Como componente indispensável do planeamento em saúde e etapa fundamental de qualquer projeto, a avaliação, segundo Tavares (1992), baseando-se na definição da OMS (1991), é uma ferramenta que utiliza a experiência como o objetivo de otimizar a atividade em curso, permitir uma melhor adequação do seu planeamento e tem como função determinar o grau de sucesso na obtenção do objetivo proposto. Assim, no decorrer do projeto “Cuidar de quem Cuida”, foi necessário voltar aos objetivos para proceder à avaliação das atividades desenvolvidas, das mudanças desejadas e dos resultados que pretendíamos que ocorressem com a intervenção.
A avaliação deste projeto tem como parâmetro de avaliação, ganhos em conhecimentos sobre alimentação do idoso dependentes, prevenção de UPP, posicionamentos e transferências do idoso dependente, realizada através da consecução dos objetivos estabelecidos e metas delineadas, comparando os conhecimentos antes e após a implementação do processo formativo integrado no projeto de intervenção. Para a avaliação de cada atividade formativa, foi aplicado um questionário para avaliação dos conhecimentos, antes e após cada atividade. A avaliação implica uma apreciação, baseada numa comparação entre o estado inicial e final da população alvo (Tavares, 1992). Nesta linha de pensamento, iremos dividir o momento de avaliação em dois grupos, avaliando numa fase inicial os indicadores de atividade ou execução e posteriormente os indicadores de resultado ou de impacto, contrapondo com as metas estabelecidas para este projeto.
A amostra era constituída por 20 elementos, todos do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 29 e os 80 anos (M=50,9; dp=11,22). Destes, 11 receberam formação
facilitar a análise, foi aplicado um ponto de corte, resultando na criação de dois grupos etários: 29 aos 44 anos, inclusive, e dos 45 aos 80 anos. Dada a pequena dimensão da amostra, foram aplicados apenas testes não-paramétricos. Em todas as situações se aplicou um nível de significância de 5%.
De seguida procedemos à avaliação dos indicadores de atividade referentes às atividades realizadas na consecução do projeto:
A) Avaliação das atividades de grupo
Esta foi a primeira atividade de grupo “Alimentação saudável do idoso dependente” e que contemplava os CIs de idosos ligeiramente e moderadamente dependentes. Foi entregue a totalidade de 20 convites aos CIs, participando apenas 8 nesta atividade. Desta forma, e considerando que os CIs por motivos de força maior poderiam não comparecer a esta atividade, traçamos como objetivo/meta: Conseguir que 30 % dos CIs de idosos dependentes da freguesia de Cambres participe na atividade de grupo 1 “Alimentação saudável do idoso dependente”, e para avaliar a concretização deste objetivo definiu-se a seguinte fórmula como indicador da atividade:
Nº de CIs presentes na atividade 1 em grupo
________________________________________________________________x 100 = 8/20*100= 40% Nº total de CIs convocados
Podemos concluir que a meta prevista foi ultrapassada, conseguindo um resultado de 40% de adesão à atividade de grupo 1, em relação ao valor estabelecido inicialmente, que era de 30%. Para a atividade de grupo 2 “Prevenção de UPP, posicionamentos e transferências”, foram convidados os CIs de idosos ligeiramente e moderadamente dependentes, num total de 20. Dos 20 convidados, apenas 9 compareceram a esta atividade. Deste modo, o objetivo/meta era que 30% dos CIs convidados para esta atividade participasse na mesma, definindo-se uma fórmula para avaliar o indicador de atividade ou execução:
Nº de CIs presentes na atividade 2 em grupo
________________________________________________________________x 100 = 9/20*100= 45% Nº total de CIs convocados
Mais uma vez a meta estabelecida para a atividade supracitada foi superada, atingindo-se os 45%, mais 15% da meta estabelecida (30%).
B) Avaliação das atividades individuais
Para a ação de formação individual 1 “Alimentação saudável do idoso dependente” e ação individual 2 “Prevenção de UPP, posicionamentos e transferências” foram convidados os CIs de idosos severamente e totalmente dependentes, no total de 11, participando a totalidade dos convocados. O objetivo era que 80% dos CIs convocados para estas atividades participasse nas mesmas.
Nº de CIs que participaram na sessão individual 1
________________________________________________________________x 100 = 11/11*100=100% Nº total de CIs com idosos totalmente e severamente dependentes convocados
Nº de CIs que participaram na sessão individual 2
________________________________________________________________x 100 = 11/11*100=100% Nº total de CIs com idosos totalmente e severamente dependentes convocados
Constatamos que para as duas ações de formação individuais a meta de adesão estabelecida para a atividade era de 80%, tendo-se atingido o valor de excelência (100%).
