Maximum intensity in hundredths of inches per hour = 6 (1.5-mm/hr.)
(42) These costs had to be estimated only, because very few runoff control facilities
A abordagem qualitativa teve por objetivo geral verificar qual a percepção dos professores das escolas de tempo integral de Curitiba sobre a contribuição das tecnologias da informação e comunicação no processo de ensino-aprendizagem. Os objetivos específicos dessa fase do estudo foram: identificar a contribuição da formação inicial e continuada para a efetivação de práticas pedagógicas inovadoras; identificar como os professores se apropriam da tecnologia em sala de aula; verificar as dificuldades apresentadas pelos professores para utilizar a tecnologia em sala de aula; relacionar as áreas do conhecimento e os componentes curriculares em que a tecnologia é utilizada; identificar as tecnologias mais utilizadas pelos professores nas escolas de tempo integral; verificar em que aspectos a utilização da tecnologia modifica a prática pedagógica do professor no contexto da escola de tempo integral;
Identificar as contribuições atribuídas à tecnologia para o processo ensino- aprendizagem pelos professores.
O uso da tecnologia em sala de aula demanda conhecimento sobre teorias que tratem da relação tecnologia e sociedade, para além do uso técnico, assim como, demanda domínio técnico e científico dos conteúdos previstos no currículo. Apesar da densa fundamentação teórica utilizada na revisão de literatura, para a análise dessa primeira etapa da pesquisa, os autores que me deram aporte foram Dias, Chaves e Filho (2003), Sancho23 (1998, p. 43 apud QUARTIERO, 2012, p. 199) e Eteokleous
(2007) e Romanowski (2010).
Os principais resultados mostram que boa parte dos professores participantes do estudo, mesmo sem ter o conhecimento da literatura que trata da Teoria Crítica (FEENBERG, 2010a) e do uso das tecnologias como inovação pedagógica, empiricamente as evidenciam em suas ações e falas, pois utilizam a tecnologia como apoio ao processo pedagógico. Por outro lado, uma pequena parte dos professores ainda utiliza a tecnologia de maneira instrumental em que o laboratório com computadores é visto como panaceia para o processo ensino-aprendizagem, reforçando o que foi discutido na revisão de literatura sobre o determinismo tecnológico. A formação continuada, prevista na legislação, assim como, as horas de permanência dos professores, não são utilizadas por alguns para apropriação de novos conhecimentos tecnológicos . O improviso de alguns docentes na dinâmica de ensaio e erro acaba por promover e reforçar a exclusão digital.
O uso da tecnologia em sala de aula demanda mais do que conhecimento técnico, demanda também conhecimento pedagógico, metodológico e social. Para que os professores possam exercer o ato de ensinar utilizando a tecnologia, há que se ter a formação ancorada nesses conhecimentos. A formação inicial dos professores vem acompanhando, mesmo que lentamente, o avanço das tecnologias. Os professores que tiveram suas graduações em licenciaturas na década de 1980 não obtiveram preparação para uso das tecnologias com os alunos, porém, essa realidade foi se alterando historicamente. Para os professores que se formaram no período de 2000 a 2009, a preparação e o acesso à tecnologia avançaram, entretanto, ainda com ressalvas, pois são utilizadas para a preparação de materiais para as aulas nos cursos de licenciaturas. Considerando que a formação inicial dos professores nem sempre
consegue atender às exigências do cotidiano das salas de aula, os professores, quando em exercício da docência, também têm oportunidade de formação continuada. Na expectativa de prover formação continuada, são ofertados cursos aos professores da rede pública municipal de Curitiba, atendendo à legislação vigente, Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394/96. Porém, apesar de se perceber a preocupação por parte da mantenedora em atender aos professores nos diferentes níveis de conhecimento sobre a tecnologia, as temáticas dos cursos não dialogam com a tecnologia, deixando-as estanques e à margem de temas específicos, como por exemplo, a alfabetização. Além disso, os horários em que os cursos com a temática tecnologia são ofertados são pouco atrativos, pois são fora do horário de expediente dos professores. Também foi possível perceber que a formação continuada prevista em lei, por vezes, serve apenas para promoção salarial (ROMANOWSKI, 2010). Ainda falta por parte da mantenedora política de acompanhamento da aplicação dos cursos oferecidos.
Contudo, mesmo o horário sendo pouco atrativo para os professores, há maior participação nos cursos de formação continuada por parte dos docentes que tiveram disciplinas sobre tecnologia na formação inicial. Os docentes que não tiveram disciplinas que abordaram tecnologia na licenciatura demonstram resistência e desconforto para participar nos referidos cursos. Possivelmente, o desconhecimento dos termos, muitas vezes usados nos cursos que tratam das tecnologias, promova a desmotivação desses professores.
Outra questão, que também implica o afastamento de professores dos cursos de formação continuada relacionados à tecnologia e a utilização dessas em sala de aula com os alunos, diz respeito à aceitação do professor às inovações tecnológicas. O professor que não teve acesso às novas tecnologias em sua vida pessoal e/ou profissional, conforme defendem Sancho et al. (1998, p. 43 apud QUARTIERO, 2012, p. 2019), possivelmente as rejeitará, privando o aluno de valer-se de mais esses artefatos e linguagens.
