• Aucun résultat trouvé

GRF financial statements not reliable

Dans le document Report of the Provincial Auditor (Page 129-135)

Segundo o Governo do Estado da Bahia, foram necessárias profundas “mudanças não apenas na estratégia e no modelo de desenvolvimento que orientou as decisões públicas nas últimas décadas, mas, também, nas formas de relacionamento Estado/Sociedade e na condução do aparelho administrativo”.

Para tanto, o Governo aprovou, em 14/11/2007, a Lei nº 10.705, que “Institui o Plano Plurianual da Administração Pública Estadual, para o período de 2008-2011, e dá outras providências”. De acordo com a lei:

Art. 1º – Fica instituído o Plano Plurianual para o período de 2008/2011, estabelecendo de forma regionalizada, conforme o disposto no art. 159, § 1º, da Constituição do Estado, as diretrizes, objetivos e metas da Administração Pública Estadual para as despesas de capital e outras dela decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada, na forma do Anexo Único, desta Lei.

Com a aprovação desta lei, o executivo estadual elaborou então o Plano Plurianual 2008-2011, que entre outras coisas buscou expressar:

Os compromissos e os objetivos do Governo da Bahia, representados na Visão de Futuro da Estratégia de Desenvolvimento da Bahia: a construção de um Estado cuja população desfrute de qualidade de vida, maior participação nos resultados econômicos, com equilíbrio social e étnico, integrado nacional e internacionalmente.

Diz ainda:

O modelo de gestão adotado e que passou a orientar as nossas ações governamentais está baseado na Governança Solidária, que tem como elementos centrais os seguintes princípios: a Ética no tratamento das questões públicas; a Democracia permeando a relação entre governo e sociedade; a Transparência e o Controle Social das ações de governo, especialmente através dos conselhos de políticas públicas e dos fóruns territoriais; a Participação Cidadã na formulação e implementação das políticas públicas; o compromisso com a Efetividade e a Territorialização das ações e, por fim, a Transversalidade e a Descentralização administrativa.

Segundo o Governo, para viabilizar as intenções e objetivos mencionados anteriormente, foi inaugurado um processo de planejamento no Estado que permitiu “a inclusão efetiva da sociedade civil na formulação e implementação das políticas públicas”. Este processo se centrou nas plenárias participativas do PPA, realizadas nos 26 Territórios de Identidade, permitindo a construção de políticas adequadas às necessidades e potencialidades locais:

Em relação aos resultados obtidos com o PPA Participativo, merece destaque o fato de que em todas as plenárias foram identificados como prioridades os temas ligados à educação, saúde e geração de emprego e distribuição de renda, com ênfase na agricultura familiar.

O PPA participativo foi uma iniciativa do Governo do Estado, pela qual, representantes dos mais variados segmentos da sociedade – movimentos sociais,

produtores, comerciantes, cooperativas, indígenas, quilombolas, pescadores, professores, estudantes, ambientalistas, agentes culturais e de turismo, acadêmicos, religiosos, agentes públicos, ONG’s, Fóruns, conselhos, entre outros – participaram dos encontros e puderam, de acordo com o Governo, sugerir propostas e decidir sobre os temas prioritários para os Territórios de Identidade. Para o executivo estadual:

O processo tradicional de elaboração dos orçamentos públicos era inacessível à cidadania, estabelecendo uma distância intransponível entre governo e sociedade, orientando estes instrumentos unicamente para critérios de validade tecnicista, sem diálogo com a comunidade, a principal beneficiária das ações governamentais.

No caminhar da viabilização e efetivação deste projeto, foram feitas diversas plenárias do PPA participativo, que ocorreram entre os dias 11 de maio e 17 de junho, com a participação de pessoas dos 26 Territórios de Identidade que compõem o mapa de desenvolvimento do Estado.

Segundo fontes oficiais do Governo, foram articuladas dezenas de reuniões prévias, seminários e debates, em vários municípios, com 12.343 representantes dos segmentos sociais credenciados nas plenárias do PPA Participativo, reunindo cerca de 40 mil pessoas, que estiveram envolvidas com os debates. A metodologia utilizada compreendeu a divisão por grupos temáticos, que apresentaram suas “propostas que, após serem analisadas em suas consistências e enquadramentos, compuseram os programas e as ações das Secretarias do Governo no PPA 2008-2011”.

Partindo dessa compreensão, o Governo do Estado evidenciou, então, a profunda sintonia entre as propostas do Governo e as demandas da sociedade, e a partir desse momento iniciou o processo de construção do Plano Plurianual, que tem sido a diretriz para a elaboração e implementação dos programas, projetos e ações, no Estado.

