1.4 Our main contributions
1.4.2 Highlights
Investigando as esferas de poder que regem as sociedades, Michel Foucault se deparou com uma espécie de ordem que está por trás de todos os discursos. Sob a estrutura dessa ordem, a produção do discurso é “ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade” (FOUCAULT, 2002: 8-9). Seriam os procedimentos externos de controle e delimitação do discurso (a interdição, a separação/rejeição, e a vontade de verdade), internos (o comentário sobre um texto, o princípio de autoria, e as disciplinas que dirigem-se a um determinado plano de objetos) e ainda a imposição de regras aos sujeitos do discurso (os rituais, doutrinas, e a apropriação social dos discursos). A fanfiction também levanta uma série de questionamentos pertinentes às preocupações de Foucault e aos demais estudiosos da linguagem, literatura e análise do discurso. O fenômeno traz novas perspectivas para as noções de autoria, interdiscurso, interpretação, alteridade, formação e heterogeneidade discursivas, e uma abordagem nesse sentido não deve deixar de fora o texto da fanfiction, o ficwriter enquanto sujeito e autor (“autor”?) e a indústria cultural como um agente disseminador de discursos e significados.
Jenkins (1992) havia identificado dez diferentes estratégias de escrita que os fãs de seriados de TV empregam para interpretar, apropriar e reconstruir o texto original canônico: recontextualização, onde os fãs costumam preencher os vácuos existentes na condução das tramas originais, aproveitando para fornecer mais explicações sobre a conduta dos personagens; expansão da linha do tempo do seriado, que usa pistas do texto-base para apresentar histórias inéditas dos personagens canônicos que precedem ou sucedem fatos do enredo oficial; refocalização, no qual os ficwriters investem mais atenção e espaço para contar ações de personagens secundários do cânone; realinhamento moral, que borra as fronteiras entre o bem e o mal, permitindo-nos ver o ponto de vista dos vilões, ou transformá-los em heróis; mudança de gênero narrativo, no qual geralmente ocorre uma valorização do relacionamento pessoal (principalmente o
romance) entre personagens, em detrimento da ação; crossover, que conforme foi dito, mescla universos canônicos distintos; deslocamento de personagens, quando estes são removidos de suas situações originais e ganham identidades e ambientação alternativas, como colocá-los em outro período histórico; personalização, que mexe com a intersecção que separa o ficcional de sua própria experiência de vida, inserindo-a nas histórias com a inserção de personagens estilo Mary Sue ou pessoas reais; intensificação emocional, que foca na reflexão dos personagens a respeito de problemas psicológicos, conflitos de personalidade e dificuldades profissionais (o subgênero que notadamente investe nisso é o hurt to confort); e a erotização, que como sugere, explora a dimensão erótica dos personagens, dimensão esta que raramente é explorada dentro do cânone. Esta última categoria se desdobra em muitos tipos de fanfiction que exploram as diversas facetas do que se define como erótico. Sexo explícito heterossexual, sadomasoquismo, homossexualismo masculino e feminino, estupro são assuntos recorrentes nas histórias consideradas eróticas.
A análise de discurso francesa, sobretudo Michel Pêcheux, toma como ponto de partida o fato de que o sujeito é “assujeitado”, isto é, age por forças acima dele, e seu discurso seria a reprodução de discursos anteriores a ele, portanto cada indíviduo carrega consigo uma determinada formação discursiva. Para Pêcheux, o sujeito “se encontra representado, isto é, presente, mas transformado... funciona nos processos discursivos como uma série de formações imaginárias” (PÊCHEUX apud INDURSKY, 2000: 70). Pêcheux também busca uma teoria que se preocupa em articular inconsciente e ideologia; esta interpela os indivíduos em sujeitos, sem que estes se dêem conta. Aqui na análise do discurso, o conceito de ideologia seria o que está presente no interior e no exterior do discurso ao mesmo tempo, algo que constitui a prática discursiva e que dá ao sujeito a crença de ser senhor do seu discurso; assim, “não há sujeito sem ideologia, embora ela não seja um processo da ordem do consciente” (idem, ibidem). Os sujeitos são sociais, históricos, ideológicos e dotados de inconsciente.
