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HOMOGENEOUS, ANISOTROPIC MEDIA The horizontal permeability of natural soil formations is

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Outra experiência que me permitiu perceber melhor a comple- xidade sobre os lugares construídos pela capoeiragem na Alemanha,

veio por intermédio do professor Vaqueiro. O bávaro capoeirista tinha acabado de comprar um carro usado em bem melhores condições do que o antigo, podendo com isso participar de eventos mais distantes de Mu- nique. Nós planejamos então ir até a cidade de Ulm participar, ao menos um dia, do evento do Grupo Ginga Mundo coordenado pelo Instrutor Jerry. Não conhecia nem o grupo e muito menos o Instrutor, mas me vi envolvido pela experiência de ir a uma evento fora de Munique e tam- bém conhecer uma outra situação.

Era um dia de muito frio, início de dezembro de 2012, mas eu já tinha me comprometido com Vaqueiro a acompanhá-lo já que a estra- da com neve e no escuro não é aconselhável que se viaje sem compa- nhia. Foi um trajeto de cerca de duas horas onde conversamos sobre capoeira, minhas dificuldades de adaptação, sobre o primeiro evento do seu recém-fundado grupo que seria em uma semana, entre outras coisas. Na metade do caminho a neve começou a se acirrar, cobrindo a pista e tudo mais que existia de branco. Vaqueiro se perdeu um pouco com um trecho que estava em reformas e imaginamos que iriamos chegar atrasa- dos no evento. Chegando lá ainda havia poucas pessoas e nenhum esbo- ço de início do evento. Alguns poderiam até comentar: “só poderia ser evento de brasileiro”

Ao chegarmos os professores, mestres e o próprio Jerry ainda não tinham chegado. Uma aluna era quem fazia a recepção e organizava os primeiros detalhes. Aos poucos outras pessoas, vindas de vários can- tos tanto da Alemanha quanto da Europa no geral iam chegando. Um grupo falante de uma língua eslava trocava de roupa no inicio do corre- dor principal que dava acesso ao ginásio e que no meio era ocupado por mesas e cadeiras, terminando em uma lanchonete onde algumas outras alunas já arrumavam o lanche que seria servido após o treino. Reconheci alguns dos que chegavam por terem participado em julho do evento de verão de Vaqueiro.

Em certo momento a aluna que organizava o evento veio de grupo em grupo informando que quem quisesse pagar o evento que poderia fazê-lo com ela, já que Jerry e o Mestre Sabiá, o convidado especial do evento, iriam se atrasar por causa da nevasca que recaia sob a região. Cheguei depois em particular à ela e me apresentei como pes- quisador perguntando sobre a possibilidade de tirar fotos. Ela, uma ale- mã, me respondeu em português dizendo que Mestre Sabiá nem sempre aceita fotos e até em algumas vezes não aceita ninguém observando os treinos, mas que era para eu falar diretamente com o Jerry quando ele chegasse.

Pela circunstancias de não conhecer ninguém dos mestres e pro- fessores e tampouco o Instrutor Jerry, resolvi deixar de lado a possibili- dade do lugar de capoeirista e mais uma vez assumir somente o lugar de pesquisador. Quando Jerry chegou perguntei à ele se eu poderia fazer registros do evento tendo uma resposta positiva com a ressalva de ape- nas bater fotos, sem filmagens. Assim que Mestre Sabiá deu inicio ao treino comecei a bater fotos. Percebi que ele me observava pelos cantos dos olhos com certo ar de desconfiança. Resolvi fingir que não estava percebendo e continuei meu trabalho batendo algumas fotos e fazendo as anotações. Depois de algum tempo o Mestre se aproxima de mim e ao pé do ouvido me disse: “Only Photos, Ok?! No Films!”. Neste momento percebi que de alguma maneira o mestre estava a pensar que eu era um “gringo”. Resolvi na hora aceitar este novo lugar de um “outro” e expe- rimentar tal situação.

No final do treino, todos se agruparam para tirar a “foto oficial” do dia. Eu me posicionei então para bater a foto. Demorei um pouco, pois a câmera era emprestada e não tinha muita experiência com câme- ras muito modernas. Mas ao final tudo foi contornado e consegui bater a foto. Depois foi servido o jantar e todos puderam comer Espaguete à Bolonhesa, saladas e alguns doces que estavam postos à uma mesa cen- tral defronte ao espaço da cozinha da lanchonete. Era o momento de conversar e me apresentar aos mestres e professores que lá estavam.

Me dei conta que havia lá vários professores brasileiros residen- tes nos países nórdicos como Noruega e Finlândia. Pelo pouco tempo que passei lá não consegui obter maiores informações sobre as redes que Jerry estabelece, mas o que dá para perceber é que a questão da proxi- midade ou o país não é fator determinante para estabelecimento das redes de relacionamento entre os professores e seus grupos. Outro fato que era consenso é que todos pensavam, assim como Mestre Sabiá, que eu era gringo com a explicação de que eu estava parecendo um gringo batendo fotos de tudo, dos professores etc.

Por ultimo fui conversar com Mestre Sabia. Cheguei à ele e dis- se “Oi Mestre, não se preocupe que não filmei nenhuma vez”. Ele olhou pra mim com certa surpresa e disse: “Porra tu és brasileiro!” e passamos um tempo conversando de maneira mais descontraída. Ele me explicou que age desta forma porque já foi muitas vezes enganado por gringos e que por isso não gosta de registros. “Agente pensa que brasileiro é que é malandro. Quando chega aqui agente percebe que estes gringos de bo- bos não têm nada! Se eu soubesse que tu eras brasileiro eu teria ficado mais tranquilo”. Completou o mestre.

4.2. O Entre-Mundos: transnacionalismo, regionalismo e negociação

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