cambará do Sul, foi criado em 1959 e é um dos mais antigos. (BRASIL, 2010). Já o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, localizado nos Municípios de Mostardas e Tavares, abrange uma área de 33.248 ha e teve sua criação no ano de 1986 (BRASIL, 1999a, p. 23). O Parque Estadual do Caracol, localizado no município de Canela, abrange uma área de 100 ha e teve sua criação em 1973. (PREFEITURA MUNICIPAL DE CANELA, 2010). Cabe lembrar que o Parque Estadual do Caracol não compõe a rede de unidades de conservação do Estado do Rio Grande do Sul, por ter sido classificado como Parque Turístico, estando ligado administrativamente à Secretaria de Estado do Turismo.

Ao observar as práticas ambientais presentes nos destinos mais comercializados para o ecoturismo no Estado do Rio Grande do Sul, é possível identificar que apenas em um dos destinos há indicações visíveis de práticas ambientais para o turista. Em dois destinos, as indicações, quando encontradas, são restritivas, informando apenas algumas regras de uso. Tal questão é importante de ser analisada, já que a exposição de práticas ambientais nos destinos

deve contemplar informações que sensibilizem à adoção de atitudes e condutas adequadas para o uso do ambiente natural, informando como a visita pode ser realizada de forma a causar o mínimo impacto possível.

Com exceção de um destino, onde há placas apresentando informações ambientais e a localização dos pontos de interesse para a visitação, os demais não apresentam informações visíveis sobre as características ambientais do local, como fauna, flora e geologia, bem como há falta de utilização de espaços para prestar informações ambientais do destino. Em um dos destinos, há algumas placas sinalizando trilhas ou pontos de interesse para observação; em outro, as poucas placas existentes, além de estarem em estado precário de conservação, não contribuem para haver informação ambiental, nem para a localização adequada das trilhas.

Cabe ressaltar que a visitação pública é indicada como um dos objetivos da criação dos três parques observados e deveria, portanto, estar inserida no planejamento de ações possíveis de serem desenvolvidas em sua área e em seu entorno.

Quanto à existência de programas de educação ambiental, em um destino há um programa voltado à comunidade. A educação ambiental para o visitante ocorre na sede do parque e está composta por informações transmitidas aos que buscam o local para receber orientação sobre a visita. No local há informações sobre o ambiente natural e a explicação de algumas regras de conduta. Em outro destino, o programa de educação ambiental foi suspenso e está sendo providenciado outro meio de oferecer educação ambiental para o visitante. No terceiro destino, o programa de educação ambiental foi suspenso e não há indicação de novo programa. Tal dado é preocupante, uma vez que a educação ambiental é um critério essencial para a prática adequada do ecoturismo.

Quanto às construções, o que pode ser observado nos destinos visitados é que há preocupação com a característica local, buscando materiais e estilos regionais; porém, a mesma preocupação não parece demonstrada, quando envolve questões como aproveitamento da luz natural para economia de energia e presença de local adequado para depositar os resíduos. Também não são observados mecanismos capazes de racionar o uso da água, seja nas instalações comerciais, nos sanitários, centros de visitantes ou na residência do pessoal administrativo. Cabe salientar que, em alguns destinos, as construções presentes são, em grande parte, casas pertencentes aos antigos moradores. Também é possível afirmar que não há, em nenhum dos destinos, instalações para aproveitamento da água da chuva.

Quanto ao saneamento básico, há problema visível em um dos destinos, cujas águas que atravessam o parque encontram-se poluídas devido, à falta de saneamento nas áreas lindeiras. Nos outros destinos, não há indícios de problemas quanto ao saneamento. É

importante identificar que tal questão não significa a não existência do problema nas áreas de entorno; porém, o mesmo não aparece visível nos destinos.

Quanto aos resíduos sólidos, em um destino há uma quantidade satisfatória de cestos de vime nas trilhas e lixeiras espalhadas pela área. Cabe ressaltar que a coleta é realizada diariamente e há aproveitamento no local do material orgânico coletado. Os outros destinos não possuem depósitos para resíduos, com exceção das construções da sede ou centro de visitantes, com lixeiras e recolhimento dos resíduos. A orientação, em ambos, é que cada visitante cuide de seus resíduos, durante a visita nas trilhas, e os carregue de volta até o local de depósito.

Quanto ao impacto da visitação nos destinos, é possível indicar que em um deles há tratamento do piso das trilhas, buscando diminuir o impacto do pisoteio. Nos outros destinos, as trilhas são realizadas sem cuidado com o uso do solo. Em um dos destinos, as trilhas mais impactantes apenas podem ser realizadas com acompanhamento de condutor cadastrado para a atividade. Em outro destino, além da falta de informação e de cuidados para minimizar impactos, não há regras claras quanto ao acompanhamento dos visitantes nas trilhas.

Dois dos destinos observados apresentam preocupação quanto ao número de visitantes que utilizam o destino, restringindo a capacidade de visitação e os períodos de liberação da mesma. É possível questionar o quanto tal medida é útil para a minimização dos impactos, uma vez que o impacto parece ser muito mais resultado de conduta equivocada, do que da frequência de uso.

Tais questões merecem resposta quando da elaboração de um projeto de ecoturismo. Quanto à divulgação na internet, nenhum dos destinos possui site próprio, sendo citados nos sites dos órgãos administrativos dos mesmos, no site da Secretaria de Estado do Turismo ou nos sites dos municípios onde estão localizados.

Cabe, assim, como questionamento: Um destino turístico pode ser considerado de ecoturismo se a população residente e/ou visitante apresenta descaso com as questões ambientais? Qual política de ecoturismo é possível em um destino que não apresenta política ambiental transformada em conduta por seus moradores? Qual postura ambiental é esperada de visitantes em um destino de ecoturismo? E de seus moradores? E de seus agentes públicos?