A contribuição de Dominique Maingueneau refere-se à noção de interdiscurso, um processo que tem precedência sobre o discurso, ou seja, “a unidade de análise pertinente não é o discurso, mas um espaço de trocas entre vários discursos convenientemente escolhidos” (MAINGUENEAU, 2005). Além disso, “cada um introduz o Outro em seu fechamento, traduzindo seus
enunciados nas categorias do Mesmo e, assim, sua relação com esse Outro se dá sempre sob a forma do “simulacro” que dele constrói” (idem, ibidem).
Apoiada no dialogismo de Mikhail Bakhtin e na psicanálise de Freud e Lacan, Jacqueline Authier-Revuz sugere o uso de duas categorias para o estudo da lingüística: as chamadas heterogeneidades “mostrada” e “constitutiva”, sendo a primeira a que permite apreender termos e sentenças que mostram claramente sua origem exterior (discurso relatado, autocorreções, palavras entre aspas etc...), enquanto a segunda não deixa marcas visíveis: os enunciados estão tão ligados ao texto que não podem ter suas origens imediatamente identificáveis. Para a autora, esta última é uma forma de estudo mais arriscada, porque “joga com a diluição, com a dissolução do outro no um, onde este, precisamente aqui, pode ser enfaticamente confirmado mas também onde pode se perder” (AUTHIER-REVUZ, 1990: 34).
A noção de autoria que parece mais adequada para o que propõe esta pesquisa é a de Foucault, que entende o autor não “como o indivíduo falante que pronunciou ou escreveu um texto, mas o autor como princípio de agrupamento do discurso, como unidade e origem de suas significações, como foco da sua coerência” (FOUCAULT, 2002: 26). A atribuição dada ao chamado autor varia conforme o domínio de conhecimento, como filosofia, ciência e literatura; é nesta última, no entanto, que a noção se mostra mais forte, pois sempre buscamos descobrir quem é o autor deste ou daquele texto, para articularmos as suas vivências reais com a unidade da história escrita.
Temos aí uma série de noções que precisam ser investigadas na relação entre fãs, fanfiction e as histórias originais. Em primeiro lugar, a questão do sujeito – “assujeitado” e atravessado por uma ideologia que a ela é atribuída o sentido do que está sendo dito – é bastante delicada aqui porque parece ser crucial para compreender as decisões tomadas na produção de uma fanfiction. Afinal, existe uma ideologia de cunho feminista operando sobre o(a) escritor(a) de uma fanfiction do subgênero slash, por exemplo? O(a) escritor(a) realmente está manifestando sua personalidade na escolha por esse tipo de história ou apenas age movido por forças maiores que ele(a)? E se existem ideologias nos discursos, de onde vêm? A indústria cultural divulga com maior intensidade esta ou aquela ideologia, e assim influencia e incentiva a audiência a reproduzir efeitos ideológicos por meio de fanfictions? E quem são realmente autores neste processo: os criadores originais, os ficwriters ou ambos? Volto novamente aos
depoimentos dos voluntários para rever algumas das respostas apresentadas no capítulo X, além de outras não-mostradas anteriormente, para a pergunta “Qual seria sua maior inspiração, então? Os livros/filmes/quadrinhos ou sua experiência de vida?”
(A)
A. C. Fields: livros, filmes e a vida em si
(B)
Lilith: Livros e minha própria experiência.
(C)
Lexas: Eu diria que tudo. Os livros por representar uma experiência que não precisou ser vivida
por mim, mas pode ser tomada emprestada. As fanfics, por ser um convite a engenharia de criação de cada escritor e, claro, minha própria vida.
(D)
Lyn: O próprio cânone. Quando revejo um episódio ou penso em um personagem, logo surgem
idéias para fanfics. Essa é a principal fonte, apesar de não ser a única. Coisas do cotidiano também influenciam: sensações, situações, notícias, histórias...
(E)
Costelinha: Pessoalmente, eu vou mais na intuição. Minhas percepções do mundo acabam
entrando diretamente nas minhas fics, expressando por vezes meus medos e dúvidas ou apenas meu modo de ver a vida.
(F)
Hogwarts2007: Acho que minha maior inspiração são minhas experiências, eu acho. Mas talvez
seja só imaginação mesmo. Me baseio em uma problemática e escrevo sobre ela. Como eu escrevo, como organizo as idéias, é mais influenciado pelos livros e pelas outras fics.
(G)
Márcio: Acha qua escrever fanfiction é uma maneira de fazer parte do cânone, ainda que de uma
forma independente?
