particularités et exploitation
IV. Guerre des mines : menace et solutions
É incontestável que a ciência ainda não conseguiu dar resposta, pelo menos cabal, a algumas preocupações públicas nacionais e internacionais relevantes, para as quais o seu contributo é imprescindível; falamos de temas tão pertinentes quanto desafiantes como por exemplo a saúde, ambiente, paz, crescimento populacional ou espaço38. Mas
democrático. E por outro lado, um tecido empresarial que não recorra a sofisticados processos e infraestruturas de natureza científica e tecnológica.
38 Detendo-nos apenas no tema da saúde humana, retomemos o exemplo citado sobre o actual surto de ébola, vírus para o qual a ciência ainda não foi capaz de apresentar uma solução preventiva ou tratamento. Hoje mesmo os meios de comunicação social dão conta nos seus blocos noticiosos de que dois médicos norte-americanos, infectados com o vírus na Libéria onde se encontravam a tratar doentes com a febre hemorrágica causada por este vírus e entretanto transportados para o seu país sob fortes medidas de controlo da doença, estão a ser alvo de tratamento com um fármaco experimental (que apesar de existir há algum tempo ainda não havia sido testado em humanos), e cuja utilização foi excepcionalmente autorizada pela Agência Americana do Medicamento – FDA (Food and Drug Administration) –, dada a situação limite em que ambos os pacientes se encontram. É também do domínio público que ambos estão a reagir até ao momento positivamente ao tratamento inovador, apresentando melhorias do seu estado clínico. O que tem despertado uma esperança pública neste fármaco (manufacturado a partir de folhas de tabaco modificadas, que demoram semanas a crescer) como possível cura para esta doença (cf. Programa Edição da Manhã da estação televisiva Sic Notícias, de 6 de Agosto de 2014; U.S. Food and Drug Administration – http://www.fda.gov/ [consultada em 6 de Agosto de 2014]). Todavia, o director do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas – NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases) – http://www.niaid.nih.gov/Pages/default.aspx [consultada em 6 de Agosto de 2014], Anthony Fauci, já fez saber que é prematuro considerar esta droga particularmente promissora, porquanto os testes em animais são muito pobres e o seu uso em humanos restringe-se a estes dois casos apenas, pacientes que estão ainda em tratamento, embora aparentemente com efeitos favoráveis. Para mais informações, ver: http://www.niaid.nih.gov/Pages/default.aspx.
Mas são igualmente exemplo, a prevenção e cura de doenças do foro oncológico; onde já se registam, apesar de tudo, progressos científicos notáveis – de que são exemplo a vacina de prevenção contra o vírus do Papiloma Humano (HPV), que apresenta algumas estirpes que estão na génese de muitos dos casos de cancro do colo útero registados; as elevadas taxas de tratamento com sucesso de variadíssimos tipos de tumores malignos se detectados em fases precoces da doença; e ainda a longevidade de muitos doentes que conseguem viver períodos consideráveis com a doença, com relativa qualidade de vida, mesmo que não curados (de resto, algumas correntes actuais apontam mais para
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uma visão alargada da ciência implica que atentemos para a natureza da sua acção e dos seus objectivos, por um lado e, por outro, também para os seus limites.
Os limites da ciência remetem-nos para condicionalismos intrínsecos ou metodológicos, fronteiras do conhecimento e limitações de ordem técnica ou económica39.
Por condicionalismos intrínsecos entende-se a alegada incapacidade humana de compreender tudo o que desejavelmente gostaríamos, ou eventuais desajustamentos do método científico. Os limites da ciência associados à pretensa exaustão de algumas áreas científicas mereceram alguma reflexão por parte da comunidade científica. A história da ciência mostra-nos que, com efeito, algumas áreas científicas apresentaram períodos de alguma estagnação, mas tais foram profundamente abalados por transformações imprevisíveis. A ciência tem demonstrado ser pródiga a oferecer-nos futuros com que não sonhávamos e, outras vezes, limites inesperados; no fundo, o mesmo será dizer que está sempre a propor-nos novos futuros e a eliminar não só passado e presente mas também velhos futuros. E é neste sentido que muitos defendem que enquanto houver homem haverá ciência, porquanto o progresso do conhecimento abre igualmente os horizontes do desconhecido e revela novos contornos da nossa ignorância.
Os limites à ciência e ao desenvolvimento tecnológico conhecem também constrangimentos de natureza económica, já que o empreendimento científico e tecnológico requer avultados investimentos em pessoal e equipamentos. Não é possível fazer investigação avançada sem instrumentação precisa de última geração, e vivemos dias de permanente actualização de equipamentos crescentemente sensíveis e precisos, operando por essa via uma rápida desactualização dos existentes. Neste sentido, tem-se procurado colmatar esta limitação de natureza financeira, com as instituições científicas a fazer um esforço por aumentar a sua produtividade científica40, com a finalidade de captar financiamentos, públicos e privados, e também a fazer a aposta em estratégias de
desenvolvimentos no sentido de a doença oncológica vir a tornar-se uma doença crónica – tal como a diabetes, a hipertensão ou doenças do foro respiratório como a asma – e não tanto uma doença curável em todos os casos), entre tantos outros casos que poderíamos apresentar. Para mais, detalhes, v. por exemplo, “Cancro está a deixar de ser „incurável‟ para passar a ser “doença crónica”, em Revista Visão, (disponível em: http://visao.sapo.pt/cancro-esta-a-deixar-de-ser-incuravel-para-passar-a-doenca- cronica=f774425 [consultado em 31/08/2014]), e em Diário de Notícias (disponível em: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3776801 [consultado em 31/08/2014]). 39
Como discutido em Bernardo, 2013.
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auto-sustentabilidade através da comercialização de inovações tecnológicas numa estreita relação com os agentes económicos.
À semelhança do que acontece com qualquer actividade humana, a ciência é condicionada pelas circunstâncias e pelos agentes que a permeiam. Mas, baseando-se na clareza de objectivos e métodos, tal permite-lhe, por um lado, menor permeabilidade a influências externas que a verificada noutras actividades humanas e, por outro, maior controlo de fenómenos de fraude que os mecanismos de auto-controlo têm permitido detectar e corrigir41.
Mas sejam quais forem os condicionamentos com que a ciência se depare, em última instância estará apenas circunscrita aos limites da própria curiosidade humana42, da nossa criatividade e empenho em continuar a desvendar os inesgotáveis segredos do mundo em que vivemos. A relação entre sociedade e ciência sempre foi pautada por novos e desafiantes problemas, e continuará a sê-lo no futuro com questões de maior complexidade. O poder político toma as suas decisões cada vez mais baseadas em conhecimentos científicos e os cidadãos43 são chamados a pronunciar-se sobre matérias de importância global. A crescente intervenção da ciência na sociedade, mas também da sociedade na ciência, deverá conduzir-nos a uma aproximação entre ciência e sociedade, numa postura de diálogo entre comunidade científica e comunidade civil, na procura de consensos alargados e decisões com vista à resolução desses problemas.