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C HOIX DE LA MÉTHODE DE LUTTE

7. STRATÉGIE DE GESTION INTÉGRÉE

7.3. C HOIX DE LA MÉTHODE DE LUTTE

A atenção à saúde no período gestacional não se restringe à consulta pré-natal, estende-se também ao grupo de gestantes ou casais grávidos, aos atendimentos em sala de espera e domiciliar e às visitas domiciliares. Constitui-se de uma série de ações e de estratégias estabelecidas e construídas em co-participação com a clientela, objetivando a saúde da mulher e de seu filho, o acompanhamento do processo de gestar e a preparação para a maternidade e paternidade (ZAMPIERI, 2005).

A gestação é uma das fases do ciclo de desenvolvimento humano, cujas cadeias de ocorrências estão ligadas entre si direta ou indiretamente, fazendo parte do processo de nascimento que engloba o período que vai desde a pré-concepção até o pós-parto, incluindo os cuidados com o recém-nascido (RN). Este processo especial na vida da mulher e da família constitui-se em um período de transição do desenvolvimento humano extremamente importante. A gravidez caracteriza-se, por ser uma experiência humana complexa, transitória, especial, singular e multidimensional que envolve a mulher, o seu parceiro, a família e a sociedade. Não é apenas um evento isolado, nem descontextualizado dos demais processos que acontecem no ciclo de desenvolvimento humano Na gestação ocorrem grandes transformações físicas, emocionais, culturais, psicológicas, sociais, pessoais e alterações de ritmo de vida e de papéis, influenciadas pelos sistemas pessoais, sociais, culturais, educacionais, econômicos e políticos (ZAMPIERI, 1998).

Para Cunninghan (2000) e Freitas et al. (2006), a gestação pode e deve ser considerada como um estado fisiológico normal, e por isso sua evolução, em 90% dos casos, se dá sem intercorrências. Infelizmente, para Cunninghan (2000), a complexidade das alterações funcionais e anatômicas que acompanham a gestação tende, na opinião de alguns, a estigmatizar a gravidez normal como um processo patológico.

vida ora é encarada como doença. É vista por Maldonado (2000) como um estado de crise que pode ser saudável, gerando crescimento e amadurecimento pessoal e familiar, ou uma crise que pode ser patológica, podendo levar a gestante e/ou família a um desequilíbrio, desintegração ou desorganização. Tudo depende de como a mulher e familiares encaram a vida, de suas experiências, vivências, preparo, desejos e dos recursos de que dispõem. Neste momento vital, vários fatores interagem e influenciam, entre eles: a história pessoal, os antecedentes gineco-obstétricos, o momento histórico da gravidez, a aceitação da gravidez pela gestante e família, as condições sócio-econômicas, culturais e espirituais, a formação educacional e o fato de estar ou não realizando o pré-natal (ZAMPIERI, 1998).

A gravidez tem um caráter individual, já que cada mulher a vivencia de forma única, podendo ainda se diferenciar para uma mesma mulher em cada nova gestação. Contudo, a gravidez também é um evento social, envolve o coletivo, uma vez que mobiliza a atenção do meio no qual a mulher está inserida e, de uma forma mais ampla, o sistema social (Ibidem, 1998). Está inserida numa teia de relações, de acontecimentos interdependentes que ocorrem no seio de uma família e na sociedade. A maneira como é conduzida a gestação pode refletir na saúde da mulher e na saúde mental do recém-nascido, na formação da personalidade desse novo ser, nas suas interações com os outros e com a vida. Sendo assim, além de cuidar da mulher, é fundamental cuidar do novo ser que carrega, como a sua mãe e todos os humanos, a forma inteira da condição humana, a vida e o cosmos.

As experiências que a mulher, o acompanhante e os familiares vivenciam no seu nascimento com o bebê intra-útero e após o nascimento influenciam a gravidez, o estabelecimento de vínculos com o bebê intra-útero e após o nascimento. Todas as suas experiências e vivências ao longo da vida, interconexões e inter-relacionamentos com as pessoas e o mundo têm importância e significado nessa etapa da vida.

O nascimento, a infância e a adolescência estão relacionados e repercutem na gravidez Os ambientes em que as gestantes crescem, atuam e vivem, as relações estabelecidas na família e no trabalho, as questões sociais, culturais e educacionais estão associadas à gravidez. Forma-se assim uma complexa rede de relações intersubjetivas e de dialogicidade. Desta forma, não podemos ver a gestação, a gestante e todos os envolvidos nesta fase especial da vida sem inseri-los no conjunto de contextos e sistemas sociais, culturais ou outros, nos quais interagem, estabelecem acordos e decidem (figura 1).

A atenção primária de saúde à mulher grávida ou a atenção pré-natal também apresenta esta complexidade, tendo determinadas características diferentes de outros níveis de atenção, entre elas, a extensão e capilaridade desta rede de atenção e as demandas de saúde,

que se encontram muitas vezes na fronteira entre os “problemas da vida e da gravidez” e a “patologia”. Tais situações não podem ser solucionadas apenas com o arsenal diagnóstico- terapêutico da biomedicina. Esta complexidade reforça a importância do uso de tecnologias leves ou relacionais que podem auxiliar na identificação das necessidades das gestantes e na negociação de ações para satisfazê-las naquele ou em outros espaços institucionais. Reforça ainda a importância da ação interdisciplinar e da articulação intersetorial, já que a atenção à gestante na unidade local de saúde gera uma multiplicidade de outras demandas (psicológicas, sociais, entre outras), que aí se apresentam pela ausência de outros espaços sociais de expressão (TEIXEIRA, 2005).

As unidades de saúde à disposição das gestantes e familiares estão articuladas e têm uma relação de interdependência com os outros serviços de saúde e sistemas sociais, educacionais, econômicos, políticos e outros que compõem a comunidade e o mundo, constituindo um todo interconexo que influencia e é influenciado.

A compreensão da complexidade das relações entre os serviços, entre os seres humanos e destes com os outros seres e com o planeta, tornam a gestação e os atores que dela participam parte de um todo que, concomitantemente, tem o todo e a ele pertence. Nesta perspectiva, entendo que a atenção pré-natal deva ser compreendida considerando toda esta dinamicidade, toda esta complexidade, todo este movimento que envolve a vida, os seres humanos e a teia de relações e interconexões que se estabelecem no viver.

Para tanto, é importante também procurar compreender a evolução histórica das práticas estabelecidas no que concerne à atenção pré-natal, bem como as relações estabelecidas ao longo dos anos. Isto pode nos servir de subsídio para implementar ações exitosas, transformar algumas práticas, evitando erros que porventura tenham ocorrido em outros locais e manter as experiências que vêm dando certo.

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