Ana Lu Cortez: Com certeza, acredito! Eu gosto de escrever pensamentos de determinados
personagens por isso, eles nos dão uma gama de emoções e sensações e isso nos ajuda a criar nossas estórias.
(H)
Costelinha: Acredito que a fic é uma forma de espairecimento das idéias que vem com a leitura
do cânone. É algo que fazemos como parte de nosso cotidiano muitas vezes, como quando nos perdemos em pensamentos. Cada um de nós já é parte integrante do cânone quando compartilhamos de suas histórias e/ou situações. Vemo-nos enredados por esse sistema.
(I)
Kira: Acredito sim que escrever (e ler, é claro) é uma forma de se manter perto do seu canon, de
uma forma difícil de se desvencular, uma vez que escrever/ler sobre um canon mantém o canon vivo; é só um chute, mas acredito que muitos animes/mangás/afins fiquem vivos mesmo muito tempo depois de terminarem simplesmente porque os fãs gostam e continuam a falar deles, especulando, discutindo questões, e fics são apenas uma extensão dessas discussões, são as discussões e especulações em palavras próprias; de certa forma, fics são independentes, mas se a pessoa escrevendo escolheu escrever uma fic, e não criar uma história original (...), então não há independência porque a pessoa escolheu vincular suas idéias a uma obra que pertence a outra pessoa, portanto, não acredito que há independência entre fics e canon - por mais que o escritor se distancie do canon, há sempre um eco, uma sombra do canon em sua escrita, não tem como separar os dois.
As declarações dos voluntários apresentam um conflito interno que é natural dessa prática de literatura. Nos depoimentos (A) a (F), eles se dividem quando é perguntado de onde viria a inspiração para escrever: “A. C. Fields”, “Lilith” e “Lexas” são mais, digamos, holísticos; não negam que as suas leituras são um material importante para obter idéias, mas as suas vivências também acabam por entrar no resultado final de alguma forma. “Lyn” também trabalha dessa forma, mas dá um peso maior aos textos canônicos. Já “Costelinha” e “Hogwarts” acreditam que as suas vidas reais sejam a maior fonte de histórias, mas a segunda faz a ressalva: “Como eu escrevo, como organizo as idéias, é mais influenciado pelos livros e pelas outras fics”.
Nas três declarações seguintes, os voluntários refletiram sobre essa problemática de “tomar posse” de conteúdo textual que não foi criado por eles. “Ana Lu Cortez” se mostra convicta, na condição de ficwriter, da sua proximidade com o material canônico porque “eles [os personagens] nos dão uma gama de emoções e sensações e isso nos ajuda a criar nossas estórias”. “Costelinha” entende a fanfiction como um meio de canalizar “idéias que vem com a leitura do cânone. (...) Cada um de nós já é parte integrante (...) quando compartilhamos de suas histórias e/ou situações. Vemo-nos enredados por esse sistema”. A fala
de “Kira”, porém, é bastante consciente de que escrever fanfics enreda o fã escritor de uma “forma difícil de desvincular, uma vez que escrever/ler sobre um canon [cânone] mantém o canon vivo”. Ela ainda defende que “se a pessoa escolheu escrever uma fic, e não uma história original, então não há independência porque escolheu vincular suas idéias a uma obra que pertence a outra pessoa (....) há sempre um eco, uma sombra do canon em sua escrita”.
Essas declarações pesam na balança a questão do sujeito “assujeitado”, ou seja, do indivíduo que transmite um discurso e uma ideologia exteriores que não são dele, contra uma intencionalidade premeditada dos ficwriters. Bakhtin não exclui a idéia de que o discurso seja algo alheio à história, porque “o discurso do sujeito reflete no e sobre o seu tempo” (MAGALHÃES, 2003: 81). Mas Bakhtin afirma que existe esse querer dizer que, a meu ver, também está presente na atitude dos voluntários da pequisa:
Em qualquer enunciado, desde a réplica cotidiana monoleximática até as grandes obras complexas científicas ou literárias, captamos, compreendemos, sentimos o intuito discursivo ou querer dizer do locutor que determina o todo do enunciado: sua amplitude, suas fronteiras. (...) O intuito, o elemento subjetivo do enunciado entra em combinação com o objeto do sentido – objetivo – para formar uma unidade indissolúvel, que ele limita, vincula à situação concreta (única) da comunicação verbal, marcada pelas circunstâncias individuais, pelos parceiros individualizados e suas intervenções anteriores: seus enunciados (BAKHTIN apud MAGALHÃES, 2000: 81).