Porém, os professores que optaram por não participar dos cursos de formação continuada com temas sobre a tecnologia fazem uso dessas de uma maneira ou de outra, assim como, entendem que elas podem auxiliar no processo ensino- aprendizagem. O fato de não participarem da formação continuada não implica necessariamente a completa desqualificação, já que esses professores desenvolveram outras estratégias de aprendizagem e informação, ora buscando
tutoriais nos sites de buscas, ora esclarecendo dúvidas com seus pares. Essas estratégias surtem resultados positivos uma vez que sanam as dúvidas dos docentes no momento em que elas surgem; diferentemente dos cursos que seguem determinado cronograma, nem sempre atendendo às expectativas dos professores.
Contudo, a utilização de tutoriais por parte dos docentes pode ser entendido como informação e não formação, uma vez que o percurso é unilateral e não dialógico (DIAS, CHAVES FILHO, 2003), assim, a (in)formação oportunizada pelos tutorias é mecânica e impessoal.
De uma maneira ou de outra, os professores buscam manter-se ativos na docência, utilizando tecnologias, porém, pela falta de formação sistematizada, o uso da tecnologia nem sempre avança para a apropriação. Essas tecnologias são utilizadas nas mais diversas áreas do conhecimento como, Língua Portuguesa, Arte, História, Geografia, Ciências, Educação Física, Matemática e nas oficinas do contraturno.
Geografia, História e Ciências foram os componentes curriculares mais mencionados pelos professores sempre atrelados ao pretexto da realização de pesquisas sobre determinados temas. A possibilidade de terem sido mencionados antes de qualquer outro componente ou área do conhecimento pode estar relacionada à superação da prática de longas pesquisas realizadas, quando tínhamos apenas os materiais impressos. Assim, para esses professores, os sites de busca, como por exemplo, o Google, servem para uso da tecnologia e acesso de algo já pronto. A tecnologia também é usada pelos professores para ilustração de aulas, apresentação de vídeos ou músicas, porém sem que haja a exploração crítica dessas apresentações, a apropriação.
Para tanto, outras maneiras de utilização da tecnologia foram descritas pelos professores: análise de materiais publicados, discussão de temas veiculados pela mídia, acesso às culturas de outras sociedades através das redes sociais e/ou pelo canal Youtube, criação de Blogs e outros recursos para divulgação dos trabalhos das crianças.
Apesar de haver diversidade na maneira como a tecnologia é utilizada, os professores, mesmo os que se consideram preparados para trabalharem com a tecnologia em sala de aula, demonstram dificuldades em associá-las aos conteúdos sistematizados do currículo. Isso possivelmente se deva ao fato de os cursos ofertados pela mantenedora não oportunizarem essa associação. Na rede pública
municipal de ensino, semelhante ao constatado em pesquisas realizadas por Eteokleous (2007), a estrutura física, a falta de equipamentos e a precária manutenção dos mesmos também são fatores que apareceram como desmotivadores e, muitas vezes, inviabilizam o uso das tecnologias em sala de aula ou outro ambiente com os alunos.
Nas oficinas que ocorrem no contraturno, os professores, apesar das dificuldades, mostram-se mais receptivos às inovações metodológicas. Isso se dá pelo fato de, nas oficinas, a criatividade poder ser usada livremente tanto pelos alunos quanto pelos professores. A burocracia, característica da educação pública e que consome tempo do professor, é outro fator a ser considerado quando se trata de apropriar-se da tecnologia. Para os professores regentes que ministram aulas do currículo comum e que necessitam seguir criteriosamente o rol de conteúdos, o uso de tecnologias é menor, pois as entendem como perda de tempo.
A totalidade fragmentada, ou seja, totalidade de horas que são fracionadas em minutos, das escolas de tempo integral no município de Curitiba em turno e contraturno, entendido pelo Ministério da Educação como complementaridade (BRASIL, MEC, SECAD, 2009, p. 19), gera nessa instituição duas escolas em um mesmo ambiente.
A percepção dos professores que ministram aulas nas oficinas de contraturno difere-se da percepção dos professores que ministram aulas do currículo comum, período regular. Para os primeiros, as aulas são mais dinâmicas com maior participação dos alunos. O rigor do registro nos cadernos não se faz tão presente. Já para o grupo de professores que ministram aulas no período regular, há a exigência em vencer o extenso currículo a fim de obter bons índices nas avaliações internas externas.
As oficinas realizadas no contraturno valem-se da metodologia de Projetos e a parceria entre todos os professores fortalece as práticas do dia a dia. Os alunos são indivíduos ativos nas discussões dos temas que norteiam tais Projetos. Na percepção dos professores que ministram aulas nas oficinas, e que fazem uso mais constante da tecnologia, as crianças que frequentam a escola de tempo integral apresentam melhor desempenho acadêmico nas aulas, motivação, organização, poder de argumentação, autonomia para pesquisas nos sites da internet, o que corrobora os resultados das
pesquisas realizadas por Machin24 et al. (2006, apud KARSENTI, VILLENEUVE,
RABY, 2008, p. 868). Segundo esse discurso dos professores, apesar de terem comportamento mais agitado, são os alunos que mais produzem.
Os professores que ministram aulas no período regular não percebem essa diferenciação entre as crianças. Para esses professores, o fato de ficar mais tempo na escola, horas/dia, com acesso às diferentes mídias, não implica melhoria na aprendizagem.
A divergência entre os docentes, no tocante da aprendizagem dos alunos associada à ampliação de tempo na escola com acesso às diferentes mídias, é uma questão fundamental que será tratada na segunda fase do estudo por meio de um questionário para uma amostra maior da população dos professores que ministram aulas nas escolas de tempo integral.
24 MACHIN, S. et al. New technologies in schools: is there a pay off? Germany: Institute for the Study