Relativamente ao acesso ao “Manual do Cuidador”, após as atividades de grupo e individuais estes foram entregues a todos os CIs que participaram nas mesmas.
Nº de CIs com acesso ao manual de apoio ao cuidador na sessão de grupo
_________________________________________________________________x 100 = 9/9*100=100% Nº total de CIs que participaram na sessão
Nº de CIs com acesso ao manual de apoio ao cuidador na sessão individual
________________________________________________________________x 100 = 11/11*100=100% Nº total de CIs em contexto domiciliário
Os valores demonstram que o acesso ao “Manual do Cuidador” por parte dos CIs envolvidos nas atividades ultrapassou a meta estabelecida inicialmente (80%), atingindo-se os 100%. Logo todos os participantes tiveram acesso ao manual.
Depois da avaliação dos indicadores de atividade, abordamos os indicadores de resultados, de forma a verificar se o objetivo primordial deste projeto foi alcançado: Capacitar os CIs de idosos dependentes da freguesia de Cambres para o processo de cuidar, ao nível da prática de uma alimentação saudável, prevenção de UPP, posicionamentos e transferências.
Análise diferencial da formação “Prevenção de UPP, posicionamentos e transferências”
Análise comparativa nos dois momentos de avaliação, por grupo etário
Os dois grupos (independentes) em análise correspondem a duas faixas etárias: 29-44 anos (N=6) e 45-80 anos (N=14). Ao analisar as pontuações dos conhecimentos sobre UPP antes da formação, verificou-se que, no grupo etário mais jovem (29-44 anos), houve uma maior dispersão nas pontuações médias amostrais (Figura 4), sendo que este grupo correspondeu a pontuações mais altas (M=11,17; dp=2,23), comparativamente ao segundo grupo (M=10,57; dp=1,02). No segundo momento, verificou-se a mesma tendência a nível de dispersão, com o grupo etário mais velho a obter pontuações mais altas (M=16,79; dp=0,97) do que o grupo dos 29-44 anos (M=12,23; dp=2,48).
Figura 4. Diagrama de extremos e quartis por grupo etário, antes e depois da formação
Legenda: UPM1 - Soma da pontuação dos conhecimentos sobre UPP momento 1; UPM2 - Soma da pontuação dos
conhecimentos sobre UPP momento 2
Para testar os conhecimentos acerca da prevenção das UPP, para cada momento, efetuaram-se testes de Mann-Whitney para duas amostras independentes. No primeiro momento, antes da formação, obteve-se um valor-p de 0,543 (U=35,00), pelo que não se alcança a significância estatística, ou seja, não há razões que corroborem a hipótese de que as médias das ordenações dos conhecimentos sejam diferentes nos dois grupos etários, inicialmente. Já após a formação, o mesmo teste obteve um valor-p de 0,055 (U=19,50), não se rejeitando também a hipótese
nula, não existindo diferenças estatísticas entre as médias das ordenações dos dois grupos etários (Tabela 16).
Análise comparativa nos dois momentos de avaliação, por tipo de formação
Nesta intervenção, houve dois tipos de formação, em grupo (N=9) e no domicílio (N=11). Com o intuito de verificar se o tipo de respostas foi diferente nestes dois grupos, efetuou-se a mesma análise que nos grupos etários. O diagrama de extremos e quartis (Figura 5) é mais evidente, mostrando uma dispersão das pontuações bastante grande no grupo que recebeu formação no domicílio, antes da mesma (M=10,09; dp=1,22), com outliers severos. O mesmo não aconteceu na formação em grupo, que obteve pontuações mais altas, com menor dispersão (M=11,56; dp=1,33). Para o segundo momento, verificou-se que o grupo do domicílio correspondeu a valores amostrais mais altos (M=17,18; dp=0,87). Os formandos em grupo obtiveram uma distribuição com a presença de outliers moderados, correspondendo a pontuações mais baixas (M=15,00; dp=1,87).
Figura 5. Diagrama de extremos e quartis por tipo de formação
Legenda: UPM1 - Soma da pontuação dos conhecimentos sobre UPP momento 1; UPM2 - Soma da pontuação dos
conhecimentos sobre UPP momento 2
domicílio, os testes de Mann-Whitney (Tabela 16) revelam evidências estatísticas de que antes da formação (M1) os cuidadores que receberam formação em grupo possuíam mais conhecimentos (Média de ordenação = 14,0), a que corresponde a ordenações médias superiores (p=0,012; U=18,00), acontecendo o contrário depois da formação (M2), sendo que os cuidadores que fizeram formação no domicílio (p=0,002; U=10,50) detinham médias de ordenação mais elevadas, ou seja, maior nível de conhecimentos acerca da prevenção das UPP, com diferenças estatísticas altamente significativas (Média de ordenação =14,05) (Tabela 16).
