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Hydrological models

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Section 2 Hydrological models

Com a entrada da tecnologia no ambiente escolar, discussões são realizadas entres os gestores das diferentes esferas governamentais a fim de prover as

instituições escolares públicas com materiais que possam atender, mesmo que minimamente, a demanda de professores e alunos matriculados (BRASIL, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2008).

O computador é a tecnologia mais conhecida e atualmente representa a tecnologia no ambiente escolar. Constatando haver outras tecnologias, além do computador, a indagação refere-se à quantidade, suficiente ou não, para uso com alunos e professores. Outra questão relevante que tratei com os entrevistados foi sobre as possíveis dificuldades do uso da tecnologia. Considerando que essa categoria tem como questão central as tecnologias existentes nas escolas, perguntei aos professores quais tecnologias a escola disponibiliza para uso dos professores e alunos.

Conforme o relato dos entrevistados, todas as escolas que participaram do estudo possuem projetores multimídia, aparelhos de televisão, câmeras fotográficas, microscópios eletrônicos, rádios, computadores de mesa e laptops. Além desses equipamentos, foram citados também, acesso à internet, caixas de som, microfones, aparelhos de DVDs e filmadoras. A quantidade de equipamentos disponíveis em cada escola sofre variações, tendo em vista que a distribuição dos equipamentos leva em consideração o número de alunos matriculados no ano anterior. Vejamos o que nos relatam os professores sobre os recursos materiais:

Nós temos o Datashow. Nós só temos dois para as oito turmas usarem no período; nós temos também os laptops que foram disponibilizados para usarmos. É só agendar. Temos também máquinas fotográficas que são cinco (P1, sete anos no magistério).

Temos laptops, duas máquinas de fotografia, filmadora, tem os computadores de mesa. Datashow. Tenho também caixas de som que conseguimos comprar, pois as enviadas pela secretaria estragaram; microfones para usar em sala de aula para fazer a gravação com os alunos (P14, três anos no magistério).

As duas falas acima ilustram a opinião dos demais entrevistados. É preciso enfatizar que as escolas, ainda que localizadas em regiões distintas, possuem os mesmos equipamentos. Entretanto, a quantidade de recursos materiais é diferenciada, já que considera o número de alunos matriculados. Porém, por questões até mesmo burocráticas, a quantidade considerada refere-se sempre ao número de

matrículas do ano anterior, dessa maneira, dificilmente a quantidade de materiais atende à demanda.

Por vezes, o professor, ao julgar que determinado recurso material é importante para o desenvolvimento de atividades com os alunos, toma iniciativas para suprir ou substituir, e para isso, vale-se de seus próprios recursos materiais. P14, professora que ministra aulas na oficina de Ciência e Tecnologia, relata que faz a reposição dos recursos materiais recebidos pela mantenedora que por algum motivo possam ter sidos danificados.

A quantidade de equipamentos existentes para uso dos professores e alunos não consegue atender a toda a demanda. Também há a questão do sucateamento de muitos desses recursos, o que se torna fator limitante para a utilização. Isso pode ser identificado na fala dos dois professores abaixo que refletem a realidade das escolas investigadas.

Se fosse usado, usado mesmo, não seriam suficientes para todos os alunos e professores, mesmo porque, nós temos o laboratório de informática que está sucateado. Não tem como eu levar as crianças até o laboratório. Não tem nem cadeira para eles sentarem e os computadores também estão estragados. Os laptops estão funcionando, mas sem acesso à internet. Só há ali os programas que estão instalados (P1, sete anos no magistério).

A escola tem três máquinas fotográficas, mas pela facilidade e versatilidade, nós acabamos por usar o nosso celular para tirar fotos, até mesmo se você perceber, esse celular armazena qualquer foto no drive e pode ter acesso ao computador e para imprimir é mais fácil. Já a máquina fotográfica da escola está um pouco ultrapassada (P4, nove anos no magistério).

O laboratório de informática tornou-se depósito de sucatas, das máquinas fotográficas e de equipamentos obsoletos que dificultam o uso com outras tecnologias mais avançadas. Apesar de os professores se depararem no dia a dia com as tecnologias disponíveis nas escolas, elas nem sempre podem ser usadas, pois necessitam de manutenção.

No relato de P4, é possível verificar que ela utiliza sua própria tecnologia, nesse caso, o aparelho de celular, para poder inovar sua maneira de trabalhar com alguns conteúdos. Entretanto, também houve depoimentos de professores que fazem uso de seus notebooks nas aulas, já que esse material não está disponível para todos os professores no momento em que precisam na sala de aula. O sucateamento e a falta

de equipamentos em condições de uso prejudicam o processo pedagógico, uma vez que o professor sente-se desprovido de tecnologias que possam ser usadas no momento em que surgem as dúvidas e/ou interesse dos alunos. A condição de agendamento para uso das tecnologias dificulta a dinâmica das aulas.

