2.3 La recommandation en séquence
2.3.2 Domaines d'application des modèles séquentiels
O envelhecimento da população representa um dos fenómenos demográficos mais preocupantes das sociedades modernas do século XXI (INE, 2011). Ao longo dos tempos tem-se assistido a uma evolução na sociedade, evolução essa que contempla o envelhecimento da população e o aumento da longevidade dos indivíduos, tendo vindo a constituir cada vez mais um objeto de estudo para os cientistas.
Paúl e Fonseca (2005), de acordo com a OMS, afirmam que o envelhecimento da população é um dos maiores desafios, devido às consequências sociais, económicas e políticas, referenciando que os idosos atingiam já 20% da população em vários países. Em Portugal, essa realidade não é exceção e, segundo dados do INE (2011), o número médio de filhos por mulher em idade fértil tem vindo a diminuir consideravelmente desde a década de 60, verificando-se, na última década, que a taxa de fecundidade decresceu de 43,2%, em 2001, por cada 1000 mulheres em idade fértil, para 39,8%, em 2010.
O aumento da população idosa resulta da chamada transição demográfica definida como a passagem de um modelo demográfico de fecundidade e de mortalidade elevados, para um modelo em que ambos os fenómenos atingem níveis baixos (Rafart, 2001). De acordo com Fangueiro (2008), estima-se que, em 2050, a população total residente do país seja de aproximadamente 9,3 milhões de habitantes, sendo que apenas 55,1% estará em idade potencialmente ativa. No mesmo período, calcula-se que por cada pensionista ativo não chegarão a existir dois adultos em idade ativa (mais concretamente 1,73).
O envelhecimento faz parte da lei universal da vida, na qual se insere o ciclo biológico do nascimento, crescimento/desenvolvimento e morte e não deve ser observado como algo estático ou compartimentado, mas encarado como o resultado de um jogo de forças em que o Homem, unidade mente-corpo, segue uma evolução com importantes implicações biológicas, psicológicas e sociais (Lopes, 1980, cit. por M. Ferreira, 2002).
Para Brêtas (2003), o envelhecimento:
É um processo complexo, pluridimensional, revestido por aquisições individuais e colectivas, fenómenos inseparáveis e simultâneos. Por mais que o acto de envelhecer seja individual, o ser humano vive na esfera colectiva e como tal, sofre as influências da sociedade. A vida não é só biológica, ela é social e culturalmente construída, portanto pode-se dizer que os estágios da vida apresentam diferentes significados e duração. (p.298)
Para Cabete (2008), o envelhecimento é “um processo de diminuição orgânica e funcional não decorrente de acidente ou doença e que acontece inevitavelmente com o passar do tempo” (p.5). Também S. Ferreira (2008), num dos seus trabalhos sobre este domínio, afirma que “o envelhecimento não é uma doença. É um processo contínuo, complexo e universal, comum a todos os seres vivos, que pode ter uma evolução mais rápida na última fase de vida do ser humano tornando-o mais vulnerável” (p.32).
Assistimos hoje a um envelhecimento da sociedade atual que tem vindo a ser estudado sob duas perspetivas: o envelhecimento individual, que assenta na maior longevidade dos indivíduos e, por isso, no aumento da esperança média de vida; e o envelhecimento demográfico, que se define pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total (Cabete, 2008). Deste modo, o envelhecimento individual é considerado um processo multifatorial e inevitável que se caracteriza por um conjunto complexo de alterações, fisiológicas, psicológicas e sociais, próprias de cada indivíduo. Existem muitas definições e teorias sobre o envelhecimento, sendo este um processo que se inicia à nascença, de forma individualizada e comum a todos os seres vivos.
Para Fonseca (2004), a velhice surge assim como uma etapa da vida, fruto da civilização contemporânea, pois “… não havia velhos entre os hominídeos nem entre os pré-históricos. A velhice é assim considerada como …um processo desfavorável e progressivo de mudança, de modo geral associado à passagem de tempo, que se torna perceptível depois da maturidade e conclui, invariavelmente, com a morte…” (p.35). Por sua vez, Imaginário (2004) defende que a velhice surge pela deterioração e declínio da funcionalidade do indivíduo, levando-o à
incapacidade e desenvolvimento de um autoconceito negativo. A velhice, por si só, não é significado de doença ou incapacidade, mas sim de uma menor capacidade do organismo, que conduz a repercussões sociais, económicas e éticas (C. Santos, 2000).
De acordo com Fonseca (2004), a velhice pode ser dividida em três categorias cronológicas: o idoso jovem, que corresponde à faixa etária dos 65-74 anos, o idoso médio, dos 75-84 anos, e o idoso idoso, correspondente ao idoso com 85 e mais anos. Apesar da idade cronológica, o idoso apresenta muitas vezes um bom aspeto físico e psicológico, considerando C. Santos (2000) que a idade cronológica corresponde à idade oficial, dada pelo bilhete de identidade; a idade biológica corresponde ao estado orgânico e funcional dos diferentes órgãos, aparelhos e sistemas, sendo que o estado psicológico pode não estar dependente da idade nem do estado orgânico. Desta forma e de acordo com o explanado anteriormente, podemos afirmar que envelhecimento não é sinónimo de velhice e Fontaine (2000) salienta essa distinção, definindo o envelhecimento como um processo que ocorre no indivíduo e a velhice como um estado que caracteriza um grupo com determinada idade.