Esse equilíbrio se mostra central na relação dos fãs com o cânone. Remetendo novamente à questão do interdiscurso, é possível apontar a fanfiction como um lugar onde se encontram diversas formações discursivas, que por sua vez se acomodam em diferentes atores: o escritor da fanfic, o criador do cânone – ou criadores, visto que muitos universos ficcionais da indústria cultural são criados por equipes de roteiristas – e ainda os demais fãs de uma fandom que colaboram escrevendo, revisando e comentando fanfics alheias. Sob essa perspectiva, a fanfiction seria um ponto de intersecção de discursos variados, e isso fica mais perceptível usando tanto as categorias de heterogeneidade mostrada e constitutiva propostas por Authier-Revuz, quanto os dez tipos de releitura em fanfiction encontrados por Jenkins.
As nove fanfictions que servem de corpus a esta pesquisa entram nessa interessante contradição de trazer a marca pessoal dos ficwriters, mas ao mesmo tempo é perfeitamente possível imaginar suas histórias na ambientação ficcional
existente no universo canônico. Vejamos os casos de A marcha do destino e Índole desfeita, as fanfictions de “A. C. Fields” e “Lilith” sobre Star Trek. Na primeira, um cientista da Frota Estelar, aposentado depois de perder a mulher que amava em um ataque borg, é convocado de volta à ativa para ajudar a encontrar uma solução definitiva pro problema borg. A segunda – que faz parte de uma fanfic em andamento, mas pode ser entendida separadamente das demais partes – é sobre uma soldado alienígena que vive numa nave da Frota como Primeira Oficial. A tripulação se depara com o primeiro contato com os borgs, e o confronto culminará na destruição da nave dos protagonistas, a USS Atlantis. Ambas trazem praticamente apenas OCs (original characters, personagens originais) mas como exemplo de heterogeneidade mostrada, citam nominalmente elementos de ST, como a Federação e as raças vulcanos, borgs, klingons e romulanos. O vocabulário tecnológico, a hierarquia da tripulação das naves, a relação com as raças inimigas, tudo isso é facilmente identificável por um fã de Star Trek, mas os OCs e o relacionamento entre eles são responsáveis pela carga pessoal depositada pelas duas escritoras. Vejamos alguns trechos que demonstram essa intenção:
(I)
Do fundo de seu coração, o cientista esperava que a bela meio-vulcana estivesse morta. O simples pensamento do rosto de T’Zalin deformado pelos implantes tecnorgânicos dos borgs fazia uma raiva surda emergir dentro de si. Tiveram muito pouco tempo juntos. Nos três anos que passaram a bordo, de colegas passaram a bons amigos, confidentes. Trocavam pensamentos, amenidades, filosofias. A jovem tinha uma formação sólida sobre a história do pensamento terrano e vulcano, e Gillenormand sempre fora um curioso nesse assunto. Não sabia quando a amizade tornara-se algo mais profundo. Em algum momento, os olhos verdes de T´Zalin tornaram-se mais importantes do que a posição das estrelas nos mapas cartográficos. Manteve seu coração calado, não querendo correr o risco da descoberta de não ser correspondido. (A marcha do destino, de “A. C. Fields”) (II)
Foi interrompida por um disparo. Esconderam-se em um corredor lateral. Estavam próximos da sala de transporte principal, para onde presumiram – acertadamente – que o fugitivo teria seguido. Finalmente, o alarme soou e luzes vermelhas começaram a piscar. O cientista usou o comunicador. - Gillenormand para Ponte. O que está havendo?
“- Tenente, a nave maqui foi invadida e ocupada. Os invasores conseguiram colocar um agente infiltrado na Centaurus e ameaçaram detonar um dispositivo radioativo dentro da nave maqui se fizéssemos qualquer coisa... Porém, a situação lá já foi controlada.” (A marcha do destino, de “A. C. Fields”)
(III)
Subira e fora atacada como esperava.
Primeiro por zangões obstinados que foram transportados as dezenas para o casco onde estava. Mas logo pararam, sem dúvida a expressão ‘é inútil’ que tanto diziam se mostrava aplicável ali. De fato tudo que podiam fazer era atrasá-la mas o status de ‘ação sem utilidade real’ era solenemente ignorada por seu lado... humano.