Tabela 16.
Resultados dos testes de Mann-Whitney para cada momento, por faixa etária e tipo de formação para a formação “Prevenção de UPP, posicionamento e transferências”
Variáveis Frequência (n) Média de ordenação Valor do teste p value Pontuação total da formação “Prevenção de UPP, posicionamento e transferências” Antes Idade 29-44anos 6 11,67 MW: 35,00 0,543 45-80anos 14 10,00 Tipo de formação Domicílio 11 7,64 MW: 18,00 0,012 Grupo 9 14,00 Depois Idade 29-44anos 6 6,75 MW: 19,50 0,055 45-80anos 14 12,11 Tipo de formação Domicílio 11 14,05 MW: 10,50 0,002 Grupo 9 6,17
Análise comparativa dos dois momentos de avaliação
Avaliando as pontuações totais, verifica-se que a pontuação média amostral é mais baixa antes da formação (M=10,75; dp=1,45), do que após a mesma (M=16,20; dp=1,76). O diagrama de extremos e quartis (Figura 6) evidencia essas mesmas diferenças, bem como a baixa dispersão das pontuações em ambos os casos.
Figura 6. Diagrama de extremos e quartis para as pontuações globais antes e depois da formação
Legenda: UPM1 – Soma da pontuação dos conhecimentos sobre UPP momento 1; UPM2 – Soma da pontuação dos
conhecimentos sobre UPP momento 2
No teste de Wilcoxon para amostras emparelhadas, comparando as médias das ordenações da pontuação entre o primeiro momento (Md=10,0) e o segundo momento (Md=16,0) depois da formação, obteve-se um valor-p inferior a 0,001 ( +=18; -=0; Z=-3,828), o que a um nível de significância de 5% nos leva a rejeitar a hipótese nula e a concluir que há evidências estatísticas de que as médias das ordenações na avaliação das técnicas de prevenção de UPP sejam superiores após a formação. Isto significa que a formação foi eficaz na melhoria dos conhecimentos dos CIs sobre a prevenção de UPP.
Análise diferencial da formação “Alimentação saudável no idoso dependente”
Análise comparativa nos dois momentos de avaliação, por grupo etário
Para o primeiro momento, antes da formação, verificou-se uma diferença bastante acentuada nas pontuações dos conhecimentos sobre alimentação saudável entre as duas faixas etárias (Figura 7). De facto, as estatísticas amostrais revelaram que a faixa dos 29 aos 44 anos obteve pontuações bastante baixas (M=7,8; dp=1,92) comparativamente ao segundo grupo (M=11,5; dp=2,03), revelando um défice de conhecimento na área da alimentação saudável. Após a
menos evidentes as diferenças entre os grupos etários, onde os indivíduos entre os 29-44 anos obtiveram uma pontuação média de 13,8 (dp=1,64) e os restantes uma média amostral de 13,71 pontos (dp=1,64).
Figura 7. Diagrama de extremos e quartis por grupo etário, antes e depois da formação
Legenda: AlimM1 – Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 1; AlimM2 - Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 2
Comparando os dois grupos etários, antes da formação, no teste de comparação de Mann-
Whitney para a pontuação do conhecimento acerca da alimentação, o valor p-value é de 0,005
(U=5,500), o que leva à rejeição da hipótese nula, concluindo que há diferenças entre as médias das ordenações de conhecimento entre os dois grupos etários, sendo que ao grupo dos 45-80 anos corresponde a média das ordenações das pontuações superiores, ou seja, detém mais conhecimento. No entanto, após a formação, não se verificaram diferenças significativas entre as médias das ordenações dos dois grupos etários, sendo o valor p-value de 0,961 (U=34,5), não permitindo concluir que haja diferenças entre as duas faixas etárias (Tabela 17).
Análise comparativa nos dois momentos de avaliação, por tipo de formação
Nesta análise comparativa entre os dois tipos de formação, o diagrama de extremos e quart is (Figura 8) evidencia uma grande dispersão nos resultados obtidos antes da formação, que diminuiu substancialmente após a mesma. Não obstante, no primeiro momento, é possível
observar pontuações mais altas no grupo que fez formação no domicílio (M=11,18; dp=2,52) do que no grupo que fez formação em grupo (M=9,63; dp=2,50). Esta diferença torna-se menos visível após as atividades, o mesmo se verificando nas estatísticas amostrais: no domicílio obteve-se uma média 14,09 (dp=1,45) e no grupo 13,25 (dp=1,75).