Paralelamente a um fenómeno de envelhecimento individual, assistimos a um envelhecimento demográfico de amplitude mundial, que não se deve unicamente ao aumento da esperança de vida, mas também à melhoria da saúde pública, incluindo a EpS, a melhoria das condições sociais, da nutrição e a mais recente, os avanços da medicina curativa e preventiva, tendo contribuindo para uma redução da taxa de mortalidade (Grelha, 2009). Este envelhecimento demográfico, associado à diminuição da natalidade, traz consequências marcantes a nível socioeconómico. Os resultados do Censos de 2011 permitiram quantificar que o esforço da sociedade sobre a população ativa se agravou na última década em 4% e que, a menos que se verifique uma inversão da diminuição da natalidade, este indicador tenderá a agravar-se (INE, 2011).
Em Portugal, o fenómeno de envelhecimento não é exceção. Segundo o INE (2011), as características demográficas da população revelam que se agravou o envelhecimento da população na última década. Em 2011, Portugal tinha cerca de 19% da população com 65 ou mais anos de idade e entre os anos 2001 e 2011 verificou-se uma redução da população jovem (0-14 anos de idade) e da população jovem em idade ativa (15-24 anos) de, respetivamente, 5,1% e 22,5%, demonstrador de um envelhecimento contínuo e significativo.
T. Martins, Ribeiro e Garrett (2004) afirmam que com o envelhecimento da população “…o número de pessoas com doenças crónicas e incapacitantes tem vindo a aumentar” (p.19), o que acarreta novos problemas aos idosos, às suas famílias, às instituições de saúde e de apoio social e à sociedade em geral. Costa (2006), acrescenta que os problemas que afligem os idosos não se limitam à doença, sendo esta o menor deles. Assim, situações como a solidão, a perda de contactos familiares e sociais, a falta de recursos económicos, o défice de apoio social e a perda de autonomia são os novos e, simultaneamente, velhos motivos que continuam a perturbar os idosos.
É de realçar que os avanços médicos promoveram a esperança de vida por um lado e, consequentemente, por outro lado, o aumento de doenças crónicas, incapacitantes que podem persistir durante longos períodos de tempo. Calcula-se que, a nível global, “…650 milhões de pessoas …, ou seja 10% da população mundial vive com uma deficiência ou incapacidade, tendencialmente a aumentar, considerando … as previsões demográficas no que concerne à esperança de vida” (Portugal, 2007, p.28). Dado o ritmo de vida desgastante das sociedades atuais, as perturbações mentais e comportamentais tornaram-se “…comuns, afetando 20%- 25% de todas as pessoas, em dado momento, durante a sua vida. São também universais, afetando todos os países e sociedades, … indivíduos de todas as idades … têm um pronunciado impacto económico, direto e indireto, nas sociedades …” (OMS, 2002, p.21). O próprio conceito de saúde definido pela OMS passou a incluir um elemento mental.
A dependência, tal como é definida na legislação portuguesa (Decreto-Lei n.º 265/99, de 14 de julho e Decreto-Lei n.º 309-A/2000, de 30 de novembro), remete para uma condição em que as pessoas “…não possam praticar com autonomia os atos indispensáveis à satisfação das necessidades básicas da vida quotidiana, [serviços domésticos, locomoção e cuidados de higiene, alimentares e de saúde] carecendo da assistência de outrem” (1.º grau de dependência) ou, num caso extremo, a situação de pessoas que se encontrem acamadas ou apresentem quadros de demência grave (2.º grau de dependência). Portanto, a dependência relaciona-se diretamente com a perda brusca ou progressiva de autonomia a vários níveis, sendo eles o físico, o psíquico e o social, com a necessidade de outrem para dar resposta a determinadas atividades da vida diária, bem como dificuldades funcionais instaladas ou que se vão instalando, assim como com a reformulação da representação ou perceção individual acerca da QV (Grelha, 2009).
De acordo com Sanchez (2000), corroborado por Rocha, Vieira e Sena (2008), a dependência física decorre da incapacidade funcional, ou seja, da falta de condições para realizar as tarefas da vida diária em diferentes graus de severidade. Pode ser resultado de fragilidade física, problemas de mobilidade, bem como de doenças associadas. A dependência psicológica pode advir de transtornos cognitivos bem como de alterações de personalidade (Grelha, 2009). A dependência comportamental é socialmente induzida, pois advém do julgamento e das ações de outrem (Sanchez, 2000, cit. por Rocha et al., 2008). Esta dependência está ligada à diminuição da autonomia do idoso levando a uma perda, que pode ser total ou parcial, de capacidade para realizar as suas atividades básicas da vida diária (ABVD) e/ou atividades instrumentais da vida diária (AIVD), tendo necessidade de ajuda de terceiros.
José, Wall e Correia (2002) classificam o grau de dependência em três grupos: os idosos com
baixa dependência, como aqueles que ostentam necessidade apenas de acompanhamento e
supervisão, apresentando alguma mobilidade, o que permite que consigam satisfazer algumas necessidades básicas como o seu autocuidado; os idosos com média dependência, são os que necessitam apenas de vigilância mas também de ajuda no seu autocuidado; e, por último, os
idosos com elevada dependência, são os que apresentam necessidade permanente do cuidador
para a realização das ABVD.
Sequeira (2010), afirma que a adaptação das intervenções de acordo com as necessidades e capacidades de resposta do idoso depende, acima de tudo, de uma avaliação precoce do idoso, apresentando-se como um benefício na prevenção e agravamento da dependência bem como no aparecimento de outras complicações. Um diagnóstico correto do idoso permite que o cuidador promova um cuidar mais efetivo, tendo em conta as necessidades identificadas.