A falta de estrutura física e tecnológica das instituições escolares, onde foi realizado este estudo, contribui para a desmotivação dos professores. Essa desmotivação colabora para que determinadas tecnologias não sejam utilizadas, como por exemplo, os laptops do PROUCA. O relato de P9, a seguir, mostra as dificuldades enfrentadas cotidianamente ao se tentar utilizar as tecnologias,

São oitenta laptops para utilizar concomitante em duas turmas, porém, não tem condições de fazer a carga das baterias. Nós temos armários de carga de baterias para fazer todas as cargas ao mesmo tempo, mas não há nenhum ponto de energia na escola que possa ser utilizado, então temos que recarregar dois, três laptops, dois, três por vez. Dessa maneira não dá certo (P9, quatro anos no magistério).

Os relatos dos entrevistados demonstram que o uso da tecnologia demanda muito mais que a presença dessa no ambiente escolar. Exige também outros recursos como, tomadas elétricas adequadas e em número suficiente para recarregar as baterias dos computadores, sistema de fiação elétrica que suporte a quantidade de máquinas a serem carregadas, rede de internet com alta velocidade para acesso dos alunos e professores. A quantidade de equipamentos sem manutenção e os recursos necessários para o funcionamento interferem no cotidiano da sala de aula dos professores que se dispõem a valerem-se da tecnologia.

A internet disponibilizada nas escolas da rede pública municipal de Curitiba é compartilhada com toda a comunidade escolar e moradores das imediações. Dessa maneira, a velocidade é reduzida, dificultando o acesso a determinados sites e ou/programas disponibilizados na rede.

Outro fator que dificulta o uso da tecnologia é a necessidade de o professor preparar o ambiente. Essa organização exige o transporte de equipamentos de um local para outro, ou então, a organização das máquinas disponíveis no laboratório. O deslocamento dos alunos de um ambiente para outro, implica perda de tempo nas aulas e, consequentemente, prejuízo para a aprendizagem.

Muitos professores, na tentativa de contornar as dificuldades, buscam por estratégias para que os alunos possam ter o mínimo de contato com a tecnologia. Essas estratégias podem ser observadas nos dois relatos abaixo:

Quando precisamos usar os computadores grandes, eles precisam trabalhar em duplas ou trios, o que não é ruim também porque um auxilia o outro. Mas com uma turma muito grande de trinta alunos fica difícil, complica um pouco (P14, três anos no magistério).

Eu quero trabalhar uma atividade e dar um computador para cada aluno e não posso, pois não tenho os computadores em número suficiente Nós temos dois pequenininhos, dois nets. Como vou fazer com dois computadores? Não tem como. São duas turmas de vinte alunos. Colocando no projetor, todos veem juntos e um de cada vez vem no computador e faz a atividade. Só que além de demorar, tem criança que perde a atenção, se desconcentra, começa a conversa, você tem que ter jogo de cintura senão não dá conta. Então não é o suficiente (P11, sete anos no magistério).

A solução encontrada por alguns professores, diante da quantidade e qualidade dos recursos disponibilizados, foi o trabalho em grupos, ou ainda, a projeção em telões. As estratégias usadas pelos professores são válidas, mas a adaptação dificulta o trabalho, pois muitos alunos acabam por não usufruir do equipamento, ou ainda, fazem uso apenas visual do material preparado.

Nesse encaminhamento, a participação ativa do aluno é praticamente nula. Mesmo o professor, planejando aulas dinâmicas e tendo a intenção de promover aulas inovadoras e com a participação dos alunos, depara-se forçosamente com metodologias ditas tradicionais. Isso em consequência da falta de estrutura física e tecnologia sem manutenção.

A falta de infraestrutura prejudica a todos os envolvidos no processo e aprendizagem. Tratando-se de escolas de tempo integral, o prejuízo é ainda maior, uma vez que os alunos permanecem nessas instituições a maior parte do dia. Para que essa ampliação de tempo converta-se em aulas dinâmicas com metodologias inovadoras e consequentemente em aprendizagem, há que se ter condições favoráveis para tal, dentre elas, tecnologias em perfeitas condições de uso, professores qualificados e receptivos às inovações. Na próxima seção abordo a tecnologia nas escolas de tempo integral e as distintas percepções dos professores sobre essas tecnologias no ambiente escolar.

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