Figura 8. Diagrama de extremos e quartis por tipo de formação
Legenda: AlimM1 – Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 1; AlimM2 - Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 2
No primeiro momento, antes da formação, o teste de Mann-Whitney, não alcançou a significância estatística (p=0,207), nem depois da formação (p=0,106), conforme a tabela 17, pelo que se conclui que não há evidências de que haja diferenças entre as ordenações médias da pontuação entre tipos de formação, no que diz respeito à temática da alimentação saudável no idoso dependente.
Tabela 17.
Resultados dos testes de Mann-Whitney para cada momento, por faixa etária e tipo de formação para a formação “Alimentação saudável no idoso dependente”
Variáveis Frequência (n) Média de ordenação Valor do teste p value Pontuação total da formação “Alimentação saudável no idoso dependente” Antes Idade 29-44anos 6 4,10 MW: 5,50 0,005 45-80anos 14 12,11 Tipo de formação Domicílio 11 11,36 MW: 29,00 0,207 Grupo 9 8,13 Depois Idade 29-44anos 6 10,10 MW: 34,50 0,961 45-80anos 14 9,96 Tipo de formação Domicílio 11 11,68 MW: 25,50 0,106 Grupo 9 7,69
Análise comparativa dos dois momentos de avaliação
O diagrama de extremos e quartis comparativo (Figura 9) das pontuações totais amostrais evidencia um aumento das mesmas após a formação. Apesar das pontuações médias amostrais não diferirem em grande medida (M= 0,53 antes e M=13,74 depois), o primeiro grupo apresenta uma maior dispersão, indicando a presença de diferentes níveis de conhecimento nesta área. O mesmo não aconteceu no grupo após a formação, onde as pontuações se encontraram mais próximas, com menor dispersão, localizadas em valores mais altos.
Figura 9. Diagrama de extremos e quartis para as pontuações globais antes e depois da formação
Legenda: AlimM1- Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 1; AlimM2 - Soma da pontuação dos conhecimentos sobre Alimentação saudável no idoso dependente momento 2
No teste de Wilcoxon para amostras emparelhadas, que nos permite verificar a evolução dos conhecimentos acerca da alimentação, do primeiro momento de recolha de dados (antes da formação) para o segundo momento (depois da formação), obteve-se um valor-p de 0,001 ( +=17; -=1; Z=-3,321), o que nos leva a rejeitar a hipótese nula e a inferir que há um aumento significativo nas médias das ordenações após a formação, evidenciando a eficácia da mesma.
Assim e dando resposta aos indicadores de resultado ou de impacto de acordo com as metas estabelecidas, podemos afirmar que estas foram atingidas. Relativamente a ganhos em conhecimento sobre alimentação saudável do idoso dependente, atingiram-se ganhos em conhecimento de 90% nos dois contextos de formação e 89,5 % de ganhos em conhecimento sobre prevenção de UPP e transferências do idoso dependente.
CAPÍTULOIII
Neste capítulo, torna-se oportuno refletir acerca das experiências vividas no decurso da unidade curricular Estágio e Relatório. Desta forma, fazemos um balanço positivo de todo o percurso efetuado, tivemos possibilidades e oportunidades para aprofundar e consolidar as competências inerentes ao EEECSP.
Durante o estágio é de salientar as atividades desenvolvidas para as necessidades concretas de saúde de uma comunidade, com orientação para a promoção da saúde, prevenção da doença, recuperação e manutenção da saúde dos indivíduos e família. Constatamos o papel de liderança que os EEECSP assumem no âmbito da coordenação e implementação de programas de saúde e na mobilização dos diferentes parceiros da comunidade, catalisando os diferentes sectores (saúde, educação, redes sociais, departamentos das autarquias) para a efetiva capacitação de grupos e comunidades.
Neste âmbito, a nossa participação permitiu contribuir para a capacitação de um grupo da comunidade decorrente do desenvolvimento e implementação, em contexto de estágio, do projeto “Cuidar de quem Cuida”, que baseado na metodologia do planeamento em saúde, teve como população alvo de intervenção os CIs de idosos dependentes da freguesia de Cambres. Este projeto, é de relevância atual dado que a sociedade está cada vez mais envelhecida, potenciando o aparecimento de doenças crónicas. Esta situação acarreta a necessidade de apoio às pessoas idosas e a capacitação dos cuidadores para uma melhor gestão da doença crónica e promoção do bem-estar e QV em situações de maior dependência e vulnerabilidade. O problema das pessoas idosas dependentes emerge como um problema prioritário nas políticas sociais, de saúde e económicas dos países desenvolvidos, a que Portugal não fica alheio. Se por um lado, cada vez mais, a família é incentivada a participar nos cuidados das pessoas idosas dependentes, por outro, tem cada vez menos condições para o fazer. Tarefa exigente, física e psicologicamente, assumida muitas vezes pelos CIs, que asseguram a maior parte dos cuidados.
