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Chapitre 3. Cristallisation en microfluidique

3.1. Manipulation de fluides et hydrodynamique

3.1.2. Hydrodynamique des gouttes en microfluidique

Após retomar, em detalhes, a análise do capítulo anterior buscando evidenciar as interpretações feitas ao longo do processo de construção deste estudo, a seguir, sintetizarei minhas considerações finais respondendo à pergunta:

Como é construída a relação entre os estudantes intercambistas e o PL2?

A caminhada pela aprendizagem do PL2 foi marcada por alguns encontros e vários desencontros no que tange as experiências, crenças e identidades envolvidas nos dois casos examinados. No estudo, busquei chamar atenção para o fato de como os eventos e as condições em que os intercambistas estavam inseridos se distinguiam substancialmente. A meu ver, foi imperioso compreender que algumas das diferenças encontradas ao longo do percurso de aprendizagem teriam que ser analisadas a partir de uma ótica crítica de gênero.

Nesse sentido, a proposta do estudo foi lançar luz sobre as condições contextuais, materiais e afetivas experimentadas pelos aprendizes bem como as possíveis relações entre essas condições e as percepções sobre a aprendizagem do PL2. Em alguma medida, os construtos investigados indicaram manter uma forte relação com os investimentos dos estudantes sobre a aprendizagem da língua-alvo.

Acredito que este trabalho pôde trazer contribuições não só para área de ensino e aprendizagem de PL2 com foco no PEC-G, tão carente de investigações científicas, mas também para o campo de ensino e aprendizagem de línguas como um todo. A meu ver, a principal contribuição desta investigação está na abordagem utilizada para analisar os construtos experiências, crenças e identidades que, a partir de uma ótica de gênero, considerou criticamente as diferenças das biografias discentes. Essa perspectiva contribuiu para elaborar alguns apontamentos e sugestões referentes ao processo de ensino- aprendizagem bem como às condições que o PEC-G oferece às alunas e aos alunos de PL2.

Os apontamentos bem como as sugestões foram levantados e pensados com a ajuda dos participantes da pesquisa (professoras e aprendizes) por meio dos questionários, das entrevistas e das cartas redigidas pelos estudantes ao Reitor, que abordaram as condições do programa e sugestões de mudanças (Apêndices C e D).

Sobre os apontamentos relativos ao processo de ensino-aprendizagem de PL2 em sala de aula, verificou-se que:

1) O fato das biografias serem escritas em gênero não foi considerado por todas as professoras como uma variável influenciadora da aprendizagem de PL2. Relacionado a isso

está o uso da estratégia de silenciamento de alunas para a manutenção do “bem estar” individual (das meninas) e coletivo (de todos). A meu ver, o silêncio não é a melhor estratégia a ser utilizada para se buscar um bom convívio em sala de aula. Além disso, apesar de duas professoras perceberem possíveis implicações das experiências em gênero sobre o processo de aprendizagem de PL2, a forma como foi expressa a preocupação das docentes com essa questão talvez não tenha sido feita da melhor maneira. Sobre isso, vale lembrar a situação marcante narrada por Dora que, em um primeiro momento, contribuiu apenas para o reforço de um estado de insegurança, medo e vergonha. A meu ver, a questão de gênero no processo de aprendizagem de línguas deve ser repensada de forma cuidadosa, ou seja, deve criticar a realidade social construída dentro e fora da sala de aula, mas sem cair em determinismos socais. Nesse sentido, o papel da professora é central para a promoção adequada de interação na L-A em sala de aula, atentando-se para o fato de como estruturas de estereotipização de gênero podem buscar se reproduzir em classe.

2) As questões de gênero também implicaram nas experiências indiretas da aprendente. Conforme destacado por Helena, as estudantes sofriam alguns impedimentos no

PL2 fora da sala de aula. A meu ver, essas experiências não devem ser ignoradas em uma análise sobre o processo de aprendizagem.

3) Apesar dos vetores de força de conformação do gênero agirem sobre nas situações de aprendizagem, o poder de agência da aprendente é maior. Nesse sentido, ao ser aprovada

no Celpe-Bras, Dora mostrou seu investimento no PL2 para resistir, intervir e transformar o caminho percorrido. Assim, com resultado positivo no exame, Dora demonstrou que não está apenas assujeitada às forças que, muitas vezes, buscam interditar sua voz, sua participação e, consequentemente, a aprendizagem da L-A, mas demonstrou, sobretudo, que é agente modificadora de sua própria história.

As fragilidades encontradas nas condições de aprendizagem do PL2 no Brasil foram:

1) Ausência de ponto de apoio ao estudante intercambista na cidade onde se realizaram os estudos de PL2. Ao longo de 2012, surgiram várias situações que

proporcionaram tensão ao processo de aprendizagem da L-A. Essas situações estavam relacionadas à saúde, à moradia, à segurança, às condições financeiras, etc. Em grande parte dos eventos, não havia um responsável ou um ponto de apoio institucional ao quais os estudantes pudessem recorrer. Assim, na maioria das vezes, os aprendizes buscavam informações, conselhos e ajuda com as professoras. Nem as Embaixadas, nem a Universidade ou o MRE/MEC intervieram nessas situações. A meu ver, a ausência de um apoio institucional efetivo traz desgastes aos alunos e sobrecarga às professoras de PL2 contribuindo ainda mais para o surgimento de tensões no processo de ensino-aprendizagem.

2) Informações deturpadas sobre as condições de realização do intercambio para

aprender PL2. Conforme argumentação feita na redação ao Reitor (disponível no Apêndice

C), é possível identificar algumas distorções sobre as condições de realização da etapa de aprendizagem do PL2 no Brasil. Segundo a carta, os estudantes acreditam que terão garantidas as mesmas condições de permanência no país que desfrutam os estudantes já ingressos no PEC-G.

Diante desses apontamentos, foram feitas as seguintes sugestões para aprimoramento do PEC-G:

1) Criação de ponto de apoio institucional ao estudantes intercambista na cidade

onde esteja localizada a escola de PL2.

2) Disponibilização adequada de informações referentes às condições de realização

Delineada a partir do estudo de caso, esta pesquisa se ocupou em coletar registros referentes aos trajetos percorridos na aprendizagem de PL2 por dois estudantes intercambistas, candidatos ao PEC-G. Seguindo a proposta de Chizzotti (2000), esta dissertação teve como finalidade organizar um relatório ordenado e crítico de duas experiências distintas, avaliando-as analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou propor uma ação transformadora. Como linha metodológica de pesquisa, o estudo de caso ofereceu algumas vantagens, por exemplo, a possibilidade de relacionar teoria e vida cotidiana bem como proporcionar inferências/interpretações por meio das situações reais percebidas diretamente pela pesquisadora. Assim, o estudo de caso me permitiu estar próxima aos intercambistas, tanto em sala de aula quanto fora dela, possibilitando a confrontação dos discursos e das práticas reais.