Ali estava não para salvar a nave ou para destruir simplesmente seus antigos inimigos.
Ali estava para salvar seus amigos da sorte de todos os outros. Salvar os que pudesse. Todos que pudesse...
Abriu caminho até a comporta que a levaria para o refugio de D’Angelis, mas ao se deparar com os escombros daquele local uma pontada de Sarah McKenna obliterou as telemetrias da Kyrrakitur. - Jordan... – ela murmurou com dificuldade, como se não falasse há séculos, depois de remover paredes, metal, circuitos e toda sorte de material da nave e contemplar o corpo ensangüentado do amor de Diana, do amigo de Joshua e Hans, de seu amigo...
Colocou-o no colo e ele abriu os olhos com um gemido fraco.
- As bombas, Sarah... não as esqueça... – e tossiu sangue sobre ela, que o fitava compadecida. Não necessitava de uma analise mais acurada para saber.
Cobriu o rosto dele com uma das mãos e fez o caminho de volta. Como protegê-lo?
A resposta, absurda, veio rápida: ‘ prendê-lo a si nas costas, o campo de força se estenderá a carga’.
Carga? Sim, era o que ele era agora. Mas e o ar?
‘Um bolsão de ar de pequeno porte ficará entre o soldado e a carga. Sustentará a criatura por alguns minutos, se o soldado for rápido’.
Conclusão interessante, diria em outras ocasiões... (Índole desfeita, de “Lilith”) (IV)
Sarah ouvia sua própria consciência indagar à sua alma que se afligia – não por ela própria, mas com os outros a sua volta – o que ainda podia fazer. Ouvia os pensamentos de angústia, medo, aflição e dor, mas não eram seus, eram de seus companheiros, vivos e mortos...
E sentiu o desespero de Jevlack tragá-la por um segundo... “SARAH!!!”
“Não, amor, não se preocupe...”
Disse a ele como se aquilo fosse possível de se pedir, sabendo que ele estava a caminho dali, que mandara tudo às favas para tentar ajudá-la...
Não, ele não chegaria a tempo... (Índole desfeita, de “Lilith”)
Em A marcha do destino, Gillenormand é o tenente que viu sua amada
aparentemente morrer anos antes do tempo presente na fanfic, mas na história ele descobre que foi “assimilada” e tornou-se uma borg, isto é, uma pessoa com implantes ciborgues. Nos trechos selecionados, vemos que a escritora consegue tanto valorizar o romance entre os personagens – romance geralmente é um elemento secundário em Star Trek – quanto as cenas de ação que são comuns ao seriado. O trecho citado evoca uma cena recorrente no programa, na qual um veículo inimigo abre fogo contra a espaçonave dos protagonistas. Índole desfeita também emprega esse equilíbrio de gêneros, embora o plot da história apresente mais ação que A marcha do destino. Ainda assim, “Lilith” conseguiu incluir pequenos momentos que citam o amor e companheirismo entre os personagens. Nos trechos, o foco é na oficial Sarah McKenna, que é meio humana, meio vulcana (que nem Spock, personagem orginal de ST), e sua origem vulcana se manifesta na úitima frase do trecho (III): “Conclusão interessante, diria em outras ocasiões...”, pois a raça vulcana é conhecida por sua natureza lógica. As duas escritoras, portanto, deixam transparecer em seus textos que, embora haja
uma preocupação constante em não se desviar do padrão canônico, elas também estão interessadas em contar as “suas” histórias, e o fato de usarem personagens criadas por elas mesmas ajuda a reforçar essa intenção.
(V)
- Gwen??? Gwen!! Meudeusmeudeusmeudeusmeudeusmeudeusmeudeus... - Sim? – brinca o simpático velhinho.
- É você mesmo? A minha Gwendolyne?
- Sou eu mesma – respondeu a loira. – apesar de ter sido sua namorada, eu não sou sua. Agora eu pertenço ao universo, você entenderá quando chegar a sua hora.
- Eu...eu...se eu não tivesse...se eu tivesse...
- Peter, se minha mãe tivesse bigode, eu teria dois pais. Aconteceu. Simples assim. Não há porque ficar se martirizando durante todos estes anos. Todo mundo morre, aquela foi minha hora. É como Yng e Yang. Partes de um todo. Vida e morte, amor e ódio, paz e guerra. O que me doeu todo este