Assim, o diagnóstico de situação permitiu-nos fazer um levantamento das necessidades/dificuldades sentidas pelos CIs de pessoas dependentes no processo de cuidar. O contacto direto com os CIs, em contexto domiciliário, permitiu-nos uma experiência muito enriquecedora e um conhecimento mais abrangente e integrado das suas vivências e necessidades, e perceber a forma como reconstroem diariamente o processo de cuidar, bem
como a sua perceção acerca do contributo que os enfermeiros podem dar para a melhoria da sua preparação e satisfação para cuidar.
Contextualizando a dimensão demográfica da população do Concelho de Lamego e seguindo a tendência do país, o diagnóstico de situação permitiu constatar o envelhecimento da população da freguesia de Cambres. Esta freguesia ocupa o segundo lugar, no concelho de Lamego, no que concerne ao número de pessoas idosas, apresentando 466 pessoas com idade superior a 65 anos (INE, 2011). Da população residente na freguesia de Cambres, com mais de 65 anos e após aplicados os critérios de inclusão e exclusão no estudo, foram identificados 39 idosos dependentes com CI, ou seja, 8,37% da população residente.
Com o diagnóstico de situação foram identificados e de seguida priorizados os seguintes problemas: conhecimento do CI sobre prevenção das UPP não demonstrado; capacidade do CI para alimentar a pessoa dependente/assistir nas refeições não demonstrada; conhecimento do CI sobre posicionamentos não demonstrado; alterações do estado de saúde do CI, presentes.
Assim, depois desta identificação das necessidades e priorização dos problemas tornou-se imperioso intervir, desenvolvendo estratégias de âmbito formativo que contribuíssem para a melhoria nos cuidados às pessoas dependentes e, por sua vez, para a melhoria da saúde do CI. O projeto “Cuidar de quem Cuida” foi então direcionado para as necessidades dos CIs: Alimentação saudável; prevenção de UPP e posicionamentos e transferências.
Tal como referido anteriormente, o desenvolvimento do projeto de intervenção pretendeu dar respostas a algumas das necessidades/dificuldades sentidas pelo CIs. Para tal, foram efetuadas ações de formação sobre as temáticas a intervir, com o objetivo de capacitar os CIs para o processo de cuidar.
Da avaliação do projeto de intervenção “Cuidar de quem Cuida”, constatou-se, de uma forma geral, que a formação foi eficaz, sendo que quando ocorreu em contexto domiciliário os CIs conseguiram adquirir mais conhecimentos sobre as temáticas abordadas. Assim, dado terem ocorrido mudanças positivas nos conhecimentos sobre alimentação saudável, prevenção das UPP, posicionamentos e transferências, é expectável que estas perdurem no desempenho do papel de cuidador e, consequentemente, tenham repercussões positivas na melhoria da QV da pessoa dependente e do CI.
Atualmente, desempenhamos funções nos CSP e deparamo-nos frequentemente com situações de sobrecarga dos cuidadores potenciada pela dificuldade no processo de prestação de cuidados, que surge em resultado da falta de preparação e formação para este papel. Daí termos vivenciado este trabalho de uma forma tão especial, pois reconhecemos que o trabalho do enfermeiro especialista é fundamental para diagnosticar o risco de capacidade comprometida do desempenho do papel de cuidador. Nesse sentido, esboça-se como proposta de intervenção futura ter como alvo o grupo de cuidadores, no que concerne à sua qualidade de vida, minimizando a sobrecarga física e emocional, consequente ao exercício exigente e prolongado no tempo que é o cuidar de pessoas dependentes.
Com o desenvolvimento deste projeto consolidamos as competências inerentes à intervenção especializada em enfermagem comunitária, e constatamos o papel fulcral que o EEECSP tem no desenvolvimento de processos formativos contribuindo para a capacitação de grupos da comunidade. Os mesmos assumem-se como agentes promotores de saúde, dinamizadores e interlocutores com os diferentes recursos existentes na comunidade.
Durante o estágio, para além da elaboração e implementação do projeto de intervenção,