As plenárias indicaram como prioridades temáticas por Territórios de Identidade para o Plano Plurianual, por ordem de indicação, respectivamente: Educação, Saúde, Agricultura, Trabalho, Agricultura, Inclusão e Meio Ambiente. No caso do Território Litoral Norte e Agreste Baiano, que é o que mais nos interessa neste estudo, as

prioridades definidas foram, respectivamente: Saúde, Educação, Agricultura, Trabalho e Segurança.

É preciso destacar que o “Esporte” e o “Lazer” em nenhum momento é tratado como uma prioridade, nem por parte do Governo, nem por parte do Território. No instante em que o Governo Wagner assume o poder na Bahia e introduz um modelo de gestão da política de desenvolvimento do Estado, que passa pela consulta aos Territórios de Identidade e a elaboração e implementação do Plano Plurianual, é que as prioridades que ganham destaque são: educação, saúde, geração de emprego e distribuição de renda. Talvez isso explique a pouca atenção e o reduzido investimento realizado, nos últimos anos, no âmbito do Esporte e do Lazer no Estado da Bahia. O pensamento do Governo, expresso no documento do PPA, afirma que:

A expansão do nível de ocupação e elevação da renda da população é prioridade absoluta do Governo. Para isto estão sendo privilegiados os investimentos capazes de promover maior absorção da força de trabalho. O apoio à agricultura familiar se inscreve nesta estratégia, por meio do acesso à terra, à tecnologia adaptada e à regularização fundiária, bem como a oferta de micro-crédito e o fomento à economia solidária... Ao lado dessas iniciativas, o Governo buscará apoiar a expansão do setor de serviços, pela sua capacidade de gerar novos postos de trabalho em atividades absorvedoras de mão de-obra, tais como: serviços superiores de educação e saúde, turismo, esporte, lazer e

cultura.

Considerando o já exposto, é possível perceber que a dimensão atribuída ao Esporte e ao Lazer, nesse modelo de gestão do planejamento do Estado, os coloca na perspectiva de “gerar novos postos de trabalho”, o que representa, para esse campo, a redução de sua importância, enquanto um instrumento de desenvolvimento social e melhoria da condição de vida das pessoas. É o entendimento do Esporte e do Lazer como algo secundário, de menor importância, um benefício concedido pelo poder público e, ainda, como um objeto de geração de postos de trabalho e geração de renda.

Entretanto, o governo acredita que:

O Plano Plurianual 2008-2011 é o instrumento que nos permitirá materializar a visão de futuro e os grandes objetivos contidos na Estratégia de Desenvolvimento da Bahia e no seu modelo de gestão. Para isto é imprescindível a continuidade e o aperfeiçoamento dos mecanismos que proporcionam a mais ampla participação da população, através da indicação de prioridades e de participação no processo de implementação das ações. Esse

compartilhamento, rico na oferta de proposições, permitirá a manutenção dos objetivos deste Governo.

A distribuição dos recursos orçamentários e não-orçamentários por diretriz estratégica e programas, apresentada no Plano Plurianual 2008-2011, ratifica o espaço ocupado pelo Esporte e o Lazer na gestão do Governo, na atualidade. Estes aparecem apenas na diretriz “Promover o desenvolvimento com inclusão social” e os valores mencionados são mínimos, considerando-se o período 2008-2011.

Os recursos orçamentários previstos para o “Esporte de Alto Rendimento” foram de R$ 55.065, representando apenas 0,93% do orçamento, enquanto os recursos não- orçamentários foram de R$ 330.000, representando 5,57%. Somados, esses valores chegam a 385.065, o que significou o percentual de 1,01% para o Esporte de Alto Rendimento.

Quando a discussão é “Esporte e Lazer: Ação Participativa e Integrada”, a previsão de recursos é ainda menor, sendo da ordem de R$ 33.618 para os recursos orçamentários e significando 0,57% deste total e R$ 0,00 para o não-orçamentário. Ambos totalizam um valor de R$ 33.618, o que representa 0,09% do total de recursos previstos, segundo os dados do Plano Plurianual.

Estes dados mostram que o Esporte e o Lazer não são prioridades no atual Plano de Desenvolvimento do Estado, além disso, ainda, se convive com uma concepção que valoriza mais o Esporte de Alto Rendimento, em detrimento do Esporte Participação e Integração, demonstrando contradições no que se refere à perspectiva de inclusão social por meio do esporte e do lazer.

Essas e outras questões serão melhor delineados no decorrer da apresentação dos dados encontrados na análise dos “Relatórios Anuais de Governo”, que serão discutidos na continuidade.

Dans le document Report of the Provincial Auditor (Page 129-135)